Deputado Josimar de Maranhãozinho é alvo de mais uma operação da PF sobre desvios de emendas parlamentares

O deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA), foi alvo de buscas da Polícia Federal (PF), na manhã desta quinta-feira (25), em uma operação que investiga a suspeita de desvio de emendas do chamado “orçamento secreto”. Batizada como “Operação Afluente”, a ação dos investigadores apura os crimes de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro ligados a uma organização criminosa. Segundo a PF, 18 mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Distrito Federal, Goiás e MaranhãAinda de acordo com a PF, os valores teriam sido operacionalizados por intermédio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Posteriormente, esses mesmos valores teriam sido direcionados à contratação de empresas supostamente vinculadas, direta ou indiretamente, ao grupo investigado. Segundo interlocutores da polícia, um dos endereços alvo da operação seria ligado ao próprio deputado, já que Josimar de Maranhãozinho aparece como sócio de uma dessas empresas. Se confirmada a participação dos investigados e os fatos forem confirmados, eles poderão responder, segundo a PF, pelos crimes de corrupção passiva, peculato, corrupção ativa, lavagem de capitais e organização criminosa.

A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino

O deputado do PL já tinha sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março por desvio de emendas. Ele está licenciado do mandato na Câmara dos Deputados. Nesse processo em que foi condenado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que Maranhãozinho coordenava a destinação das emendas. A PGR citou também que o deputado monitorava a liberação dos recursos e controlava planilhas de pagamento, além de realizar cobranças de propina quando necessário.

Orçamento secreto

O “orçamento secreto” foi o nome dado às emendas de relator (RP9), mecanismo do Orçamento da União em que a distribuição de recursos era feita a partir de indicações de parlamentares, mas sem transparência sobre quem solicitava os repasses nem critérios claros para a divisão das verbas.

Os sistemas oficiais registravam apenas o nome do relator do Orçamento, sem identificar os autores das indicações, o que gerou questionamentos sobre o uso político desses recursos. O modelo ganhou força a partir de 2019 e movimentou bilhões de reais, até ser considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro de 2022, por falta de transparência e rastreabilidade, e acabar extinto — embora valores indicados em anos anteriores continuem sendo pagos como “restos a pagar”.

Batizada como “Operação Afluente”, a ação dos investigadores apura os crimes de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro ligados a uma organização criminosa. Segundo a PF, 18 mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Distrito Federal, Goiás e Maranhão. Ainda de acordo com a PF, os valores teriam sido operacionalizados por intermédio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Posteriormente, esses mesmos valores teriam sido direcionados à contratação de empresas supostamente vinculadas, direta ou indiretamente, ao grupo investigado.

Segundo interlocutores da polícia, um dos endereços alvo da operação seria ligado ao próprio deputado, já que Josimar Maranhãozinho aparece como sócio de uma dessas empresas.

Se confirmada a participação dos investigados e os fatos forem confirmados, eles poderão responder, segundo a PF, pelos crimes de corrupção passiva, peculato, corrupção ativa, lavagem de capitais e organização criminosa. Nesse processo em que foi condenado, a Procuradoria-Geral da República. A PGR citou também que o deputado monitorava a liberação dos recursos e controlava planilhas de pagamentos, além de realizar cobranças de propinas quando necessárias.

PGR) apontou que Maranhãozinho coordenava a destinação das emendas

O “orçamento secreto” foi o nome dado às emendas de relator (RP9), mecanismo do Orçamento da União em que a distribuição de recursos era feita a partir de indicações de parlamentares, mas sem transparência sobre quem solicitava os repasses nem critérios claros para a divisão das verbas.

Os sistemas oficiais registravam apenas o nome do relator do Orçamento, sem identificar os autores das indicações, o que gerou questionamentos sobre o uso político desses recursos.

O modelo ganhou força a partir de 2019 e movimentou bilhões de reais, até ser considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro de 2022, por falta de transparência e rastreabilidade, e acabar extinto — embora valores indicados em anos anteriores continuem sendo pagos como “restos a pagar”.

Fonte: G1 Maranhão

 

Justiça bloqueia R$ 54 bilhões dos empresários Sicupira e Lemann por fraudes nas Lojas Americanas

Outros controladores e ex-dirigentes das Lojas Americanas são alvos de bloqueio de bens. O controlador da Americanas, Carlos Alberto Sicupira, e o ex-diretor da varejista, Paulo Alberto Lemann, foram alvos de buscas e de bloqueio de bens e valores até R$ 54 bilhões, nesta quinta-feira (25), na 2ª fase da Operação Disclosure, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Outros sete suspeitos gigantes do mundo financeiro são investigados por suposto envolvimento com as fraudes contábeis bilionárias da companhia varejista, incluindo manipulações de mercado, investigadas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF). A operação cumpre nove mandados de busca e apreensão, inclusive buscas pessoais, por ordem da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

“Os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico. As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa”, detalhou a PF.

Veja a lista de gigantes do mercado financeiro investigados na Disclosure:

– Carlos Alberto Sicupira – um dos controladores das Americanas;

– Paulo Alberto Lemann – ex-conselheiro das Americanas e filho do controlador Jorge Paulo Lemann;

 Eduardo Saggioro – ex-conselheiro das Americanas;

– Sergio Rial – ex-presidente do Santander e ex-CEOI da Americanas;

– José Rudge – co-head de Infraestrutura e Energia do Itaú BBAItaú;

– Gustavo Balassiano – ex-executivo Itaú que hoje atua na XP;

– Carlos Henrique Villela Pedras – executivo do Bradesco;

– André Almeida – vice-presidente executivo do Santander,

– Alexandre Abdo – executivo do Santander.

Fonte: Diário do Poder 

 

Investigado por corrupção pela PF, Jaques Wagner deixa liderança de Lula no Senado

No dia 18 de junho, a Polícia Federal realizou ação de busca e apreensão nas residências do senador em Brasília e Salvador. O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nesta quarta-feira (24), em suas redes sociais, que deixará a liderança do governo no Senado. Na nota, Wagner informa que a decisão foi tomada, em comum acordo, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem se reuniu hoje no Palácio da Alvorada. 

“Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente @LulaOficial, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal. Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado. Juntos, com humildade e muito trabalho, renovaremos nosso compromisso com o projeto coletivo que vem mudando a Bahia e o Brasil”, diz o comunicado.

No dia 18 de junho, a Polícia Federal realizou ação de busca e apreensão nas residências do senador em Brasília e Salvador. Os agentes acusam Jaques Wagner de ter recebido vantagens do banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Em entrevista à Band News no mesmo dia, Wagner negou irregularidades e afirmou estar “absolutamente tranquilo” em relação à investigação.

Agência Brasil

 

Terremotos que atingiram a Venezuela derrubaram prédios e o governo fala em mais de 164 mortos

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) reportou dois terremotos, de magnitudes 7,5 e 7,2, que atingiram a costa da Venezuela no início da noite desta quarta-feira (24). A presidente interina confirmou, até o momento, 164 mortos e quase 1.000 feridos. Os tremores foram sentidos em Caracas e provocaram danos na capital do país. Os dois terremotos ocorreram em sequência, com cerca de 40 segundos de diferença, segundo o USGS, e tiveram epicentros muito próximos entre si, na região de Morón, no estado de Carabobo. O primeiro tremor teve magnitude 7,2 e ocorreu a oeste de Morón, comunidade localizada no litoral da Venezuela. O segundo, de magnitude 7,5, a aproximadamente 16 km a sudoeste da cidade.Um alerta de tsunami chegou a ser emitido para Porto Rico e para as Ilhas Virgens dos Estados Unidos. O aviso foi divulgado pelo U.S. Tsunami Warning Centers após o terremoto. Horas depois, porém, o órgão informou que a ameaça havia passado. A presidente interina, Delcy Rodríguez, confirmou 164 mortes e 971 feridos. Prédios balançaram em Caracas. Moradores deixaram edifícios e casas na capital venezuelana após o tremor, de acordo com a Associated Pre

Segundo apurou o UOL, a Embaixada do Brasil em Caracas sofreu alguns danos, mas não houve feridos.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram prédios e casas danificados, nuvens de fumaça e pessoas correndo pelas ruas. O Aeroporto Internacional de Maiquetía, principal do país, também foi atingido. O tremor também foi sentido no Brasil. Vídeos publicados no X mostram moradores nas ruas em Manaus e Pará. Segundo a Prefeitura de Belém, prédios nos bairros de Umarizal, Jurunas, Cremação e Pedreira foram evacuados por medida de segurança, mas postagem no X ressalta que não houve registros de ocorrências graves na cidade. Houve cenas de pânico em um centro comercial movimentado no bairro de Altamira, em Caracas, constatou uma jornalista da AFP. O chão começou a tremer, prateleiras de lojas caíram e as pessoas correram em massa para a rua. Alguns locais ficaram sem energia elétrica. Dezenas de pessoas que abandonaram prédios em Caracas aguardavam nas ruas antes de voltar para escritórios e residênciasParte inferior do formulário. Terremotos são frequentes na Venezuela. Os sismos mais fortes registrados recentemente foram os de Caríaco, em 1997, e o de Caracas, em 1967.

Terremoto foi sentido até na Colômbia

O terremoto desta quarta-feira também foi sentido em Bogotá, capital da Colômbia. Luminárias balançaram, alarmes dispararam e alguns moradores deixaram prédios por precaução, segundo jornalistas. Em um primeiro momento, a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres da Colômbia (UNGRD) que não havia registros de emergência.

Alerta vermelho da USGS

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) classificou o desastre com alerta vermelho, indicando potencial para um número elevado de vítimas e grandes danos materiais. A agência estima que o total de mortes possa ficar entre 10 mil e 100 mil pessoas. Segundo a análise, há 44% de probabilidade de o número de mortes ultrapassar 10 mil e 30% de chance de superar 100 mil vítimas. O órgão destaca ainda que “alertas vermelhos anteriores exigiram respostas em nível nacional ou internacional”. A USGS também alerta para um risco significativo de deslizamentos de terra e de liquefação do solo, fenômeno que faz o terreno perder resistência e apresentar um comportamento semelhante ao de “areia movediça”. A avaliação aponta ainda para impactos generalizados em uma ampla área afetada pelo desastre.

Com AFP

 

Dois terremotos atingem a Venezuela. Derrubam prédios e fazem mais de 10 mil vítimas

Informações que acabam de surgir, dão conta de que a Venezuela foi atingida há pouco por dois terremotos. Um deles com 7.5 de magnitude.

       2. Dezenas de prédios na capital Caracas vieram abaixo ou sofreram rachaduras e outros danos. Milhares de pessoas saíram de casa com medo dos desabamentos. O Centro Geológico dos Estados Unidos estima que o total de vítimas do terremoto passam de 10 mil.

 Jornal da Cidade Online

 

O subterfúgio adotado por Edir Macedo e Daniel Vorcaro para cometer fraudes contra o sistema financeiro

A Polícia Federal enviou nesta terça-feira (23) documento à Justiça Federal que vai muito além do caso Digimais — e aponta para uma distorção sistêmica no sistema financeiro brasileiro. Para a PF, o Fundo Garantidor de Crédito, criado para proteger o investidor, está sendo usado por bancos em crise como instrumento de captação fraudulenta e transferência de prejuízos ao sistema.

A lógica apontada pela PF é cirúrgica: instituições fragilizadas vendem CDBs com taxas elevadas — acima do mercado, atraentes justamente pela insolvência oculta — e usam a cobertura do FGC como argumento de segurança para o investidor. Simultaneamente, mascaram a real situação patrimonial com ativos superavaliados ou lançamentos contábeis questionáveis. O resultado: captam recursos do público, socializam o risco via FGC e privatizam os ganhos enquanto duram.

O Digimais, segundo a PF, replicou a tática do Master — superavaliação de ativos para aparentar solvência. Dois bancos investigados em operações distintas usando o mesmo mecanismo não é coincidência. É metodologia. E onde há metodologia replicável, há sistema — não casos isolados. A implicação regulatória é grave. O FGC é financiado pelas próprias instituições financeiras — os bancos saudáveis pagam pelo risco dos insolventes. Se o mecanismo está sendo usado sistematicamente como subterfúgio, os bancos sólidos estão subsidiando fraudes enquanto o BC não decreta liquidações a tempo. É socialização de perdas com privatização de ganhos — o modelo mais antigo e mais perverso de captura do sistema financeiro. Master, Digimais — e quem mais? A PF sinalizou que o problema é estrutural. O BC tem relatórios. O FGC tem exposição. E o sistema financeiro brasileiro tem uma pergunta sem resposta: quantos outros bancos estão usando o fundo garantidor como escudo para fraudes?

Jornal da Cidade Online

 

Jaques Wagner: O novo José Dirceu?

Por Jayme Rizolli

A política brasileira possui uma característica curiosa. Os personagens mudam. Os escândalos mudam. Os governos mudam. Mas determinados roteiros parecem insistir em voltar ao palco. Há pouco mais de vinte anos, durante a crise do Mensalão, o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, tornou-se o principal alvo político de um dos maiores escândalos da história recente do país. Enquanto as investigações avançavam, uma narrativa começou a ganhar força.

Dirceu teria assumido o papel de anteparo político destinado a impedir que as consequências da crise atingissem diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado é conhecido. José Dirceu foi condenado, perdeu direitos políticos e passou a simbolizar, para muitos observadores, o homem que absorveu o impacto que poderia atingir o núcleo mais elevado do poder. Décadas depois, um novo personagem surge no centro de uma investigação de grande repercussão. O senador Jaques Wagner, um dos mais próximos aliados políticos de Lula, passou a ocupar espaço crescente no noticiário em razão das apurações relacionadas ao chamado caso Master.

As circunstâncias são diferentes. Os fatos investigados são diferentes. Mas a dinâmica política desperta inevitáveis comparações.

Mais uma vez, um aliado histórico aparece no centro das atenções enquanto o presidente permanece formalmente distante das investigações.

Mais uma vez, surge a dúvida que acompanha praticamente todos os grandes escândalos políticos brasileiros:

Até onde vão as responsabilidades individuais e até onde vai a proteção política?

A pergunta ganha relevância porque Lula e Jaques Wagner mantêm uma das relações políticas mais próximas dentro do Partido dos Trabalhadores.

Durante décadas, Wagner foi tratado como um dos homens de maior confiança do presidente.

Não por acaso, ocupa posição estratégica dentro da estrutura governista.

Diante desse cenário, outra lembrança histórica reaparece.

Durante o Mensalão, Lula adotou a célebre linha de defesa segundo a qual não teria conhecimento das irregularidades que vinham sendo investigadas.

A frase “não sabia de nada” acabou entrando para o vocabulário político nacional.

Agora, diante do avanço das investigações envolvendo aliados próximos, muitos observadores voltam a se perguntar se o país assistirá novamente ao mesmo roteiro.

A história está se repetindo?

Ou as comparações são apenas fruto da memória política de um país acostumado a ver os mesmos personagens retornarem aos mesmos papéis?

Ainda é cedo para respostas definitivas.

Investigações exigem provas, contraditório e respeito ao devido processo legal.

Mas a política tem uma peculiaridade.

Antes mesmo das sentenças judiciais, ela costuma produzir julgamentos históricos.

E é justamente por isso que a pergunta permanece no ar: Jaques Wagner será lembrado como apenas mais um investigado ou como o novo escudo político de um sistema que o Brasil já viu funcionar antes?

Jayme Rizolli

Jornalista.

 

Alguns ministros do STF estariam com receios de viagens aos EUA

Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) têm demonstrado cautela em relação a viagens aos Estados Unidos durante a Copa do Mundo. Nos bastidores da Corte, existe a preocupação de que eventuais restrições remanescentes ligadas à Lei Magnitsky possam gerar impedimentos na entrada no país ou até mesmo em locais relacionados ao evento esportivo.

A avaliação entre magistrados é de que ainda não há clareza sobre o alcance atual das medidas adotadas anteriormente pelo governo norte-americano. Como consequência, qualquer eventual restrição só seria constatada no momento do desembarque em território americano, situação que ninguém deseja enfrentar publicamente.

No ano passado, a administração do então presidente Donald Trump aplicou sanções ao ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky e também promoveu restrições de vistos a diversas autoridades brasileiras. Segundo informações divulgadas à época, apenas os ministros Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques não teriam sido atingidos pelas medidas. Embora a sanção direcionada a Moraes tenha sido revogada em dezembro do ano passado, após articulação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva junto às autoridades norte-americanas, a situação dos vistos continua cercada de dúvidas. Esse cenário tem contribuído para o receio de magistrados em realizar viagens aos Estados Unidos. Que situação.

Jornal da Cidade Online

 

A eleição das narrativas já começou: TSE identifica fake news do PT

Por Jayme Rizolli

As eleições de 2026 ainda não chegaram oficialmente às urnas. Mas já chegaram às redes sociais. Antes mesmo da abertura formal da campanha, o eleitor brasileiro assiste a uma disputa cada vez menos centrada em propostas e cada vez mais focada na construção — ou destruição — de reputações. O episódio envolvendo publicações que associavam o senador Flávio Bolsonaro a investigações e organizações criminosas, posteriormente questionadas na Justiça Eleitoral, é apenas mais um capítulo de um fenômeno que se tornou comum na política moderna.

Os fatos: O TSE ordenou que a Meta apague posts mentirosos em 24 horas sob pena de punição rigorosa por estelionato político. O tribunal considerou criminosa a associação feita por Lindbergh Farias, Guilherme Boulos, Gleisi Hoffmann e outros petistas sem qualquer prova.  A decisão da ministra Estela Aranha confirmou que o senador não é investigado ou citado na Operação Unha e Carne. Não se trata de um caso isolado. Ao longo dos últimos anos, diferentes lideranças políticas, de diversos espectros ideológicos, passaram a enfrentar campanhas digitais baseadas em associações negativas, cortes de contexto, insinuações e narrativas cuidadosamente construídas para produzir impacto emocional imediato. A lógica é simples.

Em um ambiente onde milhões de pessoas consomem informação em poucos segundos, muitas vezes a acusação alcança muito mais pessoas do que a eventual correção. Quando a verdade chega, a impressão inicial já foi formada. E é justamente aí que reside o risco. A Justiça Eleitoral tem sido chamada cada vez mais frequentemente para arbitrar conflitos envolvendo desinformação, propaganda antecipada, uso de inteligência artificial, manipulação de conteúdo e ataques à honra de candidatos. O próprio debate eleitoral de 2026 já vem sendo apontado por especialistas como um dos mais sensíveis da história recente do país. A questão que surge não é apenas jurídica. É democrática.

O eleitor deve escolher seus representantes com base em fatos, propostas e histórico de atuação, ou com base em narrativas cuidadosamente desenhadas para provocar indignação instantânea? A tecnologia ampliou a velocidade da informação. Mas também ampliou a velocidade da desinformação. Hoje, uma postagem pode alcançar milhões de pessoas em poucas horas. Uma decisão judicial, por mais correta que seja, raramente consegue percorrer o mesmo caminho na mesma velocidade. Por isso, talvez a principal disputa das eleições de 2026 não aconteça nos palanques. Talvez aconteça na capacidade dos cidadãos de distinguir fatos de versões, provas de acusações e informação de propaganda.

As campanhas ainda nem começaram oficialmente. Mas a batalha pelas narrativas já está em pleno andamento. E o maior desafio do eleitor será descobrir onde termina a política e onde começa a manipulação.

Jayme Rizolli

Jornalista

 

Justiça americana aceita defesa do governo brasileiro no processo contra Alexandre de Moraes

A Justiça dos Estados Unidos autorizou a participação formal do governo brasileiro na ação movida pelas empresas Trump Media e Rumble contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão também suspendeu a análise do pedido de revelia apresentado pelas companhias, impedindo, ao menos neste momento, qualquer avanço processual baseado na ausência de manifestação do magistrado.

A determinação foi assinada nesta terça-feira (23) pela juíza Mary Scriven, da Corte Distrital da Flórida. Além de admitir a intervenção do Brasil no processo, a magistrada adiou a apreciação do pedido formulado pela Advocacia-Geral da União (AGU), que busca o encerramento da ação judicial. Com a decisão, o governo brasileiro passa a integrar oficialmente o caso, defendendo o entendimento de que Alexandre de Moraes atuou em nome do Estado brasileiro e no exercício de suas funções institucionais como integrante da Suprema Corte. Ao analisar o pedido, a juíza também interrompeu o andamento da solicitação de revelia feita pela Trump Media e pela Rumble. As empresas pretendiam obter uma decisão favorável em razão da ausência de resposta direta de Moraes à ação apresentada nos Estados Unidos.

“Como o Brasil afirma ser a parte legítima para figurar no polo da ação, o Tribunal também defere o pedido para anular a determinação judicial de que os autores solicitem imediatamente a decretação da revelia”, escreveu a juíza.

Outro ponto definido por Mary Scriven foi a abertura de prazo para manifestação das empresas autoras do processo. Trump Media e Rumble terão 14 dias para responder ao pedido de extinção da ação apresentado pela AGU. Na argumentação encaminhada à Corte norte-americana, a Advocacia-Geral da União sustenta que Moraes não pode ser processado individualmente pelos atos questionados, uma vez que as decisões citadas foram proferidas no exercício regular de suas atribuições como ministro do Supremo Tribunal Federal.

A ação judicial teve início em fevereiro do ano passado, quando a plataforma Rumble ingressou na Justiça dos Estados Unidos contra Alexandre de Moraes. Posteriormente, o processo passou a contar também com a participação da Trump Media, grupo de comunicação ligado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As empresas alegam que decisões do ministro teriam promovido censura indevida contra conteúdos políticos publicados por usuários identificados com a direita brasileira, incluindo o jornalista Allan dos Santos. Entre os pedidos apresentados está o reconhecimento de que determinações emitidas pelo STF para remoção de contas e conteúdos, não produzam efeitos em território norte-americano.

O Rumble, plataforma de compartilhamento de vídeos frequentemente utilizada por grupos conservadores nos Estados Unidos, também esteve no centro de uma disputa judicial no Brasil. Em fevereiro de 2025, Alexandre de Moraes determinou a suspensão da rede no país por descumprimento de decisões judiciais brasileiras. Na ocasião, o ministro argumentou que a plataforma vinha sendo utilizada por investigados e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro para a divulgação de informações falsas e ataques contra instituições democráticas. Moraes também destacou que empresas que operam no Brasil devem cumprir a legislação nacional e as determinações da Justiça brasileira. Com a decisão da Corte da Flórida, o caso entra em uma nova fase processual, enquanto permanece pendente a análise do pedido de extinção apresentado pelo governo brasileiro.

Jornal da Cidade Online