Como fazer prevenção ao Covid – 19, sem água, sabão, álcool gel, fome e extrema pobreza?

O isolamento social como a maior prevenção ao Covid – 19, está sendo bem assimilado pela população, mas infelizmente tem muita gente que não pode se inserir dentro do contexto pelas próprias dificuldades que enfrentam para subsistir no dia a dia.

Aqui em São Luís, há uma movimentação do poder público para dar assistência aos moradores de ruas, mas também há necessidade de se olhar para as famílias que vivem condições subumanas nas áreas de risco atingidas pelas enchentes, em que também estão as que foram transferidas para casas de parentes. São situações sérias, em que é impossível isolamento de qualquer ordem, além de que as pessoas precisam sair em busca do pão de cada dia.

Em nossa capital existem dezenas de comunidades que não contam com abastecimento de água e o produto é adquirido em locais de aglomeração, além de que não terão disponibilidade para lavar as mãos, de acordo com as orientações médicas. Isso sem falarmos em sabão e álcool gel. Se a situação em São Luís é séria em que milhares de pessoas estão expostas ao vírus por falta de uma política de emergência, avaliemos as famílias do interior do estado.

De acordo com o IBGE, o Maranhão tem 54,1% da sua população na extrema pobreza que vivem com R$ 406,00, com uma importante observação de que 3% do total passam fome, não têm qualquer tipo de renda. Outro fator assustador para o momento em que vivemos a prevenção ao Covid – 19, um pouco mais de 29% dos maranhenses não têm acesso ao abastecimento de água.

Dentro da campanha de prevenção ao Coronavírus, que chega a apavorar as pessoas e criar neuroses em outras, não se sabe o tem sido feito ou pretendido no Maranhão ao enfrentamento a doença nos 217 municípios.  A realidade é que a maioria da população é formada de pessoas que passam fome, vivem em plena miséria e integram os indicadores da extrema pobreza de acordo com o  IBGE.

O sério e grave problema está envolto em mistério, uma vez que o governo não fala e a classe politica também faz o silêncio obsequioso. O Covit-19 é letal e os riscos a que estão expostos os maranhenses precisa ser encarado com a devida e necessária responsabilidade. A massificação para o isolamento social é necessária, mas a maioria das famílias que não podem nem se aventurar a um isolamento, uma vez que as suas casas têm espaços bem restritos apenas para dormir num verdadeiro imprensado.

A distribuição de cestas básicas que seriam de 200 mil como doação da Assembleia Legislativa do Estado e participação do governo, que deu origem a uma enorme confusão no Reviver, precisa ser bastante melhorada, tendo-se como referência às duas mil que foram distribuídas para as pessoas da informalidade. Pelo que observei, uma cestinha daquelas para uma família de 04 pessoas não dura uma semana. Se realmente o governo pretende exercer a sua responsabilidade quanto às famílias que vivem na extrema pobreza que é mais da metade da população do Estado, precisa se mobilizar e comprar alguns milhões de cestas básicas, que neste momento o clientelismo se torna aceitável, mas sem qualquer desvio de finalidade para a exploração politica.

Apesar de inúmeras mobilizações que vêm sendo feitas no interior do Estado por entidades e por prefeituras, elas nunca chegarão à maioria dos pobres miseráveis que passam fome e sem as mínimas condições de defesa à pandemia do Covid-19.

 

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