Ricardo Alban alerta que setor produtivo não pode mais pagar o desperdício de 20% do PIB nacional por ano. O desperdício anual de R$ 1,7 trilhão com o Custo Brasil levou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, a cobrar ações em agenda de longo prazo para redução desta sangria, para recuperar a competitividade industrial e garantir um ambiente eficiente e competitivo nos mercados interno e externo. Em artigo publicado nesta sexta-feira (30), Alban alerta que o montante que representa 20% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional é uma conta que o Brasil não pode mais pagar.
“O país não pode desperdiçar 20% do PIB enquanto busca crescer, criar empregos e melhorar a renda e a qualidade de vida da população. Reduzir o Custo Brasil é condição para o fortalecimento da indústria e para termos uma economia mais produtiva, sustentável e inclusiva. O Brasil tem enorme potencial para avançar. Falta transformar essa capacidade em decisões concretas e em agendas de Estado, com políticas de longo prazo, e não apenas propostas que se perdem a cada mandato de quatro anos”, cobrou o presidente da CNI, no artigo publicado na revista Veja.
Alban relata que o impacto do Custo Brasil reflete entraves estruturais, tributários, burocráticos e de infraestrutura que elevam custos de produzir, afastam investimentos e limitam a capacidade de crescimento do país. E ressalta que a conta pesa sobre a indústria, compromete a competitividade das empresas e atinge o bolso de todos os brasileiros, mesmo com a CNI atuado de forma árdua para reverter esse cenário, mobilizando o setor industrial com articulação junto ao governo do presidente Lula (PT).
“Elaboramos estudos e pesquisas, monitoramos projetos e legislações e participamos ativamente de debates. Recentemente, lançamos uma campanha para mostrar como essas ineficiências afetam o nosso dia a dia e por que superá-las precisa ser uma prioridade nacional. Quando produzir fica mais caro, o consumidor paga mais, a inflação aumenta e a economia se torna menos eficiente”, argumenta Ricardo Alban, sobre a necessidade de o Brasil evoluir mais rapidamente que seus concorrentes e diminuir reduzir a distância de economias mais competitivas.
Tributação no centro da crise
O presidente da CNI cita pesquisa da entidade que registra 70% dos empresários industriais elegendo o sistema tributário como o maior problema do Custo Brasil, ao lado de outros obstáculos como a falta de mão de obra qualificada, de linhas de crédito e a insegurança jurídica.
O levantamento mostra que três a cada quatro empresários da indústria investiriam mais, se a taxa de juros dos empréstimos caísse pela metade.
Alban considera inaceitável que a Selic se mantenha no elevado patamar de 13,75% ao ano, mesmo tendo caído discretamente. E reforça que esse cenário exige uma agenda consistente, focada no equilíbrio fiscal, crédito em condições compatíveis com o investimento produtivo, qualificação profissional, estabilidade nas regras, redução da burocracia, infraestrutura moderna e preço adequado de energia elétrica.
Ele dá como exemplo o fato de o Brasil ter fontes renováveis e sobra de energia, ainda assim impor uma das contas de luz mais caras do mundo, com mais de 40% da tarifa composta por impostos e encargos. Cenário que afeta a busca por agregar valor, por incorporar mais custos do que valor em produtos e serviços, por causa do Custo Brasil.
“Essa realidade só será transformada quando tivermos uma união entre os setores produtivos e o poder público, a partir de um compromisso de longo prazo”, avalia Ricardo Alban, ao citar o Projeto Brasil 2050, com 50 propostas da CNI para equilíbrio fiscal, reforçar vantagens competitivas, fomentar novas atividades, inserção internacional e melhorar o ambiente de negócios.
Diário do Poder