Sábado, 19 de setembro, Florianópolis. Ônibus chegaram para encher a praça do comício de Lula, mas, segundo Giovani Cherini, quem roubou a cena foi uma faixa com a palavra “Ladrão” numa passarela. Foi na passagem por Santa Catarina que o presidente disse a frase que Jorge Seif Junior transcreveu em caixa alta no domingo (20/9): “EU QUERO GANHAR PARA MANTER ELE NA CADEIA.” Ele, no caso, é Jair Bolsonaro. No mesmo sábado (19/9), o estado recebia Flávio Bolsonaro em Joinville e em Chapecó. Dois palanques, um estado, e um presidente pedindo votos para manter um homem preso.
Lula comentava, segundo Seif, a intenção declarada de Flávio de buscar anistia para os condenados do 8 de janeiro. Flávio respondeu no mesmo sábado (19/9) chamando a fala de confissão de que o pai é um preso político: “O próprio futuro ex-presidente do Brasil afirmando que interfere no Judiciário. O governo da vingança, do rancor e do ódio tá acabando.” Prender e soltar é tarefa de juiz, diz a Constituição. Lula acabou de dizer que é dele.
Não bastou. Ainda em Santa Catarina, o presidente cobrou o agro que recebe recursos do governo e vota na oposição; segundo Seif, “quem recebe deveria até ‘se ajoelhar’”. Tereza Cristina respondeu no domingo (20/9): “Os brasileiros de fé se ajoelham sim, mas diante de Deus.” Carol De Toni: “Produtor não tem que se ajoelhar para político nenhum.” Janja completou a visita classificando Santa Catarina de “ambiente hostil”. Seif foi ao IBGE: entre 2017 e 2022, o estado recebeu 503.580 pessoas de outros estados. Ambiente tão hostil que o Brasil inteiro quer morar lá.
Há um detalhe que escancara o jogo, e ele veio de noite. No sábado (19/9), pouco depois das 22h, Romeu Zema avisou: “Ministro indicado por Lula acabou de travar a campanha de Deltan Dallagnol. Não por corrupção, nem por ligação com Vorcaro, jatinho para Londres, contrato de R$ 129 milhões ou por ter sido delatado na PF.” Sergio Moro chamou a decisão de “inaceitável e contrária à jurisprudência da Justiça eleitoral”. O próprio Deltan, no domingo (20/9): “Amigo de Moraes no TSE suspende a minha campanha numa decisão sigilosa, a pedido do PT da Gleisi e do Lula.” Marcel van Hattem esclareceu o alcance: “a CAMPANHA do Deltan está suspensa. A CANDIDATURA segue valendo.”
A caneta eleitoral já vinha trabalhando. Na quinta (17/9), Claudio Dantas noticiou: “TSE: Indicada por Lula proíbe imagem de Bolsonaro em santinhos”. Marco Feliciano respondeu na sexta (18/9): “Podem recolher santinhos, mas não podem apagar aquilo que está no coração de milhões de brasileiros.” Zema já reclamava na quarta (16/9) que o TSE estava barrando os conteúdos dele. Flávio, na noite de sábado (19/9), com o pai censurado, silenciado e preso: “Nada pode parar uma ideia. O legado está mais forte do que nunca!”
Repare no calendário e entenda a pressa. Na sexta (18/9), Alexandre Ramagem somou: “Flávio Bolsonaro está à frente de Lula em seis institutos: Atlas/Intel, Poder Data, Gerp, Futura, Nexus/BTG e Quaest. Na Nexus, pela primeira vez na série.” No domingo (20/9), a Polymarket registrou a maior chance da série para Flávio: “58% chance”. Adolfo Sachsida fechou a conta do fim de semana: Deltan suspenso a pedido do PT, Moraes num jatinho de Vorcaro, dívida a caminho de 90% do PIB. “A degradação do país não é apenas econômica, é moral”.
E a balança, como sempre, pende para o mesmo lado. Eduardo Bolsonaro recordou na quarta (16/9) que, em 2022, um ministro do TSE proibiu Bolsonaro de usar o Alvorada na campanha; na terça (15/9), Lula deu entrevista no mesmo Alvorada apresentado como “candidato do PT à reeleição”. Na segunda (14/9), o TCU aceitou a representação de Sanderson contra a live de Lula no palácio. Rosangela Moro resumiu o motivo do tapetão no Paraná: “Sabem que perdem nas urnas.” Lula pediu quatro anos para manter um homem na cadeia. Deltan não pediu nada; mandaram calar. O agro, que não se ajoelha, e o catarinense, que não se sente hostil, prometem responder em breve, no domingo, 4 de outubro, nas urnas.
Jornal da Cidade Online







Roberta 