
A perda de renda do brasileiro sob impacto da pandemia da covid-19 será maior do que a da grande maioria dos países, mostra levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) feito com base em dados do FMI.
Pela previsão do Fundo Monetário Internacional, o PIB per capita do Brasil – usado aqui como sinônimo de renda per capita -, que foi de US$ 14,1 mil em 2019, deve recuar 5,9% neste ano.
Esse movimento coloca o país atrás de 121 das 191 economias monitoradas pelo FMI, ou de 63% delas, segundo dados compilados pelo economista Marcel Balassiano.
“Hoje nós temos muitas incertezas, sobre praticamente tudo. Uma certeza que temos é que todos, ou praticamente todos, vão sair desta crise mais pobres do que entraram”, diz Balassiano. “Mas a maior parte dos países ainda vai ter um desempenho melhor do que o Brasil”, completa.
A previsão de queda no Brasil supera a de outros países emergentes, como Rússia (-5,3%), e de pares na América Latina, como Uruguai (-3,3%), Peru (-5,4%), Colômbia (-3,3%) e Paraguai (-2,3%).
Na Europa, que já foi epicentro da pandemia, as economias devem sofrer mais. A previsão de queda na renda per capita da Itália, por exemplo, é de 8,9% neste ano, no Reino Unido, -7,04% e Alemanha, -6,9%. Já a previsão para os Estados Unidos é de um recuo de 6,4%.
Em 2021, para quando é esperada a recuperação de parte das perdas, a taxa de crescimento brasileira nesse quesito está prevista em 2,2%. Desta forma, o país ficará atrás de 73% de 190 economias (o número total de países monitorados pelo FMI muda de acordo com o ano).
O resultado piora ainda mais quando analisado o biênio 2020-2021, que vai da recessão a uma possível recuperação. Neste intervalo, a taxa de crescimento da renda do brasileiro perde para 77% de 190 países.
Mesmo com essas variações, porém, a posição do Brasil no ranking de PIB per capita não muda tanto. Segundo Balassiano, em 2019, 45% dos países (86, de uma amostra de 192) tinham um nível de renda maior do que o Brasil. As projeções para a mesma medida são de 44% em 2020 e 45% em 2021.
Revista Exame