O advogado José Berilo de Freitas Leite Filho acusou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de cometer um “erro grotesco” ao quebrar o sigilo da fonte de um jornalista. Ele defende o delegado aposentado Raimundo Cutrim, apontado como informante do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida e alvo de busca autorizada pelo ministro. Para o advogado, a decisão é uma “aberração jurídica, que contraria entendimento do próprio STF”.
Segundo documentos revelados no sábado (17), um delegado da Polícia Federal (PF) avisou Moraes, em 8 de abril, que tinha deixado fora do inquérito conversas que poderiam revelar as fontes do jornalista, protegidas pela Constituição. No mesmo dia, Moraes mandou a PF anexar o material em 48 horas. Em agosto, autorizou buscas contra Cutrim e o advogado Diogo Diniz Lima, também apontado como informante. O inquérito apura suposta perseguição ao ministro Flávio Dino. O blogueiro publicou reportagens sobre o uso de carros oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Dino.
A própria PF, porém, informou a Moraes que não é possível afirmar que o jornalista recebeu dinheiro para fazer reportagens contra Dino. Moraes já disse que o sigilo da fonte “nunca se confundiu” com “escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas”. A assessoria dele afirmou que o ministro já havia tratado do tema. Luís Pablo nega ter monitorado Dino e a família. A assessoria de Dino nega irregularidade no uso dos carros e diz que ele e parentes foram monitorados.
Jornal da Cidade Online