Defensoria Pública ajuizou 27 ações solicitando indenizações pelas mortes de presos dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas

aldir1A Defensoria Pública do Maranhão ajuizou 27 ações solicitando indenização para as famílias de detentos mortos dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas. O número poderia ser bem maior, muito embora tenha havido muitas dificuldades para a localização, feita através de buscas ativas e por meio de encaminhamentos de correspondências. No período de março de 2013 e o final de 2014, foram mortos 88 detentos dentro do Sistema Penitenciário da capital, o que colocou a cidade de São Luís no centro das atenções de toda mídia mundial, por incompetência do Governo do Estado, não ter tido a capacidade de exercer o controle de uma situação. Chegou-se a montar uma farsa dentro do Palácio dos Leões, com a participação da então governadora Roseana Sarney, o ministro José Eduardo Cardoso, da Justiça, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Secretários de Estado e representantes de instituições federais para fiscalizar, acompanhar e solucionar problemas diante da crise carcerária, inclusive com a determinação de serem construídas 13 unidades prisionais com a conclusão das primeiras em 120 dias. Tudo não passou de hipocrisia, uma vez que os assassinatos continuaram em proporções menores, mas as fugas passaram a ser mais audaciosas, tráfico de drogas, armas e bebidas permaneceram e nenhum presidio foi concluído até o dia 31 de dezembro do ano passado. A verdade é que foi feita uma articulação vergonhosa para conter a pressão de intervenção federal no Sistema Penitenciário do Maranhão, através d de pedidos da Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos – OEA, da Anistia Internacional, do Ministério Público Federal e de várias entidades da sociedade civil organizada. Foi a partir da criação do tal Comitê de Gestão Integrada para o Sistema Penitenciário, que a corrupção avançou com a contratação de pessoal terceirizado através de empresas com ligações estreitas com a administração de Roseana Sarney.
O Esforço da Defensoria Pública
A Defensoria Pública não mediu esforços para localizar mais de 70 famílias de presos assassinados, muitos dos quais até decapitados, recorrendo ao cadastro das vitimas. Muitas já haviam constituído advogados particulares e outras não demonstram interesse nas orientações da Defensoria Pública. A verdade é que elas têm receio de que se receberem indenizações poderão ser alvo de perseguição de bandidos, integrantes das quadrilhas que proporcionaram as barbáries dentro das unidades prisionais, diante da omissão e irresponsabilidade da direção da SEJAP e da então governadora Roseana Sarney.
O mais intrigante é que nenhuma instituição pública e nem da sociedade civil organizada ingressaram com ação na justiça para responsabilizar criminalmente pelas mortes, o Secretário de Justiça e Administração Penitenciária do período como responsável maior pela custódia, segurança e vida dos presos e a governadora Roseana Sarney, que simplesmente se omitiu até o problema chegar ao caos.

 

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