Um apelo ao STF do jurista Ives Gandra

                                                                                                                                          Jurista Ives Gandra Martins

Um código de ética seria de grande utilidade para todos os ministros, atuais e futuros: auxiliaria os magistrados a se conduzirem perante a opinião pública

Sou advogado há 68 anos e professor universitário há 62. Considerando tantas décadas de atuação, é evidente que convivi e convivo com ministros da Suprema Corte desde a minha primeira sustentação oral, em 1962, quando, inclusive, fui recebido na residência do então ministro Hahnemann Guimarães.

De lá para cá, sempre mantive contato com todos eles — uma proximidade prazerosa que não ocorre atualmente porque, infelizmente, já não consigo mais viajar. Escrevi obras em coautoria com vários ministros e partilho cadeiras em diversas academias literárias e jurídicas com vários deles. Somente com o ministro Moreira Alves, foram 32 livros que publicamos juntos.

Gostaria, entretanto, de tratar de algo que os recentes editoriais e matérias jornalísticas têm criticado duramente, ou seja, o debate público entre os ministros da Suprema Corte. Trata-se tanto de divergências sobre o Código de Ética, que uns Ministros querem e outros não, quanto de ataques públicos entre colegas, prática expressamente proibida pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).

No momento em que tais divergências são levadas a público, fica demonstrado que esses embates estão afetando a política, a estabilidade institucional e a segurança jurídica. Um exemplo disso é o que a mídia e os jornais comentaram sobre a recente entrevista do ministro Gilmar Mendes no programa Roda Viva da TV Cultura, que acabou gerando inúmeras especulações, a ponto de o povo brasileiro estar tomando partido nesta ou naquela linha de pensamento.

Sou inteiramente favorável que a Suprema Corte recupere o prestígio e a respeitabilidade que possuía no passado e, por isso, faço o apelo, como um velho advogado, para que os senhores ministros do STF voltem a ter uma conduta semelhante àquela que conferiu à Instituição a grande respeitabilidade que possuía. As divergências devem ser internas e não é adequado que sejam levadas a público.

Ora, cultura e valores todos os ministros têm. Posso divergir — e tenho divergido — de várias decisões, mas os debates que estão ocorrendo deveriam se restringir estritamente ao plano jurídico, para não serem explorados pelos jornais como se representassem posições políticas de A, B ou C.

A proposta do ministro Edson Fachin de que se institua um código de ética é, a meu ver, de grande utilidade para todos os integrantes da Suprema Corte. Os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia também defendem a necessidade dessa normatização. Creio que um código de ética seria de grande utilidade para todos os ministros, atuais e futuros, pois auxiliaria efetivamente os magistrados a se conduzirem perante a opinião pública.

Divergências conceituais e jurídicas devem continuar sendo apresentadas publicamente nas sessões de julgamento, mas os conflitos de comportamento e as discordâncias sobre a forma de agir deveriam, evidentemente, ser tratados de maneira reservada. Mesmo que haja críticas mútuas a fazer, que estas ocorram nas sessões internas e administrativas, permitindo que o perfil do Supremo Tribunal Federal volte a emergir como o da instituição que, no passado, era a mais respeitada do Brasil.

A democracia não existe em função de palavras. Dizer “eu sou democrático”, “eu defendo a democracia” ou “sou contra a crítica àqueles que não querem a democracia” resume-se apenas a palavras. A democracia faz-se com ações, com exemplos. Dizia São Josemaria Escrivá que “frei exemplo é o melhor pregador”.

A melhor defesa da democracia é a estabilidade das instituições e a respeitabilidade que elas possuem perante o povo.

Não estou, evidentemente, pretendendo dar conselhos ou dizer aos ministros o que fazer, mas peço que reflitam, para que o Supremo volte a ser o que era no passado. Afinal, hoje, o povo brasileiro em geral e toda a imprensa apresentam críticas e posições favoráveis ou contrárias, tratando o Supremo Tribunal Federal como se fosse um poder político, e não o guardião da Constituição Federal, que garante a segurança jurídica por ser um poder imparcial e acima de qualquer suspeita.

É exatamente por sempre ter defendido o Supremo Tribunal Federal, desde os meus bancos acadêmicos, que faço esse apelo. Os professores que tive e que pertenceram à Suprema Corte sempre me ensinaram a lutar por ela, pois a garantia dos direitos no país depende de seu tribunal máximo. Se a Suprema Corte perde a respeitabilidade perante o povo, automaticamente a democracia corre risco.

Evidentemente, respeito os meus amigos da Suprema Corte tanto que em meus artigos e nas redes sociais, nunca falo mal de nenhum dos ministros. Posso criticar suas posições, mas nunca critico as pessoas ou a cultura de cada um deles. A Excelsa Corte, contudo, precisa voltar a ser o que era no passado. Só assim teremos, realmente, a defesa do Estado Democrático de Direito e a salvaguarda da democracia.

É, pois, com esse propósito que venho, mais uma vez — respaldado pelos meus 91 anos de idade, 68 de advocacia e 62 de magistério universitário, com livros publicados em 21 países, além do privilégio de pertencer a 42 academias e somar 45 títulos acadêmicos —, demonstrar, sem nenhuma vaidade pessoal, que a minha vida sempre foi inteiramente dedicada ao Direito, razão pela qual dirijo este apelo ao STF em prol de um resgate institucional.

Esse resgate institucional, contudo, não depende de reformas estruturais ou de medidas judiciais complexas, mas sim de um esforço estritamente moral e de conduta. O apelo que aqui se faz é um pedido prático para que se iniciem os debates institucionais, inclusive com a urgente adoção de um código de ética — como bem sugerido pelo ministro Edson Fachin —, de modo que as naturais e salutares divergências jurídicas — bem como os eventuais conflitos pessoais — permaneçam restritas ao ambiente reservado das sessões internas, preservando a imagem da Corte perante a opinião pública.

Dirijo, portanto, este clamor àqueles que são os guardiões máximos da justiça no Brasil para que conduzam o Supremo Tribunal Federal, o Pretório Excelso do nosso País, de volta ao patamar de respeito e admiração que possuía na época do ministro Moreira Alves.

*Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal

 

Contrato milionário do filho de Gilmar Mendes com a CBF precisa ser investigado. Eles manipulam a entidade, diz Romeu Zema

Em novos ataques contra o ministro Gilmar Mendes, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), está atribuindo à família magistrado a responsabilidade pela má gestão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que levou à eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo.

“A CBF não vai prestar contas pra você da eliminação, e eu te conto quem é que está por trás disso. Ele não tem cargo na CBF, não tem mandato, mas manda. O nome dele é Francisco. Filho de quem? Do Gilmar Mendes”, diz Zema em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (9).

Francisco Mendes, filho de Gilmar e alvo de Zema na publicação, ocupa atualmente o cargo de vice-presidente da Federação Mato-Grossense de Futebol (FMF) e não tem posição na diretoria da CBF. Apesar do título discreto, Francisco é apontado como um dos “cartolas” com mais influência dentro do futebol nacional. Além do posto na federação mato-grossense, Francisco é diretor-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição de ensino superior que pertence à família Mendes.

Em 2023, o IDP fechou contrato com a confederação nacional para gerir a CBF Academy, braço da entidade responsável por cursos para cartolas, treinadores, preparadores físicos e gestores em diversas áreas ligadas ao futebol. O contrato não tem valor fixo, mas garante ao IDP a fatia de 84% de toda a receita levantada pela CBF Academy — montante que passou de 9 milhões de reais em 2023, quando o acordo foi assinado.

O atual presidente da CBF, Samir Xaud, próximo a Francisco Mendes, é egresso dos cursos de gestão executiva da CBF Academy. Em junho, uma denúncia veiculada pelo portal Leo Dias revelou que o dirigente teria utilizado verba da confederação para bancar amantes que o acompanhavam em viagens internacionais, em agenda oficial. A influência de Mendes sobre a CBF não se resume aos cursos de cartolas. Em junho, o filho de Gilmar se gabou, em conversas privadas, por ter sido o principal responsável pela convocação de Neymar Júnior para a Copa do Mundo.

Após eliminação do Brasil, Gilmar elogiou Ancelotti e Neymar sem citar influência da família. Na última terça-feira (7), dois dias após a eliminação do Brasil para a Noruega durante as oitavas de final da Copa, o próprio Gilmar Mendes publicou elogios à seleção. Em postagem nas redes sociais, o magistrado disse que a permanência do técnico Carlo Ancelotti “dá solidez ao recomeço” e homenageou Neymar — que, segundo o ministro, “nos emocionou com seu talento, categoria e gols que marcaram época”.

Na publicação, Gilmar Mendes não menciona os contratos de sua empresa com a CBF, tampouco a forte influência política que o filho Francisco exerce sobre o futebol brasileiro.

Jornal da Cidade Online

 

Terremoto na Venezuela já registra 3.811 mortos e 6.462 resgatados dos escombros

O Parlamento venezuelano atualizou nesta quarta-feira (8) que o número de mortos após o terremoto que assolou o país chegou a 3.811. O número de feridos foi registrado em 16.740. Segundo o presidente do parlamento, Jorge Rodríguez, 17.907 pessoas seguem desabrigadas após o registro dos tremores, que completaram uma semana. O número de resgatados dos escombros com vida está em 6.462.

Referente aos abrigados, o ministro da Educação, Héctor Rodríguez, informou que 16.686 pessoas estão abrigadas em 87 acampamentos montados pelo governo. Segundo o balanço, 856 edifícios foram atingidos pelos terremotos, dos quais 190 desabaram completamente. De acordo com o governo, as equipes de assistência já atenderam 86.794 famílias e distribuíram cerca de 9,6 milhões de quilos de alimentos e mantêm ações de apoio humanitário nas regiões atingidas pela tragédia.

A operação de resgate conta com 4.388 socorristas internacionais, além de 30.076 integrantes das Forças Armadas, das Polícias, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil do Brasil, que atuam nos acampamentos temporários.

Diário do Poder

Itamaraty desmente Lula sobre visto negado a assessor de Trump: Motivação foi eleitoral

Hoje é dia de Mauro Vieira (Relações Exteriores) tomar mais uma bronca humilhante, como a que se viu em vídeo no último G7, após sua resposta à Câmara sobre a revogação do visto de Darren Beattie, conselheiro de Donald Trump para assuntos relativos ao Brasil. E demorou: a Câmara pediu explicações em abril. Vieira desmente Lula (PT), diz que o veto nada teve de suposta “reciprocidade” e a motivação foi eleitoral. É que o americano pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, “inaceitável” em ano de eleições.

Influência eleitoral

Vieira disse que o governo ficou “surpreso” com a desejada visita a Bolsonaro. Havia claro temor de sujar ainda mais o cartaz do regime.

Lula mentiu

Nas 11 páginas do ofício não há referência a suposta “reciprocidade” pelos vistos cancelados do ministro da Saúde e familiares.

Medo da urna

A ordem de Lula foi anunciada como retaliação aos vistos cancelados de Alexandre Padilha & Cia pelo secretário de Estado Marco Rubio.

Meteu o caô

Bravateiro contumaz, Lula assumiu ter mandado revogar o visto. Ele viu no “embate” com Trump um jeito de sair das cordas da impopularidade.

Diário do Poder

 

O novo complexo de vira-latas do Brasil

O Brasil parece ter trocado um fantasma por outro. Abandonamos o antigo complexo de inferioridade — aquele diagnóstico cirúrgico de Nelson Rodrigues — para abraçar uma resignação talvez mais perversa: o complexo de meros produtores de matéria-prima. Aceitamos, com uma passividade alarmante, o papel de competência limitada à etapa inicial da produção. Somos eficientes na extração, mas tragicamente incapazes na retenção. Essa dinâmica, que há muito molda nossa pauta de exportações minerais e agrícolas, estende-se agora como uma sombra sobre a identidade cultural e esportiva do país. O raciocínio econômico que exporta o grão bruto e importa o produto industrializado refinado é o mesmo que empacota o talento jovem das nossas bases para ser lapidado e aplaudido nos gramados europeus. Convertemos nossos clubes em meras fazendas de entretenimento global.

O impacto disso na alma do torcedor é o esvaziamento do pertencimento. Antigamente, o futebol costurava mitologias locais; hoje, a visão de “clube formador e vendedor” impede o nascimento do ídolo doméstico. O sonho do jovem atleta foi terceirizado: o ápice já não é o protagonismo no Maracanã ou no Mineirão, mas o olhar de um olheiro estrangeiro que o retire do país antes mesmo da maioridade. Assistimos ao auge dos nossos melhores talentos em fusos horários distantes, muitas vezes sob narrações em outros idiomas, restando ao público local o papel de sustentar o espetáculo alheio com as sobras. Há um custo técnico e tático invisível nessa sangria. Ao exportar a “matéria-prima humana” de forma precoce, exportamos também o tempo de maturação. Atletas que amadurecem sob cartilhas europeias perdem a “língua materna” do nosso estilo de jogo. Quando se reúnem na Seleção Nacional, o que se vê não é uma escola unificada, mas um “Frankenstein tático” — um mosaico de conceitos importados que não dialogam entre si. Um fenômeno que, sintomaticamente, já transborda do futebol para o vôlei e o basquete.

Do ponto de vista puramente contábil, a armadilha se revela um ciclo vicioso. Em 2024, embora os vinte maiores clubes do país tenham alcançado uma arrecadação histórica de quase R$ 11 bilhões, as transferências internacionais responderam por quase R$ 3 bilhões desse montante. Faturou-se como nunca, mas gastou-se ainda mais: a expansão dos custos operacionais com folhas salariais cresceu no ritmo alarmante de 26%, empurrando o futebol brasileiro de um superávit saudável em 2023 para um déficit superior a R$ 1 bilhão no ano seguinte.

A venda de atletas tornou-se o balão de oxigênio inevitável para fechar o caixa de gestões imediatistas. Usa-se uma receita não recorrente — o imponderável de uma grande venda — para cobrir o custeio diário e tapar buracos fiscais. No caminho, o lucro real multiplica-se longe de nossas fronteiras. Portugal, por exemplo, consolidou-se como o grande entreposto comercial desse mercado: compra o jovem promissor ainda “verde”, assume a lapidação final e o revende para os gigantes da Premier League por valores até cinco vezes maiores. Enquanto o campeonato inglês distribui cerca de R$ 14,4 bilhões em direitos de transmissão por temporada, o nosso Brasileirão distribui pouco mais de R$ 2 bilhões, tornando qualquer proposta em euro um ultimato irresistível para clubes endividados.

É a consagração da “seleção adversa”: exporta-se o ótimo, retém-se o regular. A médio prazo, a qualidade do produto interno desaba, minguando o público nos estádios e desvalorizando os contratos de televisão nacionais. O problema, portanto, não reside na exportação em si, mas na incapacidade crônica de adicionar valor dentro de casa. Nações desenvolvidas controlam suas marcas e sua tecnologia; nós aceitamos o papel de fornecedores eficientes que assistem, da arquibancada, ao prestígio e à valorização de nossa própria criatividade serem capturados por terceiros. O novo vira-lata já não se julga incapaz de criar; ele apenas se contenta em colher a soja e formar o craque, deixando o banquete da excelência para o resto do mundo.

Marcelo Augusto Portocarrero. Publicado originalmente no blog do autor.

 

Quase 40% dos apostadores online nas bets estão endividados. SESI E SENAI lançam cartilhas de prevenção

O avanço das apostas online tem acendido um alerta sobre seus impactos sociais e econômicos. Levantamento do Procon-SP mostra que 39,7% dos apostadores estão endividados em decorrência das chamadas Bets. Para prevenir esse cenário e promover saúde financeira e emocional, o Serviço Social da Indústria (SESI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) lançaram duas cartilhas educativas voltadas a estudantes e trabalhadores da indústria. As publicações orientam sobre os riscos das apostas online e incentivam o uso consciente do dinheiro e a busca por ajuda diante de sinais de perda de controle. Em linguagem acessível, os materiais alertam para os impactos da prática na saúde mental, nas finanças pessoais, nas relações familiares e no desempenho escolar e profissional. As cartilhas também abordam educação financeira, tomada de decisões conscientes e estratégias de prevenção ao comportamento compulsivo. 

O diretor superintendente do SESI, Paulo Mól, destaca que os prejuízos provocados pelas apostas vão além do aspecto financeiro e afetam diferentes dimensões da vida. 

“[Os impactos incluem] transtornos de ansiedade, endividamentos, conversas pouco produtivas e a falsa percepção de que a aposta começa a virar um investimento. Isso gera problemas muito sérios, em termos de produtividade nas empresas, disciplina e atenção dos alunos”, afirma.

 Cartilha Escola

A cartilha “Escola” foi desenvolvida para estimular o diálogo entre estudantes, famílias e educadores, incentivando escolhas responsáveis e ações preventivas desde a juventude. O material ajuda o leitor a reconhecer emoções e sentimentos associados às apostas online. Segundo a publicação, a expectativa constante por ganhos pode provocar oscilações de humor e um estado prolongado de alerta, comprometendo o equilíbrio emocional, a capacidade de tomar decisões e o bem-estar. Entre as emoções mais frequentes estão ansiedade, expectativa, frustração e euforia. O texto também aborda a volatilidade do dinheiro e a importância de planejar os gastos e administrar as finanças para manter a estabilidade financeira, reduzir a ansiedade e viabilizar projetos pessoais. Além disso, a cartilha orienta os estudantes a buscar apoio sempre que perceberem sinais de que as apostas, o dinheiro ou as emoções estão afetando sua rotina. A recomendação é conversar com familiares, responsáveis, professores ou outros adultos de confiança que possam oferecer orientação e acolhimento. 

 Cartilha Indústria

Já a versão “Indústria” aborda os reflexos das apostas no ambiente de trabalho, como dificuldades financeiras, redução da concentração, aumento dos riscos à segurança e prejuízos à qualidade de vida dos trabalhadores. O material alerta para o crescimento gradual do tempo e do dinheiro dedicados às apostas, muitas vezes sem que o indivíduo perceba. A transição do entretenimento para a perda de controle pode ocorrer de forma silenciosa. Com o passar do tempo, a atividade tende a consumir uma parcela cada vez maior do orçamento e da rotina, até que as consequências financeiras, emocionais e familiares se tornam difíceis de ignorar. O diretor-superintendente do SESI chama atenção para a confusão entre apostas e investimentos. 

“A partir do momento em que o trabalhador começa a achar que a aposta é um investimento, uma fonte de renda, ele está errado. Algumas pessoas têm uma disposição para risco. Com isso, ele começa a se arriscar e arriscar bens da família. Isso leva a transtornos de ansiedade, à depressão, a questões mais sérias dentro de família”, alerta.

 O documento também destaca alguns sinais de alerta que podem indicar perda de controle sobre as apostas, como:

           conflitos e perda de confiança dentro de casa;

           distração e aumento dos riscos no ambiente de trabalho;

           afastamento dos amigos e da comunidade.

Ao identificar esses ou outros indícios, a recomendação é buscar apoio o quanto antes. Segundo a publicação, quanto mais precoce for a procura por ajuda, maiores são as chances de evitar consequências mais graves. Outro eixo do material é a educação financeira. A cartilha destaca que o planejamento do orçamento é fundamental para lidar com imprevistos, reduzir preocupações e preservar a estabilidade financeira. Entre as recomendações estão:

             controlar os gastos;

            evitar comprometer grande parte da renda com apostas;

            manter uma reserva para emergências.

Paulo Mól ressalta que as cartilhas não se destinam apenas à comunidade escolar e aos trabalhadores da indústria. Segundo ele, os materiais estão disponíveis para toda a sociedade e têm como objetivo incentivar escolhas mais conscientes e promover qualidade de vida. 

BRASIL 61

Procuradoria Eleitoral pede a condenação de Lula por propaganda antecipada

Ação apresentada pelo Partido Missão levou a procuradoria a concluir que houve pedido explícito de votos à Tebet e Marina. A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo (PRE-SP) se manifestou a favor da ação apresentada pelo Partido Missão contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e as ex-ministras e pré-candidatas ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). A legenda acusa os três de propaganda eleitoral antecipada durante um evento oficial do Governo Federal. No parecer, o Ministério Público Eleitoral concluiu que Lula fez um pedido explícito de votos às duas pré-candidatas, o que, segundo o órgão, viola a legislação eleitoral. A representação foi apresentada após discurso de Lula durante o lançamento do programa Move Aplicativos, realizado em 19 de maio deste ano. Na ocasião, o presidente afirmou:

“Só não mexam com a Janja. Nem com a Simone, nem com a Marina. O que vocês podem fazer com elas, um dia, é dar voto para as duas. Só isso. Um dia, sabe?”

Segundo a Procuradoria, a declaração ultrapassa os limites da liberdade de manifestação política e configura propaganda eleitoral antecipada, por reunir os requisitos previstos na legislação: referência ao processo eleitoral, exaltação das pré-candidatas e pedido explícito de votos. No parecer assinado pela procuradora regional eleitoral auxiliar Maria Cristiana Simões Amorim Ziouva, o Ministério Público destaca que a fala foi feita durante um evento oficial do Governo Federal, teve caráter eleitoral e beneficiou diretamente Simone Tebet e Marina Silva, ambas apontadas como pré-candidatas ao Senado.

“A fala do Presidente da República tem nítido caráter eleitoral, uma vez que exalta as qualidades das duas pré-candidatas ao Senado, com pedido explícito de voto, em evento oficial do Governo Federal”, afirma a procuradora.

A PRE também rejeitou o pedido da defesa para suspender o processo sob o argumento de que existe uma ação semelhante em tramitação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com o parecer, o vice-procurador-geral Eleitoral já se manifestou pelo reconhecimento da incompetência do TSE para analisar o caso, cabendo o julgamento ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.

Diário do Poder

A aposta dos advogados dos presos nas roubalheiras do INSS e Banco Master

Uma aposta está rolando nos bastidores entre os advogados de presos preventivamente no caso Master. André Mendonça deverá soltar alguns deles após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar as denúncias. A informação é do jornalista Igor Gadelha.

“A expectativa das defesas é de que, com o fim da fase de investigação e o início da ação penal, Mendonça reavalie a necessidade de manutenção de algumas prisões preventivas, substituindo-as por medidas cautelares menos gravosas.

Interlocutores do ministro, entretanto, descartam qualquer relação automática entre o oferecimento das denúncias pela PGR e eventuais decisões de soltura. Mendonça, vale lembrar, é o relator dos dois casos no Supremo.

Segundo aliados, o ministro já vem revendo algumas medidas cautelares tanto no Caso Master quanto da Farra do INSS antes mesmo da denúncia da PGR, sempre com base na situação individual de cada investigado.

‘O ministro prende e solta quando estão preenchidos os requisitos do artigo 312 do Código de Processo Penal’, afirmou um interlocutor de Mendonça.

Em abril, por exemplo, Mendonça mandou para a prisão domiciliar o advogado Eric Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis. Ambos tentam fechar acordos de delação premiada.

Já em junho o ministro do STF determinou a retirada da tornozeleira eletrônica de Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Ambos tinham sido alvos de operação no Caso Master.

Os aliados do ministro do Supremo ressaltam ainda que uma eventual decisão para revogar prisões preventivas deverá ser precedida de consulta da Procuradoria-Geral da República.”

Jornal da Cidade Online

Ministro Gilmar Mendes se credencia cronista esportivo para defender a CBF e seus interesses

                                                                          *Por Emílio Kerber Filho

O Brasil foi eliminado da Copa de 2026 no domingo (5), derrotado pela Noruega por 2 a 1. Luto nacional. E, enquanto o torcedor ainda engolia o choro, um personagem inesperado entrou em campo nas redes sociais para consolar a nação: o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Em publicação no X, Gilmar agradeceu à Seleção, defendeu a permanência do técnico Carlo Ancelotti — que, segundo ele, “dá solidez a esse recomeço” — e decretou que, “rumo a 2030, começa um novo ciclo”. Faltou só apitar o próximo amistoso. Ah, e homenageou Neymar. Comovente. Um ministro do Supremo que, em tese, só deveria falar por meio de decisões judiciais, virou comentarista esportivo — e de graça.

Mas de onde vem tanto amor pela camisa amarela? A resposta talvez esteja menos no coração e mais na planilha. O IDP — instituição de ensino fundada por Gilmar Mendes, que está entre os proprietários — mantém contrato de parceria com a CBF desde 2023, por meio da CBF Academy. O diretor-geral do instituto é Francisco Mendes, filho do ministro e hoje um dos nomes mais influentes dos bastidores do futebol brasileiro. E não para por aí: Samir Xaud, atual presidente da CBF, foi aluno do IDP em 2025. Uma bela tabelinha.

Segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo, Francisco Mendes teria confidenciado a interlocutores, no fórum jurídico de Lisboa (o simpático “Gilmarpalooza”), que “quem convocou o Neymar fui eu”. A frase é atribuída, e ele nunca a confirmou publicamente. Mas ajuda a entender por que Neymar, mesmo entre lesões, nunca pareceu correr risco real de ficar de fora. Nem a direita deixou passar. O senador Sergio Moro resumiu: “CBF controlada pelo Gilmar não tem como dar certo”.

Procurado em outras ocasiões, Gilmar Mendes nega qualquer conflito de interesses e sustenta que as parcerias do IDP são legítimas. Nada foi julgado, nada foi condenado. Como sempre. Fica a lição da Copa de 2026: o Brasil até perde dentro de campo. Mas tem gente que, fora dele, nunca sai de campo.

Emílio Kerber Filho

Escritor e Estrategista Político. Criador do método Arquitetura Eleitoral:

 

A Copa do Mundo e o dia em que André Mendonça fez Gilmar Mendes suar frio ao citar a CBF no plenário

Com mais um fracasso da Seleção Brasileira de futebol, tem sido bastante mencionado pelos veículos de imprensa a ligação próxima do ministro Gilmar Mendes com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O instituto do qual Gilmar Mendes seria sócio tem um contrato milionário com a entidade.

Esses fatos fizeram voltar a lembrança, um embate entre os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes. O decano tentou tirar uma ‘casquinha’ e acabou sendo duramente alfinetado.

“Resistiria a CBF a uma investigação?”, questionou Mendonça.

Jornal da Cidade Online