Um feudo rico, muito rico e seus servos, chamado CBF

A CBF, guardadas as devidas proporções, tem um “quê” do atual governo. Explico: é de conhecimento público que é corriqueiro do governo do ex-presidiário Lula a técnica do TOMA LÁ DÁ CÁ, ou seja, para atender interesses do governo; há a liberação de verbas públicas para parlamentares, a torto e a direita; generosas liberações de verbas publicitárias para a imprensa; nomeação de cargos de toda ordem, enfim, um carnaval com os cofres públicos.

Na CBF – Confederação Brasileira de Futebol, a engrenagem pode seguir a mesma trilha. No último dia 24, o atual presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues (desde 2021 quando assumiu o cargo no lugar do primeiro interino, Coronel Nunes, após afastamento de Rogério Caboclo, acusado de assédio sexual e moral), candidato único, foi eleito presidente por unanimidade para o período de março de 2026 até março de 2030. Teve votos de todas as 27 federações de futebol do Brasil, e de todos os 40 clubes das Séries A e B, que formam o Colégio Eleitoral da entidade. O que causa essa correlação entre o governo federal e a CBF, são as benesses com dinheiro público, que correm soltas nas duas instituições. 

Segundo reportagem da Revista Piauí, a CBF acaba de anunciar reajuste de 330% nos salários de todos os 27 presidentes de federações estaduais, de R$50.000,00 para R$215.000,00. Estranho? Ou não é permitido pensar no TOMA LÁ DÁ CÁ no esporte bretão? A dúvida reside no tipo de relação, curiosa por sinal, que existe entre os presidentes dos 40 clubes de futebol que ajudaram a eleger Ednaldo. É curiosa, no mínimo, porque vem justamente destes presidentes as maiores críticas à entidade quando se sentem prejudicados no campo das disputas esportivas, bem como nos bastidores. Coisa de louco! 

Na última Copa do Mundo a entidade bancou a viagem de 49 convidados para acompanhar o torneio em Doha, no Catar, com tudo pago pela entidade maior do futebol brasileiro. A esposa do dirigente também usufruiu da farra. Só em despesas extras, Rita Galvão gastou por volta de R$37.000,00.

O próprio Ednaldo obtém ótima renda através do futebol. Só da entidade mãe do futebol, a FIFA, como conselheiro, Ednaldo abocanha 300 mil dólares anuais (aproximadamente R$1,7 milhão). Na CBF, recebe em torno dos R$5 milhões por ano.

O futebol é bom demais! 

Alexandre Siqueira

Jornalista independente – Colunista Jornal da Cidade Online – Autor dos livros Perdeu, Mané! e Jornalismo: a um passo do abismo

 

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