A Vale tem aproveitado a crise da pandemia da COVID 19 para ampliar seus lucros e melhorar sua imagem. Desde os primeiros sinais da pandemia, em março de 2020, a Vale se apressou para garantir a essencialidade da mineração, o que lhe permitiu seguir operando normalmente. A pandemia, ao mesmo tempo, abriu oportunidades para a empresa melhorar sua imagem corporativa.
A Vale, sozinha, foi responsável pela doação de R$ 500 milhões, que foram aplicados na compra de 5 milhões de kits de testes rápidos para COVID e de equipamentos de proteção individual. Com as operações a pleno vapor justificadas pela sua “essencialidade”, a Vale fechou o ano de 2020 com um lucro de 27 bilhões de reais, revertendo o prejuízo de 4,9 bilhões de reais de 2019.
O crescimento nos lucros, obviamente, foi obtido às custas da saúde e do aumento dos riscos a que estão expostos os seus trabalhadores. Parauapebas, no Pará, vivencia um surto de COVID e um colapso no seu sistema de saúde.
Na imprensa, matérias denunciavam a dificuldade enfrentada pelos funcionários da Vale para diagnosticarem a doença e fazerem testes, e as tentativas da empresa para mascarar os contágios no ambiente de trabalho.
“Como o governo federal não tem política de saúde, a mineradora aproveitou esse vácuo e viu a oportunidade de doar e trazer aviões da China, sua maior compradora de minério, com o poder que tem. Nos holofotes, para quem está de fora, tá tudo a mil maravilhas, mas o trabalhador que tá na mina é que sabe a verdade. Tem que ficar calado doente, se falar sofre boicote”. (Trabalhador da Vale no Pará)
Fonte: Relatório de Insustentabilidade 2021 (AIAAV) – Justiça nos Trilhos