Quem não produz alimentos acaba se tornando escravo da importação e dos preços

              aldir

   O preço de 25 reais por um quilo de fava é mais uma das inúmeras realidades que encontramos em todos os estabelecimentos comerciais do Maranhão, quando pretendemos comprar ou pelo menos saber os valores de alimentos de origem vegetal. Infelizmente o nosso Estado não tem a mínima referência de produção agrícola voltada diretamente para atender as demandas do consumo cotidiano. As prioridades estão em algumas monoculturas extensivas como da soja, da cana de açúcar e do milho voltadas para a exportação, que não geram empregos e concentram enormes áreas agricultáveis em poder de grupos do agronegócio, que impedem a pequena agricultura nas proximidades pela exacerbada utilização de produtos químicos.

                 Ao mostrar a fava e o preço exorbitante em um estabelecimento comercial no Mercado Central, se faz necessário importantes esclarecimentos. O produto é importado do Ceará, assim como todas as variedades de feijão que estão à venda no ponto de comercial, conforme de me informou a proprietária.

                 Durante os quase 18 anos em que trabalhei na EMATER-MA, encontrei fava e outras variedades de feijão em vários municípios com produção local. Inúmeras vezes comprei fava em Caxias, Colinas, Imperatriz, Santa Inês, Bacabal e outras cidades, além de outras variedades  e muita oferta de feijão. Havia uma cultura para a produção de alimentos semeada pelos técnicos do Serviço de Extensão Rural do Maranhão, que orientavam trabalhadores e trabalhadoras rurais para terem alimento para o ano todo, produzirem sementes e venderem o excedente.

                 A partir do avanço do agronegócio e da irresponsabilidade de todos os governos que vieram depois de Luís Rocha, o que havia da pequena agricultura foi totalmente destruída, com intensidade maior quando a então governadora Roseana Sarney extinguiu a EMATER-MA para favorecer empresários do agronegócio e deu-se maior intensidade para os conflitos pela posse da terra, o que infelizmente ainda é uma realidade nociva em nosso Estado.

                 O Maranhão já chegou a ter o maior número de contratos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF, de todo o nordeste, mas que não apresentaram resultados satisfatórios simplesmente pela falta de assistência técnica e extensão rural.

                  A realidade de hoje é do engodo e da informação falsa. Tem se procurado fazer feiras com produtos importados de outros Estados e se tenta criar através da mentira, o que não se sustenta. Enquanto os governos do Estado e Federal não fizerem desapropriações de terras e regularizações fundiárias e assentarem milhares de famílias e derem condições a elas e tantas outras que vivem em situação de miséria em alguns assentamentos, não iremos a lugar algum. O homem e a mulher do campo não precisam de esmolas, eles necessitam de respeito e de condições dignas para trabalhar. Se eles tiverem nos locais de produção, além da terra, máquinas e implementos agrícolas, crédito, assistência técnica, escola, posto médico, armazém, estrada e insumos básicos, a realidade mudará totalmente.

              Para se mudar o que está posto a todos, primeiramente é combater a corrupção que destruiu o INCRA em todo o período do governo do PT e buscar os recursos desviados  por alguns ladrões que passaram pela Superintendência do  órgão e também no ITERMA.

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