
Carlos Nina*
Disse Grazziella Marraccini que “Não existe coincidência no universo” (web). Essa observação veio-me à mente suscitada pelo lançamento do livro Conversas Telepáticas e Outras Histórias, do advogado Henrique de Araújo Pereira. Agendado para o início de 2018, foi adiado por problemas de saúde enfrentados pelo autor e lançado dia 15 de fevereiro de 2019.
O adiamento trouxe o evento para o mesmo momento da polêmica sobre a existência ou não de conversa entre o Presidente e um de seus ministros. O Ministro dizia que existiu; o Presidente, que não.
As “Conversas Telepáticas” existem e logo estarão à venda na Academia Maranhense de Letras – AML e na Associação Maranhense de Escritores Independentes – AMEI. A do Presidente e do Ministro existiu ou não?
Sim, por mensagens de WhatsApp. A polêmica tomou conta da grande mídia, para alívio da empresa Vale e tristeza das vítimas que ela produz em série periódica, com sua devastadora lama tóxica, de eficácia testada e comprovada, e impunidade garantida.
Mas isso, para a mídia predisposta contra o Presidente, não era mais relevante. O que interessava era desgastar Bolsonaro polemizando sobre a existência ou não da conversa entre ele e seu Ministro. Nem o conteúdo ou a finalidade das mensagens interessava…
Instigado pela coincidência com o lançamento das “Conversas Telepáticas” de HAP resolvi ouvir os famosos áudios e constatei mais uma vez a orquestração contra Bolsonaro.
Neles está evidente que a negativa do Presidente referia-se à conversa no sentido convencional de duas pessoas falando em condições de ser interrompida uma pela outra; e não à comunicação feita de registros independentes, isolados, por textos ou áudios enviados por aplicativos. Por má-fé isso foi ignorado, embora o próprio Ministro tenha admitido, na longa entrevista concedida à Jovem Pan, que seu diálogo foi por WhatsApp. Então, no seu entendimento, conversou com o Presidente e, portanto, não mentiu. Mas o Presidente também não mentiu, porque ficaram incontestes os dois fatos: que não conversaram, no sentido convencional; e que se comunicaram, por mensagens de áudio. E Bolsonaro sabia muito bem – como sabe todo usuário do aplicativo – que o áudio pode ser mostrado a qualquer tempo e se estivesse considerando essas mensagens como conversa nem teria como negar sua existência.
Entretanto, embora a polêmica tenha sido tratada com potencial de suposta ameaça à estabilidade da República, pouco interessou o conteúdo das conversas, onde as falas do Presidente foram todas coerentes com seu discurso, intenções, restrições e determinação de enxugar as despesas públicas.
Já a fala do Ministro, mansa, articulada, enfatizando sua santidade, era ensaiada, pausada, direcionada, Tinha um propósito, quase alcançado, usando a mídia como cúmplice ou inocente útil: sabotar o Presidente. Serviu, porém, para comprovar a correção do critério que Bolsonaro defendia para a nomeação de seu ministério: sem indicações partidárias.
Pena que os áudios comprobatórios de negociatas, que sequer tiveram a existência questionada, não tenham merecido a mesma dedicação e destaque da mídia.
*Advogado.