Câmara de São Luís não paga 13º de parte dos funcionários e o presidente Paulo Vitor sorrir indiferente

Do Blog do Linhares

Sindicato denuncia ambiente de caos na Câmara Municipal de São Luís, atribuindo ao presidente Paulo Victor irregularidades graves e desorganização administrativa.

SÃO LUÍS, 26 de dezembro de 2024 – Servidores da Câmara Municipal de São Luís enfrentam problemas relacionados ao atraso no pagamento do 13º salário. Segundo denúncia do SINDISCAM-SLZ (Sindicato dos Servidores da Câmara Municipal de São Luís), a gestão do presidente da Casa, vereador Paulo Victor, não realizou o pagamento do benefício a todos os funcionários, destacando disparidades nos depósitos e erros frequentes nos pagamentos.

DENÚNCIAS DE IRREGULARIDADES NA GESTÃO DA CÂMARA

Conforme o sindicato, servidores efetivos e estáveis receberam o 13º salário com antecedência de um mês em relação aos comissionados e contratados. Ainda assim, parte dos funcionários sequer recebeu o benefício até o Natal. A entidade acusa a administração de erros recorrentes na folha de pagamento, cortes indevidos e falta de resolução das pendências salariais.

Além disso, o sindicato aponta falhas graves na gestão da Câmara, como a ausência de repasse das contribuições previdenciárias para o Ipam e para o INSS, gerando questionamentos sobre o destino desses valores. “Para onde está indo esse dinheiro que é descontado de nossos salários?”, questiona a publicação do sindicato.

A estrutura precária da Câmara é outra denúncia levantada. Segundo o SINDISCAM, o ambiente de trabalho não comporta todos os servidores, obrigando muitos a usarem recursos próprios para desempenhar suas funções. Documentos históricos importantes armazenados no setor de Documentação e Arquivo estariam se deteriorando devido à falta de cuidado e local adequado.

O sindicato também denunciou o atraso no pagamento das férias de servidores e o impacto negativo da falta de transparência e capacidade técnica de gestores da Casa Legislativa. A entidade ressaltou que, mensalmente, a Câmara recebe um duodécimo de R$ 13.206.959,00 da Prefeitura para custear folha de pagamento, manutenção da Casa e outros gastos. “Apesar disso, enfrentamos erros constantes que vêm prejudicando os servidores e, consequentemente, as atividades da Câmara Municipal de São Luís”, afirmou.

Fonte: Blog do Linhares

Arthur Lira dá resposta ao ministro Flavio Dino sobre o bloqueio de emendas parlamentares

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), defendeu nesta sexta-feira (27) a legalidade da execução de R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares de comissão, rebatendo questionamentos do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em resposta formal ao Supremo, a Câmara rejeitou alegações de manobras associadas à liberação das emendas e pediu a revogação da suspensão dos pagamentos. Segundo o documento, a paralisação das atividades das comissões não está conectada ao tema em discussão, sendo respaldada por precedentes. Lira também refutou as acusações dos partidos que recorreram ao STF, descrevendo-as como baseadas em “desconhecimento sobre o processo legislativo orçamentário”. Atas de reuniões das comissões permanentes foram anexadas para comprovar a regularidade do processo.

As informações requisitadas por Dino chegaram ao STF na madrugada de sexta-feira, dias após o ministro suspender novamente os pagamentos, alegando falta de transparência nas indicações. Antes disso, Lira reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e líderes partidários para buscar um consenso sobre o tema.

As emendas parlamentares, destinadas a projetos estaduais e municipais, têm enfrentado restrições desde agosto, com Dino cobrando detalhamento quanto aos responsáveis pelas indicações e à aplicação dos recursos. A Advocacia da Câmara, no entanto, sustentou que as deliberações são públicas e refutou a acusação de falta de transparência.

O documento também argumenta que a suspensão temporária das comissões em dezembro seguiu práticas usuais para priorizar matérias urgentes no Plenário. Pareceres jurídicos, segundo a Câmara, validaram as emendas aprovadas, demonstrando conformidade com as decisões do STF. Lira destacou que a continuidade dos serviços públicos, especialmente na saúde, está em risco devido à interrupção dos pagamentos. O impasse em torno das emendas parlamentares se arrasta desde o início do ano, com decisões anteriores de Dino impondo restrições por motivos semelhantes. Em dezembro, a liberação parcial foi negociada após nova legislação e compromissos de maior transparência entre os Poderes Legislativo e Executivo.

Jornal da Cidade Online

Maranhão tem inscrições abertas em 43 municípios para interessados em lançar rádios comunitárias

Com as novas rádios, a população local será beneficiada com mais acesso à informação e entretenimento. O Ministério das Comunicações prorrogou até o dia 14 de março de 2025 o prazo para que fundações e associações interessadas em operar rádios comunitárias em 44 municípios do Maranhão enviem as propostas. No total, estão abertas inscrições em 795 municípios de 21 estados. Com as novas rádios, a população local será beneficiada com mais acesso à informação e entretenimento. O Maranhão é um dos exemplos que pode ter um grande avanço com as rádios comunitárias, com 43 municípios com inscrições abertas.

Confira a lista de municípios aqui.

A diretora de Radiodifusão Pública, Comunitária e Estatal do Ministério das Comunicações, Daniela Schettino, explica a importância das rádios comunitárias para a democratização do acesso à informação. 

“As rádios comunitárias têm um papel muito bacana, porque não só dão uma notícia do Brasil inteiro, [divulgam] muitas questões do governo federal, ações importantes de cidadania, de conteúdo de utilidade pública. As rádios também trazem aquela informação daquela comunidade local, daquela cultura local, um artista local. A gente sabe que em algumas áreas mais afastadas não têm rádio, não têm nenhum meio de comunicação e, às vezes, é muito mais fácil chegar [à população] com uma rádio comunitária.”

O edital nº 186/2024, publicado na edição de 14 de outubro no Diário Oficial da União, faz parte do Plano Nacional de Outorgas, lançado em 2023, e apresenta o cronograma e as localidades que serão contempladas com a oportunidade de novas outorgas do serviço de Radiodifusão Comunitária. A expectativa é que 100% dos municípios do país tenham pelo menos uma emissora de radiodifusão comunitária. 

BRASIL 61

 

Lula colocou psicólogo no lugar de engenheiro para comandar o DNIT no Maranhão, diz jornalista

O PT não muda e continua sendo o partido da “boquinha’. O que vale é distribuir cargos para a companheirada. Dane-se a competência. Por isso o país vive a sensação de estar completamente desgovernado, em todos os setores. Desde a economia até a fiscalização de pontes. Como um sujeito como Fernando Haddad, um notório incompetente, pode ser o ministro da Economia? É óbvio que isso não pode jamais dar certo.

No DNIT do Maranhão, um psicólogo comanda o órgão. Um sujeito sem nenhuma qualificação para fiscalizar a situação das pontes em sua região. O resultado não poderia ser outro. Na divisa entre Maranhão e Tocantins, a ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira desabou. Vidas humanas foram perdidas. O PT, sempre hipócrita, tenta colocar a culpa no governo anterior. É mais um crime na conta dessa perigosa organização.

Gonçalo Mendes Neto. Jornalista.

 

Ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes lideram pedidos de impeachment no Senado

Desde o início do atual governo Lula (PT), os ministros do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes são os que mais foram alvo de pedidos de impeachment no Senado. Em todos os requerimentos, assinados inclusive por deputados e até advogados, são alegados crime de responsabilidades. Barroso e Moraes acumulam 5 pedidos cada até o momento. O presidente Lula, por exemplo, foi alvo de ao menos 20 pedidos de impeachment até este ano; todos na Câmara.

STF mal visto

Dos 17 pedidos de impeachment protocolados no Senado,13 são direcionados contra ministros da Suprema Corte.

Entrou na roda

O ex-senador Flávio Dino, no STF a menos de um ano, já tem pedido de impeachment de iniciativa do deputado estadual Dr. Yglésio (PRTB-MA).

Até quem já saiu

Antes de deixar o cargo este ano, o procurador-geral da República Augusto Aras também era alvo de pedido impeachment, que caducou.

Bessias na dança

Jorge Messias, que admitiu ser jogador disciplinado de Lula, também conta com pedido de seu impeachment na Advogado Geral da União.

Coluna do Claudio Humberto

Flávio Dino interfere no Congresso. Arthur Lira prepara reação e reacende tensão entre Legislativo e Judiciário

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), convocou uma reunião com lideranças para esta quinta-feira (26), em meio à polêmica decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que bloqueou R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares. A medida, que afeta recursos assinados por 17 líderes de bancadas, foi divulgada na última segunda-feira (23) e reacendeu tensões entre o Legislativo e o Judiciário.

A pauta da reunião incluirá a eleição da Mesa Diretora da Câmara, prevista para fevereiro, quando os trabalhos legislativos de 2025 serão retomados. No entanto, o bloqueio das emendas também deve dominar as discussões. Desde o anúncio da decisão, líderes parlamentares têm demonstrado insatisfação, e algumas lideranças já cogitavam a convocação de um encontro emergencial ainda na segunda-feira.

Entre as críticas à decisão, o senador Ângelo Coronel (PSD-BA), relator do Orçamento de 2025, afirmou que só levará a matéria ao plenário quando houver clareza sobre as regras das emendas. Segundo ele, é necessário eliminar o clima de “fogo cruzado” entre os poderes.

Na justificativa de sua decisão, Flavio Dino destacou a existência de um esquema de “apadrinhamento” nas emendas parlamentares, o que dificultaria a identificação dos deputados responsáveis pelos pedidos de destinação de recursos. Além do bloqueio, o ministro determinou que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito para investigar possíveis irregularidades relacionadas às emendas de comissão.

A decisão faz referência à Operação Overclean, que apura suspeitas de desvio de recursos em diversos estados. Em um dos episódios citados, a PF identificou o transporte de dinheiro vivo em um jatinho que partiu de Salvador com destino a Brasília. Na última segunda-feira, uma nova etapa da operação levou à prisão de políticos do interior da Bahia e de um policial federal.

A ação de Dino e a investigação em curso agravam o cenário de desconfiança entre os poderes e ampliam a pressão sobre o Legislativo, que busca alinhar estratégias para defender sua autonomia e resolver o impasse sobre o controle das emendas.

Jornal da Cidade Online

Ator Ney Latorraca morre aos 80 anos no Rio de Janeiro

O ator Ney Latorraca, de 80 anos, morreu na manhã desta quinta-feira (26) no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pela assessoria de imprensa da Clínica São Vicente, hospital onde o artista estava internado. A clínica não divulgou informações sobre o motivo da morte, a pedido da família do ator.

Filho de artistas, Antônio Ney Latorraca nasceu em 25 de julho de 1944, em Santos (SP). Sua carreira começou quando tinha seis anos, com participações na Rádio Record.

Sua estreia no teatro ocorreu aos 19 anos, na peça Pluft, O Fantasminha, de Maria Clara Machado. Passou pelas emissoras Tupi, Cultura, Record e SBT, mas foi na Globo, onde estreou em 1975, que fez alguns dos personagens memoráveis da televisão: o Barbosa, do programa de humor TV Pirata, e Vlad, da novela Vamp.

Agência Brasil 

DNIT sabia que a ponte entre Tocantins e Maranhão precisava de reparos urgentes

Brasil precisa de R$ 99,76 bilhões para recuperar e manter suas rodovias e pontes. De acordo com estudo divulgado pela Confederação Nacional do Transporte, 25% da malha rodoviária avaliada é classificada como ruim e 7,7% como péssima. O investimento necessário para a reconstrução, restauração e manutenção do pavimento rodoviário do Brasil corresponde a R$ 99,76 bilhões. É o que revela um estudo divulgado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Ainda de acordo com o levantamento, em relação às rodovias públicas – que correspondem a 74,8% da extensão avaliada –, houve a seguinte classificação:

  • Ótimo (2,7%)
  • Bom (20,0%)
  • Regular (43,7%)
  • Ruim (25,9%)
  • Péssimo (7,7%)

Outro estudo divulgado anteriormente pela entidade mostrou que 67,5% das rodovias do país não estavam em bom estado. Nesse caso, foram analisados 111.502 km de malha pavimentada das rodovias federais e dos principais trechos estaduais.

Pontes

Além disso, um levantamento divulgado pela Folha de S. Paulo revelou que, até maio do ano passado, 727 pontes em todo o Brasil estavam nas categorias crítica ou ruim, sendo 130 delas na pior condição possível e outras 597 na categoria ruim. O estudo levou em conta todas as pontes federais administradas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

No último dia 22 de dezembro, a ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, que liga as cidades de Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO), caiu e causou a morte de pelo menos três pessoas. Até o fechamento desta reportagem, outras 14 pessoas estavam desaparecidas. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, pelo menos 10 veículos caíram no rio, entre eles quatro caminhões, três automóveis e três motocicletas.

DNIT sabia que a ponte entre Tocantins e Maranhão precisava de reparos

Ao Brasil 61, o DNIT informou que, entre novembro de 2021 e novembro de 2023, manteve vigente um contrato de manutenção dessa e de outras Obras de Arte Especiais do Tocantins, com investimento de R$ 3,5 milhões. De acordo com a autarquia, os recursos foram utilizados, por exemplo, em serviços de reparos nas vigas, laje, passeios e pilares da estrutura.

BRASIL 61

 

Polícia não pode prender de ofício quem descumpre regra na ‘saidinha’, diz o CNJ

O descumprimento das condições da saída temporária não pode implicar na prisão por decisão de autoridade administrativa, pois a restrição de liberdade depende de ordem judicial, salvo os casos de flagrante delito. Com esse entendimento, o Conselho Nacional de Justiça declarou a ilegalidade da Portaria Conjunta TJ-SP 2/2019, que autorizou as polícias de São Paulo a levarem ao presídio quem descumpre as regras da saída temporária.

A norma editada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo diz que cabe às Polícias Civil e Militar fiscalizar o cumprimento das regras da saída temporária e, quando houver ilegalidade, conduzir o sentenciado ao presídio. Nesse caso, o preso permaneceria custodiado “como medida acautelatória em proteção à sociedade”. A partir daí haveria a comunicação da unidade competente para apreciação do caso, mediante decisão a ser prolatada pelo juiz da Execução Penal. Assim, PMs e Civis poderiam prender pessoas em saída temporária que foram proibidas de se aproximar de determinados locais, caso as vissem nessa situação, por exemplo. Ou que estivessem fora de casa após o anoitecer, caso fossem proibidas de fazê-lo.

Regras do direito

A Defensoria Pública de São Paulo questionou a norma em Habeas Corpus ajuizado no Superior Tribunal de Justiça, alegando que ela permite prisões ilegais, sem prévia ordem judicial ou situação de flagrante delito. Relator no STJ, o ministro Messod Azulay não conheceu do Habeas Corpus, mas encaminhou o caso para o Conselho Nacional de Justiça, que abriu procedimento de controle administrativo e concluiu pela ilegalidade da norma.

O conselheiro Edivaldo Rotondano destacou que, conforme a Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984), o benefício da saída temporária será automaticamente revogado quando o condenado praticar crime doloso, falta grave ou desatender as condições impostas. Em sua análise, essa situação não pode implicar no retorno à prisão por mera decisão da autoridade administrativa — no caso, policiais civis ou militares. A decretação da prisão, argumenta, é ato sujeito à reserva de jurisdição, ou seja, depende de decisão do juiz.

“Resta inegável, então, que a ‘custódia’ promovida no Estado de São Paulo, como medida acautelatória em proteção à sociedade, daquele que, segundo as Polícias Civil e Militar, teria descumprindo as condições da saída temporária, se distancia das normas de regência, notadamente pelo aspecto de que essa restrição de liberdade (prisão) ser exercida à revelia de decisão judicial”, disse.

Fonte: CONJUR

 

Lei que cria cadastro de criminosos sexuais é inconstitucional e ineficaz, dizem especialistas

Foi sancionada na última quinta-feira (28/11) a Lei 15.035/24, que determina a criação do Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais. O objetivo é montar um banco de informações aberto à consulta pública com dados de pessoas condenadas pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável, registro não autorizado de relação sexual, favorecimento da prostituição e cafetinagem. O sistema vai permitir que o público tenha acesso ao nome completo e ao número de Cadastro de Pessoa Física (CPF) do condenado em primeira instância. Caso o réu seja absolvido em instâncias recursais, suas informações não ficarão mais disponíveis para consulta pública.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou o trecho da lei que determinava que as informações no cadastro ficassem disponíveis para consulta pública pelo prazo de dez anos após o cumprimento integral da pena. O mandatário alegou que a medida é inconstitucional por violar a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem do condenado. A maioria dos especialistas consultados pela revista eletrônica Consultor Jurídico acredita que a lei é inconstitucional e que, além disso, não deve ajudar no combate efetivo a crimes sexuais. O jurista Lenio Streck é direto em sua avaliação sobre o novo regramento: “Matéria inconstitucional, a presunção de inocência é sagrada, direito fundamental. Observo que o presidente Lula foi uma das principais vítimas da aniquilação desse princípio. O Congresso jogou uma bola triangular ou espinhosa para o presidente. Deveria vetar. Mas pegaria mal politicamente. Como o projeto da saidinha. O Congresso faz ensaios e coloca o presidente nas cordas. Isso vai ser de novo resolvido no STF.”

Streck também acredita na pouca efetividade da lei: “Não existe qualquer elemento que diga que a nova lei vai diminuir a prática desse tipo de crime. Por que não criar um cadastro nacional de assaltantes? Ou um de golpistas do INSS?”. 

O advogado Welington Arruda é outro que questiona a eficácia da lei. “A medida pode comprometer a ressocialização dos condenados, especialmente considerando que os dados serão de acesso público. A exposição permanente ou prolongada pode intensificar a marginalização desses indivíduos, dificultando sua reintegração social e, paradoxalmente, aumentando os riscos de reincidência.” O paralelo mais óbvio com a Lei 15.035/24 é a Lei de Megan, aprovada nos Estados Unidos em razão do estupro e assassinato de uma menina de sete anos, Megan Kanka, por um homem chamado Jesse Timmendequas, que já havia sido preso por tentar estuprar duas crianças.

A norma determina que os estados americanos tenham um registro e um sistema de notificação sobre os criminosos sexuais. Cada estado é responsável por adotar um modelo de aplicação da lei e operação dos bancos de dados. A análise dos efeitos da lei, feita pela Universidade de Rutgers e pelo Departamento de Penas do estado de New Jersey, entretanto, aponta que ela falhou na redução de casos de crimes sexuais. Por isso, os críticos do regramento questionam também o custo de aplicação da lei — manter um banco atualizado sobre criminosos sexuais não se justifica, uma vez que não existem dados de que a medida seja eficaz. 

Presunção de inocência

O advogado e professor Aury Lopes Jr. classifica a lei como “populista e absolutamente inconstitucional”. Ele explica que o regramento viola a presunção de inocência e impõe um estigma absurdo a alguém que não é definitivamente condenado, já que o nome é incluído no cadastro já após condenação em primeira instância. “Mesmo que fosse depois do trânsito em julgado, não seria menos inconstitucional, pois viola o direito à imagem e a dignidade da pessoa humana. Por mais grave que seja o crime, o Estado não tem — legitimamente — o poder de humilhar e enxovalhar o condenado. Pode punir, para isso está a pena, mas não humilhar assim. Ademais, mesmo que fosse depois do trânsito em julgado, seria absolutamente incompatível com a promessa de ‘ressocialização’ que classicamente é usado como argumento de justificação da pena.” 

O criminalista Rodrigo Faucz segue a mesma linha. “Eu acho muito difícil (a lei) servir para a prevenção de crimes sexuais, a não ser em situações bem restritas, como uso para escolas e algumas instituições que lidam com crianças, talvez seja interessante. Mas a lei tem uma falha extremamente grave que é a questão da constitucionalidade, da previsão de estar na lista a partir da decisão de primeira instância. Isso é um absurdo e viola diretamente o princípio da presunção de inocência.”

Luís Henrique Machado, por sua vez, cita que a lei poderia funcionar se fosse usada, por exemplo, por profissionais da rede hoteleira, para coibir esse tipo de crime nesses estabelecimentos. “Com a consulta pelos recepcionistas, poderia evitar a execução do crime no momento do check-in. Se fizer um trabalho integrado entre as Secretarias de Segurança Pública e o setor privado, os resultados podem ser benéficos para a sociedade”, sugere. Um consenso entre os especialistas, contudo, é o impacto que integrar uma lista como essa pode ter na vida de alguém cuja condenação ainda não transitou em julgado. 

“A pessoa pode ser condenada em primeira instância e pode ser absolvida em segunda. E eu acho muito ruim isso, porque tem consequências gravíssimas, como estigma e exclusão social da pessoa. Então, acho que isso tem de ser bem pensado, e nunca apenas após a condenação de primeira instância. Essa é a minha opinião e, sim, existe chance dessa lei vir a ser questionada quanto à sua constitucionalidade”, opina Alberto Toron.

Fonte: CONJUR