A PF não deixou espaço para interpretação: O rombo do Master não quebrou só um banco, mas o STF – O Intocável

*Por Carlos Arouck

O relatório da Polícia Federal não deixa espaço para interpretação suave. Daniel Vorcaro quebrou uma instituição financeira e deixou um buraco de R$ 60 bilhões. Dinheiro de gente comum, de fundos de pensão, do Fundo Garantidor de Créditos. Enquanto o banco afundava, o dono tinha canal secreto com um ministro do Supremo Tribunal Federal, pagava o escritório da mulher desse ministro, tentava entregar jatinho e helicóptero como se fossem honorários e pedia para o chefe da Polícia Federal e o procurador-geral da República “não deixarem ninguém de baixo fazer sacanagem”. Isso é um escândalo que atravessou os Três Poderes e colocou a reputação do STF no centro da crise.

Não era conversa oficial. Era print de bloco de notas enviado como mensagem que some depois de lida. Cinquenta e duas vezes para o número salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Quem se comunica assim não quer testemunha. Dois dias antes de ser preso tentando fugir do país, Vorcaro perguntou ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?” Citou o juiz que iria prendê-lo. No dia da prisão, perguntou se o ministro tinha “conseguido bloquear”. Um banqueiro tratando um ministro do STF como quem tem a chave da operação policial. Pediu para Moraes “reforçar com Andrei e Paulo” — Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

O DINHEIRO, O JATINHO E OS FILHOS

O escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, tinha contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master: R$ 3 milhões líquidos por mês. Vorcaro gritava com os funcionários: “É o pagamento mais importante que temos. Não atrase um dia.” A PF aponta que o perfil “Ministro Alexandre de Moraes” editou a minuta desse contrato. Havia um segundo contrato de R$ 50 milhões com outra empresa de Vorcaro. Destes, R$ 40 milhões seriam pagos com cotas de duas aeronaves:

  • “um jato executivo Embraer Legacy 650 (prefixo PP-NLR), cota avaliada em US$ 5,51 milhões;
  • um helicóptero Airbus EC 155 B1, cota avaliada em US$ 1,33 milhão.”

Total das cotas: cerca de US$ 6,85 milhões. Os outros R$ 10 milhões seriam reembolso de voos. O escritório poderia usar as aeronaves desde a assinatura. O escritório diz que esse segundo contrato não foi aceito. A PF encontrou as minutas, as mensagens negociando as cotas e a ordem de Vorcaro: “Não deixa de atender Barci”. Uma das aeronaves do mesmo grupo já havia sido usada em deslocamentos ligados à família. Quinze dias antes da prisão, o banqueiro autorizou cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para cada um dos dois filhos do ministro.

Houve jantares, whisky, experiência “ultra VIP” em Campos do Jordão para um convidado chamado “Alex” e participação na organização do fórum de Londres. Vorcaro escreveu: 

“Tenho gratidão da minha vida a você. Toda a minha família tem uma dívida de vida contigo e sua família.”

Um ministro do Supremo não deveria dever gratidão a ninguém. Muito menos a um homem que vendeu crédito podre e tentou pagar honorários com jatinho e helicóptero. O procurador que quer anular o relatório que o cita Paulo Gonet aparece no mesmo documento que pediu para anular — em tempo recorde. Mensagens intermediadas pelo advogado Ciro Soares mostram o PGR mandando recado de “saudades” de Vorcaro, chamando o banqueiro de “máquina” e escrevendo: 

“Tomara que tenha charuto e Macallan.”

Perguntou se o filho Pedro Gonet podia ir a Londres com as despesas pagas pelo Master. Vorcaro: “Óbvio, né.” Confirmou na lista: “Pedro e Ciro ok.” O mesmo Gonet é o “Paulo” que Vorcaro pediu a Moraes para pressionar. Quando o relatório veio a público, o chefe do Ministério Público pediu a nulidade do papel que expõe essa proximidade. A imprensa chamou pelo nome: tentativa de blindagem.

O CHEFE DA PF NO EVENTO PAGO PELO INVESTIGADO

A assistente de Andrei Rodrigues na PF perguntou se passagem e hospedagem do diretor-geral no fórum de Londres seriam pagas. A resposta foi direta: o Master cobria tudo. Andrei precisava apenas de um convite formal para colocar o evento na agenda institucional. Fábio Faria intermediou: “O que acha de eu convidar o DPF Andrei? Aí fechamos o PGR e o DPF.” Vorcaro topou. Hotel cinco estrelas. Degustação de Macallan que sozinha custou cerca de US$ 640 mil. Depois, o mesmo Andrei aparece nas anotações de Vorcaro como alguém a ser “reforçado” para impedir que a polícia agisse.

A TEIA QUE ATRAVESSOU A REPÚBLICA. O escândalo não parou no STF.

Dias Toffoli saiu da relatoria depois que um fundo ligado a Vorcaro comprou parte de um resort da família do ministro. A CPI do Crime Organizado pediu o indiciamento de Toffoli, Moraes, Gilmar Mendes e Gonet.

Ciro Nogueira (PP): a PF aponta benefício econômico de ao menos R$ 6 milhões, viagens a Courchevel, Paris e Nova York pagas pelo banqueiro, e projetos de lei no interesse do Master. Vorcaro comemorou uma emenda: “Saiu exatamente como mandei.” A polícia descreveu o banqueiro como “o 82º senador da República”.

Flávio Bolsonaro cobrou recursos para o filme Dark Horse. A imprensa registrou repasse de US$ 1,6 milhão em setembro de 2025, dias depois da cobrança.

Outros nomes atravessam o dossiê: Jaques Wagner, Cláudio Castro e aportes do Rio Previdência no Master, Ibaneis Rocha e a venda ao BRB, Davi Alcolumbre e as travas a uma CPI, Hugo Motta, servidores do Banco Central. Vorcaro tentou duas delações. PF e PGR recusaram, segundo a imprensa, porque ele omitia aliados.

O FGC já pagou dezenas de bilhões a credores do Master. Se uma emenda defendida no interesse do banco tivesse passado, o risco do fundo teria sido “sextuplicado”, segundo mensagem citada pela PF.

O QUE ISSO FEZ COM O STF

Um ministro da mais alta corte do país em canal secreto com o dono da maior fraude bancária da história recente. Contrato milionário da mulher editado sob o perfil do próprio ministro. Cartões para os filhos. Cotas de jatinho e helicóptero na mesa. Pedido para segurar a polícia e o Ministério Público. O procurador-geral pedindo charuto, Macallan e viagem paga para o filho — e, quando o relatório sai, pedindo para anular o documento que o menciona. O diretor-geral da Polícia Federal com viagem e whisky pagos pelo mesmo banco que sua corporação investigava.

Isso não é “relação institucional”. É captura. E captura no Supremo não é um problema interno da Corte. É um problema da República. O relatório da PF não condenou ninguém. Só abriu o celular do banqueiro. O que estava lá — e o que a imprensa tradicional e as redes já cruzaram — é o retrato de um país em que o dinheiro de um banco comprava agenda, proteção e silêncio no andar de cima. Agora o próprio Supremo decide se investiga um de seus ministros. A Folha já chamou de ponto de não retorno. A pergunta do cidadão é mais simples e mais dura: se fosse um juiz de vara, já não estaria afastado? Enquanto essa resposta não vier com a mesma clareza dos prints, o que fica em pé não é só a crise de um banco. É a dúvida sobre a Corte que deveria ser o último freio do Estado.

*Carlos Arouck

Policial Federal. É formado em Direito e Administração de Empresas

 

Vorcaro ameaça jogar farofa no ventilador delatando autoridades do governo Lula e o chefe da PF

Está dando o que falar o depoimento prestado pelo banqueiro Daniel Vorcaro à equipe do ministro André Mendonça. Uma coisa é certa: Vorcaro quer delatar autoridades do governo Lula. E uma outra coisa que ele oferece em sua eventual delação é explicar sua relação com Andrei Rodrigues, o diretor-geral da Polícia Federal. A defesa de Vorcaro pediu a realização desse depoimento a André Mendonça sob argumento de que ele estava sendo alvo de ameaças da PF para não fazer sua delação premiada. Vorcaro disse ao gabinete do ministro que sua delação não foi adiante porque os policiais federais queriam blindar Andrei Rodrigues de menções.

CONFIRA:

“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar. Eu pretendia…. Na minha opinião, os fatos estão tão diferentes da realidade, doutor, que só a verdade hoje vai me libertar. Então, eu quero muito, desde… tem alguns meses que eu quero falar a verdade. Eu não sou perfeito, eu errei, eu errei mesmo, eu quero falar no que eu errei. Porque eu não era a pessoa e nem os fatos que estão sendo relatados ali. E envolve todo esse núcleo. E eu, desde o começo, sempre fui muito resistente, reticente. Fiquei, inclusive, surpreso com a própria PGR, com a atuação que foi proativa de tentar saber, entender a realidade. Mas isso não aconteceu, desde o começo, com a polícia”, afirmou Vorcaro.

Ao ser questionado sobre os fatos envolvendo o diretor-geral da PF, o banqueiro citou que Andrei “viajou para eventos comigo” e tinha uma relação com ele anterior às investigações da Operação Compliance Zero. Vorcaro reclamou que os delegados da PF responsáveis por negociar a colaboração não demonstraram interesse na proposta.

“Não estou acusando a Polícia Federal. Eu só acho que, pela sensibilidade dos fatos, pelas pessoas que estão envolvidas, pelos interesses políticos, pelas relações do sistema e da política atual que estão envolvidas nesse caso, no modelo tradicional, no modelo atual, as pessoas envolvidas, não vai ser possível fazer a colaboração”, disse no depoimento.

E concluiu afirmando o seguinte:

“No meu entendimento, com muita franqueza, a própria PGR, como o gabinete, como eu, nós estamos sendo levados por membros de uma Polícia Federal que está levando o caso para um lado e usando a mídia, com vazamento seletivo desde o começo, para intimidar todos”.

Jornal da Cidade Online

 

CFM faz alerta grave: Lei pode criminalizar a obstetrícia e afastar médicos da assistência ao parto

O Conselho Federal de Medicina (CFM) está emitindo um gravíssimo alerta relacionado a um Projeto de Lei que está em pauta na Câmara dos Deputados. Trata-se do PL 2.373/2023 que na visão da entidade pode gerar insegurança jurídica e afastar médicos da assistência ao parto. O substitutivo em análise prevê a criminalização de condutas relacionadas à assistência à mulher durante a gestação, o parto e o puerpério, com penas que podem chegar à prisão. Para o CFM, criminalizar decisões tomadas no exercício da medicina pode gerar insegurança jurídica e afastar profissionais da assistência obstétrica. Proteger a mulher também significa garantir a presença de médicos preparados, tecnicamente responsáveis e juridicamente seguros para tomar as decisões necessárias no momento do parto.

Abaixo, a íntegra da nota divulgada pelo Conselho Federal de Medicina

“O Conselho Federal de Medicina (CFM) alerta os médicos e a sociedade para os riscos do Projeto de Lei nº 2.373/2023, que está na pauta da Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família (CPASF) da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (02).

O substitutivo apresentado pela relatora, deputada Rogéria Santos, torna crime condutas profissionais relacionadas à assistência à mulher nos cenários de gestação, parto e puerpério, com previsão de penas que chegam a prisão.

A PL 2.373/2023 alcança condutas relacionadas a procedimentos, atendimento, observância de protocolos e decisões tomadas durante a assistência obstétrica.

O CFM alerta, porém, que essa previsão cria grave insegurança jurídica, pois decisões médicas dependem da avaliação individual do quadro clínico e podem precisar ser modificadas rapidamente diante da evolução do parto ou de uma situação de emergência.

Na sala de parto, não pode existir o temor sobre decisões que devem ser tomadas para proteger a vida da mãe ou do bebê.

A medicina não é uma atividade mecânica. Uma conduta considerada desnecessária em determinado momento pode ser indispensável minutos depois. A avaliação de sua necessidade deve considerar as circunstâncias clínicas existentes no momento da decisão, e não apenas uma análise retrospectiva.

O CFM alerta que a criminalização de decisões médicas pode produzir um efeito perverso: afastar profissionais da obstetrícia, reduzir a disponibilidade de médicos nas salas de parto e prejudicar justamente as mulheres que mais dependem da assistência médica, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS).

O Brasil já dispõe de instrumentos legais e mecanismos de responsabilização para situações de negligência, imprudência, imperícia, abuso e outras condutas ilícitas. Criar um tipo penal para criminalizar a assistência obstétrica, com conceitos sujeitos à interpretação posterior, não protege a mulher — mas tornará inseguro o exercício da medicina e de tantas outras profissões.

O CFM conclama os parlamentares: proteger a mulher também significa garantir que, no momento do parto, exista um médico preparado, tecnicamente responsável e juridicamente seguro para tomar a decisão necessária.

Mulheres, recém-nascidos e médicos merecem segurança.”

Jornal da Cidade Online

 

Ministros do STF dando gargalhadas após a sessão desta quarta-feira, indiferentes a indignação popular

Em meio a crise institucional pela qual passa o Supremo Tribunal Federal (STF), um flagrante realizado nos corredores da Corte nesta quarta-feira (2) gerou revolta nas redes sociais. A imagem mostra Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes rindo após uma sessão do tribunal. Uma quarta pessoa de costas na foto não foi identificada. A foto é de Brenno Carvalho, do jornal O Globo.

Os ministros conversam descontraidamente, como se absolutamente nada estivesse acontecendo. Incrivelmente, o mais extrovertido é justamente o ministro Alexandre de Moraes. Parece ter a certeza de que nada vai lhe acontecer, principalmente que os milhões de reais da corrupção continuarão na conta da esposa, e que tudo vai acabar em pizza, para ser melhor na impunidade, uma vez que o STF tem um tapete muito grande para armazenar atos e práticas ilícitas dos integrantes da Corte, nomeados através de conchavos políticos.

Lamentável!

Jornal da Cidade Online

 

Planalto vive a expectativa da queda de Alexandre de Moraes e Lula indicar mais um ministro ao STF

Mobilizada no impeachment de Alexandre de Moraes, a oposição tem se surpreendido com discreto apoio de governistas. É que, temendo impacto do escândalo Vorcaro/Moraes em sua campanha, Lula orientou que, “sem tripudiar”, petistas defendam a investigação do escandaloso relacionamento que transformou um ministro do no Supremo Tribunal Federal (STF) em consultor e informante de fraudador. Lula esfrega as mãos de ansiedade pela abertura de nova vaga de ministro do STF.

Terceira vaga

Lula também sonha com uma terceira vaga, de Dias Toffoli, enrolado com Vorcaro no Tayayá. Para Lula, não se pode “cassar” apenas Moraes.

‘Traição’ na conta

A bronca de Lula é do tempo de cadeia, quando Toffoli tomou decisões que o revoltaram. Ainda se diz “traído” e quer ver o ministro pelas costas.

‘Nem com 81 votos’

Somente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem a prerrogativa de abrir processo de impeachment de ministro do STF. E ele não quer.

Morre de medo

Alcolumbre só abre processo se Lula mandar ou o STF pedir. Alcolumbre é temente a Moraes e ao STF como um todo, nessa ordem.

Coluna do Claudio Humberto

 

Folha de São Paulo solta a mão de Xandão: “A Moraes cabe a renúncia”

Em editorial a Folha de São Paulo abriu fogo contra o ministro Alexandre de Moraes. Para o jornal não resta outro caminho para o magistrado que não seja a renúncia ao cargo no Supremo Tribunal Federal. O texto publicado na edição desta terça-feira (1º) é extremamente duro.

Confira:

“Não há mais lugar no Supremo Tribunal Federal (STF) para Alexandre de Moraes. Se o ministro não renunciar, restará ao Senado, por meio de um processo de impeachment, livrar a corte desse fardo.

O limite da tolerância com a promiscuidade entre o juiz e o mafioso Daniel Vorcaro havia sido tangenciado com o que se sabia antes das últimas revelações. O contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da mulher de Moraes e as comunicações com o ministro à véspera da prisão do delinquente, numa modalidade que apaga o que foi dito, deixavam pouca dúvida sobre a gravidade da relação.

A torrente de situações abomináveis que acaba de desaguar sobre a opinião pública sepulta qualquer incerteza restante sobre a incompatibilidade de Moraes com o exercício da magistratura no STF. O fraudador, enquanto enriquecia a família Moraes com dinheiro roubado, tinha o ministro como um conselheiro e um informante.

No relatório policial que investigou o caso, o ministro aparece como editor do contrato multimilionário com o escritório da esposa, que negociou mais um acordo, este de R$ 50 milhões, com uma outra empresa de Vorcaro.

No sábado anterior a sua detenção pela Polícia Federal, o dono do Banco Master quis saber de Moraes se ele deveria estar fora do país na segunda-feira. Idas e vindas de mensagens e aviões sugerem ter havido encontros pessoais com o juiz nos momentos agônicos do responsável pelo maior desfalque bancário da história do país.

Graças à persistência da PF, da imprensa e do ministro André Mendonça, está seriamente ameaçado o pacto de impunidade que tem mantido Moraes isolado de prestar contas. Não há muito o que esperar da Procuradoria-Geral da República (PGR), infelizmente. O procurador Paulo Gonet, que descaradamente pediu a nulidade do relatório policial, surge emaranhado na teia de afinidades do Master.

Entretanto agora cabe escolher entre Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal, entre um indivíduo de má conduta e a República. Enquanto o ministro permanecer na sua cadeira, a desonra e o descrédito se acumularão sobre o tribunal. A atitude mais digna e rápida seria a renúncia do magistrado. Ela pouparia as instituições nacionais de um desgaste desnecessário e longo.

Na ausência desse ato de desprendimento, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), está instado a fazer tramitar os pedidos de impeachment contra Moraes, que terá direito à presunção de inocência, ao devido processo e a todas as outras garantias legais.”

Jornal da Cidade Online

 

Jornal Estado de São Paulo apela ‘ao que resta do STF’ para conter colapso moral da Corte

Segundo o jornal Estado de São Paulo, o relatório da PF mostra Vorcaro tratando o ministro Alexandre de Moraes “como um funcionário regiamente pago” O jornal O Estado de S. Paulo publicou nesta quinta-feira (3) o editorial “Um apelo ao que resta do Supremo”, no qual cobra ação institucional diante dos indícios reunidos pela Polícia Federal sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso do Banco Master por fraude bilionária. O texto destaca declaração do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, segundo a qual os indícios “reclamam o devido encaminhamento institucional” e o cargo de ministro “não confere privilégios, mas impõe deveres”. Fachin anunciou que tomará medidas “no tempo devido e sem precipitação”. Para o Estadão, o pronunciamento é insuficiente, mas representa um sinal de que ainda resta “vida republicana” no tribunal.

O jornal defende que o relatório da PF seja levado o quanto antes ao plenário do STF, em sessão pública e presencial. Caso isso ocorra, o editorial faz um apelo direto aos ministros que ainda colocam a instituição acima de interesses pessoais para que manifestem “sem medo seu horror diante do colapso moral que ameaça o STF”. O texto reconhece que a tarefa não será fácil, dada a “conhecida truculência de alguns ministros”, mas afirma que o País precisa saber se ainda há “genuínos e destemidos republicanos” na Corte.

O editorial rejeita qualquer novo “arranjo clandestino”, em referência ao que considera ter ocorrido para acomodar a suspeição do ministro Dias Toffoli como primeiro relator do caso Master. Segundo o jornal, o relatório da PF documenta que Vorcaro tratava Moraes “como um funcionário regiamente pago”, cobrando providências que “nem a um advogado se cobra”. O Estadão afirma que as relações entre o investigado pela que descreve como a maior fraude financeira já praticada no País e um ministro do Supremo estão documentadas.

Ainda que a existência de crimes só possa ser definida por investigação técnica e julgamento justo, o jornal sustenta que Moraes “já é um estorvo para o STF” e que sua permanência se tornou “o maior problema do Poder Judiciário desde a redemocratização”. A necessidade de afastamento — voluntário ou por impeachment — seria, segundo o texto, uma questão moral anterior a qualquer apuração sobre prevaricação, advocacia administrativa, obstrução de justiça ou corrupção passiva.

O editorial também menciona a relação de Toffoli com Vorcaro por meio de investimentos no resort Tayayá e pede que o plenário autorize investigação sobre a conduta de ambos. Fachin, como presidente, teria o dever de evitar um desfecho em que a Corte proteja um de seus membros por corporativismo. O jornal alerta que, se o destino pessoal de Moraes não for desassociado do destino da instituição, o STF “morrerá abraçado a um dos seus”, com consequências imprevisíveis que, no limite, poderiam incluir desobediência civil.

A sobrevivência moral do Supremo como conhecido desde 1988, conclui o texto, depende da capacidade dos ministros de demonstrar à Nação a diferença entre proteger um colega e proteger a instituição.

Diário do Poder

 

Decisão ilegal e desumana de Alexandre de Moraes e do STF atinge mãe de 6 filhos que não é parte no processo do 8 de janeiro

O Supremo Tribunal Federal mantém bloqueados os bens e as contas de Vanessa Rolim Vieira, servidora pública de Rondônia e mãe de seis filhos. Ela não é ré no processo que levou às restrições. Seu marido, Ezequiel Ferreira Luís, foi condenado pelos atos de 8 de janeiro e deixou o país em 2024. O bloqueio atinge até a conta salário de Vanessa. A família também possui seis caminhões financiados, mas a restrição impede o licenciamento dos veículos, que estão parados enquanto as parcelas continuam vencendo.

A defesa pediu que Vanessa pudesse acessar metade dos recursos e licenciar os caminhões. O ministro Alexandre de Moraes rejeitou o pedido, sendo acompanhado inicialmente por Cristiano Zanin, Flávio Dino e Dias Toffoli. O julgamento ainda está em andamento no plenário do Supremo. Aqui está o ponto que deveria incomodar qualquer pessoa, independentemente de ideologia: até onde o Estado pode atingir o patrimônio de alguém que não foi denunciado nem condenado?

A lógica lembra um velho método de regimes autoritários: se não é possível atingir diretamente o alvo, aperta-se o círculo ao seu redor. Vanessa afirma que sustenta sozinha os seis filhos e que a família vive em situação financeira crítica desde 2023.

Não se trata de discutir se alguém que participou dos atos de 8 de janeiro deve responder pelos seus atos. Trata-se de perguntar se a punição pode ultrapassar o condenado e atingir familiares que não respondem pelo mesmo processo. Quando o Estado começa a punir quem não foi condenado, o problema deixa de ser apenas político. Passa a ser uma questão de liberdade e de Estado de Direito.

Jornal da Cidade Online

 

Cúpula da PGR fala em “desânimo” e afastamento de Paulo Gonet é tido como iminente

O site Poder360 afirma que ouviu sob reserva integrantes da cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a reportagem, o ambiente no órgão é de “desânimo”. Para os integrantes da cúpula da instituição o pedido de Gonet pela nulidade das investigações é impróprio e o inquérito deveria ficar com o vice PGR, Hindemburgo Chateaubriand. Entretanto, a decisão final é do próprio PGR, que decidiu continuar no caso.

A matéria do Poder360 ainda diz o seguinte:

“Segundo o relatório da Polícia Federal, Gonet e Daniel Vorcaro iniciaram uma relação a partir de um evento financiado pelo Banco Master, em Londres.

Mensagens do advogado Ciro Soares indicam que Gonet pediu que houvesse disponibilidade de ‘charutos’ e ‘whisky Macallan’. Conforme a PF, Gonet também pediu a Vorcaro para bancar ida de seu filho para Londres.”

Promiscuidade total.

Jornal da Cidade Online

 

Ministro André Mendonça vem à público com nota pela verdade e enterrar narrativa do “sistema”

Uma nova informação surgiu sobre um encontro entre o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro no início de 2025, na sede do instituto educacional mantido pelo magistrado em São Paulo. A reunião, que durou entre 20 e 30 minutos, foi realizada antes de Mendonça assumir a relatoria do caso envolvendo o Banco Master. Em forte nota, André Mendonça confirmou um único encontro com Vorcaro, disse que se limitou a ouvi-lo e ainda salientou que atuou de forma contrária aos interesses do banco – fato esse comprovado pela votação do tema.

Leia nota na íntegra: 

Jornal da Cidade Online