Henrique de Araújo Pereira foi uma pessoa singular. Pela beleza de seu caráter. Pelo exemplo de humildade, lealdade e, acima de tudo, de solidariedade. Sempre disposto a ajudar o seu semelhante. Foi com essas virtudes que ele construiu a família que todos nós conhecemos e que sempre acolheu a todos com o amor transbordante de quem nasceu para o bem.
Costumo dizer que temos a liberdade de escolher nossas opções, mas não controlamos as consequências de tais decisões. As opções de Henrique geraram uma bela família e uma plêiade de amigos que cativou e cultivou por onde andou, na vida profissional, a exemplo do Banco do Brasil e no seio da advocacia, na vida institucional, como na Maçonaria, no Rotary e na OAB.
Mais do que nunca recebeu a recompensa do amor de sua família nos anos de sofrimento, com sua presença permanente nessa luta desigual contra a enfermidade, nos últimos anos. Não raro consolando mais do que sendo consolado pelos que o viam sofrendo. Esforçava-se para manter um bom-humor, alimentando inclusive a esperança de lançar mais um livro, cujo material já me entregara e já se encontrava com a diagramação esboçada.
O título, bem ao estilo gozador com que permeava sua literatura, era A volta dos que não foram – e outras viagens.
Henrique fez mais uma. Esta, sem volta, dizem uns.
Foi sem sua companheira inseparável, Mariazinha, que disse em versos:
“Somos duas almas gêmeas
Que nasceram para se amar,
E, se amarão até o final
Da maneira que desejarem.”
Mas foi levado pelo Arquiteto do Universo, em quem nunca perdeu a fé.
Com certeza são inúmeros os amigos que gostariam de expressar aqui sua dor, sua saudade, a tristeza pela perda de tão extraordinário ser humano.
Resumo numa frase de Enide, minha esposa, transcrita no prefácio do último livro dele: Henrique é um homem essencialmente bom.
Dou a ele a palavra para que possamos ouvi-lo:
Agradeço ao Criador
Tudo o que me deu de bom
Os momentos de amor
Dedicados em um bom tom
Ouvindo o meu clamor
Sentindo minha gratidão …
Manter as minhas amizades
Unidas no bem fazer …”
Mariazinha já respondeu ao escrever ao lado de Henrique, na sua enfermidade:
“Agradecemos ao nosso bom Deus
Por nossa feliz união,
Tendo uma família maravilhosa
E muito amor no coração. …
Obrigada, meu amado Deus
Por tanto amor e felicidade,
E ter conhecido e amado
O meu Henrique, por toda a eternidade.”
Obrigado, Henrique, pelo amigo maravilhoso e de todas as horas que você sempre foi.
Carlos Nina
(Mensagem lida por Cláudia, Heliane e Gisele, filhas de Henrique de Araújo Pereira, na missa de 7º Dia de seu falecimento, celebrada no dia 17 de janeiro de 2022, na Igreja Bom Pastor, no Renascença, São Luís)
