A foto não é da capa do livro, foi colocada por mim. A amizade entre Leonardo Boff e Dom Franco Masserdotti era muita estreita. O escritor deu uma importante colaboração ao Seminário e eu fiz uma entrevista com ele, publicada no Jornal Pequeno e que também está no livro Grito dos Povos Contra a Destruição do Cerrado.
As Campanhas da Fraternidade de 2012, com o tema: Fraternidade e Saúde Pública e a de 2016 com o tema: Casa Comum, nossa responsabilidade, tiveram em São Luís, desvios de finalidade, quando o governo do estado, não sei como foi incluído a principio como parceiro, mas na realidade acabaram se tornando manipuladores e com o poderio da mídia oficial impuseram os interesses políticos dentro das campanhas e o resultado foi que elas acabaram passando despercebidas em nossa capital. No lançamento da CF 2012, me recordo que quem estava à frente da coletiva na Arquidiocese de São Luís, era o então todo poderoso secretário de saúde Ricardo Murad. Em 2016, o presidente da Caema, Davi Teles tentou através da mídia governamental concentrar informações e até promover uma campanha de consumo consciente, referindo-se a água e ocultando informações sobre o saneamento básico, A falta de a população foi tão grande, tendo em vista que uma empresa que não consegue honrar o direito constitucional de fornecer água a toda a população de São Luís, lançou a campanha “Consumo Consciente”, que acabou ridicularizando o próprio governado do estado. Hoje são denúncias diárias de desperdício de água pela incompetência da empresa.
Felizmente na Campanha da Fraternidade de 2017, que tem como tema: Biomas Brasileiros e Defesa da Vida, até o presente momento ainda não apareceu qualquer instituição do governo do estado se propondo a parceria com a intenção de manipulação. O mais sério e lamentável é que a Igreja Católica nas campanhas citadas se submeteu às pretensões politicas, deixando de lado a missão profética para com o Povo de Deus.
Grito dos Povos Contra a Destruição do Cerrado
A Campanha da Fraternidade de 2017, para os povos do cerrado maranhense, chega exatamente no momento de gravidade em que milhares de famílias foram expulsas das suas posses seculares, da sua cultura e do direito à dignidade humana para atender aos interesses nocivos do agronegócio do eucalipto. Os últimos governos do Maranhão, incluindo o atual, todos foram e são coniventes com a destruição do cerrado através dos desmatamentos criminosos para as culturas extensivas, além de que se nega a arrecadar terras devolutas que estão em poder de empresa que destrói também grandes potenciais de recursos hídricos.
Em 2004, Dom Franco Masserdotti, bispo da Diocese de Balas e presidente do Conselho Indigenista Missionário – CIMI idealizou e promoveu o Seminário Internacional Bioma Cerrado, com a participação de entidades de vários estados que integram o território do cerrado.
Dom Franco Masserdotti, ao fazer o lançamento do livro O Grito dos Povos Contra a Destruição do Cerrado, resultadodo seminário disse: É necessária uma conversão ecológica que leve a uma nova compreensão da vida e da natureza e “uma transformação das estruturas sócio–econômicas que, além de destruir, manipular e saquear a natureza para aumentar o lucro, impõem terríveis condições de vida para a maioria da população mundial e enfraquecem o planeta para as futuras gerações”. O saudoso bispo hoje no Reino de Deus destacou também, ”Os Bispos do Maranhão na assembleia da cidade de Barra do Corda, no período de 04 a 06 de janeiro de 2005, numa Carta ao Povo de Deus, declararam: “Estamos assistindo a uma forte investida do grande mercado em nosso Estado com a proposta de um crescimento econômico, mas trazendo consigo uma força que destrói as populações tradicionais com as suas culturas e o meio ambiente”.
O livro é bem atual pelas problemáticas debatidas, que à época ainda não haviam atingido a destruição do cerrado, como vemos agora liderada pelo Grupo Suzano Papel Celulose, por grupos de empresários da cultura extensiva da soja, além da agropecuária fazendo devastações grandes para o plantio de capim e outras commodities, que não geram riqueza e nem desenvolvimento, apenas destruição com fortes respaldos políticos.
Dom Franco Masserdotti, além de ser um religioso iluminando era defensor dos direitos e da dignidade humana, principalmente dos trabalhadores e trabalhadoras rurais e dos povos indígenas. Ele e Dom Luciano Mendes, Arcebispo de Mariana, que ganharam destaque na mídia mundial pela defesa dos direitos dos povos indígenas foram chamados ao Reino de Deus, em um período muito pequeno de um para outro. Dom Luciano Mendes morreu em um leito de hospital no dia 27 de agosto de 2006 e no mesmo ano no dia 17 de setembro Dom Franco Masserdotti perdeu a vida ao ser atropelado, quando dirigia uma bicicleta, prática habitual e bem conhecida do povo de Balsas.
