No dia 28 de agosto de 1979, um comerciante de Cruzeiro D’Oeste, no Paraná, Carlos Henrique Gouveia de Mello – nome falso – conseguiu finalmente assumir sua verdadeira identidade, que havia abandonado cinco anos antes. O sujeito em questão era José Dirceu, que 20 anos depois se transformou num dos homens mais poderosos do Brasil e líder do partido mais corrupto do país: o Partido dos Trabalhadores.
28 de agosto de 1979 foi o dia em que foi sancionada a Lei da Anistia pelo regime militar, e ao lado do Zé Dirceu, na Câmara, estavam, em 1999, 20 anos depois, ao menos outros oito parlamentares punidos durante o regime militar e beneficiados pela lei. Outros anistiados, a começar por Fernando Henrique Cardoso, chegaram também ao poder e ao Executivo.
ALoysio Nunes Ferreira e José Serra viveram no exílio durante quase todo o regime militar e só voltaram ao Brasil anistiados. Serra fugiu do Brasil em 1965, exilou-se no Chile, e só retornou ao Brasil em 1977, com direitos políticos cassados, em razão de uma condenação de prisão -3 anos- recebida em 1966. José Dirceu, José Genoíno, Milton Temer, Nilmário Miranda e Waldir Pires foram alguns dos anistiados que pertenciam ao PT. Outros, como Fernando Gabeira, do PV, pertenciam a outros partidos de esquerda.
O Lula, preso em 1980, recebeu aposentadoria – R$ 12,5 mil – como anistiado desde 1993 por perder os direitos sindicais e ter sido destituído do cargo de presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de SBC. A Dilma Rousseff, ex-guerrilheira foi anistiada em 2023 e recebeu uma indenização de R$ 400 mil por abusos sofridos durante o regime militar. Notável é o fato de que todos os anistiados, inclusive Dilma – que fazia parte do grupo guerrilheiro Colina – participaram de sequestros, assassinatos, roubos a bancos e luta armada. Nada sequer parecido com o crime hediondo de pichar uma estátua, por exemplo.
A Dilma escondeu os relatórios sobre a situação de sua prisão de todas as formas, e até hoje ninguém tem acesso a eles. Mas são os donos do poder de hoje que, ontem anistiados, são os mais ferozes combatentes da anistia a patriotas inocentes, condenados num processo ilegal e rasteiro. Essa é a essência e o DNA dos covardes de esquerda: usar a realidade e falsificá-la de acordo com sua conveniência. Mesmo que isso signifique negar, hoje, o que apoiou ontem.
Artista plástico, publicitário e diretor de criação.