Cármen Lúcia: ‘O STF só terá igualdade quando os 11 ministros forem mulheres’

Ministra defendeu maior representação feminina na Corte e criticou a ideia de homens decidirem o que as mulheres querem. A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou nesta terça-feira (4) que a igualdade entre homens e mulheres na mais alta Corte do país só será alcançada quando todas as 11 cadeiras do tribunal forem ocupadas por mulheres. Ao abordar a  participação feminina nos espaços de poder, a ministra defendeu que a democracia depende da igualdade de representação entre homens e mulheres e argumentou que a presença feminina no STF é essencial para que as próprias mulheres participem das decisões que afetam seus direitos.

“Como eu digo, não existe democracia sem igualdade de mulheres e de homens. Entretanto, nós falamos de democracia. E quando me perguntam: ‘Quando que o Supremo Tribunal Federal terá igualdade de homens e mulheres nas cadeiras?’, eu respondo: ‘Quando os 11 forem mulheres. Aí nós teremos igualdade’”, afirmou durante o painel “Entre o dever, a coragem e o legado”, no Summit Mulheres nas Profissões, realizado em São Paulo.

Durante o evento, Cármen Lúcia também criticou a ideia de que homens possam decidir ou interpretar os interesses das mulheres sem que elas próprias tenham voz nas discussões. Segundo a ministra, historicamente os espaços de decisão foram ocupados majoritariamente por homens, que, em muitos casos, tomavam decisões sobre questões femininas sem a participação efetiva das mulheres.

“Nós tivemos sempre 11 homens dizendo que sabiam o que a gente queria. Ninguém sabe o que a gente quer. Quem sabe o que a gente quer é a gente mesmo”, declarou.

Ela ainda estendeu a reflexão para as relações pessoais, afirmando que o respeito à autonomia feminina deve começar dentro de casa.

“É preciso que isso valha dentro de casa, quando o parceiro diz: ‘Pode deixar, eu sei o que você quer’. Eu respondo: ‘Não’”, completou.

Diário do Poder

 

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