Banco do Brasil e Correios: O dinheiro muda de bolso e o contrato bilionário carece de explicações

                                                                      *Por Jayme Rizolli

O Banco do Brasil anunciou a assinatura de um contrato de aproximadamente R$ 2,3 bilhões com os Correios para a prestação de serviços postais pelos próximos cinco anos. Sob o aspecto jurídico e operacional, a contratação possui justificativas conhecidas: a Empresa Brasileira de Correios detém o monopólio de parte dos serviços postais e mantém uma capilaridade difícil de ser encontrada na iniciativa privada.

Mas a notícia desperta uma reflexão que vai além do contrato

Os Correios vêm acumulando prejuízos bilionários e buscando novas fontes de receita para equilibrar suas contas. Ao mesmo tempo, uma empresa igualmente controlada pelo governo federal firma um contrato bilionário com a estatal. A pergunta é inevitável: esse dinheiro representa riqueza nova para o Estado ou apenas circula dentro da própria estrutura pública?

Imagine uma família.

O pai reúne todo o dinheiro da casa e o distribui para administrar as despesas. Um dos filhos começa a apresentar dificuldades financeiras. Então, o pai orienta o outro filho a contratar alguns serviços do irmão que está em dificuldades.

O dinheiro realmente muda de mãos. O irmão que enfrentava problemas melhora momentaneamente seu caixa. Mas a riqueza da família continua exatamente a mesma. Não entrou um único centavo novo na casa; apenas houve uma redistribuição dos recursos existentes. Guardadas as diferenças entre uma família e a administração pública, a lógica ajuda a compreender a dúvida que muitos brasileiros fazem.

O Banco do Brasil e os Correios pertencem ao mesmo controlador: a União.

Quando uma empresa estatal celebra um contrato bilionário com outra estatal, existe uma prestação de serviços que deve ser remunerada. Isso faz parte da atividade empresarial. Entretanto, o cidadão tem o direito de perguntar se esse tipo de operação representa uma solução estrutural para os problemas financeiros dos Correios ou apenas oferece um alívio temporário no caixa de uma empresa pública que continua enfrentando dificuldades. A questão torna-se ainda mais relevante quando lembramos que o Brasil arrecada cifras trilionárias em impostos todos os anos e, ainda assim, convive com déficits, aumento da dívida pública e necessidade de novos empréstimos.

Os Correios, por sua vez, também vêm ampliando sua atuação em serviços financeiros, conta digital, renegociação de dívidas e outras iniciativas comerciais na tentativa de aumentar receitas. São medidas que podem contribuir para a sustentabilidade da empresa, mas que não substituem uma gestão eficiente nem eliminam a necessidade de enfrentar as causas dos prejuízos.

O contribuinte não espera milagres das empresas públicas. Espera responsabilidade.

Porque, quando uma estatal prospera, toda a sociedade se beneficia. Mas quando ela acumula prejuízos sucessivos, a preocupação deixa de ser apenas empresarial e passa a ser coletiva. No final, permanece uma pergunta simples, mas importante:

Estamos diante de uma recuperação construída por eficiência administrativa ou apenas assistindo ao dinheiro mudar de bolso dentro da mesma estrutura estatal? Essa é uma resposta que interessa não apenas aos economistas, mas a todos os brasileiros que, diariamente, ajudam a financiar o Estado por meio dos impostos que pagam.

Jayme Rizolli

Jornalista.

 

O polivalente advogado de Lulinha e o ‘estelionato intelectual’ praticado pelo grupo prerrogativas

Na terça-feira (7), na coluna de fofocas políticas do Estadão, o advogado Marco Aurélio de Carvalho é citado como um dos advogados de Lulinha. Na coluna desta quinta-feira (9), o mesmo advogado aparece como coordenador da campanha de Fernando Haddad ao governo do Estado.

Marco Aurélio de Carvalho, como muitos de vocês devem saber, é o fundador e presidente do Prerrogativas, um grupo de advogados “apartidários” que nasceu na luta contra o “ativismo judicial” da Lava Jato. O ativismo partidário de seu presidente e o texto do “Quem Somos”, disponível no site do grupo, deixam claro que o Prerrogativas tem lado: o lado do PT.

Portanto, qualquer tentativa de mostrar o grupo como apartidário e apenas interessado no bem do Brasil é um estelionato intelectual. O grupo e seus membros têm partido, e trabalham para que seu partido chegue e se mantenha no poder, de onde podem, eventualmente, extrair vantagens pessoais. Vantagens lícitas, mas vantagens de qualquer forma. Por exemplo, foi um advogado do Prerrogativas que assumiu a presidência dos Correios, deixando atrás de si um rastro de destruição. Jorge Messias, outro membro do grupo, foi apontado para o Supremo por Lula. E o ex-secretário de Política Econômica e atual presidente do Conselho da Petrobras, o professor da Unicamp Guilherme Melo, também é membro do Prerrogativas.

A opinião de qualquer membro do grupo deve ser lida sob a ótica eleitoral. Por exemplo, o advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira é membro do Prerrogativas. Seu textos devem ser lidos sob a ótica de alguém que, declaradamente, apoia e vota em Lula e no PT. Não se trata de crítica desinteressada e com base em ciência, é apenas um panfleto político.

Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakai, é também membro do grupo, assim como outros donos de bancas especializadas em livrar a cara dos corruptos de alto coturno nos tribunais do país. Assim como a influenciadora e advogada nas horas vagas, Gabriela Prioli. Glauber Braga, aquele deputado do PSOL que foi suspenso por agredir um membro do MBL, também é advogado que pertence ao grupo. Assim como Gilberto Carvalho, Paulo Teixeira, Rui Falcão e Jorge Bittar, membros históricos do PT. E, claro, ele, Fernando Haddad, tem um lugarzinho de honra no Prerrô.

Portanto, quando você ler ou ouvir um advogado defendendo um determinado ponto de vista, procure saber se pertence ao Prerrogativas. Se for esse o caso, saiba que está a serviço de um determinado partido, e sua opinião não é “desinteressada”.

Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.

 

André Mendonça autoriza buscas da PF ao empresário Tiago Miranda parceiro de Daniel Vorcaro

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o empresário Thiago Miranda Silva. A decisão atende a representação da Polícia Federal, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, que sustenta haver indícios de que o investigado atuou em conjunto com Daniel Vorcaro e outros integrantes de uma organização criminosa voltada à proteção dos interesses do Banco Master. Segundo a investigação, o grupo usou recursos financeiros oriundos de fraudes relacionadas à instituição financeira para promover campanhas de desinformação, pressionar jornalistas e influenciadores digitais, obter ilegalmente informações sigilosas e atacar pessoas consideradas obstáculos aos interesses da organização. Na decisão, Mendonça concluiu que existem elementos suficientes para justificar a medida cautelar, ressaltando que a busca e apreensão é necessária para preservar provas e aprofundar a investigação sobre a atuação do grupo.

Influenciar narrativas e intimidar críticos

O ministro descreveu um conjunto de indícios reunidos pela Polícia Federal que apontam para a existência de uma estrutura organizada destinada a blindar Daniel Vorcaro e o núcleo dirigente investigado.

Segundo a representação policial, essa estrutura tinha diferentes frentes de atuação. Uma delas seria dedicada à manipulação da opinião pública por meio da contratação de jornalistas e influenciadores para divulgar conteúdos favoráveis ao Banco Master e questionar a atuação de órgãos públicos, especialmente do Banco Central, responsável pela liquidação da instituição financeira.

De acordo com a investigação, os profissionais abordados recebiam propostas milionárias mediante assinatura prévia de acordos de confidencialidade relacionados ao chamado Projeto DV. Caso eles se recusassem a participar da campanha, seriam usadas informações privadas obtidas de forma ilícita para constrangê-los ou intimidá-los. A Polícia Federal também afirma ter identificado ações coordenadas para derrubar conteúdos jornalísticos, impulsionar artificialmente publicações favoráveis ao banco, elevar avaliações de aplicativos e negociar a publicação ou retirada de reportagens em veículos de comunicação.

Papel de Thiago Miranda

Na decisão, André Mendonça afirmou que os elementos colhidos individualizam a atuação atribuída a Thiago Miranda. Segundo a investigação, ele foi o principal responsável pelo recrutamento de influenciadores e jornalistas para participar do Projeto DV. Além disso, era encarregado da contratação dos profissionais, da coordenação das estratégias de comunicação e do pagamento dos participantes com recursos provenientes de empresas ligadas a Vorcaro. O ministro também destacou que o próprio investigado confirmou, em depoimento à PF, ter elaborado um plano de gerenciamento de crise após a prisão de Vorcaro e admitiu que o projeto previa a divulgação de matérias relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master. Embora Thiago Miranda tenha afirmado que parte da estratégia foi desenvolvida por terceiros, a Polícia Federal concluiu que ele exercia papel central na operacionalização das ações.

Suspeitas de monitoramento de jornalistas

Outro fundamento importante da decisão está relacionado às novas evidências obtidas após a publicação de reportagens baseadas em mensagens apreendidas pela Polícia Federal. Segundo a investigação, os diálogos indicam que Thiago Miranda e Daniel Vorcaro discutiam estratégias para acompanhar a atividade profissional da jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo. Conforme reproduzido na decisão, a PF identificou conversas sobre levantamentos detalhados da vida pessoal, financeira, patrimonial e familiar da jornalista. Os investigadores afirmam que o objetivo era reunir informações capazes de constrangê-la, desacreditá-la ou expô-la publicamente em razão das reportagens sobre o Banco Master. Ainda segundo a investigação, dados financeiros foram obtidos por meio de plataformas que oferecem acesso irregular a informações sigilosas, incluindo estimativas de renda, movimentações bancárias, operações com cartões de crédito e dados cadastrais. A decisão também menciona que o mesmo método foi empregado contra outras pessoas consideradas adversárias do grupo, entre elas o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, além de pessoas ligadas ao presidente do Banco Central.

Requisitos legais

Ao examinar o pedido da Polícia Federal, André Mendonça ressaltou que a busca e apreensão exige a existência de fundadas razões de que a diligência permitirá localizar documentos e objetos relevantes para a investigação. Segundo o ministro, esse requisito foi preenchido porque a investigação não se baseia em conjecturas, mas em um conjunto consistente de mensagens eletrônicas, documentos, registros financeiros, vínculos societários, contratos e demais elementos já apreendidos anteriormente. A decisão destaca que a própria natureza dos fatos investigados — envolvendo comunicações digitais, documentos eletrônicos, armazenamento em nuvem e movimentações financeiras — torna indispensável a adoção imediata da medida, diante do risco de destruição, ocultação ou alteração das provas.

Mendonça também observou que a possibilidade de existência de outros integrantes ainda não identificados reforça o perigo de comprometimento das investigações caso a diligência não fosse feita rapidamente.

Medidas autorizadas

Além da busca domiciliar e pessoal, o ministro autorizou a apreensão de documentos físicos, computadores, telefones celulares, mídias digitais, registros contábeis, contratos, comprovantes bancários e outros materiais relacionados aos fatos investigados. Também foi autorizado o acesso ao conteúdo de dispositivos eletrônicos e de dados armazenados em serviços de computação em nuvem vinculados ao investigado, desde que relacionados ao objeto da investigação. A decisão ainda permitiu a apreensão de dinheiro em espécie acima de R$ 20 mil, joias, obras de arte, veículos e outros bens de alto valor quando houver indícios de ligação com os crimes investigados ou incompatibilidade com a situação patrimonial conhecida. Por fim, André Mendonça determinou que o cumprimento dos mandados ocorra de forma discreta, sem qualquer espetacularização, preservando-se o sigilo das investigações.

Fonte: CONJUR

 

Senado e querer bem

 

                                                                                                                                                                             José Sarney  

                    Eu, ultimamente, tenho sofrido muito quando ouço ou leio notícias sobre a atual situação do Senado, Casa onde passei grande parte da minha vida: 40 anos. Sou o político que mais tempo, durante a República, exerceu mandatos eletivos e, se incluirmos o Senado do Império, que era vitalício, fico empatado, como Senador, com o Visconde de Suassuna, Francisco de Paula Cavalcanti e Albuquerque, Senador no Império por 40 anos, de 1840 a 1880. Muito tempo ali também passou o Marquês de Muritiba, da Bahia, 38 anos.

                    Por 61 anos, exerci mandatos eletivos: Presidente da República por 5 anos; Senador por 40 anos, tendo sido, por 8 anos, Presidente da Casa; Deputado Federal, 12 anos, desde 1955; governador do Maranhão, 4 anos e 6 meses. O Marquês de Abrantes, no Senado do Império, sabendo que os Senadores só perdiam o cargo pela morte, certa vez, numa longa discussão no plenário, disse uma frase que eu gostava de repetir: “Nada de brigas, lembremos que temos que viver juntos a vida inteira.”

                    Mesmo assim, o Duque de Caxias, quando ferido em sua honra por uma ironia de Zacarias de Góis, que o acusava de ter trazido do Paraguai um cavalo e uma égua, desrespeitando o regulamento, que permitia somente uma montaria, desembainhou a sua espada. Esse fato até hoje é citado como perda de paciência por aquele que é o Pacificador, Patrono do Exército Nacional.

                     Na presidência dessa Casa Legislativa, sempre pautei minha gestão com os olhos no futuro e, como dizia o Padre Vieira, no “futuro do passado”. Ao assumir meu primeiro mandato naquela Casa, em 1971, juntei-me ao grupo que fundara o Instituto de Pesquisas da Realidade Brasileira e, tendo sido escolhido o Presidente de sua Comissão Executiva, transformei-o em Instituto de Pesquisas e Assessoria do Congresso (IPEAC), que deu grande contribuição aos trabalhos técnicos legislativos — podendo, como fez, requisitar os principais pensadores brasileiros dos temas relevantes do nosso País em auxílio ao exercício do mandato dos Senadores.

                     Para que se tenham um exemplo do nosso trabalho no IPEAC, basta dizer que nos dois primeiros anos realizamos 2.914 trabalhos especializados e, em 1973, já chegamos a 7.669 contribuições ao Legislativo. Havia um grande esforço para implantarmos uma abordagem que extrapolasse a contribuição individual ao parlamentar, elevando-a para um nível de apoio técnico aos subsídios da Instituição e, ao mesmo tempo, fizemos do nosso Senado um fórum de debates no IPEAC.

                    Dessa ideia, nasceu a criação do quadro de Consultores do Senado Federal, que até hoje é uma referência no Serviço Público do País, ocupado por grandes inteligências e capacidades, sendo seu concurso um dos mais exigentes de toda a Administração Pública brasileira.

O que me impulsionou na direção do IPEAC foi a necessidade de darmos aos trabalhos do Senado, principalmente aos do Plenário, o domínio de temas e discursos exemplares, cujos subsídios eram garimpados nas maiores capacidades científicas do Brasil.

                   Assim, embora o Golbery tivesse dito aquela frase irônica de que “quem quisesse guardar um segredo o colocasse nos Anais do Congresso Nacional”, digo que quem analisar os Anais do Senado daquele tempo encontrará os trabalhos mais competentes de nossa História Republicana, debates relevantes dos temas sujeitos ao Plenário do Senado, necessários para fazer face à situação de declínio político que, naquela época, vivia o Congresso, sujeito a uma vigilância dos militares que governavam o País.

                   Com a minha visão de modernidade, em companhia de Ney Braga e Carvalho Pinto, em uma comissão sobre a necessidade de informatização da Casa, quando este assunto ainda engatinhava no mundo, sugerimos ao então Presidente da Casa Petrônio Portella — que aceitou nossa ideia — a criação da Secretaria de Informação.

                    Lembro-me de que o Ministro Mário Henrique Simonsen me disse que, quando fora convidado para Ministro da Fazenda pelo Presidente Geisel, este iniciou e deu curso à sua conversa, quase uma inquisição, tendo à mão várias conferências do IPEAC por nós publicadas, debatendo soluções sobre a economia nacional.

                   Quando era Presidente da República, procurei o Ministro Néri da Silveira, então Presidente do Superior Tribunal Eleitoral, para deflagrarmos o processo de informatização da Justiça Eleitoral, a começar pelo título eleitoral, que ainda utilizava o modelo velho, reminiscência da primeira República. Esse passo foi o primeiro na busca do sistema da urna eletrônica, exemplo mundial.

                    Para mim, o Senado Federal foi, juntamente com o Conselho de Estado — como é considerado por vários de nossos historiadores —, um dos responsáveis pela integridade nacional e pela formação do País. Essa Casa legislativa foi um celeiro de grandes homens públicos, exemplares no civismo e na construção de instituições que remontam à formação da nacionalidade.

                     Lembro ainda, ao término dessas linhas, que, no Senado, criamos, na área de informática, o Siga Brasil, a Ouvidoria, a Página de Consolidação Temática, o Núcleo de Estudos e Pesquisas da Consultoria e, para transparência, TV Senado, Jornal do Senado, Agência Senado, o Alô Senado, o Data Senado, o Programa de Visitação, o Portal de Notícias, conjunto que atende a milhões de brasileiros.

                    Modernizamos o Senado, que possui o melhor quadro de funcionários do Brasil. Tenho orgulho dessas grandes realizações das minhas presidências, ponto de referência de modernização e informatização dessa parte do Poder Legislativo.

                   Por isso, fico constrangido com as notícias cotidianas sobre aquela tradicional Casa, mas cheio de esperança e sonho de que o velho Senado ultrapasse essas críticas e volte a ser o que sempre foi: um suporte para o desenvolvimento do nosso país.

 *José Sarney é ex-presidente do Senado e ex-presidente da República

 

                

Um apelo ao STF do jurista Ives Gandra

                                                                                                                                          Jurista Ives Gandra Martins

Um código de ética seria de grande utilidade para todos os ministros, atuais e futuros: auxiliaria os magistrados a se conduzirem perante a opinião pública

Sou advogado há 68 anos e professor universitário há 62. Considerando tantas décadas de atuação, é evidente que convivi e convivo com ministros da Suprema Corte desde a minha primeira sustentação oral, em 1962, quando, inclusive, fui recebido na residência do então ministro Hahnemann Guimarães.

De lá para cá, sempre mantive contato com todos eles — uma proximidade prazerosa que não ocorre atualmente porque, infelizmente, já não consigo mais viajar. Escrevi obras em coautoria com vários ministros e partilho cadeiras em diversas academias literárias e jurídicas com vários deles. Somente com o ministro Moreira Alves, foram 32 livros que publicamos juntos.

Gostaria, entretanto, de tratar de algo que os recentes editoriais e matérias jornalísticas têm criticado duramente, ou seja, o debate público entre os ministros da Suprema Corte. Trata-se tanto de divergências sobre o Código de Ética, que uns Ministros querem e outros não, quanto de ataques públicos entre colegas, prática expressamente proibida pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).

No momento em que tais divergências são levadas a público, fica demonstrado que esses embates estão afetando a política, a estabilidade institucional e a segurança jurídica. Um exemplo disso é o que a mídia e os jornais comentaram sobre a recente entrevista do ministro Gilmar Mendes no programa Roda Viva da TV Cultura, que acabou gerando inúmeras especulações, a ponto de o povo brasileiro estar tomando partido nesta ou naquela linha de pensamento.

Sou inteiramente favorável que a Suprema Corte recupere o prestígio e a respeitabilidade que possuía no passado e, por isso, faço o apelo, como um velho advogado, para que os senhores ministros do STF voltem a ter uma conduta semelhante àquela que conferiu à Instituição a grande respeitabilidade que possuía. As divergências devem ser internas e não é adequado que sejam levadas a público.

Ora, cultura e valores todos os ministros têm. Posso divergir — e tenho divergido — de várias decisões, mas os debates que estão ocorrendo deveriam se restringir estritamente ao plano jurídico, para não serem explorados pelos jornais como se representassem posições políticas de A, B ou C.

A proposta do ministro Edson Fachin de que se institua um código de ética é, a meu ver, de grande utilidade para todos os integrantes da Suprema Corte. Os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia também defendem a necessidade dessa normatização. Creio que um código de ética seria de grande utilidade para todos os ministros, atuais e futuros, pois auxiliaria efetivamente os magistrados a se conduzirem perante a opinião pública.

Divergências conceituais e jurídicas devem continuar sendo apresentadas publicamente nas sessões de julgamento, mas os conflitos de comportamento e as discordâncias sobre a forma de agir deveriam, evidentemente, ser tratados de maneira reservada. Mesmo que haja críticas mútuas a fazer, que estas ocorram nas sessões internas e administrativas, permitindo que o perfil do Supremo Tribunal Federal volte a emergir como o da instituição que, no passado, era a mais respeitada do Brasil.

A democracia não existe em função de palavras. Dizer “eu sou democrático”, “eu defendo a democracia” ou “sou contra a crítica àqueles que não querem a democracia” resume-se apenas a palavras. A democracia faz-se com ações, com exemplos. Dizia São Josemaria Escrivá que “frei exemplo é o melhor pregador”.

A melhor defesa da democracia é a estabilidade das instituições e a respeitabilidade que elas possuem perante o povo.

Não estou, evidentemente, pretendendo dar conselhos ou dizer aos ministros o que fazer, mas peço que reflitam, para que o Supremo volte a ser o que era no passado. Afinal, hoje, o povo brasileiro em geral e toda a imprensa apresentam críticas e posições favoráveis ou contrárias, tratando o Supremo Tribunal Federal como se fosse um poder político, e não o guardião da Constituição Federal, que garante a segurança jurídica por ser um poder imparcial e acima de qualquer suspeita.

É exatamente por sempre ter defendido o Supremo Tribunal Federal, desde os meus bancos acadêmicos, que faço esse apelo. Os professores que tive e que pertenceram à Suprema Corte sempre me ensinaram a lutar por ela, pois a garantia dos direitos no país depende de seu tribunal máximo. Se a Suprema Corte perde a respeitabilidade perante o povo, automaticamente a democracia corre risco.

Evidentemente, respeito os meus amigos da Suprema Corte tanto que em meus artigos e nas redes sociais, nunca falo mal de nenhum dos ministros. Posso criticar suas posições, mas nunca critico as pessoas ou a cultura de cada um deles. A Excelsa Corte, contudo, precisa voltar a ser o que era no passado. Só assim teremos, realmente, a defesa do Estado Democrático de Direito e a salvaguarda da democracia.

É, pois, com esse propósito que venho, mais uma vez — respaldado pelos meus 91 anos de idade, 68 de advocacia e 62 de magistério universitário, com livros publicados em 21 países, além do privilégio de pertencer a 42 academias e somar 45 títulos acadêmicos —, demonstrar, sem nenhuma vaidade pessoal, que a minha vida sempre foi inteiramente dedicada ao Direito, razão pela qual dirijo este apelo ao STF em prol de um resgate institucional.

Esse resgate institucional, contudo, não depende de reformas estruturais ou de medidas judiciais complexas, mas sim de um esforço estritamente moral e de conduta. O apelo que aqui se faz é um pedido prático para que se iniciem os debates institucionais, inclusive com a urgente adoção de um código de ética — como bem sugerido pelo ministro Edson Fachin —, de modo que as naturais e salutares divergências jurídicas — bem como os eventuais conflitos pessoais — permaneçam restritas ao ambiente reservado das sessões internas, preservando a imagem da Corte perante a opinião pública.

Dirijo, portanto, este clamor àqueles que são os guardiões máximos da justiça no Brasil para que conduzam o Supremo Tribunal Federal, o Pretório Excelso do nosso País, de volta ao patamar de respeito e admiração que possuía na época do ministro Moreira Alves.

*Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal

 

Contrato milionário do filho de Gilmar Mendes com a CBF precisa ser investigado. Eles manipulam a entidade, diz Romeu Zema

Em novos ataques contra o ministro Gilmar Mendes, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), está atribuindo à família magistrado a responsabilidade pela má gestão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que levou à eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo.

“A CBF não vai prestar contas pra você da eliminação, e eu te conto quem é que está por trás disso. Ele não tem cargo na CBF, não tem mandato, mas manda. O nome dele é Francisco. Filho de quem? Do Gilmar Mendes”, diz Zema em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (9).

Francisco Mendes, filho de Gilmar e alvo de Zema na publicação, ocupa atualmente o cargo de vice-presidente da Federação Mato-Grossense de Futebol (FMF) e não tem posição na diretoria da CBF. Apesar do título discreto, Francisco é apontado como um dos “cartolas” com mais influência dentro do futebol nacional. Além do posto na federação mato-grossense, Francisco é diretor-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição de ensino superior que pertence à família Mendes.

Em 2023, o IDP fechou contrato com a confederação nacional para gerir a CBF Academy, braço da entidade responsável por cursos para cartolas, treinadores, preparadores físicos e gestores em diversas áreas ligadas ao futebol. O contrato não tem valor fixo, mas garante ao IDP a fatia de 84% de toda a receita levantada pela CBF Academy — montante que passou de 9 milhões de reais em 2023, quando o acordo foi assinado.

O atual presidente da CBF, Samir Xaud, próximo a Francisco Mendes, é egresso dos cursos de gestão executiva da CBF Academy. Em junho, uma denúncia veiculada pelo portal Leo Dias revelou que o dirigente teria utilizado verba da confederação para bancar amantes que o acompanhavam em viagens internacionais, em agenda oficial. A influência de Mendes sobre a CBF não se resume aos cursos de cartolas. Em junho, o filho de Gilmar se gabou, em conversas privadas, por ter sido o principal responsável pela convocação de Neymar Júnior para a Copa do Mundo.

Após eliminação do Brasil, Gilmar elogiou Ancelotti e Neymar sem citar influência da família. Na última terça-feira (7), dois dias após a eliminação do Brasil para a Noruega durante as oitavas de final da Copa, o próprio Gilmar Mendes publicou elogios à seleção. Em postagem nas redes sociais, o magistrado disse que a permanência do técnico Carlo Ancelotti “dá solidez ao recomeço” e homenageou Neymar — que, segundo o ministro, “nos emocionou com seu talento, categoria e gols que marcaram época”.

Na publicação, Gilmar Mendes não menciona os contratos de sua empresa com a CBF, tampouco a forte influência política que o filho Francisco exerce sobre o futebol brasileiro.

Jornal da Cidade Online

 

Terremoto na Venezuela já registra 3.811 mortos e 6.462 resgatados dos escombros

O Parlamento venezuelano atualizou nesta quarta-feira (8) que o número de mortos após o terremoto que assolou o país chegou a 3.811. O número de feridos foi registrado em 16.740. Segundo o presidente do parlamento, Jorge Rodríguez, 17.907 pessoas seguem desabrigadas após o registro dos tremores, que completaram uma semana. O número de resgatados dos escombros com vida está em 6.462.

Referente aos abrigados, o ministro da Educação, Héctor Rodríguez, informou que 16.686 pessoas estão abrigadas em 87 acampamentos montados pelo governo. Segundo o balanço, 856 edifícios foram atingidos pelos terremotos, dos quais 190 desabaram completamente. De acordo com o governo, as equipes de assistência já atenderam 86.794 famílias e distribuíram cerca de 9,6 milhões de quilos de alimentos e mantêm ações de apoio humanitário nas regiões atingidas pela tragédia.

A operação de resgate conta com 4.388 socorristas internacionais, além de 30.076 integrantes das Forças Armadas, das Polícias, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil do Brasil, que atuam nos acampamentos temporários.

Diário do Poder

Itamaraty desmente Lula sobre visto negado a assessor de Trump: Motivação foi eleitoral

Hoje é dia de Mauro Vieira (Relações Exteriores) tomar mais uma bronca humilhante, como a que se viu em vídeo no último G7, após sua resposta à Câmara sobre a revogação do visto de Darren Beattie, conselheiro de Donald Trump para assuntos relativos ao Brasil. E demorou: a Câmara pediu explicações em abril. Vieira desmente Lula (PT), diz que o veto nada teve de suposta “reciprocidade” e a motivação foi eleitoral. É que o americano pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, “inaceitável” em ano de eleições.

Influência eleitoral

Vieira disse que o governo ficou “surpreso” com a desejada visita a Bolsonaro. Havia claro temor de sujar ainda mais o cartaz do regime.

Lula mentiu

Nas 11 páginas do ofício não há referência a suposta “reciprocidade” pelos vistos cancelados do ministro da Saúde e familiares.

Medo da urna

A ordem de Lula foi anunciada como retaliação aos vistos cancelados de Alexandre Padilha & Cia pelo secretário de Estado Marco Rubio.

Meteu o caô

Bravateiro contumaz, Lula assumiu ter mandado revogar o visto. Ele viu no “embate” com Trump um jeito de sair das cordas da impopularidade.

Diário do Poder

 

O novo complexo de vira-latas do Brasil

O Brasil parece ter trocado um fantasma por outro. Abandonamos o antigo complexo de inferioridade — aquele diagnóstico cirúrgico de Nelson Rodrigues — para abraçar uma resignação talvez mais perversa: o complexo de meros produtores de matéria-prima. Aceitamos, com uma passividade alarmante, o papel de competência limitada à etapa inicial da produção. Somos eficientes na extração, mas tragicamente incapazes na retenção. Essa dinâmica, que há muito molda nossa pauta de exportações minerais e agrícolas, estende-se agora como uma sombra sobre a identidade cultural e esportiva do país. O raciocínio econômico que exporta o grão bruto e importa o produto industrializado refinado é o mesmo que empacota o talento jovem das nossas bases para ser lapidado e aplaudido nos gramados europeus. Convertemos nossos clubes em meras fazendas de entretenimento global.

O impacto disso na alma do torcedor é o esvaziamento do pertencimento. Antigamente, o futebol costurava mitologias locais; hoje, a visão de “clube formador e vendedor” impede o nascimento do ídolo doméstico. O sonho do jovem atleta foi terceirizado: o ápice já não é o protagonismo no Maracanã ou no Mineirão, mas o olhar de um olheiro estrangeiro que o retire do país antes mesmo da maioridade. Assistimos ao auge dos nossos melhores talentos em fusos horários distantes, muitas vezes sob narrações em outros idiomas, restando ao público local o papel de sustentar o espetáculo alheio com as sobras. Há um custo técnico e tático invisível nessa sangria. Ao exportar a “matéria-prima humana” de forma precoce, exportamos também o tempo de maturação. Atletas que amadurecem sob cartilhas europeias perdem a “língua materna” do nosso estilo de jogo. Quando se reúnem na Seleção Nacional, o que se vê não é uma escola unificada, mas um “Frankenstein tático” — um mosaico de conceitos importados que não dialogam entre si. Um fenômeno que, sintomaticamente, já transborda do futebol para o vôlei e o basquete.

Do ponto de vista puramente contábil, a armadilha se revela um ciclo vicioso. Em 2024, embora os vinte maiores clubes do país tenham alcançado uma arrecadação histórica de quase R$ 11 bilhões, as transferências internacionais responderam por quase R$ 3 bilhões desse montante. Faturou-se como nunca, mas gastou-se ainda mais: a expansão dos custos operacionais com folhas salariais cresceu no ritmo alarmante de 26%, empurrando o futebol brasileiro de um superávit saudável em 2023 para um déficit superior a R$ 1 bilhão no ano seguinte.

A venda de atletas tornou-se o balão de oxigênio inevitável para fechar o caixa de gestões imediatistas. Usa-se uma receita não recorrente — o imponderável de uma grande venda — para cobrir o custeio diário e tapar buracos fiscais. No caminho, o lucro real multiplica-se longe de nossas fronteiras. Portugal, por exemplo, consolidou-se como o grande entreposto comercial desse mercado: compra o jovem promissor ainda “verde”, assume a lapidação final e o revende para os gigantes da Premier League por valores até cinco vezes maiores. Enquanto o campeonato inglês distribui cerca de R$ 14,4 bilhões em direitos de transmissão por temporada, o nosso Brasileirão distribui pouco mais de R$ 2 bilhões, tornando qualquer proposta em euro um ultimato irresistível para clubes endividados.

É a consagração da “seleção adversa”: exporta-se o ótimo, retém-se o regular. A médio prazo, a qualidade do produto interno desaba, minguando o público nos estádios e desvalorizando os contratos de televisão nacionais. O problema, portanto, não reside na exportação em si, mas na incapacidade crônica de adicionar valor dentro de casa. Nações desenvolvidas controlam suas marcas e sua tecnologia; nós aceitamos o papel de fornecedores eficientes que assistem, da arquibancada, ao prestígio e à valorização de nossa própria criatividade serem capturados por terceiros. O novo vira-lata já não se julga incapaz de criar; ele apenas se contenta em colher a soja e formar o craque, deixando o banquete da excelência para o resto do mundo.

Marcelo Augusto Portocarrero. Publicado originalmente no blog do autor.

 

Quase 40% dos apostadores online nas bets estão endividados. SESI E SENAI lançam cartilhas de prevenção

avanço das apostas online tem acendido um alerta sobre seus impactos sociais e econômicosLevantamento do Procon-SP mostra que 39,7% dos apostadores estão endividados em decorrência das chamadas BetsPara prevenir esse cenário e promover saúde financeira e emocional, o Serviço Social da Indústria (SESI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) lançaram duas cartilhas educativas voltadas a estudantes e trabalhadores da indústria. As publicações orientam sobre os riscos das apostas online e incentivam o uso consciente do dinheiro e a busca por ajuda diante de sinais de perda de controle. Em linguagem acessível, os materiais alertam para os impactos da prática na saúde mental, nas finanças pessoais, nas relações familiares e no desempenho escolar e profissional. As cartilhas também abordam educação financeira, tomada de decisões conscientes e estratégias de prevenção ao comportamento compulsivo

O diretor superintendente do SESI, Paulo Mól, destaca que os prejuízos provocados pelas apostas vão além do aspecto financeiro e afetam diferentes dimensões da vida

“[Os impactos incluem] transtornos de ansiedade, endividamentos, conversas pouco produtivas e a falsa percepção de que a aposta começa a virar um investimento. Isso gera problemas muito sérios, em termos de produtividade nas empresas, disciplina e atenção dos alunos”, afirma.

 Cartilha Escola

A cartilha “Escola” foi desenvolvida para estimular o diálogo entre estudantes, famílias e educadores, incentivando escolhas responsáveis e ações preventivas desde a juventude. O material ajuda o leitor a reconhecer emoções e sentimentos associados às apostas online. Segundo a publicação, a expectativa constante por ganhos pode provocar oscilações de humor e um estado prolongado de alerta, comprometendo o equilíbrio emocional, a capacidade de tomar decisões e o bem-estar. Entre as emoções mais frequentes estão ansiedade, expectativa, frustração e euforia. O texto também aborda a volatilidade do dinheiro e a importância de planejar os gastos e administrar as finanças para manter a estabilidade financeira, reduzir a ansiedade e viabilizar projetos pessoais. Além disso, a cartilha orienta os estudantes a buscar apoio sempre que perceberem sinais de que as apostas, o dinheiro ou as emoções estão afetando sua rotina. A recomendação é conversar com familiares, responsáveis, professores ou outros adultos de confiança que possam oferecer orientação e acolhimento. 

 Cartilha Indústria

Já a versão “Indústria” aborda os reflexos das apostas no ambiente de trabalho, como dificuldades financeiras, redução da concentração, aumento dos riscos à segurança e prejuízos à qualidade de vida dos trabalhadores. O material alerta para o crescimento gradual do tempo e do dinheiro dedicados às apostas, muitas vezes sem que o indivíduo perceba. A transição do entretenimento para a perda de controle pode ocorrer de forma silenciosa. Com o passar do tempo, a atividade tende a consumir uma parcela cada vez maior do orçamento e da rotina, até que as consequências financeiras, emocionais e familiares se tornam difíceis de ignorar. O diretor-superintendente do SESI chama atenção para a confusão entre apostas e investimentos

“A partir do momento em que o trabalhador começa a achar que a aposta é um investimento, uma fonte de renda, ele está errado. Algumas pessoas têm uma disposição para risco. Com isso, ele começa a se arriscar e arriscar bens da família. Isso leva a transtornos de ansiedade, à depressão, a questões mais sérias dentro de família”, alerta.

 O documento também destaca alguns sinais de alerta que podem indicar perda de controle sobre as apostas, como:

           conflitos e perda de confiança dentro de casa;

           distração e aumento dos riscos no ambiente de trabalho;

           afastamento dos amigos e da comunidade.

Ao identificar esses ou outros indícios, a recomendação é buscar apoio o quanto antes. Segundo a publicação, quanto mais precoce for a procura por ajuda, maiores são as chances de evitar consequências mais graves. Outro eixo do material é a educação financeira. A cartilha destaca que o planejamento do orçamento é fundamental para lidar com imprevistos, reduzir preocupações e preservar a estabilidade financeira. Entre as recomendações estão:

             controlar os gastos;

            evitar comprometer grande parte da renda com apostas;

            manter uma reserva para emergências.

Paulo Mól ressalta que as cartilhas não se destinam apenas à comunidade escolar e aos trabalhadores da indústria. Segundo ele, os materiais estão disponíveis para toda a sociedade e têm como objetivo incentivar escolhas mais conscientes e promover qualidade de vida

BRASIL 61