Corrupção institucionalizada e legalizada: A impunidade virou garantia constitucional

*Por Luiz Holanda

A impunidade da corrupção nada mais é do que a proteção dada pelos nossos tribunais às elites que usam o poder para escapar das leis. Não é de agora; vem desde a antiguidade. No Brasil reflete nossa herança colonial e escravocrata, onde o sistema jurídico tratava desigualmente a população marginalizada, sem qualquer direito ou privilégio. Filósofos como Cícero já apontavam a “esperança de impunidade” como o maior estímulo para a prática de delitos. Naquela época, a justiça era aplicada de acordo com a classe social e com o status do indivíduo perante o Estado. No tempo do absolutismo a nobreza jamais era punida pelos crimes cometidos. No Brasil Colônia e Império a displicência predominava na aplicação das penas. O “perdão” era dado abertamente aos políticos que cometessem crimes, além da complacência para as fugas dos criminosos. A manutenção da Coroa dependia dos ricos, pois a monarquia não tinha como sobreviver sozinha. Daí a complacência com o crime. Durante a escravidão, a violência e o abuso cometidos contra os escravos e vulneráveis raramente resultavam em punição. Essa dinâmica gerou raízes na nossa cultura política, criando a percepção de que os poderosos podiam cometer crimes sem o risco da responsabilização. A persistência da impunidade sempre foi associada a fatores institucionais e estruturais.

No nosso Judiciário, o foco predominante são os crimes patrimoniais e de menor potencial ofensivo, resultando em superencarceramento da população pobre. Já as elites, pela demora na apreciação e na decisão dos seus crimes, sabem como utilizar os inúmeros recursos processuais para dilatar ao máximo qualquer decisão que possa prejudicá-la. A expressão “impunidade garantida pelo STF” reflete a crítica popular de que os crimes dos poderosos jamais serão punidos, garantidos que são pelo que ficou conhecido como princípio constitucional da impunidade devido às decisões dos nossos tribunais, em especial o STF. Para o povo, o que predomina nos julgamentos dos ricos são a morosidade, a anulação das condenações, mudanças na legislação, o foro privilegiado e a blindagem política ou corporativa, impulsionadas por decisões específicas tomadas pela Corte ao longo dos anos. Não é sem razão, pois, o sentimento popular de que a impunidade, atualmente, é uma garantia constitucional.

As principais controvérsias que alimentam esse sentimento -além do foro privilegiado por prerrogativa de função-, são a morosidade nos julgamentos e o foro especial, cuja decisão do STF mantém a competência do mesmo órgão para julgar autoridades mesmo depois de deixar o cargo. Críticos apontam que isso facilita a impunidade, já que a mudança do cargo faz o processo “subir” de instância novamente, zerando prazos ou mudando o juiz natural. O Supremo reconheceu a constitucionalidade das mudanças feitas pelo Congresso Nacional na Lei de Improbidade Administrativa, estabelecendo que os crimes de improbidade só ocorrem na forma dolosa (quando há real intenção de cometer o delito), além de limitar a perda do cargo público apenas ao cargo específico em que a infração foi cometida. Ministros da própria Corte criticaram essas mudanças, afirmando que elas criaram “causas de impunidade” para agentes políticos, mas terminaram aceitando-as.

O STF também firmou o entendimento de que a execução da pena só pode ocorrer após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, ou seja, quando todos os recursos possíveis se esgotarem. Esse entendimento é definido como uma garantia constitucional da presunção de inocência, alvo de repúdio por parte de movimentos anticorrupção, pois isso permite que os criminosos de colarinho branco fiquem em liberdade indefinidamente, recorrendo de qualquer decisão até a prescrição do feito. O STF se defende argumentando que suas decisões visam seguir rigorosamente a Constituição Federal e garantir o devido processo legal, evitando que prisões cautelares funcionem como antecipação de pena. Enquanto isso, a corrupção no Brasil é estruturada, garantida e institucionalizada. Mesmo possuindo um efeito devastador sobre a organização dos países, a corrupção institucionalizada aumenta os índices de injustiça social. Países desenvolvidos assumem o compromisso supremo de combater incessantemente a corrupção e de criminalizar uma série de condutas referentes ao fenômeno, com o objetivo de melhorar o meio social através de uma série de medidas que passaram a observar. Já no Brasil, os bandidos de colarinho branco dispõem de uma ampla margem de manobras capazes de retardar – e muitas vezes de afastar – a aplicação da lei penal. Realmente, enquanto nossa justiça falhar em responsabilizar os que operam à margem da lei, continuaremos refém de uma corrupção institucionalizada, legalizada e constitucional.

*Luiz Holanda

Advogado e professor universitário

 

Eleições 2026: governabilidade e luta popular

                  Em um contexto do vale-tudo pela governabilidade, que fortalece a corrupção, as eleições não substituem as lutas cotidianas por soberania, reforma agrária, produção alimentar saudável e defesa do planeta. As eleições deste ano no Brasil acontecem num contexto de guerras, ameaças e invasão de países, tarifaços, domínio do capital financeiro e da opinião pública via algoritmos de inteligência artificial, bolsonarismo renitente, democracia em baixa, crise climática. Além desses, temos problemas históricos que o modelo político-econômico insiste em não resolver, como a questão agrária.         Vastas extensões de terra, inclusive de povos originários e comunidades tradicionais, continuam em mãos do agronegócio, da mineração e de empresas de energia. Quase nenhum avanço na demarcação e homologação destas terras. Comunidades quilombolas e outras tradicionais de grande diversidade continuam em luta por seus territórios. 

                 Dados reveladores da CPT: os anos de maior número de conflitos no campo, desde 1985, foram 2023, com 2.250 ocorrências, e 2024, com 2.185 – os dois primeiros anos do atual governo Lula! Famílias camponesas, produtoras de alimentos saudáveis e sustentáveis, seguem relegadas. Recentes entregas de assentamentos não escondem apelos eleitorais.

                  Nas cúpulas, justificam-se acordos entre opostos aparentes, ingrediente principal nesse caldo político-eleitoral. Alianças impensáveis nos tempos pós-ditadura atualmente são tidas como necessárias, em nome da governabilidade, o que revela também uma profunda crise da esquerda, que vem perdendo discurso, atitude e votos, dependente de Lula, refém do medo da volta da extrema direita. O vale-tudo pela governabilidade fortalece a corrupção – via “emendas parlamentares”, “orçamento secreto” etc. – e retira a possibilidade das transformações estruturais outrora almejadas.

                  Sob o controle do “Centrão” no Congresso, será impossível avançar. Nas eleições já não há disputa real de projetos antagônicos. Basta ver quem são os candidatos à vice-presidência da esquerda eleitoral, sempre da centro-direita. Os partidos seguem as pesquisas, os marqueteiros dizem a última palavra. As redes sociais e seus algoritmos influenciam o resultado das eleições. Reivindicações populares são esquecidas, maltratadas ou arquivadas.

                                             Construirão casas e nelas habitarão

                 A participação popular é que fortalece a democracia. A eleição é parte, não o todo. Nossos critérios para votar devem ser a defesa da verdadeira democracia, os compromissos comprovados dos candidatos com nossos direitos e nossas lutas concretas por inclusão e justiça social – outro modelo de sociedade.

As eleições não substituem as nossas lutas cotidianas por soberania, reforma agrária, produção alimentar saudável e defesa do planeta. Essas lutas continuam, independentemente do resultado eleitoral.

               As próximas eleições (2026 e 2030) serão decisivas. Em 2026, uma aliança do atual governo com a direita aparece como favorita ante a extrema direita; em 2030, Lula não disputará. A premissa é não votar em quem promove violência contra os empobrecidos e insistir nos programas que busquem fortalecer a participação popular e os bens comuns, essenciais à vida. 

 Fonte: CPT MACIONAL

 

Lula e o PT quebram o Brasil: Dívida rompe a barreira dos R$ 9 trilhões e bate novo recorde

Estoque da dívida federal cresceu 2,66% em maio, impulsionado por novas emissões de títulos e pela incorporação de juros, segundo o Tesouro Nacional. A Dívida Pública Federal ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 9 trilhões. De acordo com o Relatório Mensal da Dívida Pública divulgado pelo Tesouro Nacional, o estoque passou de R$ 8,798 trilhões em abril para R$ 9,033 trilhões em maio, representando um crescimento de 2,66% em apenas um mês. O avanço foi resultado principalmente da emissão líquida de títulos públicos e da incorporação dos juros ao estoque da dívida. Em maio, o governo emitiu mais títulos do que resgatou, elevando o montante em circulação e contribuindo para o novo recorde.

A parcela interna da dívida, composta por títulos negociados no mercado doméstico, subiu 2,72% e alcançou R$ 8,692 trilhões. Já a dívida externa avançou 1,28%, chegando a R$ 340,49 bilhões, influenciada também pela valorização do dólar no período. Entre as emissões realizadas em maio, predominam os títulos indexados à taxa Selic, que passaram a representar 48,99% do estoque da dívida. Os papéis corrigidos pela inflação responderam por 26,26%, enquanto os títulos prefixados corresponderam a 21%. Os títulos vinculados ao câmbio ficaram com participação de 3,75%.

Durante o mês, o Tesouro Nacional emitiu R$ 166,23 bilhões em títulos, o maior volume para um mês desde o início da série histórica. No mesmo período, os resgates somaram R$ 30,62 bilhões, resultando em emissão líquida superior a R$135 bilhões. O relatório também mostra que a reserva de liquidez, conhecida como “colchão da dívida”, aumentou para R$ 1,211 trilhão, maior nível desde novembro de 2025. Segundo o Tesouro, o montante é suficiente para cobrir cerca de 9,14 meses de vencimentos da dívida pública federal. Apesar do novo recorde, o Tesouro informou que o estoque da dívida permanece dentro da faixa prevista no Plano Anual de Financiamento para 2026, que estima um encerramento entre R$ 9,7 trilhões e R$10,3 trilhões.

Diário do Poder

 

Direita venceu mais uma no continente: Keiko Fujimori é eleita presidente do Peru

Com 100% dos votos apurados, candidata aguarda proclamação oficial do resultado. Em uma vitória que fortalece a direita peruana e da América Latina, Keiko Fujimori superou seu adversário no segundo turno e se consolida como a virtual presidente eleita do Peru, com 100% das urnas apuradas, segundo a ONPE. De acordo com a apuração oficial, Keiko recebeu 9.223.396 votos, o equivalente a 50,135% do total. Seu adversário, o deputado de esquerda Roberto Sánchez, obteve 9.137.755 votos, ou 49,865%. Com a vitória de Fujimori, o Peru terá seu nono presidente em aproximadamente uma década, evidenciando a profunda instabilidade política que marcou o país nos últimos anos.

Apesar da conclusão da apuração, o resultado ainda precisa ser formalmente proclamado pelo Jurado Nacional Eleitoral (JNE), a mais alta autoridade eleitoral do país. A oficialização depende da conclusão dos trâmites conduzidos pelos Jurados Especiais Eleitorais (JEE) em algumas regiões e deve ocorrer até a próxima sexta-feira (3).

A votação foi realizada no dia 7 de junho e mobilizou o eleitorado em uma das disputas mais equilibradas da história recente do Peru. A pequena margem entre os candidatos refletiu a divisão política do país ao longo da campanha. Mesmo antes da proclamação oficial, Roberto Sánchez indicou que não pretende reconhecer o resultado divulgado pela ONPE. Na semana passada, o candidato de esquerda afirmou que contestaria o desfecho da eleição e convocou manifestações de seus apoiadores.

Diário do Poder

 

A era dos cartões fáceis acabou: Bancos elevam anuidade em até 185% e limitam acesso a salas VIP

Depois de uma sequência de lançamentos de cartões de crédito voltados para a alta renda, grandes bancos começaram a apertar as regras para ps clientes, seja com aumento da anuidade dos produtos ou com restrições para o acesso a salas VIP em aeroportos. Especialistas do setor apontam que as mudanças não são um movimento pontual e devem se estender nos próximos meses. Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP, afirma que, nos últimos anos, o Brasil passou por uma “festa de emissão de cartões premium”, com bancos criando promoções agressivas para atrair clientes. “O resultado foi que as salas VIP’s viraram praças de alimentação superlotadas, com filas e reclamações, o que tirou totalmente o atendimento exclusivo dado ao cartão”, diz.

Além disso, a volatilidade do dólar elevou os custos para manter a oferta das salas VIP, já que esses espaços têm despesas atreladas à moeda americana. Com um número cada vez maior de clientes utilizando os lounges, a conta começou a não fechar para as instituições financeiras.

 

Na onda de revisão de benefícios, o Santander passou a adotar uma nova regra de gastos para o acesso a salas VIP pelos cartões Unique, Unlimited, AAdvantage Black e Smiles Infinite. As novas exigências são:

  • Unique: gastos acumulados de R$ 15 mil nos últimos três meses;
  • Unlimited: gastos acumulados de R$ 30 mil nos últimos três meses;
  • AAdvantage Black: gastos acumulados de R$ 15 mil nos últimos três meses. As condições se aplicam aos acessos às salas VIP parceiras do programa LoungeKey;
  • Smiles Infinite: gastos acumulados de R$ 15 mil nos últimos três meses. A nova regra não se aplica às salas VIP proprietárias da Gol.

Para acessar as salas VIP em julho, o cliente já precisará ter atingido a média com a soma de maio, junho e julho. Em nota, o banco afirmou que a mudança tem como objetivo “preservar a qualidade da experiência oferecida aos clientes e garantir a sustentabilidade do benefício no longo prazo”. O Bradesco foi outro que revisou benefícios. Desde março, o banco limitou o acesso a salas VIP do cartão Aeternum ao programa Visa Airport Companion, deixando de oferecer acessos a lounges por meio do LoungeKey. A instituição não explicou o motivo da alteração, mas disse em nota que os clientes seguem contando com acesso ilimitado aos Bradesco Lounges, que têm 20 espaços em aeroportos do Brasil.

Fonte: MSN

Governo Lula favoreceu com R$ 267 milhões o Grupo Globo no seu 3º mandato

Levantamento divulgado neste domingo, 28, aponta que o Grupo Globo foi o principal destinatário dos recursos de publicidade distribuídos pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo Lula desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre janeiro de 2023 e 15 de junho de 2026, o conglomerado recebeu aproximadamente R$ 267 milhões em campanhas institucionais. O valor corresponde a pouco mais de 25% dos R$ 954,5 milhões investidos pela Secom em publicidade no período analisado.

Os números não contemplam despesas realizadas por empresas estatais, sociedades de economia mista ou outros ministérios, já que esses gastos deixaram de ser divulgados de forma consolidada desde 2017. Ao longo do atual mandato, a distribuição anual dos investimentos em mídia ocorreu da seguinte forma: R$ 175,9 milhões em 2023, R$ 234,9 milhões em 2024, R$ 365,7 milhões em 2025 e R$ 178 milhões entre janeiro e 15 de junho de 2026.

Segundo o levantamento, somente neste último período já haviam sido destinados R$ 178 milhões para campanhas publicitárias em diferentes meios de comunicação, incluindo televisão, internet, plataformas de streaming, jornais e revistas. O Grupo Globo lidera com ampla vantagem a lista dos veículos que mais receberam recursos federais destinados à publicidade institucional. O montante repassado ao conglomerado da família Marinho supera em 118% o destinado ao segundo colocado. Na sequência aparece o Grupo Record, que recebeu R$ 122 milhões em verbas publicitárias da Secom durante o mesmo período. Em terceiro lugar está a Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, com R$ 86 milhões em contratos. Entre os demais veículos citados pelo levantamento está o UOL, pertencente ao Grupo Folha, que ocupa a sexta posição, com R$ 7,3 milhões em recursos provenientes das campanhas do governo federal.

Os dados também indicam que as emissoras de televisão concentram a maior parcela dos investimentos realizados pela Secretaria de Comunicação, figurando nas primeiras posições entre os maiores beneficiários dos contratos de publicidade institucional. Para efeito de comparação histórica, o levantamento recorda que, entre 2000 e 2016, período em que havia divulgação mais ampla dessas despesas, o Grupo Globo recebeu R$ 10,2 bilhões em publicidade do governo federal, valor apresentado sem correção pela inflação.

Jornal da Cidade Online

 

Lula triplica gastos com propaganda com dinheiro do povo nas redes sociais

Passam de R$18,7 milhões as despesas do governo Lula (PT) com propaganda no Facebook e Instagram, nos últimos três meses. É o maior valor do ano. Entre novembro e janeiro, a gestão petista gastava R$2,3 milhões por mês nas redes sociais, em média. Entre abril e junho, os gastos dispararam para mais de R$6,2 milhões a cada trinta dias. O governo Lula é, de longe, o maior anunciante do grupo Meta no Brasil. Curiosamente, Lula tem adotado iniciativas hostis contra as redes sociais, da taxação a censura e controle de conteúdo.

PT derrama milhões

O segundo maior anunciante do Facebook é o PT: R$2,7 milhões em três meses, quase 100% com propaganda para Fernando Haddad (PT).

Grana não falta

Um “Instituto Conhecimento Liberta” ficou em terceiro; torrou R$755 mil em anúncios. Com seus perfis ‘associados’, gastos vão a R$1,8 milhão.

Na conta carioca

A Prefeitura do Rio de Janeiro disparou para a quarta posição entre os maiores anunciantes do Facebook, em 2026: R$656 mil em 90 dias.

Números oficiais

O levantamento foi feito na plataforma da própria Meta, que divulga todos os pagamentos feitos por anunciantes de cunho político, social etc.

Coluna do Claudio Humberto

 

Gilmar Mendes diz a Lula que vai “vigiar o TSE nestas eleições.” Revela colunista de O Globo

 

                                        Lauro Jardim, colunista de O Globo, soltou uma bomba:

Num encontro recente com Lula, Gilmar Mendes alertou o presidente, que mais de uma vez disse estar preocupado com o desgaste que o STF está sofrendo, sobretudo com o Caso Master:

O senhor andou falando do STF, mas será o Supremo quem vai, se for preciso, vigiar o TSE nestas eleições.

A propósito, “o TSE nestas eleições” será comandado pela dupla Nunes Marques e André Mendonça, respectivamente presidente e vice da corte eleitoral.

Jornal da Cidade Online

 

O populismo de Lula vem a cavalo

                                                                       * Paulo Skaf

Proposta de fim da escala 6×1 esconde custos que recaem sobre trabalhador; mais de 3.000 entidades produtivas manifestam preocupação com proposta. A história nos ensina a desconfiar de presentes gregos. Na política, propostas de apelo fácil costumam desembarcar como o mitológico Cavalo de Troia e chegam embrulhadas em benfeitoria social, mas escondem, no fundo, malefícios que destroem a sociedade. É o que se vê PEC da 6×1 sem o debate que o tema exige. Sob o pretexto de humanizar o trabalho, oferece-se uma ilusão. E, para sustentá-la, vozes que enganam o povo por votos recorrem ao desdém para ironizar a manifestação legítima de mais de 3.000 entidades produtivas de todo o Brasil, grupo que representa 90% do PIB e a esmagadora maioria dos setores que geram emprego e renda no país.

Ironizar quem alerta para os riscos econômicos não é só uma tentativa de vilanizar quem trabalha pelo Brasil, é fugir do debate técnico. Afinal, é mais fácil debater da mobilização demagógica do que apresentar um estudo de impacto — algo que a PEC, aliás, jamais teve. Cada setor opera sob uma lógica própria: saúde, transporte, comércio, hotelaria, indústria, agricultura etc. O metalúrgico segue ao turno da fábrica; a enfermeira cobre plantões que não podem deixar um leito descoberto na madrugada; o garçom e o vendedor vivem os dias de maior movimento, quando a gorjeta compensa.

Padronizar o funcionamento de uma nação por imposição equivale a exigir que todos calcem o mesmo sapato. E o Brasil real não cabe em tamanho único. Para alguns, o calçado número 38 fica apertado, para outros, sai do pé de tão folgado. É preciso abraçar a diversidade do mercado sem hipocrisia e ter empatia e maturidade para entender que o trabalhador deve ter a liberdade de negociar a sua rotina. No fundo dessa discussão há uma confusão que trata jornada como se fosse escala. Nenhum país do mundo engessa escalas em sua Constituição, porque essa é matéria de negociação, ajustada às especificidades de cada atividade e região, como recomenda o consagrado princípio do acordado sobre o legislado.

A retórica demagógica vende o peixe da folga extra, mas esconde a fatura. O aumento dos custos será repassado aos preços, e a conta chega como inflação no supermercado, na tarifa do ônibus, no boleto do condomínio. Quem mais sente é o trabalhador, em nome de quem se diz fazer tudo isso.

O espelho do atraso está ao lado. Ao reduzir a sua jornada, o Chile colheu desemprego, inflação e mais informalidade. Engessar o emprego é um convite à precarização, ainda mais com 44 milhões de brasileiros na informalidade ou vivendo de bicos. É preciso deixar claro que 44 horas semanais é o teto da jornada no Brasil. Na realidade, a média do brasileiro é de 38 horas semanais. O caminho da modernidade é outro e aponta para liberdade com proteção, o eixo da PEC 12, do trabalho flexível. Inspirada em países dinâmicos, ela preserva todos os direitos da CLT (13º, férias, FGTS, entre outros) e devolve a decisão ao trabalhador. Permite ao jovem conciliar emprego com a faculdade, a mãe solo ajustar os seus horários e quem deseja ganhar mais seja remunerado por isso.

O Brasil que acorda cedo não cabe numa única escala e não se reconhece na ironia de quem legisla pelos likes ou pelos “closes” e tenta maquiar a realidade. Desenvolvimento não se decreta por capricho ideológico. O Brasil precisa de soluções responsáveis, não de um cavalo de troia populista disfarçado de direito.

*Paulo Skaf é presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).

 

Alexandre de Moraes é abusador e violador da Constituição, diz o desembargador Sebastião Coelho

Desembargador aposentado disparou críticas às falas e declarações do ministro do STF. O desembargador aposentado e pré-candidato ao Senado Federal, Sebastião Coelho (Novo-DF), disparou críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, referentes ao seu trabalho prestado em relatorias no Supremo. Em um relato publicado em suas redes sociais, Coelho afirma que saiu da Corregedoria da Justiça Eleitoral de Brasília sob a afirmação do discurso de guerra propagado pelo magistrado.

Segundo Coelho, o desgaste com a Corte se iniciou em 2023.

“Alexandre de Moraes, ele é um abusador, é um juiz violador da Constituição. Eu entendi isso aqui, o que está escrito na Constituição. Até porque, eu, como juiz, jurei cumprir o que foi o juramento de todos eles, que não cumprem”, disse Sebastião em entrevista ao Metrópoles.

“Eu digo com tranquilidade: Alexandre de Moraes é um criminoso que está exercendo um cargo de juiz”, prosseguiu. O desembargador aposentado foi advogado de um dos réus da chamada “trama golpista”, que ocorreu no ano passado. Entre os réus, Coelho era defensor de Filipe Martins, preso atualmente em um presídio de segurança máxima.

Ele finaliza falando sobre a atual situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar, que, segundo Sebastião, é “tortura”.

“Ele está satisfazendo um desejo pessoal, um sentimento pessoal, e violando todos os direitos de Jair Bolsonaro”, diz o desembargador.

Diário do Poder