Delegado Raimundo Cutrim adversário político de Flavio Dino e preso por ordem dele é hospitalizado

Delegado de carreira da PF, Cutrim foi secretário de Segurança do Maranhão por duas vezes. O ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim, apontado como fonte de reportagem envolvendo o ministro do STF Flavio Dino, que determinou sua prisão, foi internado em São Luís acometido de paralisia facial. A defesa de Cutrim denunciou que somente no dia 7 deste mês, quase três meses após a prisão, teve acesso parcial a documentos do processo. Ele foi hospitalizado nesta terça-feira (13) no Hospital São Domingos após apresentar paralisia facial do lado esquerdo. Segundo a defesa, os sintomas começaram na sexta-feira (9). O quadro está sob avaliação médica, sem diagnóstico confirmado de AVC.

Delegado aposentado da Polícia Federal, Cutrim foi duas vezes secretário de Segurança Pública, três vezes deputado estadual e, mais recentemente, secretário de Assuntos Legislativos do governo atual, de Carlos Brandão, também adversário de Dino e alvo de investigações. Cutrim cumpre desde julho prisão domiciliar decretada por Dino, com uso de tornozeleira eletrônica e restrições à comunicação, incluindo a proibição de gravar vídeos. A decisão, de 14 de julho, também determinou seu afastamento do cargo no governo estadual, no âmbito de investigação relacionada ao caso Tech Office.

“Aviso prévio” de prisão

Dino e Cutrim são antigos adversários políticos no Maranhão. Antes da prisão, o ex-secretário divulgou vídeo afirmando ter recebido informações de que sua prisão estaria sendo articulada por pessoas próximas ao ministro, a quem classificou como inimigo político. O ex-secretário também foi identificado pela PF como fonte de reportagem do jornalista Luís Pablo sobre o suposto uso irregular de um veículo por Flávio Dino. O jornalista foi alvo de busca e apreensão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, o que teria levado à identificação da fonte do jornalista, em descumprimento de preceito constitucional que garante o direito ao sigilo da fonte. Em outro procedimento, Dino decretou a prisão domiciliar de Cutrim.

A defesa reclama falta de acesso integral aos autos. Em julgamento virtual realizado em setembro, Moraes votou pela manutenção da medida, sendo acompanhado pelos demais ministros. Na fundamentação, Moraes afirmou que Cutrim “não apresentou qualquer argumento apto a desconstituir os fundamentos apontados”. A declaração foi contestada pela defesa em nota pública de 26 de setembro: “Como desconstituir fundamentos aos quais a defesa não tem acesso?” Somente em 7 de outubro, os advogados conseguiram acesso parcial a alguns documentos do processo. Segundo a defesa, até então, informações sobre decisões judiciais chegavam ao seu conhecimento por meio da imprensa.

Diário do Poder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *