Estive na Feira do Livro, na segunda-feira (07), pela manhã, quando testemunhei um verdadeiro desespero e indignação de livreiros procurando organizar os estandes destinados para o reduzido número de expositores, o que me proporcionou a fazer criticas sobre a desmotivação da Secretaria Municipal de Educação para um importante evento que faz parte do calendário de ações da Prefeitura de São Luís. Naquele mesmo dia obtive informações de que a 10ª Feira do Livro estava descartada e a decisão de realiza-la foi decorrente da pressão de escritores e poetas maranhenses. Como a decisão final de realizar a Feira do Livro foi na sexta-feira, a inauguração passou do domingo para a segunda-feira e realmente aconteceu pela decisão firme dos livreiros e escritores e poetas locais que se constituíram em abnegados.
Ontem retornei a Feira do Livro com o compromisso de visitar o estande dos autores maranhenses, atendendo o convite honroso do escritor Antonio Guimarães. Lá encontrei o jornalista e escritor Herbert de Jesus Santos, amigo de longas datas, desde o Jornal Pequeno. Os dois estavam indignados e até revoltados pela falta de atenção e respeito da Prefeitura de São Luís com uma evento de muita importância para a educação e cultura, que simplesmente não mereceu uma divulgação mais acentuada como motivação para a população.
Os dois escritores disseram que o funcionamento da feira em tempo reduzido das 13 às 20 horas, eliminou de saída a presença dos leitores infantis das escolas públicas e particulares, que funcionam pela manhã e foram poucas para não dizer raras as que tiveram o privilégio de apreciar as ofertas de obras infantis com preços bem atraentes e as inúmeras oficinas, registraram Antonio Guimarães e Herbert Santos, que estenderam as criticas aos espaços e o reduzido número de editoras no local.
Feira do Livro foi reduzida a um terço de quando começou
A Feira do Livro, quando iniciou há 10 dez anos por iniciativa do prefeito Tadeu Palácio, contou com 80 estendes e participação de livreiros de vários pontos do Brasil, com uma divulgação expressiva e bastante motivação em escolas, comunidades e no meio literário. A Feira do Livro encerrada ontem contou com apenas 27 estandes, todos daqui, uma vez que inúmeros de fora convidados na última hora, não aceitaram correr riscos. Livrarias como a Paulus e Maranata se recusaram a participar do evento pela falta de organização e lamentaram bastante o tratamento dado a educação e a cultura.
As editoras com escritores e poetas locais e inúmeros outros abnegados fizeram um movimento no sentido de que a Feira do Livro fosse prorrogada até amanhã (15), feriado nacional, que com certeza levaria um bom público, desde que houvesse uma boa divulgação, mas as informações correntes em quase todos os estendes é que a prorrogação iria onerar os cofres públicos, justificativa apresentada pelos prepostos do Prefeito de São Luís. Sinceramente, eu acredito na justificativa, bastando se observar que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior, não se dignou participar da abertura da Feira, muito embora em seus discursos recentes de campanha tenha assumido compromissos com a educação e a cultura, daí que geralmente as prioridades ficam bem contextualizadas no discurso e no papel.
Pela indignação e até revolta manifestada pelos dois grandes intelectuais Antonio Guimarães e Herbert Santos, expresso a minha solidariedade a eles e lamento profundamente pelos milhares de estudantes que não tiveram acesso a Feira do Livro, principalmente as crianças que estão despertando a sensibilidade para a leitura e começam alimentar o sonho do conhecimento.
