Mais um jogo de cena: Nova “relação” entre Lula e Alexandre de Moraes, diante do impeachment

Informações da colunista Bela Megale, do O Globo, dão conta de que Lula tem sinalizado a integrantes do seu governo que terá uma relação diferente com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial com Alexandre de Moraes. A notícia revela que diante do iminente impeachment de Moraes, ele não pretende se envolver e criar problemas com o Senado.

Diz a jornalista:

Em conversas desde o segundo turno, o presidente demonstra que pretende adotar mais distância e equilíbrio no trato com os magistrados. A contaminação da campanha de Lula pela crise que envolveu o STF, especialmente após a revelação das mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, deixou marcas para ambos os lados. Moraes se sentiu abandonado e colocado na mira em momentos do pleito, enquanto a imagem de Lula era desgastada por Flávio Bolsonaro e integrantes da oposição devido à sua relação com o ministro.

A leitura atual é que, no governo Lula 4, é preciso recalibrar a relação e a proximidade com a corte, mostrando que o vínculo será o mais institucional possível. Os ministros do STF, no entanto, avaliam que isso é mais um desejo de um grupo do governo do que uma demonstração concreta de que Lula efetivamente tomará essa postura.

Magistrados já relataram à coluna que vão atuar para reaproximar Moraes do presidente. Além disso, acreditam que as conversas reservadas de Lula com parte dos ministros do STF serão retomadas em breve, já que uma série de interesses do governo passa pelo tribunal. Entre eles está a nomeação do próximo integrante do STF para a vaga de Luís Roberto Barroso.

Como informou a coluna, o presidente já deixou claro que pretende insistir na indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o posto, enquanto uma ala do tribunal quer Rodrigo Pacheco.

Jornal da Cidade Online

 

STJ colocou em pauta para o dia 10, processo contra plágio de Xuxa com indenização de R$ 50 milhões

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) marcou para a próxima terça-feira (10), a data do julgamento do processo movido pelo publicitário Léo Soltz contra a apresentadora Xuxa Meneghel em um imbróglio judicial que se arrasta há 26 anos.

“Se alguém rouba sua criação, quanto tempo a Justiça pode levar para reparar o prejuízo? Uma decisão pode ter consequências para quem vive de criar, da música à tecnologia, em plena era da inteligência artificial.”, diz a defesa de Soltz. Esta é a quarta tentativa de julgamento na Terceira Turma do STJ.

O julgamento final do processo deveria ter acontecido em 9 de junho, porém, a pauta havia sido adiada na ocasião. A ação começou em 2000, quando Soltz processou Xuxa por direitos autorais da Turma do Cabralzinho — e venceu em todas as instâncias. O que está em discussão no STJ é a partir de quando devem ser contados os juros moratórios e a correção monetária em condenações por violação de direitos autorais. Se corrigido, o valor da indenização que Soltz deve receber de Xuxa pode chegar a 50 milhões de reais. Soltz chegou a lamentar o adiamento anterior:

“É profundamente frustrante ver retirado de pauta, mais uma vez, o julgamento da ação que movo contra a apresentadora Xuxa Meneghel, após três tentativas do STJ decidir o que sempre foi comum à casa: juros e correções monetárias incidem desde o ato do plágio e não da sentença em segunda instancia. São 26 anos de procrastinação por parte da apresentadora na justiça. Até quando o preço do tempo vai recair sobre quem é lesado? Sigo confiando no STJ.”, disse o publicitário.

No primeiro julgamento, houve pedido de destaque por um dos ministros e, em um segundo, pedido de vistas processuais por outro. Ao abrir a sessão nesta terceira ocasião, a ministra que preside a turma retirou a ação da pauta do dia.

O processo que já tramita há 26 anos, que nas instâncias anteriores seus direitos foram reconhecidos, Leo Soltz espera que não haja mais procrastinação, uma vez que com as correções deve passar dos R$ 50 milhões.

Jornal da Cidade Online

 

Presos políticos do 8 de janeiro condenados pelo STF sem direito a defesa ampla recorrem à ONU

A Associação de Familiares e Vítimas do 8 de janeiro (Asfav) acionou, nesta terça-feira (3), o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e três instituições argentinas para cobrar maior rapidez na análise dos pedidos de refúgio apresentados por brasileiros investigados ou condenados em processos relacionados aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. A iniciativa, formalizada pela presidente da associação, Gabriela Ritter, busca pressionar as autoridades a dar andamento aos procedimentos que para os casos mais urgentes, a oferta de assistência jurídica e a adoção de medidas para proteger os brasileiros que permanecem no território argentino.

Além do Acnur, a Asfav encaminhou documentos à Comissão Nacional para os Refugiados (Conare), à Defensoría del Pueblo de la Nación e à Defensoría General de la Nación. Os ofícios, acompanhados de documentos judiciais, relatórios e denúncias de supostas violações de direitos fundamentais, foram apresentados com o objetivo de obter providências institucionais. Segundo a associação, existem brasileiros que já participaram de entrevistas e entregaram a documentação exigida, mas continuam aguardando uma resposta sobre seus pedidos de proteção internacional. A entidade avalia que a demora administrativa amplia a insegurança jurídica dos solicitantes, sobretudo daqueles que enfrentam processos de extradição, restrições à liberdade e dificuldades relacionadas à convivência familiar. No contato com o Acnur, a organização pediu acompanhamento dos casos e a possibilidade de interlocução com o governo argentino para acelerar os procedimentos. Já à Conare, responsável pela análise e pelo reconhecimento da condição de refugiado, solicitou atenção prioritária às situações consideradas mais delicadas.

Cerca de 300 brasileiros aguardam definição sobre pedidos de refúgio

Em um dos documentos encaminhados às autoridades argentinas, a Asfav informa que aproximadamente 300 brasileiros estão no país em busca de proteção internacional por causa dos desdobramentos judiciais do 8 de janeiro. O número, segundo a associação, tem como referência estatísticas atribuídas à própria Conare. A entidade também chama a atenção para as consequências práticas da demora. Sem uma decisão definitiva, os solicitantes precisam renovar periodicamente seus documentos provisórios, permanecendo em uma situação de incerteza quanto à regularidade e à continuidade de sua permanência na Argentina.

Outro ponto levantado pela associação envolve questionamentos sobre os processos judiciais conduzidos no Brasil. Entre as supostas irregularidades mencionadas estão a falta de individualização das condutas atribuídas aos acusados, possíveis limitações ao exercício do direito de defesa e dúvidas sobre a proporcionalidade das penas estabelecidas. A Asfav ressalta, nos documentos apresentados, que sua atuação não representa defesa de atos violentos ou de vandalismo. O argumento da organização é que eventuais responsabilidades precisam ser apuradas individualmente, mediante apresentação de provas e respeito às garantias do devido processo legal.

Caso de brasileiro condenado a 13 anos é citado como precedente

Um dos principais fundamentos utilizados pela associação é o reconhecimento da condição de refugiado de Joel Borges Corrêa, brasileiro condenado a 13 anos e seis meses de prisão por crimes relacionados aos acontecimentos de 8 de janeiro. A decisão foi tomada pela Conare em 4 de março deste ano e é apresentada pela Asfav como um precedente relevante para a análise de outros pedidos semelhantes. Conforme os documentos anexados pela entidade, a Secretaria Executiva da comissão considerou convincente o relato apresentado por Joel e identificou elementos que sustentariam seu receio de perseguição em razão de sua opinião política. A avaliação também teria apontado insuficiência de provas para demonstrar sua participação individual nos crimes graves pelos quais foi condenado no Brasil. Com base nesse entendimento, a associação defende que situações semelhantes recebam atenção das autoridades argentinas. A entidade, entretanto, reconhece que cada solicitação de refúgio precisa ser examinada de maneira independente, considerando as circunstâncias específicas de cada requerente.

Morte de brasileiro na Argentina reforça preocupação da associação

Outro episódio mencionado nos ofícios foi a morte de José Éder Lisboa, de 64 anos, registrada em 27 de março deste ano, na cidade argentina de Puerto Iguazú. Condenado a 14 anos de prisão por envolvimento nos acontecimentos de 8 de janeiro, José Éder havia deixado o Brasil e procurado proteção no país vizinho. De acordo com a documentação apresentada pela associação, ele morreu em decorrência da síndrome de Guillain-Barré, depois de permanecer internado durante vários dias. A Asfav utilizou o caso para destacar a necessidade de atenção especial aos brasileiros que se encontram em condições de saúde delicadas ou em outras situações de vulnerabilidade enquanto aguardam a conclusão dos procedimentos migratórios e de refúgio. Associação cobra cumprimento da legislação argentina

Nos pedidos encaminhados às instituições argentinas, a entidade também recorreu a dispositivos da legislação local que estabelecem diretrizes para a tramitação dos processos de refúgio e garantias contra a devolução de pessoas a países onde possam estar sujeitas a riscos à vida, à liberdade ou à segurança. A associação solicita que os órgãos competentes apresentem decisões expressas e devidamente fundamentadas, evitando que os requerimentos permaneçam indefinidamente sem uma resposta oficial.

À Defensoría General de la Nación, a Asfav pediu assistência jurídica aos brasileiros, especialmente nos casos que envolvem possíveis procedimentos de extradição. Para a Defensoría del Pueblo, encaminhou uma solicitação de análise da demora administrativa e de adoção de medidas institucionais para enfrentar o problema. A iniciativa amplia a pressão internacional em torno da situação dos brasileiros que deixaram o país após os processos relacionados ao 8 de janeiro e buscaram proteção na Argentina. O desfecho dos pedidos dependerá agora da análise e das providências que poderão ser adotadas pelas autoridades argentinas e pelos organismos internacionais acionados.

Jornal da Cidade Online

 

Reduções nas condenações pelo 8 de janeiro, se o STF reconhecer a dosimetria do Congresso, sem negociações

Informações da CNN Brasil dão conta de que a dosimetria aprovada pelo Congresso Nacional pode mudar significativamente a pena de Jair Bolsonaro e outros acusados e condenados por tentativa de golpe, sem que haja qualquer prova, e bastante questionada pela maioria dos juristas brasileiros, que entendem como erro jurídico do STF. Outra questão séria é que o Planalto, o STF e o atual presidente do senado querem fazer negociata para salvar Alexandre de |Moraes e Flavio Dino e reeleger Davi Alcolumbre, o que é totalmente descartado pela direita.

Eis o que diz a emissora:

Advogados, especialistas e parlamentares que acompanham o tema calculam que a pena em regime fechado poderia cair para cerca de dois anos e quatro meses, conforme apurou o analista de Política da CNN Matheus Teixeira no CNN 360°. Atualmente, a condenação de Bolsonaro totaliza 27 anos e 3 meses de prisão, resultado da somatória dos crimes pelos quais ele foi enquadrado. No entanto, cada um desses crimes varia no tempo de pena, o que tornaria necessário um recálculo à luz da nova legislação aprovada pelo Congresso. O processo transitou em julgado em novembro do ano passado.

Como funcionaria o recálculo da pena

Se o STF validar a dosimetria, o relator dos casos do 8 de janeiro, Alexandre de Moraes, ficaria responsável por recalcular as penas individualmente — não apenas a de Bolsonaro, mas também a de generais, delegados e todos os demais condenados pelos eventos daquela data. Após esse recálculo, o caso provavelmente seria submetido ao plenário do STF ou à Primeira Turma para a decisão final sobre as novas penas. Levando em conta os atenuantes e as regras de progressão de regime vigentes no Brasil — como o cumprimento de um sexto da pena em regime fechado —, a previsão é que Bolsonaro poderia alcançar ao menos a liberdade parcial no final de 2027 ou no início de 2028, caso a dosimetria seja validada.

STF ainda não definiu data para julgamento

Até o momento, o tema não foi pautado no STF, ou seja, não há uma data definida para que os ministros se reúnam e decidam sobre a constitucionalidade da dosimetria. O tribunal enfrenta pressão crescente para dar uma resposta. Caso o STF entenda que a medida não é constitucional, a dosimetria seria derrubada e a pena original de Bolsonaro seria mantida. O cenário político também influencia o ritmo das decisões. Com a perspectiva de uma bancada de ao menos 30 senadores bolsonaristas no Senado Federal — instância que tem poder de fiscalizar o STF — a negociação em torno do tema deve se intensificar. O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), apontado como próximo ao Supremo, também precisará articular com a direita do Senado para garantir votos em sua eventual reeleição, o que torna o contexto ainda mais complexo.

Jornal da Cidade Online

 

Depois de reunião com o governo e clubes de futebol, ministro Fux defende o fim de sites de apostas no Brasil

O ministro do STF, afirmou que, em sua visão, após se reunir com ambos os setores da sociedade e clubes de futebol, a medida de banimento deve ser mantida. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, declarou nesta terça-feira (3) que defende o banimento dos sites de apostas esportivas, as chamadas bets, de funcionamento no Brasil. A fala do magistrado aconteceu em decorrência da audiência junta de lideranças e representantes do governo e clubes brasileiros sobre os malefícios e consequências ao orçamento das equipes após a MP que vetou a autorização das apostas no país.

“Em meu voto, a minha percepção é de que as bets devem ser banidas. Sucede que eu tenho 10 colegas que vão ter de apreciar ao qual eu preciso levar a eles outros elementos que surgiram depois da implementação da medida provisória”, disse Fux.

O ministro afirmou que, em sua visão, após se reunir com ambos os setores da sociedade e clubes de futebol, a medida de banimento deve ser mantida nos sites de apostas. Entretanto, ele ressalta que a análise geral deve ser levada a plenário no STF, para assim decidir a melhor decisão para ambos os setores afetados.

A audiência pública foi convocada para debater a medida provisória (MP) do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que proibiu as bets no País. Fux assumiu a relatoria do caso por prevenção, porque já conduz ações que questionavam as leis que regulamentavam as apostas online. O ministro disse que convocou a audiência pública devido ao surgimento de “novos elementos” após a edição da MP. Segundo ele, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, foi convidado “porque há notícias de que a proibição gerou milhares de bets ilegais”.

Diário do Poder

 

Novo governo do PT contraria investidores, alta de inflação, juros e dólar e reduz o PIB, diz Boletim do BC

A contrariedade de investidores com a reeleição de Lula (PT) impactou as perspectivas da economia nacional, como revela o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) nesta terça-feira (3). O documento mostra que o mercado financeiro prevê altas na inflação, na taxa básica de juros (Selic), e no dólar neste ano eleitoral de 2026; e reduz a projeção de crescimento da economia, ao recuar de 1,8% para 1,76% a estimativa de avanço do Produto Interno Bruto (PIB), soma dos bens e serviços produzidos no Brasil, pela terceira semana consecutiva.

A primeira edição do Focus após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno expõe que a previsão da Selic ao final de 2026 saltou de 13,25% para 13,5%, em um patamar que era estimado há quatro semanas. A posição revela que o mercado prevê um corte de 0,25 ponto percentual na atual taxa básuca de jutos, que está em 13,75%. A previsão anterior era de um corte de meio ponto neste ano. E as projeções para 2027 e 2028 estão, respectivamente, em 12,5% e 11%.

Além da alta da previsão da Selic, que afeta o mecanismo que o Banco Central usa para controlar a inflação, a própria alta de preços avançou em sua projeção, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também saltando de 5,19% para 5,22%, em relação à semana anterior.

A previsão da inflação era de 5,01%, há quatro semanas. E, para 2027, o mercado prevê inflação de 4,76%; e de 4% para 2028.

Em outubro a prévia da inflação oficial ficou em 0,32%, como divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E o IPCA-15 tem alta de 4,62% acumulada em 12 meses, acima do teto da meta de inflação.

E a desaceleração de 0,70% em relação a setembro, teve como principal influência a queda da energia elétrica residencial, motivada pela bandeira tarifária verde adotada no mês de outubro. Enquanto a principal força pela alta foi exercida pelo avanço no custo de alimentos, com tomate aumentando 24,54%; cebola, 13,63%; batata-inglesa, 10,96%, e arroz, 5,80%.

A cotação do dólar prevista para o fim do ano subiu de R$ 5,05, para R$ 5,34, desde a última projeção do Boletim Focus. E o mercado projeta cotação de R$ 5,40 para o dólar, para 2027 e 2028.

O PIB para 2027 tem previsão de 1,2% e de 1,8% para 2028.

Diário do Poder

Proibição das bets por Lula empurrou R$ 28 bilhões para o mercado do crime organizado

Depois de 30 dias da medida de Lula, balanço aponta mais de 60 mil endereços suspeitos e favorece plenamente o crime organizado. A proibição das bets pelo governo Lula pode acabar movimentando outros R$ 28,1 bilhões por ano no mercado clandestino de apostas, de acordo com a projeção do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que calcula um possível crescimento de 101% na atividade ilegal após a Medida Provisória 1.394/2026, que inclusive atingiu em cheio os clubes do futebol brasileiro. A estimativa considera que 70% das apostas antes realizadas em plataformas autorizadas migrem para operadores clandestinos do crime organizado. Nesse cenário, a receita bruta anual do mercado ilegal, calculada em R$ 27,9 bilhões antes da proibição, chegaria a R$ 56 bilhões. Os números são uma simulação econômica do setor, não valores efetivamente movimentados desde setembro.

O monitoramento apresentado pelo instituto traz outro dado: 60.477 endereços suspeitos de oferecer apostas foram identificados até 27 de outubro. Em 34.134 deles, a ferramenta encontrou elementos como bônus, cadastro de usuários e pagamentos por Pix. Entre as páginas encontradas estão endereços que imitam nomes de operadoras conhecidas, com promessas de bônus de até R$ 5 mil.

O governo também tenta conter a oferta clandestina. Em outubro, o Ministério da Justiça informou ter identificado e encaminhado para bloqueio mais de 20 mil sites de apostas e publicidade irregulares. A disputa sobre os efeitos da proibição chega ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (3). O ministro Luiz Fux vai ouvir representantes do governo, das empresas de apostas, de clubes de futebol e de entidades ligadas à saúde e à defesa do consumidor.

Diário do Poder

 

Lula amplia cortes orçamentários nas Forças Armadas e Segurança Pública. O PCC e o CV agradecem

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promoveu cortes de dotações orçamentárias que atingiram o Ministério da Defesa, as Forças Armadas e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). As medidas incluem a retirada de R$ 226,51 milhões destinados à área de Defesa e às Forças Armadas, além do bloqueio de outros R$ 119,26 milhões previstos para despesas com pessoal da corporação rodoviária. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última quarta-feira (28), dois dias após o segundo turno das eleições. Entre os setores afetados, a reserva de contingência do Ministério da Defesa teve a maior redução, com R$ 112,72 milhões  a menos. O Exército Brasileiro perdeu R$ 51,42 milhões em autorizações orçamentárias, enquanto a Força Aérea Brasileira (FAB) sofreu uma redução de R$ 32,56 milhões. Já a Marinha teve R$ 29,82 milhões retirados de sua previsão de despesas.

De acordo com o documento oficial, aproximadamente R$ 107,75 milhões do total cancelado estavam inicialmente destinados ao pagamento da remuneração de militares em atividade. O restante seria utilizado para cobrir despesas com servidores civis, além de compromissos relacionados a aposentadorias e pensões. Governo diz, que salários dos militares não serão afetados, mas não se pode acreditar com a proliferação das mentiras do Lula.

O cancelamento das dotações não representa, necessariamente, uma redução nos salários ou a retirada de benefícios financeiros dos integrantes das Forças Armadas. Segundo o governo federal, a medida atingiu as autorizações orçamentárias para determinadas despesas, sem estabelecer a suspensão de pagamentos que já estavam previstos. Na prática, a alteração reduz os recursos disponíveis no orçamento para determinadas finalidades, mas não significa que os militares deixarão automaticamente de receber suas remunerações ou vantagens.

Cortes também atingem subsídios de energia

Além das mudanças nos recursos destinados à Defesa e à segurança pública, o governo federal retirou R$ 621,1 milhões da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), mecanismo utilizado para financiar subsídios e políticas de apoio ao setor elétrico. A norma também determinou o bloqueio de R$ 119,26 milhões que estavam previstos para despesas com pessoal da Polícia Rodoviária Federal. Somadas as reduções relacionadas à Defesa, às Forças Armadas e à PRF, as medidas alcançam aproximadamente R$ 345,77 milhões em dotações orçamentárias. A decisão integra as alterações promovidas pelo Executivo na distribuição dos recursos federais.

Jornal da Cidade Online

O acordo que selará a derrota de Davi Alcolumbre, candidato à presidência do Senado, do Planalto e do STF

Senadores de oposição a Davi Alcolumbre (União-AP) na disputa pela Presidência do Senado começam a discutir um acordo para viabilizar uma candidatura única contra o atual presidente da Casa, reunindo Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN) em um mesmo bloco. As informações são do site O Antagonista.

Os dois são pré-candidatos ao cargo, mas, por enquanto, nenhum pretende abrir mão da disputa. A divisão pode favorecer Alcolumbre, que busca a reeleição. Na semana passada, Tereza e Marinho se reuniram para tentar chegar a um acordo, mas não houve consenso. A expectativa é que os dois voltem a conversar na próxima semana. Uma das propostas em discussão prevê que, se Marinho disputar a Presidência do Senado, ele apoiará Tereza para o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso Tereza seja a candidata ao comando da Casa, Marinho ficaria com o apoio dela para presidir o colegiado.

O arranjo tem precedente. Quando Rodrigo Pacheco (PSD-MG) disputou e venceu a eleição para a Presidência do Senado, em 2021, Alcolumbre foi escolhido para comandar a CCJ. A comissão é considerada a mais importante do Senado. Entre suas atribuições está a análise das indicações para o Supremo Tribunal Federal. Sem a aprovação da CCJ, as indicações de ministros do STF não avançam para votação no plenário.

Jornal da Cidade Online

 

A geração que envelheceu esperando um Brasil diferente e revoltada com a corrupção e roubalheira

Por Carlos Arouck

Existe um momento na vida em que a política deixa de provocar indignação e passa a provocar cansaço. Não porque as convicções tenham desaparecido, nem porque tenhamos desistido de defender aquilo em que acreditamos, mas porque chega a hora em que percebemos que o tempo corre muito mais depressa do que as mudanças pelas quais tanto lutamos.

Pertencemos a uma geração que acreditou no Brasil. Acreditamos que o país poderia encontrar seu caminho, superar suas contradições, fortalecer suas instituições e oferecer aos brasileiros um futuro diferente daquele que tantas vezes nos foi apresentado como inevitável.

Acompanhamos governos, crises, escândalos, promessas e sucessivas tentativas de reconstrução nacional. Votamos, protestamos, denunciamos, escrevemos e debatemos. Em cada eleição, renovamos a esperança de que as escolhas feitas nas urnas pudessem abrir um novo capítulo da nossa história.

Passamos praticamente todo o século XXI combatendo o que consideramos a degradação política e moral do Brasil. Vimos estruturas de poder se consolidarem para além da disputa eleitoral, alcançando a própria consciência de parte da sociedade. Mas o tempo passou e para muitos de nós, passou depressa demais.

Envelhecemos à espera de um país que nunca chegou. Essa talvez seja uma das constatações mais dolorosas de quem atravessou décadas acreditando que a próxima eleição, o próximo governo ou a próxima mudança política finalmente colocaria o Brasil no caminho desejado.

O problema já não é apenas o resultado de uma disputa eleitoral. É compreender que muitos brasileiros que votaram nestas eleições, defenderam suas convicções e depositaram suas esperanças nas urnas talvez não tenham tempo de vida suficiente para assistir ao país que desejavam construir. São homens e mulheres que chegaram à velhice sem ver realizadas as mudanças pelas quais lutaram durante boa parte da existência. Para eles, o futuro deixou de ser uma promessa distante. Tornou-se uma questão de tempo, e o tempo não espera.

Não foram apenas anos de espera. Foram anos que deixamos de viver plenamente, consumidos pela expectativa de uma transformação que parecia sempre próxima e que, a cada amanhecer, se afastava um pouco mais. Assistimos à consolidação de estruturas de poder, à repetição de práticas que julgávamos superadas e à sucessão de conflitos que alimentaram a descrença. Acreditamos que a verdade prevaleceria sobre a conveniência, que as instituições resistiriam às tentações do poder e que a democracia seria capaz de corrigir seus próprios desvios.

O tempo, juiz silencioso e implacável, não devolve os anos sacrificados. Há uma crueldade particular em perceber que dedicamos a melhor parte da existência a uma batalha sem o desfecho esperado.

Envelhecemos lutando. Enquanto lutávamos, a vida passou.

Nossos filhos cresceram, constituíram suas famílias e começaram a enfrentar os mesmos problemas que atravessaram nossa juventude. Queríamos entregar-lhes uma nação mais livre, mais justa, mais segura e com oportunidades.

Não imaginávamos que tantas das nossas preocupações continuariam presentes quando chegássemos à velhice. Hoje olhamos para os filhos e netos com a inquietação de quem teme deixar como herança aquilo que passou a vida tentando mudar.

Existe uma diferença entre perder uma eleição e sentir que uma geração inteira perdeu a oportunidade de ver concretizado o país pelo qual lutou. A alternância de poder faz parte da democracia. O que angustia é a sensação de que os problemas permanecem, as estruturas se reorganizam e as esperanças são novamente adiadas, enquanto os anos de quem espera não podem ser recuperados.

A reconstrução de uma nação exige décadas; a existência humana não admite prorrogações. Essa é a dimensão mais dolorosa da frustração: não apenas a possibilidade de não vermos o Brasil que sonhamos, mas a consciência de que talvez já não tenhamos a juventude, a disposição ou o tempo necessários para acompanhar sua reconstrução.

Ao longo dessa caminhada, aprendemos que nem sempre a razão vence, que nem sempre a verdade prevalece e que nem sempre as instituições correspondem à confiança que a sociedade deposita nelas. O mais preocupante é perceber que a disputa deixou de ser apenas entre projetos de governo. Passou a envolver a própria compreensão de democracia, liberdade, justiça e limites do poder. Quando uma sociedade começa a tratar como normal aquilo que antes considerava inaceitável, alguma coisa muito séria está acontecendo.

Há uma tragédia silenciosa em chegar ao entardecer da vida e descobrir que a pátria pela qual se lutou continua sendo uma promessa adiada. É uma espécie de exílio dentro da própria terra. Nós ainda tivemos o direito de sonhar com outro Brasil. Receio que nossos filhos e netos recebam um país no qual até o sonho tenha se tornado um luxo.

Talvez não tenhamos cometido outro erro senão acreditar que a história caminharia necessariamente em direção ao progresso. Mas a história não tem compromisso com nossas esperanças. Não sabemos se veremos a recuperação das instituições, o reencontro do país com seus valores ou a transformação que tantas vezes esperamos. Essa incerteza precisa ser encarada sem ilusões.

Ainda assim, não podemos confundir o esgotamento com a ausência de responsabilidade. Não temos o direito de exigir que nossos filhos pensem exatamente como nós, mas temos o dever de transmitir-lhes valores que não podem ser negociados: liberdade, honestidade, responsabilidade, respeito à lei e amor à pátria. O silêncio dos que conhecem os erros do passado pode se tornar a oportunidade daqueles que desejam repeti-los.

O Brasil não pertence a um partido, a um presidente, a um tribunal ou a qualquer grupo que se considere dono do poder. Pertence a todos os brasileiros, inclusive àqueles que ainda nem nasceram. Essa consciência precisa sobreviver às nossas derrotas, às nossas decepções e ao cansaço de uma geração.

Talvez o destino de muitos que votaram nestas eleições seja não conhecer o resultado das mudanças que sonharam. Talvez não estejam vivos quando o país finalmente encontrar o caminho que desejavam. É uma constatação difícil, mas real para quem já chegou à terceira idade e percebe que a vida não oferece o mesmo horizonte de possibilidades de décadas atrás.

O maior fracasso de uma geração não seria perder uma batalha política. Seria desistir de transmitir às próximas gerações as razões pelas quais vale a pena continuar lutando. Envelhecemos esperando um Brasil diferente. Talvez não sejamos nós a colher os frutos dessa espera. Mas que nossos filhos não precisem passar a vida inteira esperando aquilo que nós não conseguimos construir. Porque o Brasil não pode ser apenas o país das esperanças adiadas.

Carlos Arouck

Policial Federal. É formado em Direito e Administração de Empresas