Mesmo depois de terem criminosamente acabado com a Emater-Ma, a punição que se impôs aos seus servidores quantos aos seus direitos trabalhistas e outras bandalheiras que não vale a pena lembrar, o que não conseguiram destruir foi a competência, o discernimento e o compromisso sério de engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas, assistentes sociais e outros profissionais que trabalhavam efetivamente para o desenvolvimento do meio rural maranhense, entre eles estavam José Reinaldo Moreira Lima e Misael Moraes Leite.
Durante os 18 anos em que trabalhei na Emater-Ma, tive muitas oportunidades de ver de perto, o que era compromisso. Nos períodos de plantio e colheita nas comunidades rurais mais distantes, técnicos da Emater-Ma, passavam até semanas dentro das comunidades, orientando e ajudando milhares de famílias, muitos dos quais chegam a ir nas segundas-feiras e retornavam no domingo. Eles não eram obrigados pela empresa, mas o compromisso e a lealdade às famílias de trabalhadores rurais os levavam a trabalhar de tal forma e não recebiam compensação financeira a mais, uma vez que os salários pagos à época eram dignos.
Registro aqui com muito pesar o passamento de dois ex-colegas, que construíram grande parte das suas vidas lado a lado e sol a sol com a simplicidade dos homens e mulheres do campo. Ao se extinguir a Emater-Ma, não se destruiu apenas uma instituição, mas a própria produção agrícola do Estado, além de punir agricultores e afetar com muita dor o coração de todos os extensionistas do Serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural do Maranhão.
José Reinaldo Moreira Lima teve a sua atuação marcante na assistência técnica, na região de Bacabal, época em que quando, o veículo não podia leva-lo a comunidade e nem os animais, ele ia a pés, o que também não foi diferente com Misael Moraes Leite, na região de Barra do Corda. Eles e muitos abnegados e abnegadas extensionistas, tinham a felicidade nos seus rostos e sorrisos, quando geralmente os resultados avaliados das suas atuações superavam a expectativa.
A última vez que o Maranhão foi destaque na produção de alimentos no Brasil foi governo Luís Rocha, quando chegou a ser o segundo produtor nacional de arroz. À época o governador fez um reconhecimento público a todos os servidores da Emater-Ma.
Muitos outros colegas já foram para o Reino da Glória e receberam agora José Reinaldo e Misael, o reconhecimento se faz todos eles. O que eu faço aqui, não é desabafo, mas um registro digno para a memória histórica da agropecuária do Maranhão, de que sem amor compromisso, competência, seriedade e respeito r transparência, não se constrói nada.
Infelizmente, os dias atuais são marcados pelas sujeiras e a deslavada corrupção, além de não se produzir nada.
