O líder do União Brasil na Câmara, deputado Pedro Lucas (MA), deve substituir seu colega parlamentar Juscelino Filho no cargo de ministro das Comunicações do governo Lula (PT), do qual foi forçado a pedir demissão. O provável futuro ministro tem em comum com o anterior a filiação ao mesmo partido, o Estado do Maranhão que representam e o principal eleitor de ambos, para ocupar o cargo: o ministro Flávio Dino, amigo de Lula, seu ex-ministro da Justiça e espécie de “líder do governo” no Supremo Tribunal Federal (STF).
O ministro demissionário foi indiciado pela Polícia Federal sob impressionante lista de acusações apuradas nas investigações:
- Fraude a licitação;
- Falsidade ideológica;
- Violação de sigilo em licitação;
- Corrupção passiva;
- Lavagem de dinheiro;
- Integrar organização criminosa.
Apesar de indiciado pela PF em junho do ano passado, o presidente Lula (PT) não tomou qualquer providência para substituir o ministro acusado de corrupção e outros crimes, assim como a Procuradoria-Geral da República (PGR), que levou menos de um dia para denunciar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados por suposto “golpe”, demorou dez meses para transformar a acusação da Polícia Federal em denúncia formal à Justiça.
O Palácio do Planalto foi informado oficiosamente na sexta-feira (4) sobre a denúncia da PGR, apesar de um caso estranhamente tramitar sob “segredo de Justiça”, apesar do interesse público envolvido. Foi assim que a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) teve tempo de articular uma reunião com Juscelino Filho e a cúpula do partido para combinar a substituição. A reunião aconteceria nesta segunda-feira (9) na residência do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, político sem votos que tem sido muito criticado pelo comportamento “deslumbrado” em razão do cargo. Gleisi passou aos políticos do União presentes o recado de Lula, que se encontra em Honduras, pedindo que o partido indicasse o substituto do ministro.
A partir dali o nome de consenso apresentado à ministra foi o do deputado Pedro Lucas, líder do União na Câmara, conterrâneo de Juscelino Filho e com as bênçãos de Flávio Dino, que, em seu governo no Maranhão, nomeou o deputado para presidir uma agência governamental.
Coleção de acusações
O político é acusado de ter atuado em desvios de emendas parlamentares por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Juscelino também é acusado de destinar emendas parlamentares para uma estrada que tem 80% de sua extensão beneficiando exclusivamente fazendas do ministro, no município de Vitorino Freire (MA). A cidade pela irmã de Juscelino, a ex-prefeita Luana Rezende, também investigada. Ele nega as acusações, mas a PF não tem dúvidas de sua responsabilidade.
Diário do Poder