Policial Civil preso pela Sem Refino tinha R$ 580 mil em caixas de sapato

Agente da Polícia Civil foi alvo do cerco à sonegação de R$ 52 bi que também mira o ex-governador Cláudio Castro. Não bastassem as cifras de R$ 52 bilhões em bens bloqueados no âmbito da Operação Sem Refino, nesta sexta-feira (15), a Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 580 mil em dinheiro na casa do policial civil do Rio de Janeiro, Maxwell Fernandes, um dos investigados no cerco à sonegação fiscal bilionária envolvendo a Refit, que opera a refinaria de Manguinhos.

Além de Maxwell, a operação ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mira mais dois policiais federais, e autoridades do alto escalão do poder público fluminense, como o ex-governador Cláudio Castro (PL), o desembargador afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) Guaraci De Campos Vianna, e ex-membros do 1º escalão do governo.

O dono da Refit, Ricardo Magro, teve expedido mandado de prisão preventiva, com ordem para a PF pedir a inclusão do nome do empresário na lista de foragidos internacionais da Difusão Vermelha da Interpol. Ao todo, 14 investigados são alvos das medidas judiciais que visam investigar o uso da estrutura societária e financeira da Refit, para ocultar patrimônio, dissimular bens e evasão de recursos ao exterior.

Veja a lista:

  • Ricardo Andrade Magro – dono do Grupo Refit
  • Claudio Bomfim de Castro e Silva – ex-governador do Rio de Janeiro
  • Guaraci De Campos Vianna – desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro
  • Renan Saad – ex-Procurador-Geral do Estado do Rio de Janeiro
  • Juliano Pasqual – ex-secretário de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro
  • Adilson Zegur – ex-subsecretário de Receita da Sefaz/RJ
  • Renato Jordão Bussiere – ex-presidente do Inea (Instituto Estadual do Ambiente)
  • Márcio Cordeiro Gonçalves – escrivão da Polícia Federal
  • Márcio Pereira Pinto – escrivão da Polícia Federal
  • Maxwell Moraes Fernandes – policial civil do Estado do Rio de Janeiro
  • Jonathas Assunção Salvador Nery De Castro – integrante do núcleo empresarial vinculado à Refit
  • Jose Eduardo Lopes Teixeira Filho – operador no núcleo administrativo-fiscal do esquema vinculado à Refit
  • Álvaro Barcha Cardoso – operador e intermediário central no núcleo de influência institucional do esquema vinculado à Refit
  • Roberto Fernandes Dima – integrante do núcleo empresarial vinculado à Refit

Diário do Poder

 

Nota de Repúdio – Movimento Quilombola do Maranhão – MOQUIBOM

O Movimento Quilombola do Maranhão emite Nota contra a transferência da escola situada no Território Quilombola Santa Maria dos Moreiras.

O Movimento Quilombola do Maranhão – MOQUIBOM, vem a público manifestar profundo repúdio à Indicação nº 87/2026, de 5 de maio de 2026, de autoria do vereador Araújo Neto – PP, bem como às articulações políticas conduzidas pelo Poder Executivo Municipal que pretendem a transferência da Escola Municipal Sebastiana Moreira (polo bom Jesus), situada no Território Quilombola Santa Maria dos Moreiras, para uma área que não reflete a cultura local.

A efetivação dessa ação representa um retrocesso aos avanços educacionais na comunidade, uma vez que esse projeto atende a região há mais de 30 anos. Isso constitui uma grave afronta aos direitos territoriais, à autonomia comunitária e à educação escolar quilombola.

              O Movimento Quilombola do Maranhão emite Nota contra a transferência da escola situada no Território Quilombola Santa Maria dos Moreiras. Foto: registro da comunidade. Destacamos os seguintes pontos:

Violação territorial e favorecimento de interesses privados

A proposta prevê a substituição da escola Polo da comunidade por uma unidade a ser construída em área pertencente à fazenda FC Agropecuária, ligada ao atual prefeito municipal, proprietário da empresa FC Oliveira e detentor de grande parte das terras do município.

É inadmissível que recursos públicos sejam utilizados para atender interesses privados, especialmente quando isso compromete direitos históricos da comunidade quilombola. A justificativa apresentada, baseada na existência de uma suposta “área de reserva ambiental”, não se sustenta diante da realidade vivida pela população local, que acompanha século o avanço do desmatamento em diversas áreas da região.

A comunidade compreende que tais discursos ambientais vêm sendo utilizados de forma conveniente para legitimar decisões políticas que ameaçam nosso território e nossas formas de organização.

Estratégia de controle político contra a comunidade

A tentativa de retirada da escola do território não é recente. Há aproximadamente quatro anos a comunidade sofre pressões políticas voltadas ao afastamento da escola do controle social exercido pelos moradores e lideranças quilombolas.

Entendemos que existe um interesse direto em transformar a escola em instrumento de favorecimento político e empregabilidade de cabos eleitorais da região, tentando tirar a autonomia comunitária e a participação popular nas decisões educacionais.

O atual quadro de funcionários da escola demonstra a permanência de indicações políticas sucessivas, reforçando práticas clientelistas incompatíveis com uma gestão pública democrática e comprometida com os interesses da comunidade.

Reafirmamos que a Escola Municipal Sebastiana Moreira de Queiroz pertence ao território quilombola e representa um patrimônio coletivo construído pela luta do nosso povo.

O território Quilombola de Santa Maria dos Moreiras reafirma que não aceitará mais essa violação à nossa comunidade quilombola. Não aceitaremos que o acesso à educação seja utilizado como moeda de troca política ou instrumento de expansão latifundiária.

Santa Maria dos Moreiras, Codó (MA), 14 de maio de 2026.

 Fonte: CPT Nacional

TJDF mantém condenação de plano de saúde por demora na autorização de radioterapia

A 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal manteve a sentença que condenou uma operadora de planos de saúde a indenizar uma paciente por demora na autorização de tratamento de câncer.

Operadora de planos de saúde se recusou a fornecer o tratamento contra câncer. A autora da ação contou que precisava iniciar radioterapia com urgência e entrou na Justiça para garantir a cobertura do tratamento. Apesar de ter conseguido decisão favorável, o plano de saúde não cumpriu a ordem judicial. Diante disso, ela teve de pagar as sessões com recursos próprios.

No recurso, a empresa alegou que não houve negativa de cobertura, que o pedido ainda estava em análise e que a paciente optou por se submeter ao tratamento fora da rede credenciada. E também sustentou que não havia dano moral e que eventual reembolso deveria ser limitado. Ao analisar o caso, os juízes observaram que, no recurso, a empresa apenas repetiu os argumentos apresentados anteriormente, sem enfrentar pontos essenciais da decisão recorrida, como o descumprimento da ordem judicial e a demora injustificada no tratamento oncológico. Com isso, a turma manteve integralmente a condenação. A empresa deverá indenizar em R$ 25.212,96 por danos materiais referentes ao valor gasto pela paciente com o tratamento e em R$ 12 mil por danos morais

Com informações da assessoria de imprensa do TJDF.

 

DPVAT não cobre acidente ocorrido durante prática de crime, decide STJ

Independência de culpa não deve ser confundida com irrelevância do dolo, uma vez que este rompe a lógica da aleatoriedade inerente ao contrato de seguro ao eliminar a imprevisibilidade do evento e descaracterizar o risco segurável, sobretudo quando o acidente decorre diretamente da prática de crime.

Com esse entendimento, a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu que a indenização do extinto seguro DPVAT (Danos Pessoais por Veículos Automotores Terrestres) não é devida se o acidente de trânsito ocorre durante a prática de ilícito penal doloso e envolve o próprio veículo objeto do crime. Segundo o colegiado, o dolo rompe a lógica do risco legítimo protegido pelo sistema securitário, o que afasta a cobertura mesmo no âmbito de um seguro de caráter social.

O caso teve origem em ação de indenização proposta por um homem que sofreu lesões em acidente de trânsito e buscava o pagamento do seguro obrigatório. Antes de recorrer ao Judiciário, ele já havia formulado pedido administrativo, que foi negado com o fundamento de que o acidente envolveu a motocicleta que o autor da ação acabara de roubar. Contudo, o juízo da primeira instância julgou o pedido procedente e fixou indenização proporcional às sequelas apuradas em perícia, decisão mantida pelo Tribunal de Justiça do Paraná. Para a corte local, basta no DPVAT a comprovação do acidente e do dano, sendo irrelevante a discussão sobre culpa, razão pela qual afastou a aplicação do artigo 762 do Código Civil, que exclui a cobertura em caso de dolo — e que estava em vigor na época dos fatos. Ao recorrer ao STJ, a seguradora defendeu que, embora o DPVAT tenha finalidade social, ele não se dissocia das regras estruturantes do contrato de seguro, que vedam a cobertura de eventos provocados intencionalmente pelo segurado.

Independência de culpa e irrelevância do dolo

A relatora do recurso especial, ministra Isabel Gallotti, ressaltou que, embora o DPVAT dispense a comprovação de culpa, essa característica não autoriza a cobertura irrestrita de qualquer evento danoso, devendo o artigo 5º da Lei 6.194/1974 (hoje revogada) ser interpretado em harmonia com as regras gerais do contrato de seguro previstas no CC. A ministra explicou que a existência de conduta dolosa da vítima atrai a incidência do artigo 762 do CC, que afasta a cobertura securitária quando o risco é deliberadamente provocado. “Quando o sinistro ocorre no contexto da prática de crime — como no caso do roubo de veículo, com utilização da motocicleta subtraída —, o evento danoso deixa de ser expressão do risco socialmente compartilhado do trânsito e passa a ser consequência direta de uma conduta criminosa intencional, assumida voluntariamente pelo agente.”

Proteção das vítimas

Gallotti ainda enfatizou que a exclusão da indenização, no caso dos autos, encontra fundamento não apenas na literalidade da legislação civil, mas também na própria natureza e na finalidade do seguro obrigatório, que foi concebido como instrumento de proteção social voltado aos riscos normais da circulação de veículos. Nesse sentido, acrescentou que a função social do DPVAT não pode ser interpretada de forma a ampliar indevidamente sua cobertura.

“Ainda que o DPVAT possua caráter social e seja regido por normas de ordem pública, tal característica não autoriza interpretação que esvazie completamente os limites objetivos da cobertura, sob pena de desvirtuamento do sistema. A função social do seguro obrigatório é proteger vítimas inocentes do tráfego viário, e não assegurar cobertura a quem, no momento do sinistro, atua dolosamente à margem da ordem jurídica, criando, por vontade própria, a situação de perigo.” 

Com informações da assessoria de imprensa do STJ.

 

Conta dos cartões de Vorcaro usados por ‘parceiros’ políticos chega a R$104 milhões

A investigação do Banco Master terá o desafio de identificar parceiros ou “amigos de vida” que usavam cartões de crédito ilimitados em nome de Daniel Vorcaro e expedidos pelo seu próprio banco. A suspeita é que entre 2019 e 2025 foram “distribuídos” mais de R$104 milhões a agentes públicos por meio de 80 a 90 cartões de crédito de Vorcaro que recebiam para gastar à vontade. Rastrear compras de investigados, como carrões. pode ser um começo, observa o deputado Evair de Melo (PP-ES).

Cartões ‘na faixa’

Eles usavam cartões e senhas do banqueiro e podiam gastar como quisessem, como no aluguel de jatinhos, jantares e viagens de luxo.

CPMI quis investigar

Os gastos de Vorcaro em cartões chamaram a atenção da CPMI do INSS, lembra Evair, mas a maioria governista barrou a investigação.

Mensagens trocadas

Suspeitos negam que Vorcaro tenha pagado seus cartões. Verdade: ele pagou boletos em seu nome, mas os gastos foram feitos pelos “amigos”.

Vazou, entregou

Conversa vazada de Vorcaro com Léo Serrano, seu operador financeiro, trata do pagamento de cartões com Ciro Nogueira (PP-PI), por exemplo.

Coluna do Claudio Humberto

Alexandre de Moraes manda a PF bloquear R$ 52 bilhões da Refit e Cláudio Castro

Ex-governador do Rio e Ricardo Magro são suspeitos de fraudes fiscais e ocultação de bens por meio do setor de combustíveis.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou um bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões, ao autorizar buscas em endereços do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e do dono da Refit, Ricardo Magro, no âmbito da Operação Sem Refino, nesta sexta-feira (15). O objetivo da Polícia Federal é investigar crimes de um conglomerado econômico do ramo de combustíveis suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para ocultar patrimônio, dissimular bens e evasão de recursos ao exterior.

A operação determinou a inclusão do nome de Magro na Difusão Vermelha da Interpol, que o torna procurado internacional em 196 países. E agentes federais buscam provas no Rio, São Paulo e Distrito Federal, de fraudes fiscais e inconsistências ligadas à operação de refinaria de Manguinhos, que recebeu incentivo fiscal do governo de Castro para ampliar seu mercado no setor de óleo diesel, em 2023.

Com apoio técnico da Receita Federal, a PF cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nas três unidades da federação. E um dos alvos centrais é a casa de Cláudio Castro, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. E a decisão de Moares foi tomada no âmbito da ADPF 635/RJ, na qual a PF investiga à atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no estado do Rio de Janeiro.

Diário do Poder

 

Até onde vai o absurdo! Lula indica Janja para embaixadora do Brasil na OCDE

O governo Lula, indicou a primeira dama Janja para assumir o posto de embaixadora da Aliança Global Contra a Fome. A escolha ocorreu durante uma conferência da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), realizada em Paris, na segunda-feira (11).

De acordo com informações, os países integrantes da iniciativa aprovaram a indicação da primeira-dama para a função. A aliança foi lançada pelo governo brasileiro em novembro de 2024, período em que o Brasil ocupava a presidência rotativa do G20.

Atualmente, a estrutura reúne 217 participantes, incluindo países, organizações internacionais, fundações, instituições acadêmicas, entidades da sociedade civil e organismos financeiros. O principal objetivo do grupo é coordenar ações, investimentos e assistência técnica para retirar cerca de 500 milhões de pessoas da extrema pobreza e combater a fome até 2030.

É um absurdo atrás de outro. O pior de tudo é que Janja não tem a menor capacidade de assumir qualquer cargo como tal, proporcionando a que o Brasil continue sendo ridicularizado internacionalmente por Lula e Janja.

Jornal da Cidade Online

Quando o conflito de interesses deixou de ser escândalo

                                                                                                                                                            *David Gertner

Entre presidentes, tribunais, parlamentos e famílias políticas, o poder deixou de apenas governar — e passou também a multiplicar patrimônios, influência e acesso.

O conflito de interesses raramente começa com um crime. Na maioria das vezes, ele começa com um jantar. Um contrato para um parente. Uma consultoria improvável. Uma palestra milionária. Um escritório que prospera rápido demais perto demais do poder. Uma sociedade aberta discretamente em nome de familiares. Um patrimônio que cresce em velocidade incompatível com aquilo que seria esperado fora do círculo político.

E quase nunca acontece de uma vez. Ele se instala lentamente, até que um dia a sociedade percebe que aquilo que antes parecia moralmente inaceitável passou a ser tratado como simples normalidade administrativa.

Talvez uma das transformações mais silenciosas das democracias contemporâneas tenha sido exatamente esta: o conflito de interesses deixou de ser percebido como ameaça ética grave e passou a ser administrado como detalhe técnico, jurídico ou burocrático. Houve um tempo em que sociedades democráticas compreendiam intuitivamente que certas fronteiras precisavam existir. Quem exercia funções públicas relevantes deveria evitar situações nas quais poder político, acesso privilegiado, influência institucional e interesses privados se misturassem. Não apenas para impedir corrupção explícita, mas para preservar algo ainda mais importante: a confiança coletiva na imparcialidade das instituições.

A lógica era simples. O poder abre portas.
O acesso cria oportunidades. A informação produz vantagens.
E proximidade institucional frequentemente se transforma em patrimônio econômico. Por isso, durante décadas, democracias criaram mecanismos destinados a limitar a promiscuidade entre Estado e interesses privados. Mas, aos poucos, essas barreiras começaram a se dissolver. Primeiro vieram as exceções. Depois as racionalizações. Mais tarde consolidou-se uma cultura política na qual quase tudo passou a parecer aceitável desde que existisse alguma justificativa formal de legalidade.

E assim chegamos a um mundo em que famílias inteiras orbitam o poder e multiplicam patrimônios de maneira extraordinária sem que isso provoque mais do que alguns dias de indignação passageira.

Filhos de presidentes tornam-se empresários repentinamente bem-sucedidos. Genros convertem proximidade política em redes de influência econômica. Parentes de governantes aparecem ligados a negócios cujo crescimento seria difícil explicar apenas por mérito de mercado. Esposas, irmãos, cunhados e aliados próximos passam a ocupar posições estratégicas em empresas, fundos, escritórios, grupos financeiros ou estruturas públicas. Em muitos países, familiares de autoridades acumulam fortunas em velocidade muito superior à observada entre empresários, investidores ou profissionais comparáveis fora do círculo do poder. Isso acontece em democracias frágeis e também em democracias maduras. Acontece em regimes mais autoritários e em sistemas considerados exemplares.

Nos Estados Unidos, tornou-se recorrente o debate sobre parlamentares cujas famílias realizaram operações financeiras extraordinariamente lucrativas em setores diretamente afetados por decisões políticas e regulatórias tomadas pelo próprio Congresso. Em diversos países da América Latina, presidentes e seus círculos familiares passaram a ser associados a patrimônios incompatíveis com suas trajetórias profissionais anteriores. Em outras nações, magistrados e integrantes do alto Judiciário passaram a conviver de maneira cada vez mais íntima com grupos empresariais, políticos e ideológicos interessados em decisões de tribunais superiores.

O problema raramente aparece na forma clássica da corrupção grosseira. Ele se manifesta de maneira muito mais sofisticada — e talvez por isso mais perigosa. O poder deixa de gerar apenas autoridade institucional e passa também a produzir ecossistemas familiares de prosperidade acelerada. Talvez o mais inquietante seja o fato de que a sociedade começou a se acostumar com isso. A indignação pública dura pouco porque a repetição constante produz anestesia moral. O extraordinário transforma-se em rotina. O escândalo perde capacidade de escandalizar.

Mas democracias dependem precisamente da existência de limites invisíveis. Dependem da percepção de que aqueles encarregados de exercer funções públicas não utilizam o Estado como plataforma indireta de valorização patrimonial própria, familiar ou corporativa. Quando essa percepção desaparece, a confiança pública começa lentamente a apodrecer.

Porque o cidadão comum pode aceitar diferenças de talento, esforço ou sucesso. O que destrói a legitimidade institucional é a sensação de que existe uma aristocracia informal do acesso — um universo no qual proximidade ao poder produz oportunidades que jamais estariam disponíveis ao restante da sociedade. E talvez esse seja o maior risco contemporâneo. Não o fato de existirem conflitos de interesses. Eles sempre existiram. O verdadeiro perigo é que tenhamos começado a enxergá-los não mais como desvios morais, mas como parte natural do funcionamento do próprio sistema.

Porque uma democracia não começa a morrer apenas quando roubam seu dinheiro.Ela começa a morrer quando seus cidadãos passam a acreditar que o poder existe principalmente para enriquecer aqueles que já estão próximos dele.

*David Gertner, Ph.D. é escritor e ensaísta. Doutor pela Northwestern University, professor aposentado e autor de IA e Eu: A Inesperada Jornada de Liora e David.

 

A concorrente Unilever teria sido a “origem” da denúncia contra a Ypê

Antes de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar a suspensão da fabricação e o recolhimento de produtos da Ypê, a Unilever — responsável por marcas como Omo e Cif — já havia alertado órgãos federais sobre possíveis contaminações microbiológicas em itens da concorrente. As informações foram divulgadas pela Folha de São Paulo.

A primeira comunicação formal ocorreu em outubro de 2025. Conforme os documentos encaminhados à Anvisa e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), a multinacional afirmou ter identificado a bactéria Pseudomonas aeruginosa/paraaeruginosa em quatro lotes do produto Tixan Ypê Express. Os resultados foram obtidos após análises internas e testes conduzidos pelo laboratório Charles River, citado pela companhia como proprietário de “um dos maiores bancos de dados genéticos do mundo”.

Os lotes avaliados pertenciam às versões “Cuida das roupas” e “Combate mau odor”, ambas com validade até junho de 2027. Segundo a denúncia, os testes apontaram um “desvio microbiológico relevante”, situação que, de acordo com a empresa, indicaria “iminente risco à saúde e segurança dos consumidores”.

No material entregue às autoridades, a Unilever destacou que houve “identificação genética perfeita” da bactéria nos quatro lotes examinados. A empresa ainda relatou que não existia qualquer diferença genética entre os microrganismos encontrados nas amostras e os registros de referência utilizados pelo laboratório especializado.

Outro ponto mencionado na denúncia foi a suspeita de um suposto “recolhimento silencioso” de produtos Tixan Ypê Express no mercado. A informação teria chegado ao conhecimento da multinacional durante o monitoramento realizado pela companhia.

Já em março de 2026, uma nova denúncia foi apresentada pela Unilever aos órgãos sanitários. Dessa vez, a empresa informou ter detectado contaminação microbiológica em outros 14 lotes de produtos da linha Ypê, com base em exames feitos pelo laboratório Eurofins.

Entre os itens mencionados estavam diferentes versões de Tixan Ypê Primavera, Tixan Ypê Maciez, Tixan Ypê Express, Ypê Power Act e também um lote do detergente Ypê Lava-Louças Neutro. Conforme os relatórios apresentados, todos os lotes continham presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, a mesma já identificada anteriormente.

Além disso, a multinacional relatou que sete dos 14 lotes analisados apresentaram vestígios genéticos de outros microrganismos, incluindo Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii e diferentes espécies do gênero Pseudomonas. Segundo a companhia, parte dessas bactérias pode oferecer riscos à saúde humana, especialmente em situações de exposição prolongada ou contato inadequado.

Após os resultados obtidos, a Unilever solicitou às autoridades a ampliação do recall dos produtos e a abertura de um processo administrativo para investigar a conduta da Química Amparo, fabricante da Ypê.

Posteriormente, a Anvisa realizou inspeções na unidade industrial da empresa localizada em Amparo, no interior de São Paulo. Neste mês, a agência reguladora decidiu suspender a fabricação, a comercialização e a distribuição de diversos produtos da companhia.

Durante sessão realizada nesta quarta-feira (13), a Diretoria Colegiada da Anvisa informou ter encontrado 76 irregularidades na planta industrial, além de contaminação identificada em mais de 100 lotes. O órgão também apontou falhas consideradas graves nos processos de controle microbiológico e no gerenciamento de materiais embalados.

O recurso protocolado pela Ypê contra a decisão da Anvisa chegou a ser incluído na pauta desta quarta-feira, mas o julgamento foi adiado e remarcado para sexta-feira (15).

Em nota oficial, a Unilever declarou que realiza testes técnicos periódicos tanto em seus próprios produtos quanto em itens fabricados por empresas concorrentes.

“Esta é uma prática comum entre as indústrias do setor. A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas”, afirmou a companhia.

Jornal da Cidade Online

Corruptores que se enrolaram na Lava Jato financiaram filme sobre Lula

O atônito PT parece, também, esquecido ao ignorar que o filme “Lula, o filho do Brasil” foi bancado por ao menos quatro empresas que, tempos depois, foram reveladas como corruptoras e protagonistas de um dos maiores escândalos de corrupção do Brasil: a Lava Jato. O pastelão, de 2009, recebeu caminhões de dinheiro das empreiteiras Odebrecht, Camargo Correa e OAS, que mais tarde viram seus controladores atrás das grades. Outra que colocou grana no filme de Lula foi a manjada JBS.

Era o presidente

Diferente de Jair e Flávio Bolsonaro, Lula estava na Presidência da República quando as empresas bancaram o filme.

Passa no caixa

Em dezembro de 2009, empreiteiras patrocinadoras do filme assinaram ao menos cinco contratos com a Petrobras. No total: R$8,9 bilhões.

Antro conhecido

Os contratos envolviam a refinaria Abreu e Lima, antro de corrupção. Em janeiro de 2024, Lula achou uma boa ideia retomar as obras paralisadas.

Telefone vermelho

A JBS, de Wesley e Joesley Batista, até fez delação premiada. Hoje, com livre trânsito no governo, Lula até usa telefone dos irmãos para ligações.

Coluna do Claudio Humberto