Alexandre de Moraes é quem deveria estar sendo julgado por abuso de poder e erros jurídicos, diz jornalista

Na análise do jornalista Cláudio Dantas, é o ministro Alexandre de Moraes quem deveria estar sentado no banco dos réus. Além da despudorada prática de abuso de poder e a abundância de erros jurídicos, vem agora à tona o testemunho de um dos operadores da ‘farsa’, o ex-assessor de Moraes, Eduardo Tagliaferro.

O jornalista, em artigo originalmente publicado em seu site, faz uma breve descrição desses absurdos. Confira:

“O julgamento de Jair Bolsonaro não é sobre Jair Bolsonaro, mas sobre a Justiça brasileira. É ela quem está sendo julgada pelas mãos de juízes sem imparcialidade ou pudor. É a reiterada e despudorada prática do abuso de poder que torna esse julgamento histórico, sob a cobertura enviesada da mídia comercial e o silêncio cúmplice dos operadores do direito.

Não vou me repetir sobre a ausência de provas, a abundância de erros jurídicos e a absoluta falta de lógica que comprometem do início ao fim a ação penal sobre a trama golpista. Chamo a atenção para o depoimento de Eduardo Tagliaferro, que, paralelamente ao julgamento do STF, exibiu ao Senado documentos que implicam Alexandre de Moraes em fraude processual das mais grossas.

Segundo o ex-assessor, a operação de busca e apreensão autorizada por Moraes contra empresários bolsonaristas foi uma verdadeira armação.

Primeiro, conversas consideradas ‘antidemocráticas’ foram vazadas de um grupo privado de WhatsApp e publicadas pelo site Metrópoles. Na sequência, o ministro mandou a Polícia Federal invadir a casa desses empresários e recolher celulares, computadores e mídias. Depois, esse material — fruto de ‘pesca probatória’ — foi usado para forjar de forma retroativa a fundamentação para a busca e apreensão.

O ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, do TSE, afirmou que a publicação ocorreu no dia 17 de agosto de 2022. Mesmo sem confirmar a veracidade da reportagem, o ministro deflagrou a operação no dia 23. O embasamento, porém, só veio no dia 27, cinco dias depois.

Tagliaferro, além de mostrar os documentos (planilhas, e-mails e documentos) afirmou ter recebido o pedido de um assessor de Moraes para construir um “ambiente, uma história” com data retroativa para justificar a busca e apreensão. O ex-assessor disse que escondeu seu notebook com as provas e chegou a dormir no carro com medo de uma operação contra ele.

Em outro momento do depoimento aos senadores, Tagliaferro relatou outros pedidos, inclusive por parte de Paulo Gonet, o PGR, como os de “pacotinhos de 100 e 200 pessoas” para serem condenadas. Tudo era, segundo ele, alinhado previamente com o próprio ministro, num conluio semelhante ao que levou à anulação da Lava Jato.

Essas denúncias se somam à perseguição política, com fichamento ideológico e ações clandestinas de inteligência que desafiam, não só a moralidade pública e a imparcialidade judicial, mas a própria base da República. É surreal e inevitável chegar à conclusão de que, não é Bolsonaro quem deveria estar sob julgamento, mas o próprio juiz Alexandre de Moraes; que já não tem condições para permanecer como ministro e muito menos como julgador desta fastidiosa ação penal.”

Jornal da Cidade Online

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