Justiça Federal determina que AGU comprove por qual motivo atua em favor de Janja

A determinação é da juíza Maria Cecilia de Marco Rocha, da 9ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, em decisão assinada em 17 de setembro. A Justiça Federal do Distrito Federal determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU) apresente documentos que comprovem a regularidade de sua atuação na defesa da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, em uma ação popular que questiona despesas relacionadas a viagens internacionais e outros atos envolvendo sua atuação institucional. A determinação é da juíza Maria Cecilia de Marco Rocha, da 9ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, em decisão assinada em 17 de setembro. O processo foi movido pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo) e pelo advogado Jeffrey Chiquini (Novo). Ambos são candidatos a deputados federais.

A magistrada não declarou irregular a representação da primeira-dama pela AGU. Em vez disso, determinou que o órgão apresente os documentos que permitam verificar se os requisitos legais para a atuação foram cumpridos.

Na contestação apresentada no processo, a AGU afirmou que sua atuação em favor de Janja estaria amparada no artigo 22 da Lei nº 9.028/1995, na Portaria AGU nº 428/2019 e no artigo 37, XVII, da Lei nº 13.327/2016. Segundo o órgão, a representação dependeria de requerimento administrativo do interessado, análise jurídica e posterior deferimento — procedimento que, segundo a própria AGU, teria sido realizado no caso.

O problema apontado pela Justiça é que o procedimento administrativo mencionado pela defesa não foi anexado aos autos. Os autores da ação contestaram a regularidade da representação justamente pela ausência dessa documentação. A juíza afirmou que não seria adequado reconhecer imediatamente uma eventual irregularidade.

Por isso, determinou que a AGU apresente o requerimento de representação judicial formulado por Janja, a manifestação ou parecer jurídico que analisou o pedido, o ato que autorizou a atuação da Advocacia da União e os demais documentos necessários para demonstrar o cumprimento das exigências legais e regulamentares.

O Antagonista

Pesquisa do Estadão aponta que maioria dos brasileiros quer impeachment de Moraes e Toffoli

Pesquisa Atlas/Estadão revela que a maior parte da população defende o impeachment dos dois ministros do STF pelas relações com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Pesquisa Atlas/Estadão aponta que 60,5% dos brasileiros defendem o impeachment imediato do ministro Dias Toffoli e 49,8% o de Alexandre de Moraes, ambos do STF, em razão do caso Banco Master. O levantamento, feito entre 17 e 21 de setembro de 2026 com 1.852 pessoas (recrutamento digital aleatório, margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de confiança), foi realizado após a sessão tumultuada em que o plenário do Supremo debateu a abertura de investigação contra Moraes. Os percentuais acima correspondem a quem considera já existirem indícios suficientes para o afastamento imediato. Outros 31,9% (Moraes) e 26,1% (Toffoli) só aprovariam o impeachment se as apurações confirmassem envolvimento. São contrários 15,1% e 6,5%, respectivamente. Os que não souberam responder ficaram em 3,2% e 6,8%.

             O escândalo envolve o banqueiro Daniel Vorcaro. Relatório da Polícia Federal, revelado pelo Estadão, descreve mensagens em que Vorcaro pede auxílio a Moraes sobre investigações do banco. Há também registros de que o ministro teria editado minuta de contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório da mulher, Viviane Barci de Moraes, além de outro contrato de R$ 50 milhões pago com cotas de aeronaves. O banco ainda teria emitido cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.

           Toffoli foi ligado ao caso pelo resort Tayayá, no Paraná, que pertencia formalmente a familiares dele e tinha como cotista um fundo cujo beneficiário final seria Fabiano Zettel, cunhado e operador de Vorcaro. O ministro chegou a relatar processos da Operação Compliance Zero, mas deixou o caso após a revelação do vínculo econômico. O processo foi redistribuído a André Mendonça.
Em pesquisa AtlasIntel de março, 49,3% já defendiam o impeachment de Toffoli. O percentual subiu 11 pontos. A piora na avaliação ocorre mesmo com novas revelações envolvendo também filhos de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, além de reuniões de Vorcaro com Mendonça e Gilmar Mendes.
O caso Master tem piorado a percepção pública sobre o STF, segundo o instituto.

Jornal da Cidade Online

André Mendonça pede a Fachin arquivamento de investigação e apuração do relatório da PF

Além do pedido de arquivamento da ação, o ministro pediu uma apuração sobre os relatórios de inteligência da PF que Moraes usou contra ele. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, rebateu as acusações do colega Alexandre de Moraes sobre uma condução seletiva do caso Master, que descobriu uma suposta aliança do ministro com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em um ofício enviado ao presidente Edson Fachin na noite desta segunda-feira (21), Mendonça pede o arquivamento da ação proposta por Moraes contra ele por abuso de autoridade. Ele também cita que Moraes seja investigado pela prática da denúncia apresentada na Corte, mediante o uso de relatórios de inteligência feitos pela Polícia Federal (PF), com índices de espionagem ilícita contra Mendonça. O caso chegou a ser citado no plenário da Corte no último dia 15, quando o então relator do caso Master afirmou haver uma espécie de “PF paralela” no caso. O ministro Luiz Fux também defendeu o argumento do colega.

Na petição, Mendonça pede que seja indeferida a elaboração de novos relatórios com a mesma finalidade de acusação. Em resposta direta a Moraes, Mendonça afirmou que não deveria ser ele a ser investigado no “interminável inquérito das fake news que se arrasta por sete anos”.

O procedimento contra Mendonça foi aberto depois que Moraes enviou à presidência do STF relatórios de inteligência da Polícia Federal apontando possíveis irregularidades cometidas por Mendonça na condução das investigações.

Fachin determinou primeiro a manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) e, na sequência, concedeu cinco dias úteis para que Mendonça se pronunciasse sobre a forma, o conteúdo e a regularidade do procedimento, incluindo questões processuais.

Com a resposta, os autos retornam à presidência do Supremo. Fachin terá de definir os próximos passos, porém, em meio a um impasse ainda não resolvido pelo plenário sobre se as acusações contra Mendonça devem ser analisadas separadamente do procedimento que envolve Moraes.

Diário do Poder

 

Gilmar Mendes quer dar o golpe em Nunes Marques no TSE?

O decano do STF afirmou por meio de postagem no X, antigo Twitter, que haveria um movimento de ‘politização’ da Justiça Eleitoral. Pessoas próximas aos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) viram uma espécie de segunda intenção nos recentes ataques do ministro Gilmar Mendes contra o presidente da Corte, Kassio Nunes Marques. Como mostramos, durante o final de semana, o decano do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou por meio de postagem no X, antigo Twitter, que haveria um movimento de ‘politização’ da Justiça Eleitoral.

“Grave é o risco que vem de dentro: o da politização da Justiça Eleitoral. Quem tenta engajar o Tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de nele permanecer”, disse Gilmar, que complementou.

“E os partidos políticos e o Ministério Público Eleitoral devem fiscalizar atentamente se essas condições estão presentes, arguindo a suspeição nos casos em que ela se configure”.

Para aliados tanto de Nunes Marques quanto de André Mendonça, Gilmar pretende substituir um dos integrantes dessa ala para que ele possa ser o voto condutor da maioria das decisões do tribunal. Hoje, Gilmar é o primeiro ministro substituto do TSE. Na ausência de Nunes Marques, Mendoça ou de Dias Toffoli, ele passa a atuar como titular. Além de Gilmar, Flávio Dino – que fez uma dobradinha com o decano no julgamento da terça-feira da semana passada no STF – também é ministro reserva do TSE e pode ser escalado quando algum integrante titular originário do STF não possa comparecer a algum julgamento.

“Pixuleco eleitoral”

A publicação de Gilmar foi feita poucos dias depois do ministro chamar Mendonça de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”. Mendonça foi responsável por retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne conversas envolvendo Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Gilmar Mendes criticou a decisão e afirmou que ela teria envolvido o Supremo de maneira indevida na campanha eleitoral. Mendonça respondeu que o sigilo foi retirado em decisão fundamentada e negou ter transformado o STF em “palanque”.

Em manifestação anterior, Mendonça também acusou Gilmar de tentar constrangê-lo durante o julgamento do caso Master. O relator defendeu a legitimidade das divergências entre ministros e afirmou que a retirada do sigilo ocorreu dentro de suas atribuições.

O Antagonista

 

A magistratura brasileira não pode ser reduzida ao Supremo

                                                              *Leonardo Roesler

O Brasil precisa reaprender a distinguir instituições de seus ocupantes e Poderes de seus órgãos de cúpula. A deterioração da confiança pública no Supremo Tribunal Federal não autoriza a condenação coletiva da magistratura brasileira. Confundir o comportamento político, a exposição pública ou escolhas controvertidas de integrantes do STF com o trabalho de juízes de 1º grau e desembargadores é injusto e institucionalmente perigoso. Há razões legítimas para criticar o Supremo. Quando a Corte amplia excessivamente sua presença na arena política, prolonga investigações sem horizonte claro, permite a personalização de decisões institucionais ou transmite a impressão de que seus integrantes participam do conflito que deveriam arbitrar, produz desgaste institucional. O STF também exerce a função de Corte Constitucional e julga autoridades, o que o coloca no centro das disputas mais sensíveis do país.

Essa crítica, contudo, deve ter endereço certo. O Supremo não representa toda a magistratura. Nas comarcas do interior e nas varas estaduais, federais, trabalhistas e eleitorais, atuam magistrados que decidem sobre liberdade, patrimônio, família, saúde, trabalho e sobrevivência empresarial. Muitos enfrentam acervos elevados e estruturas insuficientes, longe dos holofotes de Brasília.

Atacar genericamente os juízes em razão de atos atribuídos ao STF enfraquece quem assegura ao cidadão o acesso concreto à Justiça. A crítica democrática é indispensável, mas a intimidação, a ofensa pessoal e a tentativa de deslegitimar toda a magistratura são incompatíveis com o Estado de Direito. Respeitar o juiz não significa aceitar toda decisão. Significa impugná-la pelos instrumentos processuais adequados e reconhecer a importância da independência judicial.

Ao mesmo tempo, defender a magistratura exige discutir o sistema de escolha dos ministros do Supremo. A Constituição atribui ao presidente da República a indicação, condicionada à aprovação da maioria absoluta do Senado. O modelo concentra enorme poder em dois atores políticos e admite permanências muito longas na Corte, pois o ministro permanece no cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos.

A legitimidade formal desse procedimento não encerra o debate sobre a qualidade republicana do modelo. A expressão constitucional “notável saber jurídico e reputação ilibada” é aberta e não assegura, por si só, experiência jurisdicional, pluralidade na seleção ou distância suficiente em relação ao poder responsável pela indicação.

O Brasil deveria estabelecer mandato único, sem recondução, com duração máxima de 15 anos para os ministros do STF. A medida preservaria a independência necessária à jurisdição constitucional e evitaria que uma escolha política projetasse seus efeitos por uma geração inteira. A Alemanha, por exemplo, adota mandato de 12 anos, sem reeleição, para os integrantes de sua Corte Constitucional.

A reforma deveria avançar também sobre outro ponto: somente magistrados de carreira, que tenham ingressado na judicatura mediante concurso público de provas e títulos, deveriam ser elegíveis ao STF. Quem recebe a responsabilidade de pronunciar a última palavra sobre a Constituição deve possuir experiência concreta de jurisdição, histórico funcional verificável e compromisso com as limitações próprias da função de julgar.

O requisito também deve excluir integrantes que tenham chegado aos tribunais pela regra do quinto constitucional. Embora advogados e membros do Ministério Público possam prestar contribuições relevantes, essa forma de ingresso não se confunde com a carreira iniciada por concurso para a magistratura. Para ocupar o STF, seria legítimo exigir percurso integralmente construído na judicatura.

A mudança deveria respeitar as situações constituídas, com regras de transição claras, para não se transformar em instrumento casuístico contra a composição atual. Reforma institucional séria deve valer para o futuro, não servir como retaliação dirigida a pessoas.

O processo de escolha também precisa ganhar transparência. O presidente da República deveria justificar publicamente a indicação com base em critérios objetivos, e o Senado deveria realizar escrutínio real, com perguntas técnicas e exame efetivo da independência do indicado.

O ponto central, entretanto, é a independência dos Poderes. O artigo 2º da Constituição determina que Legislativo, Executivo e Judiciário sejam independentes e harmônicos. Harmonia não significa silêncio diante de abusos, assim como independência não significa ausência de limites.

O Legislativo precisa legislar e fiscalizar. O Executivo precisa administrar dentro da lei. O Judiciário precisa julgar com imparcialidade, autocontenção e fundamentação. Quando um Poder ocupa reiteradamente o espaço do outro, enfraquece o sistema de freios e contrapesos.

A resposta à crise de confiança não está na destruição simbólica do Judiciário, mas em seu aperfeiçoamento. É possível defender a magistratura nacional e, ao mesmo tempo, exigir mudanças profundas no Supremo. O Brasil possui uma magistratura muito maior do que os 11 ministros do STF. Preservá-la é preservar a democracia. Reformar o Supremo, com mandato máximo de 15 anos, acesso restrito a magistrados de carreira, seleção mais transparente e respeito à separação dos Poderes, também é.

O país não precisa escolher entre um Judiciário forte e um Judiciário responsável. Precisa dos dois. A autoridade judicial nasce da imparcialidade, da coerência, da fundamentação e da confiança.

*Leonardo Roesler é advogado e sócio do RCA Advogados.

 

Reforma do STF está há 21 anos engavetada no Congresso

Reforma do STF está há 21 anos engavetada no Congresso. Promessa de Lula sobre reformar o sistema político e até estabelecer mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal não vai muito além do discurso eleitoreiro. São ao .menos 34 iniciativas do tipo no Congresso Nacional desde 2005, ou seja, nos três mandatos do petista, sem que Lula movesse um dedo para avançar a proposta. O próprio PT protocolou três projetos entre 2012 e 2014. Até Flávio Dino, fiel escudeiro de Lula no STF, tem projeto assim da época que era deputado (2009).

Gogó

Reginaldo Lopes (PT-MG) apareceu com a tal promessa às vésperas da eleição de 2026, mas não aparece nada protocolado na Câmara.

Tinha opções

Há propostas petistas com mandatos para sete ou 10 anos. Todas limitando a permanência de ministros no STF. Lula nunca deu bola.

Tempo depois

Em 2009, Dino, logo ele, propôs mandato de 11 anos e sem recondução. Anos depois, o amigo de Lula desfruta da estabilidade no Supremo.

Zero prioridade

Danilo Forte (PP-CE) até tentou andar com sua proposta este ano. Ouviu de Hugo Motta (Rep-PB) que nada vai tramitar até depois da eleição.

Coluna do Claudio Humberto

TST adia para quinta o julgamento da greve dos Correios

Presidente da Corte diz que parte contrária não teve tempo de analisar documentos. O TST (Tribunal Superior do Trabalho) adiou, nesta segunda-feira (21/9), o julgamento do dissídio coletivo sobre a greve dos Correios. O presidente da Corte, ministro Vieira de Mello Filho, remarcou a análise para quinta-feira (24/9), às 15h30. Segundo o ministro, os documentos apresentados pelos Correios para justificar a abusividade da greve foram juntados aos autos na sexta-feira (18/9) à noite, sem tempo hábil para análise da parte contrária. Ele concedeu 48 horas para que as federações dos trabalhadores se manifestem. Em suas palavras:

“Nós estaríamos aqui em desapreço ao devido processo legal porque estaríamos fundamentando uma decisão em documentos não examinados pela parte contrária. Eu acho isso temerário.”

O ministro Ives Gandra Martins Filho chegou a propor a suspensão da greve, já que o julgamento havia começado. Vieira de Mello Filho, porém, afirmou que não faria esse pedido aos sindicatos sem a análise prévia dos documentos. Os trabalhadores estão em paralisação nacional desde 10 de setembro, após a categoria não chegar a acordo com a empresa nas negociações. Os Correios entraram com o pedido de dissídio coletivo no TST em 11 de setembro, um dia após o início da greve por tempo indeterminado.

O principal ponto de impasse é a proposta de reajuste do plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes. Os Correios afirmam ter apresentado uma proposta que mantém 78 das 80 cláusulas do acordo anterior, com recomposição integral pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) para salários e benefícios. A empresa diz buscar equilíbrio entre a preservação de direitos dos trabalhadores e a recuperação financeira da estatal.

A Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios) orientou a categoria a manter o movimento.

Diário do Poder

 

O insuportável incômodo que toma conta da cúpula do Exército com o caso Alexandre de Moraes no STF

Integrantes da cúpula do Exército estão demonstrando nos bastidores um insuportável incômodo com a forma como o Supremo Tribunal Federal (STF) vem conduzindo o caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes em corrupção. A informação foi publicada pela revista VEJA, com base em relatos de interlocutores ligados ao comando da Força. Na terça-feira, dia 15, o Supremo começou a analisar uma questão processual relacionada ao caso. A discussão, porém, foi interrompida depois que o ministro Flávio Dino pediu vista. Com isso, o mérito da possível investigação sequer chegou a ser analisado pelo plenário.

Segundo os interlocutores ouvidos pela VEJA, o incômodo entre militares estaria relacionado justamente à diferença de tratamento que eles enxergam entre esse episódio e os procedimentos envolvendo oficiais investigados por participação nos atos de 8 de janeiro. A avaliação atribuída aos militares seria de que o Supremo deveria aplicar a um de seus próprios ministros o mesmo rigor que aplicou a integrantes das Forças Armadas investigados em outros processos. A comparação revela uma preocupação institucional que merece ser observada: quais critérios devem prevalecer quando as investigações atingem autoridades do próprio sistema de Justiça?  Apesar da insatisfação relatada, os interlocutores afirmaram que a cúpula do Exército não pretende fazer manifestações públicas que possam ser interpretadas como afronta ao Supremo. Uma frase atribuída a um interlocutor do comando resume o sentimento descrito na corporação:

“O Supremo que lide com seus problemas.”

De qualquer forma, não há, até o momento, uma manifestação institucional do Exército contra o Supremo. O que existe é o relato de insatisfação dentro da cúpula militar diante da condução de um caso que envolve um ministro da Corte. O episódio coloca novamente em evidência uma questão maior: quando instituições investigam seus próprios integrantes, a confiança pública depende não apenas da decisão final, mas também da percepção de que os mesmos critérios são aplicados a todos. No fim, talvez a questão mais importante seja justamente essa: quem fiscaliza os fiscais quando a investigação chega ao centro do próprio poder?

Jornal da Cidade Online

 

Eurodeputados pedem sanções contra o ministro Alexandre de Moraes na União Europeia

Enquanto o Congresso brasileiro se omite, indignação se espalha mundo afora contra o ministro Alexandre de Moraes e o STF. Três eurodeputados enviaram nesta segunda-feira (21) uma carta à alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, pedindo que o bloco avalie a possibilidade de aplicar sanções ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Os signatários são Adam Bielan e Mariusz Kamiński, da Polônia, e Carlo Fidanza, da Itália. No documento, eles solicitam que o Serviço Europeu para a Ação Externa analise alegações sobre a atuação de Moraes e decisões do Supremo em processos considerados “politicamente sensíveis”. Entre os pontos citados estão possíveis violações à liberdade de expressão, às garantias do devido processo legal, ao pluralismo político e a outros direitos fundamentais.

Os parlamentares afirmam que meras manifestações de preocupação não bastam e pedem “medidas concretas”. Pedem ainda que a UE verifique se a conduta atribuída a Moraes justificaria medidas restritivas previstas no regime europeu de sanções por violações de direitos humanos. A carta faz referência aos fundamentos usados pelos Estados Unidos para aplicar sanções a Moraes com base na Lei Magnitsky Global — punições que, segundo outras reportagens, foram posteriormente retiradas. Qualquer eventual medida, segundo os autores, deveria depender de “evidências críveis” de responsabilidade por violações graves.

Banco Master e questionamentos de imparcialidade. Os eurodeputados mencionam informações que, segundo eles, teriam surgido de uma investigação da Polícia Federal. Citam alegações de contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e um contrato entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa pagamentos que poderiam chegar a cerca de R$ 130 milhões em 36 meses. O escritório declarou que prestou serviços de consultoria jurídica e que não atuou em causas da instituição no STF.

Na carta, esses fatos são relacionados à atuação de Moraes nos processos que resultaram na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os parlamentares argumentam que as revelações levantam “sérias questões sobre a imparcialidade judicial” e justificariam um exame independente e transparente. O documento trata as informações como alegações, sem concluir que houve irregularidade.

Pedido de monitoramento das eleições. Além das sanções, os três deputados pedem acompanhamento “particularmente rigoroso e independente” do processo eleitoral brasileiro de outubro. Querem que a União Europeia use instrumentos diplomáticos e de observação para verificar se a eleição ocorre de forma livre, justa e transparente, incluindo o ambiente eleitoral, o tratamento a candidatos, o acesso à mídia, eventuais restrições ao discurso político, remoção de conteúdo, decisões judiciais que afetem campanhas, o funcionamento dos sistemas de votação e a correspondência entre votos e resultados anunciados.

A iniciativa é de um grupo pequeno de parlamentares de direita e não representa posição oficial da União Europeia. Pedidos semelhantes, feitos por um grupo maior de 16 eurodeputados em julho de 2025, não resultaram em sanções do bloco.

Diário do Poder

TSE aceita abrir ação contra Lula por dinheiro público no desfile de escola de samba

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceitou abrir uma ação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin para apurar supostas irregularidades relacionadas ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado no Carnaval deste ano. A representação foi apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro e admitida pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira.

A acusação aponta suposto abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. O desfile, realizado em 15 de fevereiro, teve como enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” e contou a trajetória política do presidente, da infância em Garanhuns, Pernambuco, até o retorno à Presidência após a prisão. Lula acompanhou a apresentação de um camarote na Sapucaí.

Segundo a ação apresentada por Flávio Bolsonaro, os repasses de recursos feitos pela Prefeitura do Rio de Janeiro e pela Embratur à escola após a definição do tema do desfile poderiam caracterizar abuso de poder. Os órgãos públicos, porém, afirmam que o apoio financeiro é concedido às escolas de samba para a realização do Carnaval. A representação também questiona outros repasses privados que, segundo a acusação, ainda não teriam sido esclarecidos.

A ação também sustenta que a transmissão do desfile pela televisão aberta e pela internet teria ampliado a exposição de Lula e configurado uma forma de campanha antecipada. Com a admissão da representação, Lula e Alckmin terão cinco dias, após serem notificados, para apresentar suas defesas. A abertura do processo não representa condenação e o caso seguirá em análise no TSE.

Jornal da Cidade Online