A Comissão Particular de Inquérito da Saúde, instalada pela Assembleia Legislativa do Estado, a princípio teria como finalidade maior investigar o ex-deputado estadual e ex-secretário de saúde do Estado, Ricardo Murad, acusado de ter desviado milhões de reais dos cofres públicos e de uma infinidade de negociatas envolvendo recursos públicos estaduais e federais. Diante da abrangência que a CPI teria, inclusive que não encontraria dificuldades a chegar a prefeitos e outros políticos, que hoje integram a base da atual administração estadual, muitos parlamentares manifestaram-se incomodados e até antes da CPI ser aprovada pelo legislativo estadual, tentaram retirar as suas assinaturas, mas temeram em desagradar o Palácio dos Leões.
Quando o deputado Levi Pontes foi indicado para a presidência da CPI, poucos dias depois ele foi indiciado em processo na Justiça Federal, por malversação de verbas públicas quando gestor da saúde pública no município de Chapadinha. Quando o assunto se tornou público, o parlamentar afirmou em plenário que não renunciaria a presidência a CPI.
O certo é que o deputado Humberto Coutinho, presidente da Assembleia Legislativa do Estado, sempre se manifestou contrário a CPI, em razão de que ela com facilidade chegaria à cidade de Caxias e mais precisamente à Maternidade Carmosina Coutinho e ao prefeito Leonardo Coutinho, que estão no topo das responsabilidades pela morte de mais de 200 recém-nascidos e mais de 20 crianças que ficaram cegas, por exclusiva irresponsabilidade dos gestores públicos do Sistema Municipal de Saúde e incompetência do dirigente municipal.
A pressão dentro do Poder Legislativo foi tão forte, que os parlamentares das Comissões de Saúde e dos Direitos Humanos e das Minorias, recuaram em verificar de perto o problema na cidade de Caxias e incorporaram um silêncio obsequioso.
Como a CPI tinha com objetivo principal investigar o ex-deputado e ex-secretário Ricardo Murad e Comissão Parlamentar de Inquérito não foi à frente por interesse da própria base governamental, configura-se também que houve tremor na base, caso homem conhecido como trator e abrisse a boca. Afinal de contas, como o tempo da CPI está chegando a expiração do seu prazo e naturalmente será arquivada, o ex-deputado Ricardo Murad tem como tecer criticas bem ácidas ao governo e à assembleia.
