Depois que o então ex- presidente da república José Sarney extinguiu a Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural – EMBRATER, para atender interesses dos grandes empresários brasileiros do agronegócio aplicou-se um golpe de misericórdia na pequena produção. Posteriormente a então governadora Roseana Sarney, seguindo as determinações do pai, extinguiu a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Maranhão – EMATER-MA e abriu as portas do Estado para empresários de diversos pontos do país e deu ampla dimensão de violência para os conflitos agrários. O Maranhão que chegou a ser o segundo produtor nacional de arroz com a grande participação da pequena agricultura foi transformado de produtor de alimentos a importador.
Os hortifrutigranjeiros que são consumidos em São Luís, mais de 95% são importados e o Sistema Estadual de Agricultura e Abastecimento abandonou totalmente a agricultura familiar por falta de assistência técnica. Para que se tenha uma dimensão da irresponsabilidade do poder público em nosso estado, o Maranhão chegou a ter o maior número de projetos liberados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar ´PRONAF, mas os resultados quanto a produção de alimentos em nada prosperou. Por falta de assistência técnica, pequenos agricultores perderam tudo e se tornaram inadimplentes perante bancos do governo federal.
Com a conivência perversa do ITERMA e do INCRA, instituições a serviço de empresários e grileiros do agronegócio, milhares de famílias com posses centenárias continuam sendo expulsas de suas terras até com a participação de força da Policia Militar e o resultado é que muitos jovens continuam sendo empurrados para a criminalidade e para as drogas e as jovens para a prostituição e os bolsões de miséria que tomaram proporções sérias, uma vez que muita gente para subsistir foi em busca de todos os meios ilícitos possíveis, daí que a violência predomina até hoje.
Depois que a Superintendência do INCRA se tornou o antro de corrupção do Partido dos Trabalhadores no Maranhão e o ITERMA passou a ser monitorado pelo governo passado e ficaram proibidos de arrecadar terras devolutas que estão criminosamente incorporados aos patrimônios de latifundiários e empresários do agronegócio, principalmente os que são defendidos por políticos. Os poucos avanços na reforma agrária foram conseguidos com bastante luta com algumas desapropriações e regularizações fundiárias, com o importante apoio de várias entidades da sociedade civil organizada e em muitos casos a presença missionária da Igreja Católica.
Particularmente tenho as minhas dúvidas, de quando se fala em planos avançados para a Agricultura Familiar. A violência contra trabalhadores e trabalhadoras rurais é praticada por políticos, aliados do governo anterior e hoje já transitam com bastante desenvoltura na atual administração estadual. Particularmente não acredito em uma mudança radical, levando-se em conta que os interesses políticos sempre se sobrepõem aos coletivos. Pelo caminhar da atual administração estadual, não há vocação e nem inspiração de confiança para uma revolução na produção de alimentos no meio rural a partir da agricultura familiar, mais precisamente da pequena agricultura.
