Maior parte da verba foi parar na Codevasf e apenas 20% dos recursos têm algum mecanismo de transparência. O Congresso Nacional destinou R$ 2,9 bilhões do Orçamento em 2024 por meio de emendas de bancada “paralelas”, com consentimento do governo do petista Luiz Inácio Lula da Silva. Os valores, formalmente sob controle do Executivo, foram liberados de maneira que dificulta a fiscalização dessa verba. Segundo relatório da Transparência Brasil, a maior parte do montante foi concentrada na Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), que recebeu R$ 313 milhões.
Apenas 20% das emendas (cerca de R$ 600 milhões) tiveram destinação identificada com etiquetas orçamentárias, permitindo algum tipo de rastreio. O restante se misturou a verbas ministeriais “livres”, sem controle efetivo sobre a aplicação. Documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) revelam que congressistas enviaram ofícios ao então presidente da Codevasf na época, Marcelo Moreira, tratando os recursos como “minha cota” e indicando beneficiários, incluindo associações comunitárias que receberiam maquinas pesadas.
Além da Codevasf, outros órgãos receberam fatias relevantes, como o Ministério da Defesa (R$ 109,6 milhões), o Ministério das Cidades (R$ 25,4 milhões), a Agricultura (R$ 24,4 milhões) e a Sudeco (R$ 22,6 milhões). Entre os estados, o Amapá liderou, com R$ 92 milhões, seguido de Piauí, Ceará, Bahia e Amazonas. Desde 2020, o Congresso já destinou R$ 9,4 bilhões em emendas paralelas. Apenas 39% desses recursos podem ser rastreados.
Diário do Poder