A Polícia Federal faltou com a verdade nos depoimentos de acusados do 8 de janeiro com interpretações próprias

Por que será que os depoimentos das testemunhas do processo do pseudo golpe foram proibidos de serem filmados? Quem assistiu a algum dos vídeos do depoimento do Cid, sabe o motivo. O que consta na transcrição dos depoimentos não corresponde exatamente ao que a testemunha declarou. Há trechos nesses vídeos comprovando que as falas de Cid eram interpretadas e ditadas pelo inquiridor para a escrivã. Ou seja, o documento foi redigido com as palavras e interpretações do inquiridor e não as da testemunha.

Quem já participou de um inquérito ou processo isento, sabe que o procedimento correto não é esse. Normalmente o escrivão procura reproduzir literalmente as falas de cada um e, após o documento impresso, cada participante da oitiva revisa e corrige o que não estiver de acordo com suas próprias falas. Imagine você sob pressão, sendo ameaçado de prisão, incluindo pessoas da família, se teria liberdade para corrigir o ditado pelo próprio juiz que iria julgá-lo?

Hoje, vendo as matérias dos principais veículos de comunicação, sobre o testemunho de Freire Gomes, fica clara a intenção da proibição das filmagens. A imprensa chapa branca está publicando em uníssono: – “Freire Gomes confirma que Bolsonaro fez várias reuniões sobre trama golpista.” – “Moraes perde a paciência com contradições de Freire Gomes.”

Todas essas versões sem contexto, sem descrição dos diálogos, são meras opiniões para sustentar o interesse punitivo da corte. Porém, esses trechos dos diálogos foram transcritos e lendo, o que vemos é outra coisa. O General nega a existência da famigerada “minuta do golpe”. Nunca atribuiu sua autoria à Filipe Martins ou Anderson Torres. O que ele confirma são várias reuniões para discussão de “cláusulas constitucionais”, o que nunca poderia ser considerado como tentativa de golpe, já que são cláusulas da própria Constituição.

Freire Gomes nega ter dado voz de prisão a Bolsonaro, ao contrário do divulgado por várias mídias marrons. Nega ter conhecido Filipe Martins. Ameaçado por Alexandre de Moraes de que não poderia mentir, redarguiu: “Em 50 anos de Exército nunca menti.”

Em quem acreditar, no homem que declara que o tribunal é dele, em sua PF ou no General que foi proibido de ter sua fala gravada e divulgada ao público?

Cabe a cada um formar sua própria opinião.

Pedro Possas. Médico.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *