Chico, Caetano e Gil: Um exílio milionário

*Sílvia Gabas

Sempre me chamou a atenção o fato de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil serem tratados feito deuses pela imprensa e arrastar um exército de discípulos cegos que os veem como uma espécie de oráculo, a meu ver, vazio, mas que rende muito para os três em termos econômicos, sob o disfarce de relevância ideológica. E aí me pergunto, intrigada, quando foi, afinal que tudo isso começou,  e o que fizeram de tão importante na vida política brasileira para que tenham alcançado esse posto de autoridades inquestionáveis, exercendo um domínio completo sobre toda a classe artística, sem precisar respaldar suas “ordens” com mais ninguém, sendo em si mesmos a última palavra sobre temas que não lhes competem, mas acabam sendo aclamados e reverenciados como poucos em todo mundo e nada, absolutamente nada na vida cultural acontece ou vinga sem a sua extremosa benção?

Pois bem.

A resposta a ser dada é a tal da ditadura militar acontecida lá atrás, em passado distante, mas que essa turma toda que lá fez seu nome teima em manter viva a todo custo e isso por um motivo clássico: Ganham – e ganharam -muito com isso, tanto em relevância artística como em recompensa financeira, transformando o trio em pessoas ricas e burguesas, mas agarradas feito náufragos nas tetas generosas da narrativa da ditadura em que aparecem como heróis colocados para correr pelos militares da época. E a próxima pergunta é o que fizeram, afinal, que dores sofreram nas mãos de seus algozes, que vida árdua levaram para que tivessem sido alçados a esse patamar de porta-vozes oficiais da ideologia que professam, acabando no triste papel de serem eles agora, nesta triste atualidade, os apoiadores de um regime que comete os mesmos erros de um passado que dizem combater?

Vejamos Chico Buarque:

Nunca foi preso ou torturado fisicamente pelo regime militar. Foi detido para interrogatórios em algumas ocasiões por conta das letras das suas músicas e de uma viagem a Cuba em 1978, quando já havia retornado de um autoexílio na Itália por um período de 14 meses, retornando ao país depois disso.

Caetano e Gil ficaram presos por 54 dias em 1968 por conta de mensagens do movimento tropicalista encaradas como indevidas para a ordem institucional. Soltos em fevereiro de 69, foram forçados ao exílio em Londres, de onde retornaram em 1972. Por conta disso passaram os próximos 50 anos lucrando muito com seus ideais, e não parecem dispostos a largar o osso de heróis da revolução enquanto vivem em nababescos apartamentos regados a whisky, vinhos e comidinhas “gourmet” da melhor procedência. Seriam os primeiros a reconhecer um regime de exceção do longe, e estar na primeira fileira daqueles que se empenham a garantir liberdade de expressão para todos e não compactuar com perseguições, prisões e exílios somente pelo fato de que passaram na própria pele o que tantos hoje passam, sofrem – muito mais do que eles mesmos passaram – em tempo no qual o que prevalece no poder é a esquerda a qual pertencem, esquerda essa que foi reprimida naqueles anos do regime militar, de maneira inversa.

Mas qual o que!

São os primeiros a gritar “Sem anistia”, a mesma anistia que receberam, assim como tantos outros que recebem, inclusive, reparações financeiras geradas pela Lei da Anistia de 1979. São hoje parte integrante de um Sistema que persegue implacavelmente a oposição, e que se regozija com suas dores físicas e emocionais, com os inocentes humildes presos como verdadeiros bois de piranha, com os exilados que saem do país em busca de segurança política, assim como eles próprios fizeram há meio século.

Hoje são os algozes. Por que assim o fazem?

“Follow the money”, e terá resposta para tudo.

Silvia Gabas. @silgabas

 

INSS muda auxílio-doença e permite nova análise após benefício negado

Segurados terão dez dias para solicitar reavaliação de documentos. O Ministério da Previdência Social e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) alteraram as regras de concessão do auxílio por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença, por meio da análise documental. A nova norma foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta sexta-feira (6). Com a mudança, segurados que tiverem o benefício negado após a avaliação dos documentos médicos poderão solicitar uma reanálise no prazo de até dez dias, contados a partir da ciência da decisão. A nova avaliação ficará sob responsabilidade da Perícia Médica Federal, e será possível apresentar documentos médicos ou odontológicos adicionais.

A reanálise poderá ser solicitada antes da apresentação de recurso administrativo. Caso o segurado opte pelo recurso durante o prazo de dez dias, perderá a possibilidade de pedir essa nova avaliação. Outra alteração estabelece que, após duas negativas pela análise documental, os pedidos seguintes deverão ser encaminhados obrigatoriamente para agendamento de perícia médica. O exame poderá ocorrer presencialmente ou por telemedicina, desde que sejam atendidos os requisitos para essa modalidade.

A exigência continuará valendo para as solicitações posteriores até que o segurado consiga a concessão do benefício por meio de perícia presencial ou remota. A análise é realizada pelo Atestmed, sistema que permite solicitar o auxílio por incapacidade temporária sem a necessidade inicial de comparecimento a uma agência do INSS para perícia presencial.

Diário do Poder

Tudo ou nada em 2027: O plano da oposição para conquistar o Senado e frear o STF

O deputado federal Nikolas Ferreira resumiu, dois dias depois das eleições, o novo programa da oposição: “O único freio institucional que teremos é a presidência do Senado”. Isso significa dizer: enquanto o governo tem a caneta e o Supremo Tribunal Federal usa toga, a direita ficou com apenas uma trincheira para fevereiro de 2027. Por trás das cortinas, já há uma conta feita. Segundo o senador eleito Sanderson (RS), 48 senadores na nova formação da Casa seriam favoráveis a processos de impeachment contra ministros do STF. Sete a mais que os 41 necessários para eleger o presidente do Senado.

A direita já escolheu seu nome para a disputa: o senador Rogério Marinho. Contudo, há outros candidatos, como a senadora Tereza Cristina, que mantém sua candidatura à presidência do Senado, apesar das tentativas de unificação da oposição em torno de Rogerio Marinho. O senador Jorge Seif vê como natural que uma bancada que fez o maior número de deputados e senadores desde a redemocratização do Brasil, tenha sua candidatura própria.

“Sem contar que saímos das urnas com 60 milhões de votos. Logo, não há outro caminho, inclusive diante da sociedade, do que o PL apoiar ou lançar candidatura própria. Além de Rogerio Marinho, temos outros nomes excelentes, como Tereza Cristina. Estamos sintonizados com nossos 60 milhões de eleitores que querem mudanças, que não acreditam mais no Supremo Tribunal Federal. Temos que procurar uma independência para o Senado e não essa concordância entre o Executivo, Congresso e Judiciário”, destacou, em entrevista exclusiva à Revista A Verdade.

Alcolumbre sentiu a mudança

Para atrair votos da direita, o atual presidente do Senado começou a sinalizar com pautas antes bloqueadas, como a PEC que cria mandatos no STF e até mesmo a anistia para Jair Bolsonaro. A iniciativa, porém, esbarra na desconfiança. Parlamentares linha-dura, como Carlos Jordy, chamam a proposta de “conversa fiada”, enquanto outros festejam o fato de que senadores de peso não devem seguir a recomendação de seus partidos — como União Brasil e PP — para apoiar o atual comando.

No fim das contas, o recado das urnas que deu à direita a maior bancada do Senado valerá pouco se a presidência continuar nas mãos de quem controla as gavetas. Alcolumbre sabe disso e, por isso, oferece hoje o que negou até agora. Como a votação para a presidência da Casa é secreta, o desafio da oposição será manter a lealdade de sua base sob a pressão das negociações. Freio institucional não se negocia na última hora: ou o Senado freia agora, ou o país descobrirá em 2027 que nunca teve freio algum.

Jornal da Cidade Online

 

TRF3 contesta ‘poder mágico’ de Lula e libera 3 bets para atuar no Brasil

Desembargadora tratou a suspensão via MP como “verdadeiro confisco”, ao liberar a volta da operação de plataformas da CDA Gaming. O “poder mágico” do presidente Lula (PT) de evocar o interesse público para extinguir via medida provisória (MP) a operação das casas de apostas online no Brasil foi confrontado pela desembargadora do Tribunal Regional Federal da 3ª Região de São Paulo (TRF-3), Adriana Pileggi, que autorizou a volta do funcionamento de três bets no País.

A magistrada tratou a suspensão como “verdadeiro confisco”, e liberou a volta da operação das plataformas Casa de Apostas, Betsul e Jogo Online, de propriedade da CDA Gaming. E contestou o argumento de “interesse público” alegado por Lula, ao conceder liminar que anula os efeitos da MP publicada pelo petista na reta final de sua campanha de 1º turno à reeleição, em 25 de setembro.

A decisão destaca “enorme prejuízo aos autorizados”, ao citar que a CDA Gaming pagou outorga de R$ 30 milhões a título de “autorização onerosa para exploração de apostas de quota fixa”, que deveria perder validade apenas após 31 de dezembro de 2029.

“A evocação do termo ‘interesse público’ não confere à administração o poder mágico de alterar subitamente o acertado com eventual contratado, correndo o risco de descrédito total em relação aos contratos efetuados com a administração pública”, diz um trecho da decisão de Adriana Pileggi, que já expôs nas suas redes sociais críticas a Lula e a casos de corrupção do PT.

‘Sem milagres’

A desembargadora criticou que a proibição imposta por Lula sequer considerou pagar indenizações à CDA Gaming. E não teria poder milagroso de solucionar o crescente vício dos brasileiros em apostas e o endividamento crescente das famílias.

“Ora, a MP seria um milagre, resolveria tudo! Por óbvio, tal enfoque é inaceitável sob a óptica jurídica”, concluiu a magistrada do TRF-3, na decisão que mantém todas as outras empresas de bets proibidas de voltar a funcionar.

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que apresentará recurso contra a decisão liminar.

Outras ações para suspender a MP de Lula que extinguiu as bets tramitam desde 28 de setembro, no Supremo Tribunal Federal (STF), ajuizadas pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). E o ministro Luiz Fux debateu o tema audiência pública com clubes de futebol, entidades e integrantes do governo federal. Na ocasião em que o ministro destacou a importância de o caso ser apreciado pelo STF, Fux antecipou que é favorável a fechar as bets.

Diário do Poder

Tempos Estranhos: Quando a Justiça se retira do tribunal por alguma porta…

*Por Bady Elias Curi

A viagem do senador Flávio Bolsonaro aos EUA gerou reações divergentes e reacendeu debates sobre a imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes, além de suscitar críticas à perseguição jurídica por parte de membros do STF.

Moraes determinou que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal. A decisão foi proferida no âmbito de uma investigação embrionária por suposta lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Críticos da determinação ressaltam que o despacho ocorreu logo após o pleito eleitoral, no domingo, e questionam a urgência da medida cautelar em fase preliminar de apuração. A decisão também repercutiu em todo o mundo e em nosso meio jurídico. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o ministro aposentado do STF Marco Aurélio Mello criticou a conduta da Corte e a atuação de Moraes:

“O que nós temos no contexto, temos tempos estranhos. (…) Olha, dois pesos e duas medidas no Judiciário são péssimos. O que está havendo, por exemplo, relativamente ao filho do atual presidente da República? Ele está na Espanha. (…)

Ante este contexto de um autoritarismo maior — e vamos falar com todas as letras —, o que fez o cidadão Flávio Bolsonaro? Se tivesse sido eleito presidente da República, não estaria com esta celeuma, mas ele não foi eleito. Ele, em um ato de autodefesa para evitar a prisão, ele viajou, ele foi para os EUA com a mulher e as duas filhas (…).

Ele implementou uma autodefesa, pressupondo o que normalmente ocorreria: que, após esta determinação da entrega dos passaportes, se teria, sem base legal — vamos repetir isso —, numa inversão de valores, se teria a ordem de prisão. E, a meu ver, o ministro Alexandre de Moraes vem errando muito.”

O episódio não é isolado. Decisões da Suprema Corte brasileira vêm encontrando resistências formais em cortes estrangeiras, que rejeitaram pedidos de extradição de cidadãos investigados ou processados no país sob alegações de motivação política, violação da liberdade de expressão ou quebra de garantias processuais:

Espanha — Oswaldo Eustáquio (Inquérito dos Atos Antidemocráticos)

A Justiça da Espanha negou a extradição do jornalista Oswaldo Eustáquio sob o fundamento de que o pedido de prisão tinha motivação política e de que as condutas apuradas estavam relacionadas ao exercício da liberdade de manifestação e de opinião.

Estados Unidos — Allan dos Santos (Inquérito das Fake News e Inquérito dos Atos Antidemocráticos)

A Justiça americana negou a extradição do jornalista por entender que ele estava protegido pela liberdade de expressão.

Itália — Carla Zambelli (1º pedido: invasão do sistema do CNJ)

A Justiça italiana negou a extradição da ex-deputada sob o argumento de suposta falta de imparcialidade do relator no STF, ministro Alexandre de Moraes.

2º pedido: porte ilegal de arma e constrangimento ilegal (em andamento)

Neste caso, a Justiça aceitou o pedido, houve recurso, e a Corte de Apelação de Roma remarcou o julgamento para 24 de novembro. Depois dessa decisão, ainda caberá recurso à Corte Suprema.

Itália — Eduardo Tagliaferro (violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito)

A Justiça italiana, por meio do Tribunal de Apelação de Catanzaro, negou o pedido de extradição, determinando a devolução de seus documentos e revogando a proibição de deixar o país.

O fundamento da decisão foi que o julgador — Moraes — conduziu as investigações, examinou as provas e determinou a prisão de Tagliaferro. Para os juízes, isso compromete a imparcialidade objetiva exigida pelo tratado de extradição entre o Brasil e a Itália.

O reconhecimento da parcialidade do STF por tribunais estrangeiros somou-se à recente decisão de Moraes de reter o passaporte de Flávio Bolsonaro, atraindo a atenção de dois dos maiores e mais influentes jornais norte-americanos — The Wall Street Journal e The Washington Post —, que publicaram editoriais criticando o que classificaram como perseguição ao senador.

Termino com as palavras do ministro Marco Aurélio Mello — “tempos estranhos” — e cito a célebre frase atribuída ao estadista francês François Guizot: 

“Quando a política penetra no recinto dos tribunais, a justiça se retira por alguma porta.”

Tenho dito!!!

Bady Elias Curi

Advogado fundador do Esc. Bady Curi Advocacia Empresarial, Prof. Mestre de Direito

 

Atitude inesperada do TSE pode causar reviravolta na eleição por abuso de poder pelo PT

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu andamento a uma ação que apura possível abuso de poder político pela chapa formada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB). A iniciativa partiu de uma representação apresentada pelo partido Novo e foi acolhida pelo corregedor-eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

O procedimento tem como foco 35 medidas implementadas pelo governo federal durante o ano eleitoral de 2026. Na avaliação do Novo, as iniciativas resultaram na criação ou ampliação de benefícios destinados à população, com potencial de proporcionar vantagens eleitorais à candidatura presidencial. Entre as ações incluídas no questionamento estão o reajuste do Bolsa Família e a ampliação dos subsídios aos combustíveis. O partido argumenta que a utilização de recursos e mecanismos da administração pública para implementar essas medidas poderia configurar emprego da máquina governamental em benefício da chapa.

A representação também envolve Geraldo Alckmin. O vice-presidente poderá ser investigado em razão de sua participação em eventos oficiais nos quais algumas das iniciativas questionadas foram apresentadas. Para o corregedor, existem elementos que justificam a apuração da conduta dos dois integrantes da composição presidencial. Ao determinar o prosseguimento da ação, Ricardo Villas Bôas Cueva estabeleceu que os investigados sejam formalmente notificados para apresentar suas defesas em até cinco dias. O ministro entendeu que a representação protocolada pelo Novo reúne as condições necessárias para que a investigação tenha continuidade.

Outro ponto apresentado pelo partido diz respeito à quantidade de medidas adotadas em diferentes períodos. O Novo comparou as iniciativas anunciadas em 2026 com aquelas implementadas entre 2023 e 2025. Conforme o levantamento encaminhado ao TSE, somente no atual ano eleitoral foram registradas tantas ações de natureza semelhante quanto nos três anos anteriores somados. O partido utiliza essa comparação para sustentar sua alegação de que houve uma concentração de medidas com potencial impacto eleitoral em 2026. A investigação deverá avaliar os argumentos apresentados na representação e a eventual existência de irregularidades na utilização de medidas governamentais durante o período eleitoral.

Jornal da Cidade Online

 

Cadê o STF? Celular de Daniel Vorcaro registra 316 interações graves com Alexandre de Moraes antes da prisão

O celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro registra 316 interações entre ele e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), nos dois meses que antecederam a prisão do dono do Banco Master, revela levantamento feito pelo UOL. Até então, só havia conhecimento de 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes por meio de prints de textos escritos no bloco de notas. O material expõe, pela primeira vez, o teor de parte da conversa mantida pelos dois pelo WhatsApp e mostra a relação de intimidade cultivada pelo magistrado com o banqueiro. “Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs”, escreveu Moraes em uma legenda de imagem enviada a Vorcaro em 24 de outubro de 2025.

O conteúdo foi apagado por uma funcionalidade do WhatsApp que permite deletar mensagens 24 horas após seu envio. O UOL conseguiu recuperar o teor de interações entre Vorcaro e Moraes a partir da análise de bancos de dados secundários mantidos pelo WhatsApp no celular de Vorcaro (entenda a técnica abaixo), apreendido pela PF (Polícia Federal) em 17 de novembro de 2025. São classificadas como interações mensagens, fotos, chamadas, ligações perdidas e outros avisos do sistema. Além das 316 interações, o UOL identificou dois outros registros: um aviso de que a conversa é criptografada e outro indicando que foi acionado o mecanismo de mensagens temporárias de 24 horas.

Um sistema do próprio iPhone registra o envio de cada mensagem para fazer uma seleção de contatos frequentes e otimizar a experiência do dono do celular. Esse banco mostra que Vorcaro enviou 187 mensagens para o ministro do Supremo de 17 de setembro a 17 de novembro de 2025. Os outros 129 registros na conversa são relativos a mensagens de Alexandre de Moraes e avisos do sistema. Há mensagens em texto, mídias e imagens de visualização única. Uma parte considerável do material não é recuperável somente pela extração do celular de Vorcaro. O ministro Alexandre de Moraes e a defesa de Vorcaro foram procurados, mas não se manifestaram. Os advogados do banqueiro tentam lançar dúvidas no Supremo sobre a integridade do celular de Vorcaro, com teses sobre a quebra da cadeia de custódia do aparelho. A cadeia de custódia também é questionada por Moraes. A defesa chama o relatório da PF sobre as conversas de mentiroso e diz que foi produzido como uma “vingança” pela sua atuação nos processos sobre a tentativa de golpe de Estado.

As mensagens

Quando uma mensagem temporária expira, o WhatsApp apaga o registro dela no seu banco de dados principal. O aplicativo, porém, mantém diversos bancos secundários e espalha pedaços de informação em cada um deles. O UOL recuperou mensagens por meio de um garimpo nesses dados de bancos de dados secundários. Vorcaro apagou toda a conversa com o ministro Alexandre de Moraes em setembro de 2025. Essa ação do banqueiro dificulta o rastreamento de mensagens anteriores. No dia 17 de setembro, a conversa foi retomada.

O UOL identificou 69 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes nos dois meses que antecederam a prisão do banqueiro. A maioria (52) é de mensagens secretas enviadas por Vorcaro e já identificadas pela PF: ele escrevia o texto em um bloco de notas, fazia a captura da tela e enviava como imagem de visualização única para o ministro. Foram recuperadas outras 17 mensagens inéditas. Elas reforçam os sinais de proximidade entre Vorcaro e Moraes e mostram acertos para um encontro três dias antes da prisão do banqueiro.

A primeira mensagem ficou guardada em um banco de dados que mantém “tokens de denúncias” —uma cópia de mensagens recebidas que ficam guardadas caso o usuário denuncie a conversa.

Trata-se da mensagem de 24 de outubro de 2025. “Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs”, escreveu Moraes como legenda de uma imagem não recuperada. As demais mensagens estão armazenadas em um banco de dados do WhatsApp chamado “ChatSearchV5f”. Ele serve como um índice de busca dentro do aplicativo para procurar palavras-chave. Esse banco passa por limpeza de tempos em tempos.

Nesse banco de dados, as mensagens aparecem com as palavras embaralhadas. A PF enfrentou essa mesma dificuldade ao analisar o celular do tenente-coronel Mauro Cid, na investigação sobre a tentativa de golpe de Estado. Em casos semelhantes, os investigadores colocam as frases em uma ordem que faça sentido. Um exemplo: o banco guarda uma mensagem de Vorcaro para Moraes no dia 28 de outubro de 2025. Ela aparece com a ordem embaralhada —”bem opa tudo”. A leitura mais provável da mensagem é “opa tudo bem”.

Considerando a leitura provável, estas são as mensagens encontradas:

28/10/2025, 11h03: Vorcaro escreveu: “Opa tudo bem?”

28/10/2025, 11h43: Vorcaro escreveu: “Boa, tinha esquecido disso. Sorte aí”

28/10/2025, 11h44: Moraes escreveu: “Obrigado “

6/11/2025, 16h20: Moraes escreveu: “Boa tarde”

6/11/2025, 16h20: Vorcaro escreveu: “Opa”

12/11/2025, 20h42: Vorcaro escreveu: “Show”

12/11/2025, 20h48: Moraes escreveu: “Não basta ser pai, tem de participar rsrs”

12/11/2025, 21h11: Vorcaro escreveu: “Você é paizão”

12/11/2025, 21h11: Vorcaro escreveu: “Manda abraço pra todos”

12/11/2025, 21h12: Moraes escreveu: “Pode deixar”

14/11/2025, 13h24: Moraes escreveu: “Me avise quando pousar”

14/11/2025, 13h25: Vorcaro escreveu: “Ok”

14/11/2025, 13h25: Vorcaro escreveu: “Em voo”

14/11/2025, 14h32: Moraes escreveu: “Chegou?”

14/11/2025, 14h35: Vorcaro escreveu: “Agora pousei”

14/11/2025, 14h46: Moraes escreveu: “A caminho então”

Contexto

Informações adicionais do celular de Vorcaro e o relatório da PF com as conversas utilizando o bloco de notas ajudam a entender o contexto de ao menos dois trechos dessas conversas inéditas.

No dia 12 de novembro de 2025, uma quarta-feira, Alexandre de Moraes estava em Brasília e Vorcaro, em São Paulo. O banqueiro enviou mensagens secretas para o ministro do Supremo na véspera sugerindo um encontro dos dois à noite. “Opa tudo bem? Amanhã à noite como esta?” Enviou Vorcaro às 20h44 de 11 de novembro.

Não é possível saber a resposta de Moraes. No dia seguinte, pela manhã, o banqueiro voltou a escrever às 8h55: “Não quero atrapalhar programa familia! Podemos falar outro dia!” Foi nesse contexto que as mensagens de texto foram enviadas à noite, com Vorcaro elogiando o papel paternal de Alexandre de Moraes —pai de dois jovens advogados que trabalham no escritório chefiado por sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

O encontro ficou para 14 de novembro, três dias antes da prisão de Vorcaro. O banqueiro viajou de São Paulo a Brasília em seu jato particular. Decolou no início da tarde e foi direto para sua casa no Lago Sul, região nobre da capital federal, com seu motorista, ouvindo música country americana nos fones de ouvido bluetooth. As novas mensagens reforçam a suspeita de que Alexandre de Moraes foi ao encontro do banqueiro naquele dia 14 de novembro.

Bloco de Notas

A PF enviou ao Supremo no fim de agosto um relatório contendo 52 mensagens secretas enviadas por Vorcaro a Moraes. Vorcaro usava um método para dificultar o rastreamento das comunicações: escrevia em um bloco de notas, fazia a captura da tela e enviava como imagem de visualização única pelo WhatsApp.

O UOL conseguiu refazer o caminho descrito pela PF e identificou as mesmas 52 mensagens secretas. O mesmo modelo foi usado para se comunicar com o senador Flávio Bolsonaro na véspera da prisão de Vorcaro, como revelou o UOL.

As mensagens mostram Vorcaro aflito com a possibilidade de sofrer medidas da PF e do Banco Central. Ele pede ajuda de Moraes para “reverter isso com Paulo [Gonet] ou Andrei [Rodrigues]”, chefes da PGR (Procuradoria-Geral da República) e da PF. A dinâmica da conversa sugere que Vorcaro buscava obter informações sensíveis com o magistrado. “Se o Andrei conseguir atrasar para putra (sic) semana, pois tem feriado, o banco nao quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possivel”, escreveu Vorcaro. O banqueiro também perguntou a Moraes, na véspera de sua prisão, se o ministro achava que existia “alguma chance disso acontecer amanhã de manhã”. Antes, perguntou ao ministro se ele “acha que segunda ja tenho que estar fora”. A relação entre os dois começou em dezembro de 2023. Vorcaro contratou o escritório de advocacia da esposa do ministro por quase R$ 130 milhões, mas o celular do banqueiro mostra uma relação de proximidade maior com Moraes do que com Viviane. Os diálogos são analisados pelo STF, que deve decidir ainda este ano se abre uma investigação contra Moraes pela relação suspeita que mantinha com Vorcaro.

Defesa

Em sua defesa no Supremo, Alexandre de Moraes chamou o relatório da PF de mentiroso, levantou dúvidas sobre a cadeia de custódia do celular de Vorcaro e disse que o relatório foi produzido como uma “vingança” pela sua atuação nos processos sobre a tentativa de golpe de Estado. “As ilações absurdas, que foram divulgadas como SUPOSTOS DIÁLOGOS entre Daniel Vorcaro e o Ministro Alexandre de Moraes, SIMPLESMENTE NÃO EXISTIRAM. NÃO EXISTE DIÁLOGO, que pressupõem (sic) a existência de dois interlocutores, pois não há UMA ÚNICA MENSAGEM OU BLOCO DE NOTAS COM O TEXTO DE MENSAGENS DO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES”, escreveu o ministro.

“REPITO: NÃO FORAM LOCALIZADAS EM CONVERSAÇÃO ALGUMA NO WHATZAAP (sic). NÃO EXISTE NENHUMA CORRESPONDÊNCIA EFETIVA COM MENSAGEM REALMENTE ACHADAS NO WHATZAP (sic)”, escreveu o ministro, em caixa alta. Em notas anteriores à imprensa, o ministro negou que tenha trocado mensagens com Daniel Vorcaro e negou ser o destinatário das imagens do bloco de notas. “Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral desses criminosos (sic) mentiras. VINGANÇA. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL”, completou.

Fonte: UOL NOTÍCIAS

 

“Hoje a agenda do governo Lula é a da paralisia,” critica ex-ministro Aldo Rebelo

Ministro por quatro vezes do governo Lula, deputado por seis vezes, ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo conhece os bastidores da política (e da esquerda) como ninguém. Convidado especial do Podcast A Verdade, Rebelo não poupou críticas ao governo Lula, do qual foi aliado histórico. Mas, atualmente, é um crítico severo das políticas ambientais e econômicas do petista. 

“A gente tinha um governo de forças heterogêneas, eu fui contra a demarcação da terra indígena Raposa Terra do Sol, por exemplo, mas depois da prisão, Lula saiu ressentido, amargurado, não tem paciência para nada, não tem generosidade para governar um país tão difícil como o nosso, para pacificar o Brasil, que é uma coisa importante. 

Ele ganhou as eleições, que gesto ele fez para pacificar o Brasil? A minha crítica ao presidente Lula é essa. Hoje a agenda do governo é a agenda da paralisia, é o voo de galinha, curto e baixo. O IBAMA e a Funai não paravam o Brasil como param hoje. 

A economia não gera emprego acima de dois salários mínimos, o Brasil está perdendo indústria para o Paraguai, para a China… Está tendo uma fuga de domicílio fiscal, isso é uma coisa vexaminosa. Não temos governo, temos ruínas”, lamentou. 

“Fui ministro de quatro pastas, tenho gratidão pela confiança que recebi, fui líder do governo Lula, mas não e nunca tive uma conta minha rejeitada pelo Tribunal de Contas da União, nunca tive processo no Ministério Público nem no STF. Vou fazer cobranças duras, o país está parado e pode ficar ainda muito pior, mas o maior responsável é ele”, disparou.

Jornal da Cidade Online

 

Flávio Dino será o relator de ação que tenta adiar fim da 6×1 e convoca reunião com a CNC

O processo foi movido pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que pede a suspensão de trechos da proposta aprovada no Congresso Nacional. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, foi o escolhido a partir de sorteio como relator da ação movida por setores trabalhistas que tentam adiar a implementação do fim da escala 6×1, a jornada de trabalho do brasileiro.

O processo foi movido pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que pede a suspensão de trechos da proposta aprovada no Congresso Nacional.

A entidade pede que o STF suspenda, por meio de uma decisão liminar, o prazo de 16 de dezembro de 2026 para a redução da jornada de 44 para 42 horas semanais e a concessão de dois dias de descanso remunerado aos trabalhadores.

Antes de tomar qualquer decisão, o ministro marcou uma audiência pública com entidades do setor trabalhista e a própria CNC para a próxima terça-feira (10).

A CNC propõe que as mudanças na jornada só ocorram em outubro de 2027. Já a redução de 40 horas semanais previstas para início em dezembro de 2027 passaria a valer somente em outubro de 2028.

A confederação afirma que não pretende derrubar o fim da escala 6×1 nem impedir a redução da jornada de trabalho, mas considera insuficiente o prazo concedido às empresas para se adaptarem às novas regras.

Diário do Poder

 

Senador relator subserviente a Lula se diz ‘surpreso’ com brutal aumento de impostos

Eduardo Braga relatou no Senado o novo sistema de tributação do consumo. O senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator de projetos que resultaram no mais brutal aumento de impostos da História, empurrado goela abaixo dos brasileiros, agora se diz “surpreso” com a alíquota de 11,3% da CBS, a Contribuição sobre Bens e Serviços. Governista radical e lulista de confiança, ele divulgava “estimativas” de “8,8% a 9,21%” da CBS. Tardiamente, quer “amplo debate” sobre o engodo que ajudou o governo Lula a arquitetar – e a oposição vê como confissão de incompetência. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.

Braga relatou no Senado a criação o novo sistema de tributação do consumo, substituindo PIS e Cofins pela CBS a partir de 2027.

Sob sua relatoria o Congresso aprovou as regras de transição e mecanismos que deram pretexto ao TCU para definir os tais 11,3%.

O Senado precisa fixar a alíquota até 15 de dezembro ou irá prevalecer o “cálculo” do TCU. Braga será relator. Os brasileiros já sabem o resultado.

Diário do Poder