Eurodeputados pedem sanções contra o ministro Alexandre de Moraes na União Europeia

Enquanto o Congresso brasileiro se omite, indignação se espalha mundo afora contra o ministro Alexandre de Moraes e o STF. Três eurodeputados enviaram nesta segunda-feira (21) uma carta à alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, pedindo que o bloco avalie a possibilidade de aplicar sanções ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Os signatários são Adam Bielan e Mariusz Kamiński, da Polônia, e Carlo Fidanza, da Itália. No documento, eles solicitam que o Serviço Europeu para a Ação Externa analise alegações sobre a atuação de Moraes e decisões do Supremo em processos considerados “politicamente sensíveis”. Entre os pontos citados estão possíveis violações à liberdade de expressão, às garantias do devido processo legal, ao pluralismo político e a outros direitos fundamentais.

Os parlamentares afirmam que meras manifestações de preocupação não bastam e pedem “medidas concretas”. Pedem ainda que a UE verifique se a conduta atribuída a Moraes justificaria medidas restritivas previstas no regime europeu de sanções por violações de direitos humanos. A carta faz referência aos fundamentos usados pelos Estados Unidos para aplicar sanções a Moraes com base na Lei Magnitsky Global — punições que, segundo outras reportagens, foram posteriormente retiradas. Qualquer eventual medida, segundo os autores, deveria depender de “evidências críveis” de responsabilidade por violações graves.

Banco Master e questionamentos de imparcialidade. Os eurodeputados mencionam informações que, segundo eles, teriam surgido de uma investigação da Polícia Federal. Citam alegações de contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e um contrato entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa pagamentos que poderiam chegar a cerca de R$ 130 milhões em 36 meses. O escritório declarou que prestou serviços de consultoria jurídica e que não atuou em causas da instituição no STF.

Na carta, esses fatos são relacionados à atuação de Moraes nos processos que resultaram na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os parlamentares argumentam que as revelações levantam “sérias questões sobre a imparcialidade judicial” e justificariam um exame independente e transparente. O documento trata as informações como alegações, sem concluir que houve irregularidade.

Pedido de monitoramento das eleições. Além das sanções, os três deputados pedem acompanhamento “particularmente rigoroso e independente” do processo eleitoral brasileiro de outubro. Querem que a União Europeia use instrumentos diplomáticos e de observação para verificar se a eleição ocorre de forma livre, justa e transparente, incluindo o ambiente eleitoral, o tratamento a candidatos, o acesso à mídia, eventuais restrições ao discurso político, remoção de conteúdo, decisões judiciais que afetem campanhas, o funcionamento dos sistemas de votação e a correspondência entre votos e resultados anunciados.

A iniciativa é de um grupo pequeno de parlamentares de direita e não representa posição oficial da União Europeia. Pedidos semelhantes, feitos por um grupo maior de 16 eurodeputados em julho de 2025, não resultaram em sanções do bloco.

Diário do Poder

TSE aceita abrir ação contra Lula por dinheiro público no desfile de escola de samba

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceitou abrir uma ação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin para apurar supostas irregularidades relacionadas ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado no Carnaval deste ano. A representação foi apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro e admitida pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira.

A acusação aponta suposto abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. O desfile, realizado em 15 de fevereiro, teve como enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” e contou a trajetória política do presidente, da infância em Garanhuns, Pernambuco, até o retorno à Presidência após a prisão. Lula acompanhou a apresentação de um camarote na Sapucaí.

Segundo a ação apresentada por Flávio Bolsonaro, os repasses de recursos feitos pela Prefeitura do Rio de Janeiro e pela Embratur à escola após a definição do tema do desfile poderiam caracterizar abuso de poder. Os órgãos públicos, porém, afirmam que o apoio financeiro é concedido às escolas de samba para a realização do Carnaval. A representação também questiona outros repasses privados que, segundo a acusação, ainda não teriam sido esclarecidos.

A ação também sustenta que a transmissão do desfile pela televisão aberta e pela internet teria ampliado a exposição de Lula e configurado uma forma de campanha antecipada. Com a admissão da representação, Lula e Alckmin terão cinco dias, após serem notificados, para apresentar suas defesas. A abertura do processo não representa condenação e o caso seguirá em análise no TSE.

Jornal da Cidade Online

 

Contrário ao discurso de Lula, dobra número de pessoas em situação de rua. Já são 400 mil

Se as pessoas em situação de rua no Brasil formassem uma cidade, ela já seria maior do que as capitais Vitória (ES), Palmas (TO) ou Rio Branco (AC). Em junho de 2026, o Cadastro Único registrava 392,4 mil pessoas nessa condição. Em dezembro de 2022, eram 198,7 mil. Em pouco mais de três anos e meio do governo Lula (PT), quase dobrou a legião de miseráveis nas ruas. Desde 2015, quando o CadÚnico apontava 52,4 mil, salto de 597%, enquanto a população brasileira crescia 0,4% ao ano.

Subiu em flecha

Desde janeiro de 2023, o ritmo médio de moradores de rua subiu para 4,6 mil por mês. Entre 2019 e 2022, a média foi de 2 mil ao mês.

Lorota oficial

O governo atribui a alta à “melhoria do cadastramento”, mas se fosse só subnotificação, a curva se estabilizaria depois da correção. Mas cresceu.

Conta de diminuir

Censos municipais acham menos gente nas ruas do que o CadÚnico. No Rio, a prefeitura contou 8.195 em 2024; o cadastro federal, 23 mil.

Só vê quem quer

Em São Paulo, o censo de 2021 falava em 31,9 mil famílias em situação de rua, mas, no CadÚnico, passou dos 104 mil.

Coluna do Claudio Humberto

 

Da ‘Minuta do golpe’ ao ‘Relatório de inteligência’

                              * Percival Puggina             

Aprendi há muitos anos de um padre amigo esta singela expressão de lúcida sabedoria: “Ninguém dá o que não tem”. No mais deplorável momento da história do Poder Judiciário brasileiro, a sessão plenária do STF no dia 15 de setembro, a ministra Cármen Lúcia me fez lembrar dessa frase. Examinar a própria consciência e pedir perdão é conduta virtuosa que só pode ser servida por quem tem.
Era um desses momentos que se definem pela expressão “Salve-se quem puder”, nos quais as pessoas costumam dar o melhor de si com vistas à própria salvação. Os olhos de milhões de brasileiros acompanhavam horrorizados o mal, em sua feiura, manipular instrumentos jurídicos com extrema belicosidade. Queriam impedir o julgamento de um membro da Corte.
              Olhos nas telinhas da liberdade de expressão, parecia-me rever uma versão compacta, dos julgamentos do 8 de janeiro. Na condição de um entre 200 milhões de ditadorezinhos, assisti aquelas sessões com a impressão de que os ministros, de algum modo, eram parte interessada nas deliberações. Lembro que cheguei a usar a expressão “amicus curiae” para caracterizar o tom dado aos votos que emitiam. Para mim, era uma impressão que fazia sentido, pois os ministros precisavam proteger a própria narrativa sobre “o golpe”, numa unanimidade que resistiu por longos meses até surgirem as primeiras fissuras.  
             Enfim, na tarde do dia 15, com a contribuição dos ministros indicados pelo atual governo Lula, para completar a terrível cena como eu a percebi, eis que ressurge, sob nova forma, um fantasma de janeiro de 2023. O papel então decisivo e supostamente devastador desempenhado pela tal Minuta do Golpe – uma minuta vadia de um decreto qualquer – agora é atribuído a um incerto Relatório de Inteligência cuja serventia, ao que se diz, vem negada no próprio documento.
                 Foi essa percepção que me levou a pensar sobre o que cada um tem para dar nos momentos decisivos. Ver que uns, são dados a estratagemas, outros a proteger seus mitos, outros a manipular o poder de que dispõem, outros a manter atitude corajosa, outros a fugir da cena, outros a mergulhar na própria consciência e pedir desculpas à nação. Que tais consciências, em algum momento, sirvam para a anistia dos presos do dia 8 de janeiro e para o triunfo da justiça como valor moral e como instituição para servir à sociedade.
Sirvam estes dias para que cada um, no ofertório dos votos em 4 de outubro, ofereça ao Brasil e seu povo o que de melhor esteve ao nosso alcance para a tarefa de separar o joio do trigo na democrática lavoura da representação popular.

Percival Puggina é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país.

 

A impunidade da corrupção: O Brasil assistiu um festival de baixaria no STF

Segundo o jornalista Carlos Newton, um dos ícones da imprensa brasileira, o debate que poderia afastar e investigar o ministro Alexandre de Moraes por acusação de advocacia administrativa (vender “proteção” ao banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, do Master), foi adiado devido ao apoio de Gilmar Mendes, Flávio Dino, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Nunes Marques, que estão na mesma situação de quem tenta salvar um acusado de corrupção como Alexandre de Moraes. Isso faz com que todos se igualem. Embora tenham maioria no plenário, acabaram perdendo uma votação praticamente ganha.

Em um dos seus artigos, cujo título é “A Ala da corrupção até quis salvar Moraes, mas ele virou um morto vivo no Supremo”, o autor diz que “apesar de ter conseguido postergar o inevitável afastamento, Moraes já é um ministro desclassificado, que carrega um carimbo de corrupto na fronte luzidia e precisa ter uma vida reclusa, sem aparecer em público, pois está sob ameaça de ser vaiado até mesmo em velório de madre-superiora. Ele já vinha sofrendo e pagando os pecados desde a revelação das primeiros mensagens no celular e do contrato que ele redigiu para a mulher assinar, quando conseguiu transformar em cúmplices os membros de sua própria família. Agora, o sofrimento é mais intenso, demorado e coletivo”.

Realmente o Brasil assistiu um festival de baixaria promovido por Moraes e pelo decano, ministro Gilmar Mendes, que a imprensa afirma ter incentivado o presidente Lula a orientar a PF a não cumprir ordens de André Mendonça consideradas ilegais ou excessivas.  A baixaria foi tanta que a TV Justiça, que transmitia ao vivo o julgamento, foi obrigada a restringir a transmissão para que os telespectadores não tomassem conhecimento do nível a que chegaram as discussões nada republicanas.

Quando houve bate-boca, por exemplo, entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, que são os dois principais antagonistas no tribunal, enquanto era possível ouvir a barulhada da briga, as câmeras se voltaram para o presidente do STF, Edson Fachin, que tentava apaziguar os ânimos. Segundo Newton, quem mais perde nessa história é o ministro Alexandre de Moraes, que terá de comparecer ao Supremo onde já se tornou uma persona non grata, enquanto as investigações prosseguem e vazam, destruindo cada vez mais sua falsa imagem de salvador da democracia.

O debate girava em torno de um relatório da PF que expôs mensagens associadas ao ministro e ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os críticos de Moraes o apontam como um grande utilizador do cargo para ganhar dinheiro, enquanto seus aliados afirmam que as acusações são infundadas e possuem motivação estritamente política. A corrupção no Brasil é coisa comum. Existe nos três Poderes da República, com predominância atual no STF, onde alguns ministros, segundo a imprensa, ficaram ricos depois que assumiram o cargo. Diferentemente do que ocorreu no Chile, aqui eles jamais serão punidos.

Lá, três ministros da Suprema Corte chilena foram afastados ou destituídos dos cargos entre outubro de 2024 e dezembro de 2025 devido a escândalos de corrupção, tráfico de influência e quebra de probidade. A primeira foi Àngela Vivanco, destituída inicialmente pelos próprios colegas do tribunal  após acusação constitucional (impeachment) no Congresso. Ela foi acusada de conexões impróprias com o caso de suborno do advogado Luis Hermosilla, e acabou sendo presa no início deste ano sob acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O outro foi Sérgio Munoz, destituído pelo Senado chileno após ser acusado de usar informações privilegiadas em benefício da filha em uma negociação imobiliária. E o último foi Diego Simpertigue, destituído pelo Senado em dezembro de 2025, após denúncias de viagens de luxo e recebimento de benefícios ligados a empresas beneficiadas por decisões judiciais. Penas: perda do cargo. Inabilitação e prisão.  No caso do STF, nada acontecerá com os acusados. Além de oficializada, institucionalizada e garantida, a corrupção sempre será legal, face as brechas das leis e do corporativismo institucional.

O Estado brasileiro foi capturado pela corrupção. Grupos de interesse de grande poder econômico conseguiram corromper alguns ministros, moldar as leis, decretos, políticas públicas e o ambiente regulatório do país a seu favor. Sob essa ótica, os atos de favorecimento são oficializados, garantidos e impunes, pois passam a constar formalmente na legislação criada sob encomenda e, consequentemente, pelas decisões de nossos tribunais.

Luiz Holanda

Advogado e professor universitário

 

 

 

 

Corporativismo vergonhoso de ministros tentar escudar no STF, corrupção de Alexandre de Moraes

Para bloquear investigação do colega, Dino e Gilmar apontam para todos os lados, mas os indícios de ligação com Vorcaro insistem em aparecer. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniram na terça-feira, 15, para deliberar sobre as mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes, mas quatro dos dez juízes do tribunal passaram os últimos dias tumultuando o caso do Banco Master, e, agora, sobram poucos deles sem alguma relação com o ex-banqueiro preso preventivamente.

Antevendo a derrota em uma questão preliminar, mesmo após seu grupo ter tirado Kassio Nunes Marques do jogo, Flávio Dino pediu vista após já ter votado na questão e paralisou a deliberação. Agora, além de Moraes e Dias Toffoli, que era sócio oculto de empresa que fez negócios com o ex-banqueiro, Nunes Marques também está diretamente implicado com Vorcaro, por menções em mensagens que indicam o aluguel de uma mansão num Carnaval e por pagamentos a seu filho.

Gilmar Mendes

Os defensores de Moraes também estão tentando constranger Fux, por contato de Vorcaro com seu filho Rodrigo Fux, que já negou ter advogado para o Master.

Até o decano Gilmar Mendes, um dos protagonista do tumulto no STF, apareceu na história, por um contrato de seu ex-cunhado com Vorcaro e por 33 milhões de reais pagos em em 2024 pelo Master ao escritório da advogada Dalide Corrêa, ex-diretora-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), instituição fundada pelo decano do STF.

Na sexta-feira, 18, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves, que também é corregedor do Conselho Nacional de Justiça, se uniu aos implicados com Vorcaro.

“Contra todos”

Diante de tudo isso, Dino propôs na sessão de terça-feira, que deveria tratar apenas de Moraes, a “abertura de procedimento legal contra TODOS os magistrados sobre os quais há indícios de relacionamento indevido com o Banco Master”, como registrou em seu perfil no Instagram. “Quando falo TODOS, não me refiro apenas aos do STF, mas também aos de outros Tribunais. Sem qualquer escolha ou exceção”, completou.

O argumento de Dino, que agora reclama de ser vítima de críticas apenas por ter nascido no Maranhão, é fazer justiça, mas, se o STF não conseguiu abrir investigação sobre um único ministro, o que leva alguém a imaginar que abriria sobre todos os mencionados?

Obviamente a proposta de Dino, entre tantas outras medidas apresentadas como preocupações com o devido processo legal ou soluções para a crise, não passa de uma tentativa de melar o jogo.

“Agora, está na mão do Gilmar, na mão do Flávio Dino, na mão do Zanin, na mão dos outros ministros da Suprema Corte. Agora, é começar a vazar o que precisa vazar de verdade”, disse Lula, sem se preocupar de esconder o jogo, em entrevista concedida na quinta-feira, 17.

O assunto

O petista tentou mudar a pauta eleitoral no fim da semana passada, com anúncio do reajuste eleitoreiro do Bolsa Família, a promessa de distribuição de canetas emagrecedoras e a ameaça de proibir as bets, que seu governo regulamentou de olho nos impostos.

Mas o surgimento de uma gravação de Moraes descendo de um jatinho ligado a Vorcaro relembrou a todos que o caso do ministro do STF ainda está pendente, e dificilmente a tentativa de blindá-lo não terá impacto na eleição deste ano, contra a vontade de vários “pixulecos eleitorais”.

O Antagonista

 

Jurista vê ‘coisas de gângster’ e diz que ninguém imaginava ‘togas sujas’ no STF

Para Maierovitch, Gilmar, Dino e Zanin “deveriam ter trocado a toga pela beca.” O jurista Wálter Maierovitch classificou como “coisa de gângster” o ataque de ministros aliados de Alexandre de Moraes, na sessão do STF do dia 15 de setembro, em entrevista ao Estadão. A reunião havia sido convocada para decidir se a Corte abriria investigação contra Moraes por suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas o mérito nunca chegou a ser votado. “Ninguém podia imaginar togas sujas” no STF, referindo-se à luta de ministros pela impunidade.

Para Maierovitch, conhecido por suas posições independentes, Gilmar Mendes deu a “embalagem jurídica” de uma estratégia para impedir o julgamento. Com Flávio Dino e Cristiano Zanin, o decano teria feito uma “defesa pela impunidade”: em vez de enfrentar as 52 mensagens extraídas do celular de Vorcaro e o contrato milionário do Banco Master com o escritório da família de Moraes, o grupo deslocou o debate para questões de ordem, preliminares e acusações cruzadas.

O jurista aponta ainda a ameaça de Gilmar a colegas antes e durante a sessão. O decano chegou a evocar a “ética da máfia”, sobre blindagem de colegas sob suspeita, contra André Mendonça, relator que pediu a apuração, e pressionou pela suspensão, pela juntada dos processos e pela troca de relatoria.

No plenário, o clima degenerou em bate-boca. Dino pediu vista e travou a votação. Resultado: a investigação de Moraes ficou adiada, possivelmente por até 90 dias, já no calendário eleitoral.

Para Maierovitch, o grupo “deveria ter trocado a toga pela beca”. A manobra, diz ele, não foi mero incidente processual: foi um tumulto organizado para impedir que o Supremo examinasse indícios contra um de seus membros. Enquanto isso, a proposta de código de ética de Fachin segue, na avaliação do jurista, como autocontenção inócua num ambiente em que regras já existentes da Lei Orgânica da Magistratura não se aplicam de fato aos ministros da Corte.

Diário do Poder

Ministro Flavio Dino afirma ver ‘preconceito regional’ em críticas à sua atuação no STF

Ministro diz haver ‘ódio’ à sua procedência e classifica críticas como de ‘matriz racista.’ O ministro Flávio Dino (foto), do Supremo Tribunal Federal (STF), atribuiu as críticas feitas à sua atuação na Corte ao que chamou de “preconceito regional” de “matriz racista”. Em publicação nas redes sociais, ele citou neste domingo, 20, expressões que disse serem usadas para questionar sua formação, como “jurista de província” e “oratória grandiloquente de província”.

“Um aspecto em algumas ‘críticas’ a mim endereçadas em JORNAIS, desde que cheguei ao STF, chama muito a minha atenção: o ódio à minha procedência regional. Alguns exemplos de expressões escritas em tais jornais: ‘jurista de província’; ‘pessoa destituída de qualquer qualificação’; ‘oratória grandiloquente de província’.

Como derivação desse indisfarçável preconceito regional, de matriz racista, fazem tudo para desqualificar o meu conhecimento sobre Aristóteles e outros pensadores. Sim, eu estudei a sua obra, sob a orientação do erudito professor Agostinho Ramalho Marques Neto, na UFMA. E no mestrado na UFPE, nas aulas do professor João Maurício Adeodato.

Mas como? No Maranhão e em Pernambuco se estuda Aristóteles? – perguntarão os preconceituosos.

Aí vamos a uma nova sequência de impropérios contra as minhas citações em voto – de improviso – em sessão do STF: ‘frases que constam em qualquer manual de ensino médio’; ‘citações de algibeira’; ‘não estão literalmente em Aristóteles’ – (e nunca ouviram falar de paráfrase?).”

O ministro afirmou que está sujeito a críticas pelo exercício de suas funções, mas disse considerar seu dever apontar o que entende como ofensivo às leis e à dignidade. 

“Mas é também meu dever indicar quando acho que certas expressões ofendem as leis, a dignidade, a decência. Quem sabe o alerta serve para que melhorem a qualidade ética e técnica das ‘críticas’? E para que escrevam textos menos raivosos e mais consistentes.”

As citações de Dino

A manifestação foi feita dias depois da sessão do STF em que Dino fez referências a Aristóteles, Thomas Hobbes, Chico César e Fábio Porchat durante os debates sobre a possível investigação de Alexandre de Moraes por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Ao discutir com o presidente da Corte, Edson Fachin, Dino citou Aristóteles ao falar sobre a ironia. Em outro momento, mencionou Chico César e Hobbes para sustentar sua crítica à condução dos processos relacionados ao Banco Master.  Também recomendou a Fachin um vídeo do humorista Fábio Porchat sobre o excesso de notícias e decisões envolvendo o STF.

Na publicação deste domingo, Flavio Dino afirmou que continuará recorrendo às referências que considerar pertinentes. “Da minha parte, seguirei citando a Constituição Federal, as leis, Aristóteles, Max Weber, Hobbes, e tudo que eu achar pertinente, inclusive Chico César e Fábio Porchat.”

O Antagonista

 

Seria “manobra sinistra” da PF contra os ministros André Mendonça e Luiz Fux

*Por Victor Vonn Serran

Os ministros Zanin, Gilmar e Moraes pediram a íntegra do celular de Vorcaro, e a Polícia Federal entregou todo o material. Fux e Mendonça também pediram a íntegra, mas o material que receberam apresentou problemas para a leitura das mídias. Os três primeiros não tiveram dificuldades para acessar todo o material, mas estranhamente, os encaminhados a Fux e Mendonça não foram possível o acesso, o que resultou em reclamação e pedidos de esclarecimentos a Policia Federal.

Sabe o que isso quer dizer?

Que Fux e Mendonça precisaram enviar ofício para que o material seja reavaliado, ou uma cópia do que foi entregue seja reenviada para que os Ministros consigam saber que tipo de informação existe ali. Eu não me espantaria se a burocracia da PF durasse até o fim das eleições. Na prática, a turma dos Sinistros ganha uma semana de vantagem na guerra dos vazamentos. Tudo que colocaria os heróis em suspeita vai ser manobrado para esconder os fatos que já apareceram da turma sinistra, e fatos novos que poderiam corroborar os passos de Mendonça poderão chegar apenas depois da eleição.

*Victor Vonn Serran

Articulista

 

Jornalista divulga vídeo de desembarque de Alexandre de Moraes e esposa de jatinho de Vorcaro

Vídeo desmente ministro, que, em abril deste ano, afirmou que nunca tinha viajado em avião do banqueiro. O vídeo divulgado pelo colunista Lauro Jardim acrescenta um novo elemento às apurações sobre a relação entre o ministro do STF Alexandre de Moraes, sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As imagens, registradas em 22 de agosto de 2025, mostram Moraes e Viviane desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, de um jato Legacy 650, de prefixo PP-NLR, ligado a uma estrutura de aeronaves administrada pela Prime You, empresa que teve Vorcaro entre seus sócios.

O registro ganhou repercussão porque, em abril deste ano, Moraes havia afirmado que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”. Procurado novamente, o ministro manteve a versão e negou ter utilizado aeronaves do ex-banqueiro. O vídeo, entretanto, mostra o ministro e a esposa deixando a aeronave e sendo recebidos na pista.

A viagem ocorreu cerca de três meses depois de uma negociação, identificada pela Polícia Federal, envolvendo um segundo contrato de até R$ 50 milhões entre o escritório de Viviane e uma empresa ligada a Vorcaro. Segundo documentos citados nas investigações, R$ 40 milhões seriam pagos por meio de cotas relacionadas a um jato e um helicóptero, enquanto outros R$ 10 milhões corresponderiam ao reembolso de despesas com os voos. O Legacy 650 aparece entre os ativos relacionados à negociação. O escritório de Viviane Barci de Moraes, porém, afirma que essa segunda contratação não foi efetivada. A defesa sustenta que a proposta não foi aceita, que nenhum contrato foi assinado e que o único acordo firmado com o Banco Master foi encerrado após a liquidação da instituição.

Além do vídeo, mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro fazem referência ao uso de aviões e helicópteros por pessoas ligadas ao escritório. Em uma conversa de julho de 2025, Vorcaro pergunta ao responsável pela administração das aeronaves se “eles” estavam utilizando os equipamentos. A resposta afirma que os usuários já haviam utilizado aviões e helicópteros e que o responsável deveria manter contato para que continuassem usando as aeronaves.

O caso passa a integrar o conjunto de elementos analisados pela PF sobre as relações entre Vorcaro, o Banco Master e pessoas próximas ao ministro. A existência do vídeo e das mensagens é documentada, mas a investigação ainda discute o vínculo jurídico entre a utilização da aeronave e o contrato de R$ 50 milhões, que é negado pelo escritório de Viviane e pelo próprio Moraes.

Diário do Poder