Diante de uma operação desastrosa e vista claramente como irresponsável sob o ponto de vista da falta de estratégia de ação técnica, as declarações das autoridades sobre o fato continuam desencontradas. O que ainda não ficou claro e até parece um certo interesse de silêncio obsequioso, reside em quem seria o comandante da operação da Policia Militar com veículos e militares descaracterizados, que estariam à procura de bandidos.
Segundo seria de conhecimento do Comando Geral da Policia Militar, a operação era dirigida no local do fato pelo tenente-coronel Madeiros, comandante da Unidade da Policia Militar de Balsas, que também seria o autor de todas as informações destorcidas que resultaram na morte da jovem Karina Brito Ferreira, que praticamente foi fuzilada e ferimentos em sua irmã Kamila.
Cheguei a assistir uma declaração do tenente-coronel Medeiros, na TV Mirante, quando se mostrou bastante nervoso e sem um raciocínio logico para o fato e posteriormente saiu completamente de cena.
A expressão do Comandante Geral da Policia Militar ao falar inicialmente sobre o fato, disse que infelizmente uma operação militar se transformou numa tragédia, num reconhecimento bem claro das falhas que resultaram na morte de uma pessoa inocente e ferimentos em outra. A versão coronel Pereira, depois repassadas ao secretário Jeferson Portela, da Segurança Pública, que foi induzido ao erro e outros complicadores ao destacar a versão inicialmente apresentadas, como de que as jovens teriam rompido barreira e dado origem a perseguição, além de que os militares estavam fardados e com viaturas identificadas, que não eram verdades e ficou bem claro. Diante do restabelecimento da verdade dos fatos, os militares envolvidos na operação desastrosa deixaram de ter qualquer crédito de verdade.
Quanto a apreensão das armas de dois militares a quem estão imputando a autoria dos crimes para a realização de pericia e o deslocamento deles para serviços administrativos, causou muita indignação para a população de Balsas, diante dos fatos desastrosos. Pela quantidade das marcas de balas no veículo das duas jovens, deveriam ter sido apreendidas as armas de todos os envolvidos na operação, a começar do próprio comandante no local.
Com a revelação preliminar de que mais de 30 tiros atingiram a lataria do veículo em que estavam as duas jovens, não tenhamos dúvidas que será mais um complicador para a Polícia Militar. O coronel Pereira, Comandante Geral da Polícia Militar tem o dever de esclarecer publicamente se a operação seguiu princípios técnicos que norteiam estratégias de ação do aparelho militar ou se foi falta de conhecimentos técnicos e sensibilidade do comandante da operação. Fuzilar um veículo, simplesmente por suspeita é no mínimo ato irresponsável e criminoso com dolo cruel, quer tenham vítimas ou não. O Governo do Estado deve uma resposta à população maranhense para o vergonhoso assassinato de uma jovem e ferimento em outra em Balsas.
Cadê o Ministério Público?
Um fato de tamanha proporção, de indignação popular e o desejo intenso de justiça, parece não ter sensibilizado o Ministério Público, e se por acaso já esteja, entrou com muita timidez e já deveria ter se manifestado publicamente com posicionamento através de pelo menos solicitações de ações rápidas, claras e bem objetivas para que se evite futura impunidade.
O sofrimento de uma mãe
Qual é a mãe ou pai, que não tem sonhos para os filhos? Todos. Uns em maiores proporções e outros em menores, mas a realidade é que a vitória dos filhos é sucesso e orgulho dos pais. As palavras da professora Arlete Brito Ferreira, genitora da jovem Karina, que tombou diante das armas dos militares foram de tocar profundamente as ilimitadas reservas do espírito do coração de todos nós, principalmente pelo período natalino. O semblante, as lágrimas, visíveis em seu rosto através de um sofrimento inimaginável, não nos permite avaliar a dimensão da sua irreparável dor. Outras mães e pais de famílias têm expressado solidariedade à família de Karina.
Era de se esperar pelo menos um pedido de desculpas público pelo governador Flavio Dino para uma família em pleno sofrimento causado no mínimo pela inoperância de alguns militares, e é bom distinguir, uma vez que a instituição é bem maior e integrada por homens e mulheres de competência e respeito.
