Auge da pandemia tem piorado a crise da fome que já era grave no país
Pesquisa mostra alimentação prejudicada nas comunidades enquanto IBGE aponta desemprego recorde
Especialista vê risco de aumento na mortalidade da parcela mais pobre da população e “acefalia” dos governos federal e estaduais na gestão do problema
“Ou morre de fome ou de Covid-19”. Essa dualidade dramática se tornou corriqueira para ilustrar o drama vivido por cada vez mais gente no Brasil. Como é frequente na história do país, são as classes mais vulneráveis as que têm sofrido com a crise social agravada pela pandemia do novo coronavírus.
De acordo com o levantamento “A Favela e a Fome”, realizada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a Central Única de Favelas (Cufa), os moradores das 76 comunidades pesquisadas fazem atualmente 1,9 refeições diárias em média. O que significa dizer que apenas uma delas (café da manhã, almoço ou jantar) é feita por todos os moradores dessas localidades, sendo as crianças as que geralmente recebem um eventual segundo prato de comida.
Para Adriana Salay Leme, especialista que estuda história do Brasil contemporâneo e temas relacionados à fome e hábitos alimentares, é difícil, pela falta de dados, estimar se a pandemia já causa a pior crise da história do país nesse aspecto. Ainda assim, é possível garantir que o cenário atual é grave.
“Existe uma fome estrutural que se acentua num momento de crise. Famílias que não estavam em lugar de risco acabam alçadas a esse posto por perderem sua capacidade aquisitiva”, afirma Adriana ao Yahoo! Notícias. Ainda de acordo com o levantamento acima, 68% dos mais de 2 mil entrevistados disseram ter a alimentação prejudicada durante a crise sanitária, com grande parte chegando a passar fome. Em agosto de 2020, o índice era de 43%.
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