As 80 representações já superam toda a pré-campanha de 2022. A equipe jurídica da campanha de Lula (PT) já protocolou 80 ações na Justiça Eleitoral durante a fase de pré-campanha das eleições de 2026, em nova tentativa de usar o poder da Justiça em seu favor, como ocorreu na disputa de 2022. O PT já moveu 80 ações judiciais contra a oposição. O número foi alcançado cerca de 20 dias antes do encerramento do período pré-eleitoral e supera o total de representações apresentadas pelo partido em toda a pré-campanha das eleições presidenciais de 2022.
De acordo com os dados divulgados, o volume de ações representa um crescimento de 25% em relação ao pleito anterior. Em 2022, o PT havia ingressado com 64 representações durante toda a etapa que antecedeu o início oficial da campanha. Neste ano, a marca foi ultrapassada antes mesmo do fim da pré-campanha. As iniciativas jurídicas têm como foco o monitoramento de conteúdos publicados nas redes sociais, especialmente materiais relacionados ao uso de inteligência artificial, supostos casos de desinformação e possíveis situações de propaganda eleitoral antecipada.
Também fazem parte da estratégia pedidos para retirada de publicações que associem o presidente Lula e o PT a organizações criminosas. Entre os episódios recentes está a representação apresentada contra um vídeo exibido durante a convenção nacional do PL que oficializou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Segundo o partido, o material utilizou recursos de inteligência artificial para reproduzir a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro, levando o PT a solicitar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a remoção do conteúdo.
Outra medida adotada pela legenda foi o envio de uma notícia de fato à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para pedir a apuração da participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção do PL. O partido sustenta que a presença do chefe de Estado argentino configuraria interferência indevida no processo eleitoral brasileiro. A legislação eleitoral permite manifestações típicas da pré-campanha, como a apresentação de ideias e a exaltação de qualidades pessoais dos pré-candidatos, desde que não haja pedido explícito de voto. Eventuais questionamentos sobre propaganda antecipada podem ser analisados pela Justiça Eleitoral conforme as regras estabelecidas para o período pré-eleitoral.
Diário do Poder