Deputados já custaram em 2026 mais de R$584 milhões aos pagadores de impostos

Supera meio bilhão de reais a quantia que o pagador de impostos desembolsou para sustentar os gabinetes da Câmara dos Deputados. O farto dinheiro é gasto sem dó em “Cotara para o Exercício da Atividade Parlamentar”, conhecido como cotão, e verba de gabinete, que sustenta um exército de aspones em Brasília e nas bases eleitorais das excelências. No cotão, cabe uma infinidade de despesas, como passagens aéreas, planos de telefonia, abastecimento, alimentação…

Dinheiro sem fim

Cada um dos 513 deputados pode torrar R$165.806,07 como verba de gabinete. O limite é mensal para custear os salários dos pendurados.

Só a nata

Cada contratado, livremente selecionado pelo parlamentar, pode receber um salário de fazer inveja, coisa de marajá: R$25.958,90.

Raio-X da gastança

A conta é assim: só de verba de gabinete foram R$448,3 milhões. Com o cotão, lá se vão mais R$133,3 milhões. E o ano ainda não acabou.

A cereja

Coloca no bolo outros R$2,4 milhões que a Câmara (nós) bancou a título de auxílio-moradia aos nobres, que já têm salário de R$46,3 mil.

Coluna do Claudio Humberto

Presidente Keiko Fujimori toma posse no Peru com as forças armadas contra o crime organizado

A nova presidente do Peru, Keiko Fujimori, tomou medidas duras menos de 48 horas após tomar posse. Ele vai realizar uma grande ofensiva contra o crime organizado. Para tanto, Keiko já autorizou a atuação das Forças Armadas nas regiões sob estado de emergência, em apoio à Polícia. O plano da presidente peruana prioriza o combate à extorsão, ao narcotráfico, à mineração ilegal e às facções criminosas, além de prever penas mais severas, novos presídios de segurança máxima e maior integração entre militares e policiais. O objetivo é restabelecer plenamente a autoridade do estado em territórios dominados por gangues.

O estado de emergência é previsto na Constituição peruana para casos de perturbação da paz ou da ordem interna, permitindo o apoio militar à polícia por tempo determinado.

Jornal da Cidade Online

Lobista amiga e de esquemas de Lulinha fez mais de 40 ‘reuniões’ fora da agenda no governo Lula

Foram 17 ‘visitas’ da sócia do “Careca do INSS” a Wellington Dias e outras 16 a Alexandre Padilha. Enquanto o ministro do STF André Mendonça autorizava a Polícia Federal a aprofundar investigações sobre tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e sua amiga lobista Roberta Luchsinger, os registros de acesso a órgãos federais revelam um padrão de circulação privilegiada e pouco transparente. Levantamento divulgado pelo Estadão, com base na Lei de Acesso à Informação, mostra que, entre o início do terceiro mandato de Lula e abril de 2024, Luchsinger realizou 42 visitas a órgãos do governo federal — 41 delas sem qualquer registro nas agendas oficiais dos agentes públicos, em flagrante desrespeito à legislação que exige publicidade desses encontros.

           Não se trata de meras “cortesias”. Em pelo menos duas ocasiões, a lobista levou ao Palácio do Planalto e ao gabinete do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, o então sócio de Lulinha, Fernando Bittar. Os encontros passaram ao largo das agendas oficiais. Em abril de 2024, os dois passaram pela catraca privativa do ministério, permaneceram cerca de 50 minutos e, segundo a pasta, discutiram “propostas sobre sistemas integrados”. A pasta nega desdobramentos administrativos. O gabinete de Wellington Dias foi o destino favorito: 17 visitas. Em 9 de março de 2023, Luchsinger chegou sozinha e presenteou o ministro com uma caixa de bombons suíços Sprüngli e uma edição de colecionador autografada de O Alquimista, de Paulo Coelho. O cerimonial registrou o momento em fotos, mas a agenda oficial, não.

             Quatro dessas visitas contaram com a presença de Efrain Saavedra, gerente comercial da Duosystem, empresa cujo sistema a lobista tentava emplacar no Sistema Único de Assistência Social (SUAS).       Cinco dias após uma visita em 30 de março de 2023, o ministério firmou contrato de R$31 milhões com outra cliente dela, a 3STRUCTURE IT, de Cleber Ribas de Oliveira — empresário com quem a PF já identificou relação comercial com Luchsinger e que figura em investigações ligadas a Lulinha na Dataprev.

             No Ministério da Saúde, o cenário se repete. Luchsinger fez 16 visitas não oficiais e apenas uma registrada. Nesta, em outubro de 2023, levou executivos da Duosystem para apresentar software de gestão de leitos à Secretaria de Atenção Primária. Fora da agenda, reuniu-se com o então secretário-executivo Swedenberger Barbosa (“Berge”) na companhia de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso na Operação Sem Desconto. O assunto: comercialização de medicamentos à base de canabidiol pela World Cannabis.

             A PF apura se Lulinha interveio para facilitar autorizações governamentais nessa área e se valores pagos a Luchsinger (sua empresa RL Consultoria recebeu R$1,5 milhão do “Careca”) tiveram o filho do presidente como beneficiário. Em conversas apreendidas, o empresário ordena repasse de R$300 mil a ela “para o filho do rapaz” — possível referência a Lulinha, segundo os investigadores.

 Outro cliente frequente: Sergio Roberto Bringel, do Grupo Bringel. Luchsinger o levou três vezes ao Planalto (incluindo o gabinete de Alexandre Padilha) e à Saúde. Desde 2023, empresas do grupo firmaram R$ 7,8 milhões em contratos na pasta, com destaque para R$ 3 milhões com o Grupo Hospitalar Conceição. No BNDES, em julho de 2023, ela apareceu no gabinete de Aloizio Mercadante acompanhando a Unigel em discussão sobre hidrogênio verde — projeto que não avançou. Apresentou-se como “namorada” do diretor de relações governamentais e “nora” do presidente do conselho da companhia. A Unigel desmente parentesco e qualquer contrato com ela. As demais empresas preferiram o silêncio.

            O governo, pela Secom, afirma que os encontros no Planalto “não produziram qualquer desdobramento administrativo, contratual ou regulatório”. As defesas de Luchsinger e de Lulinha reforçam a versão de atividade profissional regular e ausência de pagamentos ao filho do presidente. Bittar não quis falar. O padrão, porém, é claro: acesso privilegiado, ausência de registro oficial, presentes simbólicos, presença de sócios e clientes com interesses concretos em contratos e regulações, e investigações da PF — agora com aval de André Mendonça — apontando para possível uso da proximidade com a família presidencial para abrir portas.

                Em um governo que prega combate às “elites”, a circulação silenciosa de uma lobista amiga do filho do presidente por ministérios e bancos públicos, quase sempre fora da agenda, levanta questionamentos sobre o “lado de fora da agenda” como corredor de influência no terceiro mandato de Lula.

 Diário do Poder

 

Justiça rejeita ação do ministro Alexandre de Moraes, esposa e filhos contra senador por fala sobre PCC

A Justiça paulista rejeitou o pedido de indenização de R$ 60 mil apresentado pela família do ministro Alexandre de Moraes (STF) contra o senador Alessandro Viera (MDB-SE), que foi relator da CPI do Crime Organizado. Na ação, a advogada Viviane Barci Moraes, mulher do ministro, e seus filhos Giuliana e Alexandre, afirmam que o parlamentar fez declarações “injuriosas, difamatórias e abjetas” em entrevista concedida ao SBT News em 15 de março de 2016. Na entrevista, segundo família, o senador associou falsamente seus integrantes à organização criminosa PCC, ao tratar da quebra do sigilo fiscal de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

“A gente tem informações que apontam circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes”, afirmou Vieira na entrevista. “Quando o Master contrata o escritório de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes, ele está contratando um serviço jurídico? Esse escritório prestou serviços correspondentes aos valores recebidos? Até o momento o indicativo é que não”, afirmou. A família de Moraes disse no processo que as imputações são fraudulentas.

“Ao contrário do que o réu parece sugerir, não há em curso qualquer investigação, de qualquer natureza, contra os autores do processo, familiares do ministro Alexandre de Moraes, ou, ainda, contra a sociedade de advogados que integram, sendo, portanto, além de fraudulentas, absolutamente inadmissíveis e abusivas as afirmações especulativas proferidas pelo réu.”

O senador se defendeu no processo afirmando que suas declarações estão protegidas pela imunidade parlamentar. Disse também que em nenhum momento atribuiu atos ilícitos aos familiares e que apenas “reprovou moralmente a circulação de recursos entre esses atores e defendeu a investigação dos fatos”. Vieira declarou à Justiça que não imputou aos familiares do ministro relação direta com a facção criminosa nem disse ter havido pagamentos do PCC ao escritório de advocacia.

O juiz Fabio de Souza Pimenta concordou com a argumentação. “Não é possível verificar que as falas do requerido tenham efetivamente vinculado os autores da ação ao recebimento direto de valores provenientes da organização criminosa PCC”, declarou na sentença. “Ao contrário, o que é possível extrair da fala apresentada no vídeo e transcrita nos documentos em questão é que a referida organização criminosa (PCC) movimentava valores junto ao Banco Master e que essa instituição financeira, supostamente, teria então se utilizado desses recursos provenientes de atividades ilícitas para pagar os serviços advocatícios contratados junto aos autores”, disse o juiz. Segundo o magistrado, o que se tem é um “mal-entendido interpretativo”. A família do ministro ainda pode recorrer da decisão.

UOL NOTÍCIAS

 

Lula afronta a legislação eleitoral e pede votos na Bahia

Pedidos explícitos de votos são proibidos pela lei eleitoral. O presidente Lula (PT) fez pedidos explícitos de voto durante a convenção estadual do partido na Bahia, realizada neste sábado (1º), apesar de a legislação eleitoral proibir esse tipo de manifestação antes de 16 de agosto, data marcada para o início oficial da propaganda eleitoral. Ao discursar no evento que oficializou as candidaturas do governador Jerônimo Rodrigues à reeleição e dos ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner ao Senado, Lula pediu apoio aos candidatos petistas e também à própria candidatura à Presidência.

“Depois que vocês votarem em deputado estadual, deputado federal, senador da República e votarem no Jerônimo, se sobrar um pouquinho de voto, vote em mim”, afirmou o presidente. Em outro momento, também defendeu a eleição de Rui Costa e Jaques Wagner, argumentando que “o Senado está muito ruim” e precisa de parlamentares alinhados ao governo.

A Lei das Eleições permite, neste período de pré-campanha, a realização de convenções partidárias, a divulgação de pré-candidaturas e a apresentação de propostas. No entanto, o pedido explícito de votos é vedado até o início oficial da campanha, em 16 de agosto.

O episódio ocorre poucos dias depois de o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) condenar Lula ao pagamento de multa de R$ 15 mil por um pedido de votos feito em maio para as então pré-candidatas ao Senado por São Paulo, Simone Tebet e Marina Silva. Na decisão, o tribunal entendeu que houve propaganda eleitoral antecipada por meio de pedido expresso de voto.

Diário do Poder

 

Viúvo de Rita Lee e ex-mulher do ex-presidente da República, Fernando Collor engatam romance

O viúvo de Rita Lee, maestro Roberto de Carvalho e a empresária Lilibeth Monteiro de Carvalho, ex-mulher e mãe dos filhos do ex-presidente Fernando Collor de Mello, oficializaram uma convivência amorosa. O casal está namorando, revivendo um relacionamento que já havia acontecido quando Lilibeth era adolescente e Roberto estava entrando na vida adulta. A informação é da colunista Lu Lacerda, da Revista Veja.

Lilibeth é vice-presidente do grupo empresarial Monteiro Aranha. Roberto, por sua vez, desde a morte de Rita Lee, em maio de 2023, com quem viveu por 47 anos e teve três filhos, este é o primeiro relacionamento amoroso assumido por Roberto de Carvalho, viúvo da “rainha do rock”. 

Jornal da Cidade Online 

 

Contratos milionários de Lulinha foram no então MDS de Welington Dias, atualmente na campanha de Lula

A Polícia Federal suspeita da atuação de Lulinha e de sua amiga Roberta Luchsinger na obtenção de contratos públicos para a companhia 3Structure It. Segundo os investigadores, a empresa obteve seis contratos com o governo federal, num total de 86 milhões. Dois desses contratos foram realizados com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, no valor de R$ 55 milhões. O MDS era comandado pelo petista Wellington Dias, amigo de Lula, que deixou a pasta há poucos meses para assumir a coordenação política da campanha de reeleição do petista. Mensagens interceptadas pela PF do celular de Roberta Luchsinger e Lulinha identificaram termos como “Cleber na Data”. Segundo os investigadores, seria uma referência a Cleber Ribas de Oliveira, que assumiu o cargo de CEO de Renato Feio na mesma época do contrato com o MDS.

A PF também descobriu que Lulinha e Cleber Ribas viajaram juntos, em 15 de dezembro de 2024, para Foz do Iguaçu, com passagens emitidas sob o mesmo localizador, indicando que o empresário custeou os tickets. Houve ainda repasses da empresa do lobista Camilo Antunes, o Careca do INSS, para a consultoria de Roberta e dela para a 3S. Em depoimento à PF, Cleber Ribas disse ser amigo de Lulinha, mas negou qualquer intermediação dele em negócios no governo do pai. Nesta semana, André Mendonça também abriu inquérito contra o filho de Lula por suspeita de tráfico de influência e corrupção no Ministério da Saúde.

Jornal da Cidade Online

 

Na Convenção do PT na Bahia: Prefeito e vereadora tiveram celulares furtados

O prefeito da cidade de Valente (BA), Ubaldino Amaral, e a presidente da Câmara Municipal de João Dourado (BA), vereadora Viviane da Gameleira, informaram nas redes sociais que tiveram os celulares furtados durante a convenção do PT da Bahia, realizada neste sábado (01/08), no Parque de Exposições, em Salvador. Por meio de comunicado, Ubaldino informou que está temporariamente sem contato.

“Informamos que o celular do prefeito foi ‘perdido’ hoje pela manhã. Por esse motivo, ele não está conseguindo responder às mensagens e ligações. Ele estará incomunicável até conseguirmos outro aparelho”, diz a nota divulgada pela equipe do gestor.

Já Viviane da Gameleira afirmou que o aparelho foi furtado e alertou amigos e contatos para desconsiderarem qualquer mensagem enviada em seu nome.

“Meu celular foi furtado! Peço que desconsiderem qualquer mensagem, ligação ou pedido enviado em meu nome até que a situação seja regularizada. Caso recebam qualquer solicitação, especialmente envolvendo dados pessoais, peço que ignorem e não respondam. Assim que um novo número for definido, farei a comunicação pelos meus canais de comunicação”, publicou.

Há informações de que inúmeros outros episódios de furto ocorreram no local, mas ainda não foram divulgados.

Jornal da Cidade Online

 

O “espírito crime”: A gênese moral da corrupção estatal

                                                                                                                                                                        *Carlos Dias é analista político 

A história recente do Brasil oferece um catálogo tão vasto de escândalos que a tendência natural é tratá-los como episódios isolados, conectados apenas pela continuidade geográfica e institucional. O Mensalão, a Lava Jato, o Petrolão, as fraudes no INSS e o caso do Banco Master seriam, nessa leitura superficial, manifestações pontuais de má gestão ou de indivíduos particularmente desonestos. Essa interpretação conforta quem prefere não olhar para a estrutura. Mas é falsa.

Existe uma continuidade moral e filosófica entre todos esses episódios que precisa ser nomeada. O Estado brasileiro, tal como concebido e operado nas últimas décadas, não é vítima da corrupção. É seu instrumento primário. E o que chamamos de corrupção não é um desvio do funcionamento estatal, mas sua expressão mais autêntica.

Tomo o conceito de “espírito crime” não como figuração retórica, mas como categoria analítica. Quando a máquina pública concentra o poder de arrecadar, redistribuir, regular, conceder, licenciar, nomear e punir, ela cria um campo de força que atrai necessariamente os agentes dispostos a operar nas margens da legalidade. Não se trata de acidente. Trata-se de desdobramento lógico. Quanto maior o Estado, mais extensa a fronteira entre o poder discricionário e o proveito privado. Mais ampla essa fronteira, mais irresistível a tentação de atravessá-la.

A Lava Jato revelou com nitidez brutal como o sistema funcionava. Empresas de construção pesada pagavam propinas a executivos da Petrobras e a políticos que comandavam a estatal. Os valores retornavam como financiamento eleitoral, propina pessoal e manutenção de esquemas de poder. O Petrolão não foi um golpe de audácia de alguns bandidos sagazes. Foi a operação sistemática de uma engrenagem onde o Estado era ao mesmo tempo o pagador, o recebedor e o fiador. Cada contrato assinado, cada aditivo aprovado, cada obra inaugurada com placa de político era um elo na corrente.

Passa-se uma década e o padrão se reproduz em outro território. No INSS, descobriu-se em 2025 um esquema de mais de R$ 6 bilhões em descontos não autorizados de aposentadorias e pensões. Associações e sindicatos, em conluio com servidores públicos, acessaram diretamente a folha de pagamento do Instituto e retiraram quantias de milhões de idosos que nunca consentiram com nada. Uma das entidades chegou a filiar 1.569 aposentados por hora. O diretor responsável pela área havia sido nomeado pelo governo poucos meses antes. Não havia sequestro no sentido tradicional, porque o agente sequestrador era o próprio Estado, operando por meio de seus aparelhos formais. O aposentado não tinha para quem recorrer, pois a instituição que deveria protegê-lo era a mesma que o saqueava.

O caso do Banco Master leva a análise a um plano ainda mais perturbador. O banco emitiu cerca de R$ 50 bilhões em CDBs com remuneração acima do mercado, lastreados em ativos de baixíssima liquidez, garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos. Quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial, o ressarcimento atingiu R$ 41 bilhões para 1,6 milhão de credores. O banqueiro Daniel Vorcaro foi preso no aeroporto tentando deixar o país. Até aí, um caso de fraude financeira de grande escala. Mas o que transforma o Master em sintoma de “espírito crime” é o que veio depois.

O ministro Dias Toffoli, do STF, puxou o processo para a competência do Supremo e impôs sigilo total, transformando o inquérito em caixa preta. Dias antes, havia viajado de jatinho privado com o advogado de um diretor investigado para assistir à final da Libertadores em Lima. O escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes firmou contrato para defender os interesses do banco perante o Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Federal, o Banco Central e o Congresso, com honorários que poderiam chegar a R$ 129 milhões. Não se precisa de teoria conspiratória para perceber o que está diante dos olhos. As instituições de controle foram capturadas pelos próprios agentes que deveriam controlá-las.

É aqui que a análise precisa descer à gênese moral. A doutrina social clássica, de Santo Tomás de Aquino a São João Paulo II, reconhece que o Estado tem funções legítimas e limitadas. Quando ultrapassa esses limites, não se torna apenas ineficiente. Torna-se moralmente corrompido em sua essência, porque a concentração de poder sem correspondente responsabilidade pessoal gera inevitavelmente a ocupação predatória dos cargos. O patrimonialismo brasileiro não é um defeito cultural. É a consequência direta de um modelo de Estado que trata o erário como extensão do privado e o cargo público como sinecura.

A Escola Austríaca de economia demonstrou com rigor teórico que a intervenção estatal na economia cria incentivos perversos que tornam a corrupção não uma anomalia, mas um mecanismo de funcionamento. Quem controla a distribuição de recursos alheios controla também os destinos de quem depende desses recursos. E quem depende desses recursos não tem autonomia para resistir.

O “espírito crime” que perpassa do Mensalão ao Banco Master é, portanto, o espírito de um Estado que se expandiu para além de toda fronteira moral e constitucional. Não se corrige isso com leis de transparência ou com novas agências reguladoras. Corrige-se com a redução drástica do poder discricionário do Estado, com privatizações amplas, com a devolução de competências à sociedade civil e com a restauração do princípio de que o bem comum não se confunde com o interesse público definido por burocratas e políticos.

Enquanto o Estado continuar sendo o principal distribuidor de riqueza, privilégios e oportunidades no Brasil, o “espírito crime” encontrará sempre um novo terreno. A corrupção é sintoma. A doença é o tamanho do Estado.

*Carlos Dias é analista político

 

Inteligência Artificial e Deepfakes: A disputa entre STF e TSE que ameaça a Justiça Eleitoral

Em abril deste ano, em entrevista televisiva, o Ministro Gilmar Mendes defendeu que o inquérito das Fake News deveria permanecer aberto “pelo menos até as eleições” Segundo a doutrina, o inquérito policial é procedimento investigativo destinado a esclarecer, sinteticamente: a) se um fato criminoso ocorreu; b) suas circunstâncias; e c) quem é o autor ou partícipe da conduta delituosa. Apurados fatos, circunstâncias e autoria, o Delegado elabora relatório, com indiciamento dos envolvidos, remetendo-o ao Ministério Público — titular da ação penal —, a quem cabe oferecer a denúncia e iniciar o processo penal perante o Judiciário.

Manter um inquérito aberto para eventos futuros e incertos fere de morte a natureza e os limites de uma investigação, configurando constrangimento ilegal e falta de interesse de agir do poder estatal. É inconcebível transformar um processo investigativo em instrumento de previsão ou tutela preventiva de risco abstrato. Ministros não são oráculos, profetas ou videntes! O introito se faz necessário diante das falas de Gilmar Mendes e do possível conflito, noticiado pela imprensa, entre uma ala de Ministros do STF e o Ministro Kassio Nunes, do TSE.

A divergência — repise-se, conforme divulgado por jornalistas — teria surgido após o presidente do TSE demonstrar visão mais democrática, flexível e menos rígida sobre os limites da IA e das deepfakes na campanha eleitoral. Há quem diga que, adotada essa posição, as propagandas eleitorais poderiam ser incluídas no inquérito das Fake News. O desentendimento intensificou-se após o candidato Flávio Bolsonaro utilizar vídeo produzido por IA com a imagem de seu pai que, embora explicitasse tratar-se de montagem, apoiava a candidatura do filho.

Segundo a Carta Capital (31/07), interlocutores do Supremo afirmam que ministros como Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes estariam dispostos a reagir de forma mais enfática caso entendam que o TSE falhou na proteção da integridade eleitoral e no combate à desinformação. Causa estranheza, se verdadeira, a incontinência desse posicionamento, por alguns motivos. Primeiro, não cabe ao magistrado antecipar seu ponto de vista sobre processo que ainda irá julgar, muito menos ameaçar outras instâncias para impor sua convicção. Segundo a regra é o não cabimento de recurso contra decisões do TSE, salvo quando contrariarem a Constituição ou nas hipóteses de decisões denegatórias de habeas corpus e mandado de segurança, casos em que cabe recurso ordinário ao STF. Terceiro, se a intenção for avocar a matéria para o inquérito das Fake News, a emenda fica pior que o soneto, pois a competência em matéria eleitoral é da Justiça especializada.

Que a fala de Gilmar Mendes e o possível desentendimento entre o STF e o TSE tenham sido apenas frutos de alucinações verbais — sob pena de inaugurarmos uma mistura de Estado policialesco com judicialesco, na qual a vontade de alguns Ministros supera o ordenamento jurídico pátrio.

Tenho dito!

Bady Elias Curi

Advogado fundador do Esc. Bady Curi Advocacia Empresarial, Prof. Mestre de Direito, ex-juiz do TRE/MG, escritor.