O presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor (PSDB), deu plena demonstração no último dia 04, de que não entende de política, gestão e muito menos de respeito ao direito democrático ao contraditório. Até hoje, ainda repercute uma frase proferida por Paulo Victor, em que ofendeu e tentou humilhar os vereadores que não rezam na sua cartilha, assumindo posição autoritária de querer impor ao colegiado do Legislativo Ludovicense a sua vontade e interesses particulares com manifestação, onde a sua voz deveria prevalecer sobre a dos demais.
Após a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), de São Luís, para o ano de 2024, revoltado com os vereadores que democraticamente se opuseram à inclusão de um pacote de emendas modificativas à matéria, ele foi enfático e infeliz ao comentar a determinação do pequeno grupo de vereadores.
“Quando você anda com Cristo no peito, a gente pode escolher entre ser Judas, Pedro ou João. Judas traiu, Pedro negou, mas João sempre amou. Parabéns aos ‘Joãos’ aqui desse plenário, que estão trabalhando pela cidade e pela manutenção da ordem deste parlamento. Parabéns pela coragem de cada João que está aqui. Parabéns”, teria dito o então pretenso à prefeitura de São Luís, com comparações distorcidas do evangelho, para saciar os ímpetos do seu autoritarismo exacerbado e revolta com os interesses contrariados.
Ele acabou mostrando a todos, o quanto ainda carece de preparo para a atuação política e sem um mínimo de respeito aos colegas de parlamento, dando a entender que o grupo e vereadores não está ao alcance do seu respeito e admiração apenas, os que votaram de acordo com a sua vontade e muitos até de maneira subserviente. Mostrou mais uma vez, que lhes falta capacidade, tirocínio administrativo, conhecimentos, e acima de tudo noções básicas da boa educação com princípios e valores, necessárias ao desempenho do cargo. Qualquer político em exercício de mandato, mesmo nas cidades tratadas como atrasadas, sabe que quem dirige um órgão colegiado tem e dever de tratar os seus pares com o necessário respeito e agir como um magistrado.
Apesar de decantar como ostentação que é filho de um desembargador aposentado, que o adotou na infância, infelizmente tem demonstrado que não foi um bom aluno, mesmo tendo o pai como professor e dentro de casa. Deveria, o presidente do Legislativo da capital, rever a sua postura e o péssimo comportamento no contexto político. A sua arrogância e prepotência já manifestada a vários vereadores, já levantava dúvidas quanto a pré-candidatura a prefeito de São Luís. Por falta de articulação, visão e mais precisamente respeito e seriedade, acabou naufragando em águas turvas e as consequências podem ser bem maiores por falar demais e ainda usando nomes de pessoas, o que inclusive já lhe teria valido algumas advertências.
Isso, lhe tirou o possível prestígio e liderança junto aos vereadores, que segundo comentários de lamentos por terem embarcado numa canoa furada. Agora, com a falta de respeito que dispensa aos companheiros que ali também chegaram pelo respaldo popular, Paulo Victor dá mais um passo rumo a abrir as portas do ostracismo.
Os vereadores que votaram contra a vontade de Paulo Victor foram: Karla Sarney (PSD), Francisco Chaguinhas (Podemos), Rosana da Saúde, Domingos Paz (Podemos), Gutemberg Araújo (Republicanos), Daniel Oliveira e Marcos Castro. Todos, por questões de respeito ao parlamento e mais precisamente ao povo de São Luís, decidiram de que não valeria a pena uma resposta para atitudes nada republicanas e antidemocráticas. Houve somente uma ausência que foi Thiago Freitas.
Triste caminho escolhido por mais um dos inúmeros Ícaros, que se aventuram na política de São Luís, tentando alcançar o Sol e acabam derretidos. É importante lembrar que prosperar é um direito de todos, porém se deve competir e lutar com lealdade e ser bem transparente. Devemos sempre refletir, antes de agir. Como as redes sociais, acompanham todas as movimentações políticas e é quem avalia cada um dos políticos, daí que a arrogância, a prepotência e principalmente o desrespeito não fazem parte do contexto, para quem pretende construir uma trajetória digna na política.
Fonte: AFD