Onde as mulheres estão seguras?

                                                                                                                                                         *Luciana Cavallari

Em casa? Na rua? No trabalho? Nos hospitais? No presídio? Nicolly tinha 22 anos e um filho de 4. Teve a coragem de terminar um relacionamento que a machucava, mesmo com o ex-companheiro preso. Foi visitá-lo numa visita íntima, supervisionada, dentro de um prédio cheio de agentes penitenciários. Ainda assim, ninguém percebeu nada: o crime só foi notado na contagem de visitantes, ao final do horário. Ela morreu de traumatismo craniano. Se isso aconteceu dentro de uma cadeia, vigiada, com câmeras e agentes por todo lado, resta imaginar o que acontece em silêncio, todos os dias, dentro de casas onde não há ninguém olhando. A pergunta nasceu de uma manhã como tantas outras: ligar a TV, abrir o jornal, e se deparar com três notícias na mesma pauta: dois feminicídios e um estupro cometido dentro de uma delegacia. Um dos casos vitimou uma mulher que trabalhava como guarda municipal. O outro teve como autor um agente penitenciário. Homens investidos de farda, de autoridade, supostamente guardiões da lei, foram o risco, não a proteção. E os números mais recentes mostram que esse não é um susto isolado, é um padrão que está se acentuando.

O dado que devia estar em toda primeira página

O Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, trouxe uma informação que passou quase despercebida, mas que resume o problema com uma precisão brutal: entre 2014 e 2024, a taxa de homicídios de mulheres cometidos fora do ambiente doméstico caiu de 3,47 para 2,17 por 100 mil. A violência “de rua” contra mulheres recuou.

Só que, no mesmo período, o índice de mulheres assassinadas dentro de casa se manteve praticamente estável, variando de 1,25 para 1,18 por grupo de 100 mil, uma queda tão pequena que os próprios pesquisadores tratam como estagnação. Enquanto a violência de fora diminuía, a de dentro de casa não se moveu.

O resultado é matemático e devastador: o feminicídio, que já foi uma fração do problema, passou a puxar a taxa de mortes femininas no Brasil. Não porque o assassinato de mulheres tenha caído de forma geral, mas porque o único tipo que não cede terreno é justamente aquele cometido por quem deveria amar, cometido dentro do lugar que a sociedade insiste em chamar de “seguro”.

Os números absolutos confirmam a tendência: o Brasil teve, em 2025, o maior número de feminicídios da década, 1.568 mulheres mortas por sua condição de gênero, um crescimento de 4,7% sobre 2024. Em 2026, o primeiro trimestre já é o mais letal da história para mulheres, com 399 vítimas, 7,5% a mais que no mesmo período do ano anterior.

Nenhuma idade livra, nenhum lugar protege

Bebês recém-nascidas. Crianças de colo. Adolescentes. Mulheres adultas. Idosas. A violência de gênero não pergunta a idade de quem vai atingir. E, cada vez mais, os dados mostram que ela também não pergunta o endereço: não é só a rua escura, é o quarto ao lado; não é só o desconhecido, é o marido, o pai, o filho, o neto; não é só a esquina mal iluminada, é a academia, a balada, o trabalho, o parque, o hospital, a própria delegacia. Terminar um relacionamento não pode ser sentença de morte. Envelhecer não pode ser sinônimo de vulnerabilidade sem rede de proteção. Nascer mulher não pode ser, por si só, um fator de risco.

Não existe uma idade que livre alguém disso, e é exatamente por isso que essa não pode ser uma luta de algumas. Enquanto tratarmos a violência contra a mulher como um problema “das mulheres”, que cabe a elas se proteger, se cuidar, se prevenir, continuaremos girando em falso. Isso é um problema de todos: de homens que precisam romper o silêncio diante de outros homens, de famílias que precisam enxergar os sinais antes da tragédia, de instituições que precisam parar de falhar, de uma sociedade inteira que precisa entender que proteger uma mulher, de qualquer idade, em qualquer lugar, não é favor, é responsabilidade coletiva. Ninguém se salva sozinho dessa estatística, e ninguém vai resolvê-la sozinho também.

O paradoxo brasileiro

Pesquisa Datafolha/MM360 de 2026 mostra que 61% dos brasileiros já consideram a violência contra a mulher o crime mais grave do país. É um reconhecimento social quase unânime. E, ainda assim, o Brasil segue batendo recordes de feminicídio ano após ano, uma mulher morta a cada seis horas, em média. O que isso revela é que o problema não é mais de consciência coletiva. É de estrutura. É de política pública que não acompanha o discurso. É de instituições, como aquela delegacia onde uma mulher foi estuprada, como aquele presídio onde Nicolly foi assassinada sob vigilância, que deveriam ser o último refúgio e se tornam, elas mesmas, cenário do crime.

A pergunta que não é retórica

Então fica a pergunta, de novo, sem resposta fácil: onde uma mulher está segura, se o único tipo de violência que não recua é justamente o que acontece dentro de casa? A resposta desconfortável é que a segurança de uma mulher, no Brasil de 2026, ainda depende, em boa   de segurança pública e a violência doméstica permanece intocada, continuaremos vendo esse mesmo gráfico se repetir todo ano: uma linha caindo, outra linha teimando em não sair do lugar. E cada ponto dessa linha parada é uma mulher. Não existe idade segura. Não existe lugar seguro. Existe um padrão que a gente insiste em não enxergar, e que os próprios números, agora, não deixam mais negar. Esse combate não se vence sozinha, nem sozinho, nem em silêncio. É um chamado a todos, porque enquanto for tratado como assunto de mulher, vai continuar sendo tratado como assunto menor.

☎ 180, Central de Atendimento à Mulher. Gratuito, sigiloso, 24 horas. Denuncie. Não espere o “depois”.

*Luciana Cavallari é secretária de Políticas Públicas para as Mulheres de Itatiaia/RJ desde 2019. Idealizadora do @grupososmulheres, do projeto “Placas Conscientizadoras”, do projeto “Despertar por elas” (Penitência Luis Fernandes Bandeira Duarte).

 

Saiba quais são as 15 montadoras mais valiosas do mundo

Ranking da Fortune Global 500 aponta as maiores marcas do mundo, selecionamos os grupos automotivos mais bem posicionados. A publicação estadunidense Fortune acaba de divulgar o ranking oficial das 500 maiores empresas de todo o mundo. Criada por Edgar P. Smith em 1955, a lista é definida pelo valor da receita (faturamento bruto) de cada companhia no último ano fiscal – no caso, 2025 – e não pelo valor de mercado na bolsa de valores. A lista conta com empresas de todos os setores da economia, tanto de capital aberto quanto privados e de todo o mundo. Se neste ano o grande destaque é a troca na posição mais alta do ranking (a Amazon “tomou” a primeira posição do Walmart após 14 anos seguidos do gigante do varejo em primeiro lugar), para a gente, o que interessa mesmo são as montadoras melhor posicionadas. Fomos verificar na lista e selecionamos as 15 maiores marcas automotivas de todo o mundo em 2025, divulgada agora pela Fortune.

De acordo com a revista, as empresas presentes no Top500 geraram, juntas, US$ 43,1 trilhões (R$ 221,35 trilhões) em receita em 2025, um aumento de 3,2% em relação ao ano anterior. Juntas, elas empregam 70,2 milhões de pessoas em todo o mundo e suas receitas representam mais de um terço do PIB mundial. A lista Global 500 obteve um lucro de US$ 3,39 trilhões (R$ 17,41 trilhões) em seu ano mais lucrativo de todos os tempos. Já as 15 primeiras montadoras da lista têm, juntas, um valor de mercado superior aos US$ 2,4 trilhões (R$ 12,34 trilhões). Na relação de empregos, elas geram 3,3 milhões de postos de trabalho em todo o mundo.

Um ponto curioso e não tão bom é que quase todas as marcas automotivas caíram em relação à lista anterior. Os destaques negativos ficam pela Nissan, que caiu 18 posições e pela Tesla (11). De positivo, a Saic Motor subiu 13 e a Honda apenas quatro. A BYD foi a única que se manteve estável, não caiu nem subiu.

Confira o Top15 de montadoras mais valiosas do mundo:

Diário do Poder

 

Trump prorroga estado de emergência contra o Brasil e cita perseguição a Bolsonaro

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, renovou por mais um ano o estado de emergência nacional relacionado ao Brasil e voltou a associar a medida ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A nova ordem executiva foi assinada nesta terça-feira (28) e será publicada na quarta-feira (29) no Federal Register, equivalente ao Diário Oficial norte-americano. A renovação não estabelece novas sanções econômicas nem amplia as tarifas atualmente aplicadas às exportações brasileiras. O ato apenas mantém em vigor a emergência nacional decretada em julho de 2025, conforme prevê a legislação dos Estados Unidos, que exige a reavaliação periódica desse tipo de medida. Na justificativa apresentada pela Casa Branca, o documento afirma que integrantes do governo brasileiro estariam promovendo uma perseguição política contra um ex-presidente, seus familiares e apoiadores. 

Embora o texto não mencione Jair Bolsonaro nominalmente nesse trecho, a referência é ao ex-chefe do Executivo brasileiro. Segundo o governo norte-americano, essa situação contribuiria para “o enfraquecimento deliberado do Estado de Direito”, além de favorecer a intimidação por motivação política e violações de direitos humanos no Brasil. A ordem executiva também renova as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, a Corte é acusada de promover “censura e a prisão de pessoas que exercem a liberdade de expressão”, argumento utilizado por Washington para sustentar a manutenção da emergência nacional. O comunicado será encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos juntamente com sua publicação oficial. Apesar da continuidade da medida, o governo norte-americano não anunciou novas restrições comerciais nem alterações nas tarifas atualmente em vigor.

Nos últimos meses, parte das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano passou a ser tributada em 37,5% após duas investigações conduzidas pelo governo dos Estados Unidos. A nova decisão, entretanto, não modifica esse cenário. Quando decretou o estado de emergência nacional contra o Brasil, em julho de 2025, Donald Trump alegou que determinadas ações do governo brasileiro representavam uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos. Na ocasião, a Casa Branca também sustentou que Jair Bolsonaro estaria sendo alvo de perseguição política. Desde então, Trump tem reiterado manifestações públicas em defesa do ex-presidente brasileiro. Atualmente, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão por participação na trama golpista relacionada aos ataques contra o resultado das eleições de 2022.

Jornal da Cidade Online

 

São 03 as frutas podres do STF, aponta Romeu Zema

A candidatura do ex-governador Romeu Zema foi lançada e o seu principal alvo na campanha parece que está definido, o Supremo Tribunal Federal (STF), conforme ele já havia deixado evidenciado na pré-campanha com o lançamento da série denominada “Os Intocáveis”. Para Zema, existem “três frutas podres” no STF que precisam ser substituídas. Em entrevista ao site Metrópoles ele foi questionado sobre quem serias esses ministros, as “três frutas podres”. Sem citar diretamente os nomes, Zema não fugiu da resposta e deixou bem claro a quem se refere:

“É o ministro cuja esposa fez um contrato de 129 milhões; um outro ministro que fez uma transação do Tayayá, de 35; e um outro ministro que recebeu apoio para seus congressos jurídicos. Aí, todos andaram no jatinho do banqueiro bandido, todos enriquecendo por causa do banqueiro bandido. O brasileiro está com isso na garganta”.

Jornal da Cidade Online

 

Romeu Zema propõe construir super presídio para líderes de facções ‘mofarem’

Candidato à Presidência da República promete adotar política semelhante à dos EUA contra facções criminosas. Oficializado, nesta segunda-feira (27), candidato à Presidência da República, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) apresentou diretrizes para a segurança pública e defendeu o endurecimento das penas e das condições de isolamento para lideranças do crime organizado. A principal proposta do político envolve a construção de um presídio de segurança máxima em uma região remota da floresta amazônica. O objetivo é confinar os chefes de facções criminosas em isolamento.

“Vamos construir um super presídio de referência num lugar remoto no meio da Amazônia, para onde todos esses líderes vão ser encaminhados e vão mofar por pelo menos 25 anos”, declarou Zema durante o discurso.

O candidato também afirmou que pretende classificar as facções criminosas como organizações terroristas, medida que, segundo ele, seguiria o modelo adotado pelos Estados Unidos.

“Vou enquadrar todas as organizações e facções criminosas como terroristas”. 

Ao defender a proposta, o candidato criticou o fato do Brasil ainda não ter adotado essa classificação:

“Eu quero que o Brasil retome a soberania que nós estamos perdendo. Tem gente falando aí que está perdendo a soberania porque os Estados Unidos enquadraram as organizações, facções criminosas como terroristas. O Brasil é que já deveria ter feito isso há muito tempo”, ponderou.

Diário do Poder

 

Falcatrua Eleitoral: Estatal do governo Lula usou milhões em convênio para pagar militantes do PT

Um convênio de R$ 35 milhões firmado entre a estatal Portos Rio e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) passou a ser alvo de questionamentos após um levantamento identificar que centenas de bolsistas beneficiados pelo acordo possuem vínculos com a classe política. A investigação, divulgada pelo UOL, aponta que 305 dos 544 bolsistas analisados tinham ligação com partidos, campanhas eleitorais, mandatos ou administrações públicas. O acordo foi celebrado sem licitação e prevê o desenvolvimento de estudos técnicos e científicos voltados à área portuária, além de ações de capacitação e integração entre os portos administrados pela Portos Rio e as comunidades do entorno. A primeira parcela do convênio resultou no pagamento de R$ 5,6 milhões entre janeiro e março deste ano.

Segundo a reportagem, mais da metade dos beneficiários identificados possui atuação política ou relação com agentes públicos. O grupo reúne candidatos nas últimas eleições, suplentes de vereador, dirigentes partidários, ex-servidores municipais, cabos eleitorais, familiares de políticos, advogados e pessoas que prestaram serviços. Documentos da auditoria interna da Portos Rio, obtidos pelo UOL, registraram questionamentos sobre a celebração do convênio. O parecer destaca que o contrato foi firmado em cerca de 75 dias e afirma que não havia previsão orçamentária específica para sua execução, sendo utilizados recursos próprios da companhia.

O relatório também observou que não foram apresentados estudos prévios demonstrando que o convênio seria a alternativa mais vantajosa em comparação com uma contratação convencional de empresas especializadas para executar os serviços previstos. Em abril, o Conselho de Administração da Portos Rio decidiu suspender temporariamente o convênio após analisar o parecer da auditoria. A segunda parcela dos recursos, no entanto, voltou a ser autorizada em junho, após manifestações favoráveis das áreas jurídica e técnica da estatal.

Jornal da Cidade Online

 

Lula gastou R$ 1 bilhão em propaganda em 17 anos. A Globo levou R$ 267 milhões

Dados da Secom mostram que despesas com propaganda institucional no atual mandato se aproximam de R$1 bilhão, maior valor desde 2009. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou o maior volume de gastos com publicidade institucional desde 2009, segundo dados da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). Os valores destinados à divulgação de ações do Executivo cresceram ao longo do atual mandato e alcançaram patamares superiores aos registrados em anos anteriores. Desde janeiro de 2023, quando Lula iniciou seu terceiro mandato, a administração federal já destinou R$954,5 milhões para campanhas publicitárias coordenadas pela Secom.

O levantamento considera apenas despesas ligadas à Presidência da República e não inclui investimentos realizados por ministérios, empresas estatais e sociedades de economia mista. A evolução dos gastos mostra aumento progressivo ao longo do período.

Em 2023, primeiro ano da atual gestão, foram aplicados R$175,9 milhões em publicidade institucional.

Em 2024, o valor subiu para R$234,9 milhões.

Já em 2025, a cifra chegou a R$365,7 milhões, o maior resultado anual até então.

Em 2026, considerando os dados disponíveis até 15 de junho, foram gastos R$178 milhões. 

O montante registrado em 2026 representa uma parcela significativa de todo o investimento realizado pelo governo federal em propaganda institucional durante o terceiro mandato de Lula.

De acordo com os dados divulgados, somente nos primeiros meses do ano, a administração federal utilizou cerca de um quinto de todo o recurso aplicado em publicidade desde 2023. 

Entre os principais destinos da verba publicitária está o Grupo Globo, que recebeu R$267 milhões em contratos de publicidade da Secom entre janeiro de 2023 e junho de 2026. O valor corresponde a 25,6% do total investido pelo Palácio do Planalto em campanhas no período analisado. 

Além da mídia tradicional, o governo também ampliou os investimentos em publicidade digital. Em 2025, os gastos com anúncios na internet chegaram a R$129,6 milhões, o maior valor registrado desde o início da divulgação desses dados, segundo informações da Secom. Os números sobre publicidade passaram a ser alvo de questionamentos políticos.

O Partido Liberal (PL) apresentou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relacionada aos gastos com propaganda institucional em ano eleitoral, solicitando informações e medidas sobre as despesas realizadas pelo governo federal. Os dados divulgados pela Secom consideram apenas a publicidade administrada diretamente pela Presidência da República. Despesas feitas por outras estruturas do governo federal, como ministérios e estatais, seguem critérios próprios de divulgação e não estão incluídas nesse levantamento específico.

Diário do Poder

Governo argentino dobra a aposta contra Lula e Alexandre de Moraes

O governo da Argentina não pretende apresentar um pedido formal de desculpas ao Brasil pelas declarações feitas pelo presidente Javier Milei durante um evento do Partido Liberal (PL), realizado em São Paulo, no último sábado (25). A decisão foi informada por integrantes da Casa Rosada e ocorre em meio ao aumento da tensão diplomática entre os dois países. Durante seu discurso, Milei fez críticas ao petista Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O presidente argentino chamou Moraes de “lixo careca” e se referiu a Lula como “ladrão” e “presidiário”, declarações que provocaram reações tanto no Brasil quanto na Argentina.

Segundo informações publicadas pelo jornal argentino La Nación, uma fonte próxima ao governo afirmou que não existe previsão de qualquer retratação oficial. De acordo com o interlocutor, o Palácio do Governo considera encerrado o assunto e não pretende adotar medidas para responder às manifestações do governo brasileiro. Outro integrante da administração argentina afirmou ao jornal que a estratégia neste momento é evitar novos pronunciamentos públicos sobre o episódio.

“Talvez não dizer mais nada seja uma forma de desescalar a situação”, declarou a fonte, indicando que o silêncio pode ser utilizado para reduzir o desgaste diplomático.

Em resposta às declarações de Milei, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou o embaixador brasileiro na Argentina, Júlio Bitelli, para consultas em Brasília. Na diplomacia, esse procedimento é considerado um gesto de insatisfação e costuma ser adotado quando um país deseja reavaliar ou discutir os rumos da relação bilateral. Bitelli deverá se reunir com o chanceler Mauro Vieira para avaliar os desdobramentos da crise diplomática e discutir as próximas medidas que poderão ser adotadas pelo governo brasileiro. A visita de Javier Milei ao Brasil teve como principal objetivo participar da convenção nacional do PL, ocasião em que declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. No entanto, as críticas dirigidas às autoridades brasileiras acabaram repercutindo mais do que sua participação no evento.

As declarações também geraram manifestações de repúdio de diferentes autoridades. No Brasil, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e o presidente nacional do PT, Edinho Silva, criticaram o discurso do presidente argentino. Já na Argentina, o governador da Província de Buenos Aires, Axel Kicillof, principal adversário político de Milei, afirmou ter sentido “vergonha alheia” diante das declarações. Mesmo após a reação do governo brasileiro, Javier Milei voltou a fazer críticas ao Brasil no domingo (26). Em entrevista à Rádio Mitre, o presidente argentino afirmou que Brasil, México e integrantes do Partido Democrata dos Estados Unidos teriam financiado uma suposta “campanha anti-Argentina”, atribuindo ao governo brasileiro a maior participação nesse apoio, o que contribuiu para manter o clima de tensão entre os dois países.

Jornal da Cidade On

O império dos irmãos Batista da JBS: O dinheiro público e o povo sempre pagando as suas contas

*Por Jayme Rizolli

Poucas trajetórias empresariais no Brasil simbolizam tão bem a proximidade entre grandes negócios privados e o poder público quanto a história dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O grupo que nasceu no setor frigorífico transformou-se em um conglomerado presente nos alimentos, na celulose, na mineração, nos bancos, nos meios de pagamento, nos cosméticos, no petróleo, no gás e na energia elétrica. Agora, os irmãos Batista voltam seus olhos para um dos maiores símbolos da economia brasileira: a Vale. Segundo informações publicadas pela imprensa, o plano inicial envolvia entregar à mineradora parte de suas minas de ferro em Corumbá, recebendo em troca ações da companhia. Depois, os empresários poderiam aportar mais recursos para tentar ocupar uma posição entre os acionistas de referência da Vale.

A operação envolvendo as minas não avançou. A própria Vale informou que avaliou e descartou o investimento. Mas a ambição revelada pelo episódio permanece impressionante. Os Batista, que já controlam um dos maiores grupos de alimentos do planeta, não escondem o desejo de ampliar sua presença justamente nos setores mais estratégicos da economia nacional.Não estamos falando apenas de carne bovina ou de frigoríficos. Estamos falando de mineração, energia, gás, petróleo, sistema financeiro e infraestrutura. A J&F controla ou mantém participação em empresas como JBS, Eldorado Brasil, Âmbar Energia, LHG Mining, Fluxus, Flora, PicPay e Banco Original. Nos Estados Unidos, seu alcance passa por operações como JBS USA, Pilgrim’s Pride e Swift Prepared Foods.

Na Venezuela, ainda não há ativo confirmado pertencente ao grupo. Entretanto, a Fluxus já avalia oportunidades no setor de petróleo e gás, enquanto Joesley Batista circula com desenvoltura entre autoridades de Caracas e Washington. Poucos empresários brasileiros possuem hoje tamanho acesso político e diplomático. E não fosse o sucesso político por certo não chegariam até onde chegaram. Até hoje não sabemos que fim levaram os BILIONÁRIOS investimentos do BNDES. Possivelmente o povo está pagando até hoje. Mas esse império não pode ser contado sem mencionar o papel do Estado brasileiro em sua expansão.

Durante os governos Lula e Dilma, a JBS tornou-se uma das principais vitrines da política dos chamados “campeões nacionais”. O BNDES e sua área de participações investiram bilhões de reais na companhia, oferecendo o capital necessário para uma agressiva sequência de aquisições dentro e fora do Brasil. A justificativa era criar uma multinacional brasileira capaz de competir no mercado internacional. E, de fato, nasceu uma gigante. A pergunta que nunca foi suficientemente respondida é outra: Quem assumiu os riscos enquanto o patrimônio privado crescia? Quando tudo funciona, os lucros pertencem aos acionistas. Quando a operação ameaça produzir prejuízos sistêmicos, a conta frequentemente encontra um caminho até o bolso do contribuinte ou do consumidor.

É justamente isso que volta a preocupar no setor elétrico. A Âmbar Energia, pertencente ao grupo J&F, avançou para assumir a Amazonas Energia, distribuidora historicamente deficitária, endividada e dependente de condições regulatórias especiais. O negócio foi acompanhado de flexibilizações, subsídios e mecanismos destinados a garantir a continuidade do fornecimento de energia. O problema é que esses mecanismos não são financiados por uma árvore de dinheiro plantada em Brasília. São pagos por encargos cobrados nas contas de luz e distribuídos entre os consumidores brasileiros. Na prática, uma empresa privada pode assumir um ativo problemático com parte relevante dos riscos amortecida pelo sistema elétrico nacional. O empresário fica com a possibilidade de recuperação e valorização do negócio.

*Por Jayme Rizolli

Levantamento do Diário do Poder mostra que 81,9% das decisões do STF são monocráticas

Números do próprio Supremo Tribunal Federal (STF), analisados pela coluna, mostram que a maior parte das decisões do STF é, com larga folga, tomada por apenas um dos ministros: 81,9%. Apenas 18,1% do que é decidido no Supremo é de forma colegiada, ou seja, proferido por pelo menos três ministros. Os números podem mudar, já que são do início do ano e foram atualizados até sexta-feira (24). Ao todo, a Suprema Corte já proferiu 65.613 decisões neste período.

Quem está na cadeira

O “ministro presidente”, que é quem está na presidência no momento da decisão, é quem tem o maior número: 25.912 do total.

Caneta nervosa

Relator de processos quase que infindáveis, como o das “fake news”, Alexandre de Moraes é o ministro que mais deu canetadas: 6.247 vezes.

Teje dito

Ex-ministro de Lula e indicado à cadeira suprema pelo petista, Flávio Dino vem logo atrás de Moraes. São 4.786 decisões.

Traz o ranking

Fica assim: 1) decisões monocráticas (53.719); 2) 2ªTurma (4.416). 3) 1ª Turma (3.957); 4) Tribunal Pleno (3.487); e 5) Plenário Virtual (34).

Diário do Poder