Ministro diz haver ‘ódio’ à sua procedência e classifica críticas como de ‘matriz racista.’ O ministro Flávio Dino (foto), do Supremo Tribunal Federal (STF), atribuiu as críticas feitas à sua atuação na Corte ao que chamou de “preconceito regional” de “matriz racista”. Em publicação nas redes sociais, ele citou neste domingo, 20, expressões que disse serem usadas para questionar sua formação, como “jurista de província” e “oratória grandiloquente de província”.
“Um aspecto em algumas ‘críticas’ a mim endereçadas em JORNAIS, desde que cheguei ao STF, chama muito a minha atenção: o ódio à minha procedência regional. Alguns exemplos de expressões escritas em tais jornais: ‘jurista de província’; ‘pessoa destituída de qualquer qualificação’; ‘oratória grandiloquente de província’.
Como derivação desse indisfarçável preconceito regional, de matriz racista, fazem tudo para desqualificar o meu conhecimento sobre Aristóteles e outros pensadores. Sim, eu estudei a sua obra, sob a orientação do erudito professor Agostinho Ramalho Marques Neto, na UFMA. E no mestrado na UFPE, nas aulas do professor João Maurício Adeodato.
Mas como? No Maranhão e em Pernambuco se estuda Aristóteles? – perguntarão os preconceituosos.
Aí vamos a uma nova sequência de impropérios contra as minhas citações em voto – de improviso – em sessão do STF: ‘frases que constam em qualquer manual de ensino médio’; ‘citações de algibeira’; ‘não estão literalmente em Aristóteles’ – (e nunca ouviram falar de paráfrase?).”
O ministro afirmou que está sujeito a críticas pelo exercício de suas funções, mas disse considerar seu dever apontar o que entende como ofensivo às leis e à dignidade.
“Mas é também meu dever indicar quando acho que certas expressões ofendem as leis, a dignidade, a decência. Quem sabe o alerta serve para que melhorem a qualidade ética e técnica das ‘críticas’? E para que escrevam textos menos raivosos e mais consistentes.”
As citações de Dino
A manifestação foi feita dias depois da sessão do STF em que Dino fez referências a Aristóteles, Thomas Hobbes, Chico César e Fábio Porchat durante os debates sobre a possível investigação de Alexandre de Moraes por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Ao discutir com o presidente da Corte, Edson Fachin, Dino citou Aristóteles ao falar sobre a ironia. Em outro momento, mencionou Chico César e Hobbes para sustentar sua crítica à condução dos processos relacionados ao Banco Master. Também recomendou a Fachin um vídeo do humorista Fábio Porchat sobre o excesso de notícias e decisões envolvendo o STF.
Na publicação deste domingo, Flavio Dino afirmou que continuará recorrendo às referências que considerar pertinentes. “Da minha parte, seguirei citando a Constituição Federal, as leis, Aristóteles, Max Weber, Hobbes, e tudo que eu achar pertinente, inclusive Chico César e Fábio Porchat.”
O Antagonista








