Antônio Glautter, acrescentou que o déficit estrutural no sistema prisional favorece recrutamento e “profissionalização” do crime organizado.
O diretor de Inteligência Penal da Senappen, Antônio Glautter de Azevedo Morais, afirmou à CPI do Crime Organizado, nesta quarta-feira (19), que o sistema penitenciário opera em condições que favorecem o avanço das facções criminosas. Segundo ele, a superlotação e a falta de infraestrutura transformaram os presídios em espaços de recrutamento e “profissionalização” de pequenos infratores. Glautter informou que o país possui cerca de 500 mil vagas, mas abriga 702 mil detentos — sem contar monitorados por tornozeleira.
Incluindo-os, o total de pessoas sob custódia chega a 942 mil. Para eliminar o déficit de 200 mil vagas, seriam necessários R$ 14 bilhões apenas em construção de novas unidades, sem considerar custos permanentes de operação. Questionado pelo relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB), sobre medidas de gestão e inteligência, como a separação de presos faccionados e o orçamento necessário para manter o sistema funcionando, o diretor disse não ter os dados disponíveis. Vieira criticou a falta de informações e afirmou que ela compromete o planejamento estatal contra o crime organizado.
Diário do Poder