O agente penitenciário e bibliotecário César Castro Lopes, mais conhecido como César Bombeiro, proferiu palestras seguidas de amplos debates para universitários do Ceuma do Anil e Renascença, sobre a problemática das drogas no Sistema Penitenciário do Maranhão. Como estudante do curso de direito e de ciências imobiliárias, além de ter curso na área de gestão prisional, recentemente concluiu com méritos na Universidade Estadual do Maranhão,pós-graduação em Direitos Humanos e Mediação de Conflitos. É um dos lideres da categoria dos agentes penitenciários e atualmente é vice-presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Penitenciário, o que permite estar sempre no centro das discussões dos interesses da categoria e da defesa dos direitos e da dignidade da população carcerária do Maranhão. A governadora Roseana Sarney e o ex-secretário Sebastião Uchôa, com acusações que não conseguiram sustentar tentaram responsabilizar César Bombeiro e agentes penitenciários pelas barbáries registrados no Sistema Penitenciário, mas o que acabou ficando como motivo principal, foi a corrupção deslavada com negociatas de contratos milionários para terceirização de serviços, convênios espúrios e tantos outros interesses, que arrombaram os cofres públicos em milhões de reais e desmantelaram totalmente as seguranças internas e externas. A dimensão se tornou arrasadora, quando foram retirados os agentes penitenciários de dentro das unidades prisionais, para aumentar ainda mais os contratos e o número de monitores e seguranças armadas totalmente despreparados, dando origem aos mais lamentáveis fatos que feriram a dignidade dos maranhenses. Os fatos acima fizeram parte dos inúmeros questionamentos feitos por universitários ao líder classista nas palestras realizadas no Ceuma do Anil e do Renascença.
O foco principal das palestras foi sobre as drogas dentro do Sistema Penitenciário do Maranhão. César Bombeiro disse que as drogas entram nas unidades prisionais pelas facilidades nas revistas das visitas, mas com a conivência do pessoal terceirizado e dos servidores públicos, assim como são conduzidas pelos próprios facilitadores, diante de uma corrupção que tomou proporções graves, quando irresponsavelmente a gestão do Sistema Penitenciário colocou pessoal terceirizado na direção de unidades prisionais e fez pressões politicas junto à então governadora Roseana Sarney para retirar a Policia Militar das revistas internas e a Força Nacional passou a se fazer presente ao Complexo de Pedrinhas, quando chamada, permanecendo sempre em sua base no estádio Castelão. O dirigente sindical registrou, que quando existe uma aparência de calma dentro dos presídios é em razão de que está havendo privilegios com bebidas e drogas, a maioria não é trancada nas celas e saídas clandestinas são negociadas, o que foi uma das marcas do governo passado, até quando três perigosos assaltantes de bancos fugiram pela porta da frente da Casa de Detenção.
O nosso sindicato sempre apelou para que houvesse um tratamento digno aos presos, principalmente os dependentes químicos, que com abstinência ficam loucos e são capazes de cometer qualquer crime, mas infelizmente não existe nenhum programa técnico, limitando-se às palestras de religiosos. Afirmo com plena e absoluta certeza, que a maioria dos problemas registrados dentro dos presídios foi decorrente do excesso de drogas como a maconha e bebidas alcoólicas, juntando-se as armas de fogo que entram e as que são construídas artesanalmente com a omissão da segurança interna.
Com o novo governo conseguimos abrir importantes canais de diálogo para debates sobre os problemas inerentes aos servidores públicos, a administração das unidades prisionais e a necessidade de tratamentos dignos para presos. Não se pode mais admitir que um preso primário seja transformado em doutor e a maioria em monstros, que quando retornam para o convívio social venham mais cruéis. A realidade é que a população carcerária precisa merecer uma maior atenção dos gestores do sistema, do governo, da justiça, do ministério público, inclusive com a capacitação profissional, não a que inventavam para a mídia, mas uma autêntica com ressocialização efetiva para a humanização das pessoas assegurou César Bombeiro, lembrando também que eles não são diferentes, afinal de contas são seres humanos iguais a todos nós.
A professora Sebastiana Barbosa Paz, avaliou como importante a palestra de César Bombeiro, que inclusive respondeu todas as perguntas que lhes foram feitas e proporcionou um sentimento aos universitários de que cada um pode se transformar um voluntário e formação de um grupo para colaborar com as autoridades na recuperaçãode homens e mulheres que apesar de estarem à margem da sociedade, ainda podem ser úteis para a sociedade, concluiu.
