Pesquisa revela que 81% das indústrias avaliam que danos à segurança patrimonial aumentam o Custo Brasil. Uma pesquisa inédita da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) revelou nesta terça-feira (9) que a violência e a necessidade de proteger ativos levaram 62% das indústrias a aumentar os custos finais de produção com gastos com segurança no transporte. Para 45% destas empresas do setor, estes investimentos gerais contra criminosos encarecem o custo final dos seus produtos. E apenas 4% relataram sentir melhora no cenário de políticas públicas de segurança nos últimos cinco anos.
A CNI ainda revela que 81% dos empresários do setor consultados afirmam que a insegurança contribui para encarecer ainda mais o Custo Brasil, já estimado em R$ 1,7 trilhão devorado anualmente pela infraestrutura ineficiente, burocracia, juros altos e outros entraves. Uma percepção quase unânime entre os empresários industriais brasileiros, prevista para ser exposta hoje em audiência pública da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria, no Congresso Nacional. A Pesquisa de Segurança Patrimonial da CNI ainda alerta que esta insegurança patrimonial impulsiona o mercado ilegal que afeta a competitividade das indústrias, com 53% dos empresários apontando esta violência como motor da circulação de mercadorias roubadas na informalidade. E 32% dos industriais concluem que reflexos negativos na competitividade são altos e muito altos.
O assessor especial da presidência da CNI, Cassio Borges, avaliou para a Agência de Notícias da Indústria que o investimento nessas áreas de segurança patrimonial é considerado essencial para proteger vidas e ativos, além de evitar prejuízos operacionais e reputacionais. “A segurança patrimonial é um aspecto fundamental das operações industriais. Esse levantamento revela que os reflexos da insegurança é mais um elemento que contribui para Custo Brasil, já que aumenta os custos, exigindo medidas relacionadas à infraestrutura e logística, além de afetar os dados sensíveis das empresas, ou seja, a segurança das informações”, concluiu Borges.
O presidente da Frente Parlamentar que trata do caso no Congresso, deputado federal Julio Lopes (PP-RJ), ressalta que não existe pirataria inofensiva. “Por trás de cada produto ilegal existe um empresário prejudicado, empregos em risco e recursos que deixam de chegar ao país. O mercado ilegal prospera justamente onde a insegurança avança”, alertou, por meio da Agência de Notícias da Indústria.
Veja outros dados da pesquisa da CNI sobre a insegurança na indústria brasileira:
- 20% das indústrias já sofreram com roubo ou furto de cargas rodoviárias nos últimos cinco anos.
- 68% dessas ocorrências acontecem diretamente nas rodovias, muito acima de áreas urbanas ou armazéns.
- 60% das empresas disseram que fios e cabos foram os principais alvos roubados nas indústrias, seguido por ferramentas (31%) e máquinas e equipamentos de produção (23%).
- Uma em cada seis empresas registrou incidentes como vazamentos ou ataques de ransomware (sequestro de dados) nos últimos 5 anos.
- 30% das vítimas tiveram perdas financeiras diretas com fraudes ou resgate de dados.
- 75% das indústrias realizam backups regulares para proteger dados sensíveis e garantir a segurança digital,
- 67% investem em softwares de segurança;
- 45% implementam políticas de acesso e senhas robustas;
- 38% investem em treinamento de funcionários;
- 34% contratam equipe especializada em ciber segurança interna ou externa;
- 4% relataram melhora no cenário de políticas públicas de segurança nos últimos cinco anos;
- 54% dos empresários industriais apontaram a necessidade de aumento do policiamento em áreas industriais como medida governamental prioritária;
- 53% cobram políticas focadas no reforço ostensivo da segurança em rodovias e no transporte de cargas.
A pesquisa foi encomendada pela CNI à Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, que entrevistou executivos de 1.003 empresas industriais de pequeno, médio e grande portes, sendo 503 de indústrias pequenas e 500 de médio e grande portes em todas as regiões do país. Os dados foram coletados entre os dias 12 de março e 7 de abril de 2026.
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