Nas últimas semanas, grandes operadoras de telefonia e fornecimento de dados adotaram uma nova estratégia para cumprir seu objetivo de limitar a quantidade de dados em seu plano. Silenciosamente Oi, Vivo e Net se associaram ao Sindisat, o sindicato de provedores via satélite, e à Abrint, associação que representa pequenas empresas de telecomunicações. O intuito delas seria formar uma frente mais poderosa ao pressionar a Anatel a rever a proibição da franquia limitada de dados no Brasil.
A pressão das operadoras já havia sido rechaçada pela Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações – no ano passado, quando a instituição proibiu a limitação de dados nos planos de internet fixa. Mesmo assim, operadoras com a VIVO chegaram a apresentar prévias de planos que limitariam a internet entre 10 e 130GB. Após o consumo desses dados, a conexão poderia ser bloqueada ou ter a velocidade drasticamente reduzida.
No entanto, esse é um mercado que envolve muito dinheiro. Serviços de streaming, como Netflix, Spotify e vídeo game, como Steam, por exemplo confiram uma enorme ameaça ao monopólio não apenas de dados, mas de informações. Afinal, A maioria dessas empresas também opera serviços de TV a cabo ou sob demanda. Concorrentes diretos sendo subjugados pelas novas plataformas.
De acordo com entrevista do presidente da Abrint, Basílio Perez, ao UOL Tecnologia, a Anatel deveria permitir que as empresas limitem os planos, contanto que ofereçam pacotes mensais a partir de 500GB. Segundo o dirigente, o equivalente a 2h30 de Netflix por dia. E aí, é o suficiente para você?
Valem lembrar que durante uma entrevista coletiva, em Abril de 2016, o então presidente da Anatel, João Rezende, culpou quem joga online pelo eventual congestionamento de dados e, consequentemente, pela implementação da internet fixa.
Nas palavras do executivo, “Tem gente que adora, fica jogando o tempo inteiro e isso gasta um volume de banda muito grande. É evidente que algum tipo de equilíbrio há de se ter porque, senão, nós teremos o consumidor que consome menos pagando por aqueles que estão consumindo mais. É essa questão da propaganda, do ilimitado e do infinito que é um negócio que acabou desacostumando o usuário”, declarou.
Além de não abordar ao menos superficialmente a falta de infraestrutura de dados no país, a declaração culpou o consumidor e, obviamente, não pegou nada bem e insuflou uma campanha digital dos usuários a fim de combater a iniciativa.
Diante da contrariedade, a Anatel emitiu uma ordem para que as operadoras cancelassem a mudança por 90 dias. Muito perto de ser aplicada, a limitação não foi consumada graças a manifestação dos consumidores. Em 2017, a entidade proibiu, de fato, o novo modelo. No entanto, tudo indica que essa luta está longe de acabar.
Fonte: Yahoo Noticias









