Ministro André Mendonça se tornou precavido ao ter informação de que estava sendo espionado pela PF

Informações que acabam de surgir dão conta de que o ministro do STF, André Mendonça, mudou hábitos depois de saber que era monitorado por agentes da Polícia Federal. A corporação produziu ao menos 6 relatórios de inteligência sobre o ministro.

Eis o que diz o portal Poder 360:

Os documentos vieram a público em 3 de setembro, quando o ministro Alexandre de Moraes os usou para pedir que Mendonça fosse investigado no inquérito das Fake News.

Desde então, Mendonça passou a pedir que visitantes coloquem os celulares em uma caixa blindada, capaz de bloquear os sinais dos aparelhos, antes de conversas reservadas. Também liga um sistema de som e mantém música erudita tocando ao fundo para dificultar eventuais escutas no local.

Os relatórios teriam sido produzidos por uma unidade de inteligência ligada à Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores da PF e recebidos pela direção-geral da corporação entre 3 e 31 de agosto de 2026. O material não tem timbre, assinatura, data de elaboração nem identificação dos analistas responsáveis. Também se apresenta como “documento de trabalho” sem valor probatório.

O material analisa decisões de Mendonça nas operações Sem Desconto —que investiga fraudes do INSS— e Compliance Zero, que apura irregularidades relacionadas ao escândalo do Banco Master.

Os documentos foram encaminhados formalmente a Moraes pelo então diretor da PF, Andrei Rodrigues, às 18h45 de 1º de setembro. Naquele dia, Mendonça havia retirado o sigilo de peças da investigação do Banco Master que mostravam a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com Moraes. O relator do inquérito das Fake News afirmou ter recebido “notícias da existência” dos relatórios e determinou que a PF enviasse o material ao seu gabinete. Dois dias depois, usou o conteúdo para pedir a investigação do colega.

O plano caiu por terra…

Jornal da Cidade Online

 

Com 87 anos Corina Serra Martins, viúva aos 57 luta vendendo pirulitos para unir e sustentar a família

Matéria publicada em 22 de setembro de 2015    

        Hoje, finalmente consegui conversar com a senhora Corina Serra Martins, 87 anos, residente no Maiobão, que ao ficar viúva aos 57 anos, decidiu buscar uma alternativa para ganhar o pão de cada dia com trabalho e dignidade. Fazendo pirulitos e vendendo em diversos pontos da cidade, conseguiu manter viva uma tradição antiga e ao mesmo tempo seguir a sua vida educando os filhos.

       Muito arredia, dona Corina Martins, não me respondeu aos inúmeros questionamentos sobre filhos, netos e outros aspectos inerentes ao seu trabalho, principalmente a disposição física para a batalha cotidiana, mas deixou bem claro que nada tem, a se queixar. Ela distribui cartões com os seus telefones e me entregou um, dizendo: “Quando você estiver interessado em pirulitos para festinhas de crianças, procure-nos que temos como atender, colocamos inclusive várias opções de sabores. A alegria das crianças faz parte da minha felicidade”.

Ao preço de um real cada pirulito, dona Corina registra que consegue vender bastante nas ruas da cidade, principalmente nos centros comerciais no centro Histórico de São Luís para turistas. A sua maior clientela, são as pessoas idosas que lembram das suas infâncias, quando o pirulito era vendido de porta em porta e também havia o pirulito açucarado para diferenciar os dois produtos idênticos.

       Quem estiver interessado em comprar pirulitos para fazer a festa da criançada poderá solicitar através dos 98226-0239 e 99933-7788. Dona Corina Martins, que hoje vendia pirulitos com sabores de gengibre e morango, diz que tem preferência pelos sabores naturais, evitando as essências artificiais.

        Matéria publicada originalmente pelo editor Aldir Dantas, no dia 22 de setembro de 2015. Foram inúmeras tentativas para uma conversa com dona Corina Martins, mas valeu a pena, no sentido de levar ao conhecimento público, como valores e dignidade humana advêm de princípios familiares. Depois desta publicação ele passou a ser vista de forma diferente e ganhou até homenagem do poder público com uma estátua no Reviver.

 

O Brasil acordou no 7 de setembro: Multidões voltaram às ruas em protestos contra Lula e o STF

O 7 de Setembro de 2026 deixou um recado político difícil de ignorar. Milhares de brasileiros voltaram às ruas vestidos de verde e amarelo, em manifestações marcadas por fortes críticas ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Na Avenida Paulista, em São Paulo, ocorreu uma das principais concentrações. Em Brasília, manifestantes também se mobilizaram, repetindo uma cena que marcou grandes atos da direita nos últimos anos: bandeiras do Brasil, discursos contra o governo e críticas à atuação do Supremo.

As manifestações acontecem em um momento particularmente delicado para Lula. A disputa presidencial está apertada e levantamentos recentes mostram Flávio Bolsonaro cada vez mais competitivo. Na pesquisa Quaest mais recente, Lula e Flávio chegaram a 41% a 41% em uma simulação de segundo turno.

Os institutos, porém, não apresentam uma tendência uniforme de queda de Lula e crescimento de Flávio em todas as pesquisas. O dado politicamente mais relevante é outro: a vantagem que Lula já teve diminuiu e a eleição tornou-se muito mais disputada.

Ao mesmo tempo, Alexandre de Moraes voltou ao centro das manifestações. As recentes controvérsias envolvendo o ministro e as críticas à atuação do STF alimentam um sentimento de insatisfação que a oposição tenta transformar em força eleitoral. O que se viu nas ruas foi uma combinação entre mobilização popular, desgaste do governo, crise envolvendo o Supremo e uma eleição presidencial apertada que coloca o governo em desespero.

O 7 de Setembro mostrou que a oposição continua mobilizada. O Brasil acordou.

Emílio Kerber Filho

Escritor e Estrategista Político. Criador do método Arquitetura Eleitoral

 

Ministro André Mendonça afasta Andrei Rodrigues da direção-geral da PF

                                  Andrei Rodrigues teve seu nome citado em conversas de Vorcaro com Moraes. O ministro do STF André Mendonça determinou nesta terça-feira (08) o afastamento imediato de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e do diretor de Inteligência, no curso do escândalo revelado pelo relatório da própria PF sobre as relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

                  Contexto da crise entre o gabinete de Mendonça e a cúpula da PFA tensão começou em fevereiro de 2026, quando Mendonça assumiu a relatoria da Operação Compliance Zero (Banco Master) no lugar de Dias Toffoli. Em uma das primeiras decisões, o ministro restringiu o compartilhamento de dados sigilosos apenas aos agentes diretamente envolvidos, impedindo que superiores hierárquicos — inclusive o diretor-geral e estruturas como a Diretoria de Inteligência — tivessem acesso sem vínculo formal ao inquérito. A medida foi interpretada internamente como tentativa de limitar a influência de Andrei Rodrigues.
A crise se agravou com as investigações sobre fraudes no INSS, que passaram a alcançar Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha). Mendonça determinou envio de todo o material bruto ao seu gabinete, comunicação prévia de trocas de delegados e restrições de acesso. A PF recorreu à AGU, sem resultado imediato. Em agosto, os 27 superintendentes regionais divulgaram nota de apoio a Andrei Rodrigues e à independência técnica da corporação.

                  Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, está no centro das apurações por fraudes financeiras. Relatórios da PF tornados públicos por Mendonça em setembro de 2026 revelaram mensagens extraídas do celular do banqueiro com um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Nelas, Vorcaro expressa “gratidão da minha vida” ao ministro, pergunta sobre timing de operação da PF (“Acha que segunda já tenho que estar fora?”) dias antes de sua prisão em novembro de 2025 e discute encontros. Há ainda contratos milionários (somando mais de R$ 200 milhões) entre empresas de Vorcaro e o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com metadados indicando edição atribuída ao ministro.
Vorcaro também tentou contato com Andrei Rodrigues e o PGR Paulo Gonet antes da prisão e, em depoimento ao gabinete de Mendonça (sem presença da PF), mencionou possível relação com o diretor-geral. A PF registrou que Mendonça já havia perguntado sobre dados envolvendo Moraes extraídos do celular de Vorcaro.
Moraes, por sua vez, encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, pedido para investigar Mendonça por supostos indícios de crimes na condução dos inquéritos, citando exatamente os relatórios que falam da intenção de afastar o diretor-geral e de medidas contra o PGR. Fachin deu prazo para manifestações. A PF e a direção da corporação rechaçam interferências e defendem atuação técnica.A situação permanece em aberto, com desconfiança recíproca, pedidos de investigação cruzados e impacto político em período eleitoral. As informações disponíveis até o momento não indicam que o afastamento tenha sido determinado ou efetivado.

 Diário do Poder

 

Treze ex-presidentes do STF cobram de Edson Fachin investigação rigorosa do escândalo Moraes/Vorcaro

Texto curto e objetivo é elegante e não cita o ministro cujo relacionamento com o ex-banqueiro foi documentado em relatório da PF. Carta assinada por treze ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), todos aposentados, manifestou nesta segunda-feira (7) ao atual presidente da Corte, ministro Edson Fachin, em tom elegante, mas de cobrança, a designação, “com toda urgência”, de sessão pública para que o Tribunal Pleno determine imediata e rigorosa apuração” das graves denúncias que, na avaliação de todos eles, “vem comprometendo o prestígio e a autoridade do Tribunal, a confiança do povo e até mesmo a estabilidade das instituições democrática”.

“Os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de V. Exª na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história, e a absoluta convicção de que V. Exª designará, com toda a urgência, sessão pública para que o Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas”. 

O texto tem um peso político devastador contra ministros do STF que ensaiam uma tentativa de impedir rigorosa apuração dos fatos investigados e documentados pela Polícia Federal sobre o relacionamento entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, acusado de roubar dezenas de bilhões de reais dos clientes e de subornar autoridades.

Os ministros aposentados e ex-presidente do STF Neri da Silveira, Francisco Rezek, Sidney Sanches, Celso de Mello, Carlos Veloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber assinam a mensagem.

Leia a carta dos ex-presidentes do STF:

Pizzaiolos já estavam a postos

Uma manobra de ministros ligados a Moraes passou a caracterizar a crise como uma suposta “briga” ou “disputa política” com o ministro André Mendonça, oque talvez fizesse tudo terminar em pizza. A ministra Cármen Lúcia chegou a afirmar que “os dois erraram”, numa tentativa de comparar a gravidade do caso Moraes/Vorcaro à frágil “denúncia” sobre o rito da investigação autorizada pelo relator, ministro André Mendonça.

Mendonça virou alvo do Planalto e seus aliados no STF por relatar inquéritos que incomodam a atual situação de poder político: além de Vorcaro, também é alvo de três inquéritos, inclusive por tráfico de influência e corrupção, Lulinha, filho de Lula (PT).

No âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, a PF realizou perícia em um dos celulares de Vorcaro e identificou entre seus interlocutores frequentes, em conversas por mensagens de Whatsapp, Alexandre de Moraes. O ministro e o ex-banqueiro trocaram ao menos 52 mensagens, segundo a PF, nas quais foi possível verificar a ocorrência ao menos de oito encontros pessoais entre eles. A grande parte das mensagens de Moraes eram de leitura única, do tipo que se apaga quando lida.

O acesso à troca de mensagens permitiu aos investigadores não apenas verificar o processo de negociação do fabuloso contrato de R$131 milhões do Banco Master com o escritório de advocacia da esposa de Moraes, como também a descoberta de um novo acerto, de R$50 milhões, pagos por meios de quotas de propriedade de um jato executivo Legacy e de um sofisticado helicóptero fabricado pela Airbus. Mensagens no celular de Vorcaro indicaram que a família Moraes já vinha utilizando as aeronaves.

Diário do Poder

Ex-presidente do STF defende ‘cortar na própria carne’ para resolver crise no Tribunal

Em entrevista ao jornal O Globo, Ayres Britto afirmou que é hora de se discutir um código de ética no STF. O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto defendeu, em entrevista ao jornal O Globo, a formalização de um código de ética na Corte. Apesar de não ter entrado no mérito do caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, Britto entende que o Tribunal precisa, neste momento, “cortar na própria carne”.

“É a hora de discutir isso (o Código de Ética). O pudor começa com o desnudamento, transparência e visibilidade. O Supremo é o controlador dos outros dois Poderes (Executivo e Legislativo), mas quem controla o Supremo? O Código de Ética é para isso: para o controlador cortar na própria carne quando for necessário”, declarou o magistrado aposentado.

Para ele, a questão envolvendo a abertura ou não de um processo contra Moraes por suas supostas mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro deve ser definida em plenário e não por decisão monocrática.

“Tudo está correndo de acordo com a lei. Os ministros têm que ser ouvidos. Devido processo legal é isso. É preciso um procedimento para que o acusado seja ouvido. E, com ampla defesa e contraditório, ele vai ser julgado pelo colegiado na sua integralidade”, declarou Brito.

Fachin aguarda manifestações de Moraes e Mendonça para definir rumo de crise

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), aguarda as explicações dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, também do Supremo, para decidir se leva a crise dos dois para julgamento no plenário, em sessão aberta ou fechada. A crise ganhou, na última semana, gravidade sem precedentes na história recente do STF, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigações. No desdobramento mais recente, Mendonça liberou para julgamento em plenário o relatório da Polícia Federal (PF) que indica relação de proximidade entre Moraes o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master e suspeito de praticar fraudes financeiras bilionárias e corromper autoridades públicas. Antes de decidir, porém, ele deve aguardar até a próxima sexta-feira, 11, quando vence o prazo de cinco dias que deu para que Moraes e Mendonça se manifestem.

Reunião secreta para discutir situação de Mendonça e Moraes

Como alternativa, é possível que o presidente do Supremo convoque uma reunião reservada em seu

gabinete para que todos os ministros decidam como conduzir a crise interna. Essa foi a solução dada quando veio à tona uma suposta ligação entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli, em fevereiro deste ano. Na ocasião, a relatoria do caso Master foi transferida de Toffoli para Mendonça. A diferença da crise atual é que Fachin decidiu concentrar em um processo próprio, de sua relatoria, os documentos e pedidos referentes ao caso. Embora improvável, é possível que o presidente do Supremo decida monocraticamente (de forma individual) sobre o arquivamento ou a abertura de investigação contra os colegas.

O Antagonista

 

“Ala podre” do STF tenta isolar o ministro André Mendonça

                                     A crise provocada pelas mensagens envolvendo Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes parece estar produzindo um efeito que vai além dos processos: o isolamento de André Mendonça dentro do próprio Supremo Tribunal Federal. Segundo informações da jornalista Bela Megale, de O Globo, ministros como Gilmar Mendes e Flávio Dino praticamente teriam deixado de conversar com Mendonça. Alguns integrantes da Corte, de acordo com a apuração, teriam até interrompido os cumprimentos cordiais ao colega.

                 O ambiente teria ficado evidente na sessão plenária da última quarta-feira. Ao término do julgamento, Mendonça teria sido o único ministro a deixar imediatamente o plenário, sem participar das conversas que normalmente ocorrem entre os integrantes da Corte. Nem todos, porém, estariam no mesmo lado. Cristiano Zanin teria mantido contato com Mendonça, embora sem tratar da crise. Dias Toffoli estaria transitando entre os dois grupos, enquanto Kassio Nunes Marques e Luiz Fux seriam vistos como mais próximos de Mendonça.

                  Se confirmada, a divisão revela algo maior do que uma simples divergência pessoal. Quando ministros de uma mesma Corte passam a se organizar em grupos e um deles se vê isolado justamente durante uma crise que envolve integrantes do próprio tribunal, a questão deixa de ser apenas política. Passa a ser institucional. O Supremo pode até continuar funcionando normalmente diante das câmeras. Mas, nos bastidores, a pergunta é inevitável: quanto tempo uma Corte consegue preservar sua autoridade quando a confiança entre seus próprios ministros começa a desaparecer?

Jornal da Cidade Online

 

Protestos com faixas “Fora Lula” e “Fora Moraes” em Brasília no Dia da Independência

Uma multidão de manifestantes ocupou áreas do centro de Brasília nesta segunda-feira (7), feriado da Independência do Brasil, em um protesto com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Vestidos, em grande parte, com as cores verde e amarelo, os participantes carregaram bandeiras do Brasil e cartazes com mensagens como “Fora Lula” e “Fora Moraes”. Durante a manifestação, o grupo também cantou o Hino Nacional e percorreu vias da capital federal.

O ato ocorreu em frente ao Banco Central e foi convocado pelo desembargador aposentado e candidato ao Senado pelo Novo, Sebastião Coelho, um dos articuladores da mobilização. Segundo informações divulgadas durante o evento, a manifestação tinha como uma de suas principais bandeiras a defesa do afastamento de Moraes.

Diário do Poder

 

Flavio Dino cumpre a sua espinhosa ‘missão dada, missão cumprida’ e tenta jogar areia nos olhos do povo

O ministro Flávio Dino cumpre a missão de jogar areia nos olhos do grande público, misturando as bolas e justificando que tudo fique exatamente como está, que é a posição que mais lhe favorece e ao seu grupo. Em um post no Facebook, Dino defende três pontos sempre usando o mesmo truque retórico: usar o caso geral correto para justificar a exceção errada. É a estratégia 11 da dialética erística de Schopenhauer, que organizou as diversas falácias usadas em debates de ideias em 38 estratégias. Nessa estratégia, chamada de “salto indutivo”, o interlocutor pergunta se o caso geral é certo ou verdadeiro, e deduz, portanto, que o caso particular também é certo ou verdadeiro.

Vejamos o post de Dino:

Atribui-se a Ésquilo a frase: “Na guerra, a primeira vítima é a verdade”. Tenho visto isso no atabalhoado debate sobre o Poder Judiciário. Problemas reais e graves estão sendo misturados com interesses eleitorais e econômicos, objetivos estrangeiros e até ódios pessoais.

Escolhi abordar três temas que parecem merecer mais aprofundamento.

O primeiro: “as decisões monocráticas são um mal no STF.” Ocorre que tais decisões são essenciais em um sistema de precedentes vinculantes, consoante a Constituição e o CPC. Se todas as questões com jurisprudência definida tiverem que ir aos Colegiados, o número de julgamentos vai desabar e a morosidade vai aumentar. Isso seria bom para os criminosos, devedores contumazes e similares.

O segundo: “tem que tirar a jurisdição penal do STF”. Porém, se tira de lá, tem que colocar em algum lugar. Hoje há 23.000 processos no STF, enquanto que outros tribunais tem centenas de milhares. Assim, só é possível mudar a competência constitucional do STF com reformas coerentes e planejadas.

Finalmente, o terceiro tema: “o inquérito X ou Y tem que acabar pois está muito antigo; o Plenário do STF aprovou a instauração há muitos anos.” Mas quais são os inquéritos mais antigos em tramitação no STF? O que o Código de Processo Penal e o Regimento Interno dizem quanto ao término dos Inquéritos? É possível a um julgador, qualquer que seja ele, “prometer” o final de um inquérito, como se fosse um candidato ou para receber aplausos?

Eu pessoalmente sou a favor da conclusão dos inquéritos, até porque eles foram feitos para terminar mesmo, mediante a propositura das ações penais ou dos arquivamentos cabíveis. De todo modo, temos aí um interessante debate doutrinário: antes do prazo prescricional, um inquérito deve ser arquivado por motivo de tramitação longa? E quem decide o que é “tramitação longa”? Opiniões pessoais? Ou critérios legais e regimentais?

Insisto em um ponto: institucionalidade é um assunto muito sério para ser embaralhado com interesses eleitorais ou com mentiras. A propósito, lembro o ensinamento cristão: o DIABO é o “pai da mentira” (Evangelho de São João 8,44).”

                    No primeiro caso, Dino argumenta que as decisões monocráticas, que se baseiam em “precedentes vinculantes”, são necessárias para descarregar uma Corte já sobrecarregada de trabalho. Absolutamente correto. No entanto, o problema desse argumento é deixar de lado, ou pior, justificar as exceções injustificáveis. Gostaria de ouvir o ministro, por exemplo, explicando qual “precedente vinculante” justificou a decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes de aumentar o quórum necessário no Senado para o impeachment de ministros do STF. E como essa decisão, há inúmeras.

                    Em seguida, o ministro Dino argumenta que somente será possível retirar as ações penais do STF após “reformas coerentes e planejadas”. E quem disse o oposto? Mas Dino usa um argumento geral para subliminarmente defender que fique tudo do jeito que está. Afinal, “reformas coerentes e planejadas” dão trabalho, pra que mexer em time que está ganhando, não é mesmo?

                    Por fim, no terceiro caso, Dino argumenta corretamente que o critério para encerrar um inquérito não pode ser somente a sua antiguidade. Aqui, o repórter do Estadão deu uma mão para o ministro, e levantou que o inquérito mais antigo em tramitação na Corte data de 2011, e está no gabinete de André Mendonça. Perfeitamente, o ministro está correto. Mas a justificativa para o encerramento do inquérito das fake news não é somente a sua antiguidade, mas, principalmente, a sua arbitrariedade. Arbitrariedade esta que, lembremos, serviu muito bem aos propósitos do ministro Dino, em seu entrevero com um jornalista de sua terra.

                   O ministro Flávio Dino inicia o seu texto com uma frase atribuída a Ésquilo e termina com um versículo bíblico, ambas referindo-se ao conceito de “verdade”. Chega a ser engraçado o ministro se colocar ao lado da “verdade” na arena da opinião pública, chamando de mentirosos todos os que não concordam com suas ideias. Alienação ou cara-de-pau? Escolham. No fim, tudo não passa de malabarismo retórico para tentar convencer os súditos de que o rei ainda veste belas roupas, ou para que olhem para o outro lado e esqueçam que o rei está nu.

Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.

 

Alcolumbre desafia o STF e ignora intimação para a instalação do Conselho de Ética do Senado


ção protocolada pelo senador Eduardo Girão segue na geladeira.
Hoje completam dois meses que o Senado enrola a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, sobre uma ação protocolada por Eduardo Girão (Novo-CE) cobrando a instalação do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. O senador acionou o STF em 12 de junho, mas foi em 6 de julho que a ministra, relatora do caso, intimou o Senado, deu 10 dias para resposta, mas a manifestação nunca chegou, como disse à coluna Girão, “o sistema está se autoludibriando”, concluiu o parlamentar. As informações são da coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

O caso parou no STF após o Novo representar contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que não abriu a CPI do Master. Alcolumbre é alvo de outra representação, desta vez por não andar com a tramitação do pedido de impeachment de Alexandre de Moraes (STF). A última sessão do conselho foi em 09/07/2024. Depois disso, nada. Este ano, por anuência de Alcolumbre, nem mesmo foi instalado.

Diário do Poder