PF: Vorcaro subornou ex-chefe de supervisão do Banco Central com R$ 760 mil por mês

Belline Santana chefiou setor do Banco Central que fiscalizava bancos, entre 2019 e 2024. Inquérito da Polícia Federal que teve sigilo derrubado por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) revelou indícios de corrupção com envio de propina do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central do Brasil (BC). O nome do servidor do BC aparece no relatório da PF revelado pelo ministro André Mendonça por determinação do presidente do STF Edson Fachin, mais especificamente no trecho em que o inquérito cita que Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel “adotaram expediente fraudulento, simulando prestação de serviços, para pagamento de propina a servidor público”.

“Essa conclusão fica ainda mais evidente quando os mesmos interlocutores tratam dos pagamentos a BELLINE. VORCARO destaca que o fluxo do dinheiro deve ser do ‘LEO’ (LEONARDO PALHARES) para BELLINE, sendo que o banqueiro depois faria o reembolso do valor pago”, relatou a PF.

Vorcaro e Zettel, que estão presos por operar no Banco Master o maior crime financeiro da história do Brasil, trocaram mensagem em outubro de 2023 sobre a propina para Belline Santana, por meio de uma fictícia “contratação do desenvolvimento de um Estudo Técnico, Econômico e Social”, assinado por Leonardo Augusto Furado Palhares, responsável pela empresa Varajo Consultores. Belline autorizou a negociata com Vorcaro no dia 20 daquele mês, segundo a PF. E o servidor do BC avisa ao ex-banqueiro, três dias depois, que os documentos assinados forma enviados. E a formalização da propina é classificada como “circo” por Vorcaro e Zettel. O fluxo da propina é operacionalizado por Ana Claudia Queiroz de Paiva, que a PF identifica como funncionária de confiança de Vorcaro. E um diálogo revela que Zettel é advertido sobre evitar que o fluxo da propina passe pela empresa Super. Zettel expõe em mensagem o valor do pagamento a Bellini, que chefiou setor do Banco Central que fiscalizava bancos, entre 2019 e 2024: “760k – Nota Léo Palhares (Bellini).”

“ZETTEL e VORCARO falam, a partir de 2023 até 2025, dos pagamentos períodos efetuados a BELLINE. Estes, por determinação expressa do banqueiro, parecem sair da conta de ‘LEO’, que seria a empresa contratante VARAJO CONSULTORIA EMPRESARIAL SOCIEDADE UNIPESSOAL LTDA., CNPJ 39.665.366/0001-15, cujo sócio é LEONARDO PALHARES”, diz o relatório da PF.

Diário do Poder

 

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