O Transporte Coletivo de São Luís é excludente para a população e benéfico a empresários

Isaías Castelo Branco, ex-presidente do Sindicato dos Rodoviários, ao prestar depoimento na CPI do Transporte Coletivo, foi bem taxativo, ao afirmar que o sistema atual não serve para os rodoviários e muito mais aos usuários, que acabam sendo as maiores vítimas de serviços viciados e totalmente excludentes para a população de São Luís.

Como jornalista acompanhei na Câmara Municipal todo o processo de um jogo de cartas marcadas com vencedores previamente definidos. A formação de consórcios teve um único objetivo favorecer as empresas maiores, as quais abocanharam o chamado filé das linhas mais rentáveis. Sempre qualifiquei a concorrência pública dos transportes coletivos, como uma das farsas mais vergonhosas, em que teve muitos interessados para punir a população de São Luís. O povo sofre todos os dias e com maior intensidade as crianças e jovens que se destinam às escolas e os idosos, que não conseguem adentrar aos coletivos com as dezenas de práticas excludentes diárias, em que lhes são tirados o direito de acesso ao coletivo, quando são ignorados nas paradas.

A CPI já tem instrumentos e informações que podem perfeitamente mudar a realidade dos serviços de transportes coletivos de São Luís, mas haverá necessidade que o seu posicionamento no relatório final contenha as inúmeras denúncias da precariedade dos serviços, que no modelo atual não contempla os cidadãos e cidadãs, como direito de ir e vir com um transporte de qualidade.

Não de pode deixar de registrar que o empresariado do transporte coletivo, vem fazendo articulações dentro de segmentos políticos, com vistas a que a CPI não venha a se constituir em um instrumento de mudanças para favorecer a população. Entendo que os políticos que efetivamente defendem os interesses populares e as entidades da sociedade civil organizada fiquem atentos não apenas ao relatório da CPI, mas aos conchavos dentro do próprio parlamento municipal e segmentos da administração pública, com vistas a desqualificação da Comissão Parlamentar de Inquérito, daí que o relatório final é que poderá se constituir como respaldo aos interesses coletivos.

Fonte: AFD

 

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *