Candidatura fraudada recebeu R$ 300 mil do Fundo Eleitoral e teve 18 votos, cada um ao custo de R$ 16,6 mil aos cofres públicos. Um esquema criminoso de candidaturas fictícias de mulheres em São Luís desviou R$ 1 milhão em recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), nas eleições de 2024, e é alvo da Operação Malversador, deflagrada pela Polícia Federal, nesta quarta-feira (14). Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e determinada a suspensão de funções partidárias do principal alvo da investigação, por ordem da Justiça Eleitoral. A decisão judicial ainda autorizou o compartilhamento das provas com Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs), que podem levar à cassação de três vereadores eleitos pelo Podemos, na capital do Maranhão: Fábio Macedo Filho, Raimundo Júnior e Wendell Martins.
Segundo a investigação motivada por notícia-crime, uso de documentos ideologicamente falsos viabilizaram os desvios como de R$ 300 mil em repasses para uma das candidatas “laranja” a vereadora, que obteve apenas 18 votos. Segundo dados da Justiça Eleitoral, o exemplo citado pela PF diz respeito à candidatura da influenciadora Brenda Carvalho (Podemos), cujo investimento público teve um custo médio de R$ 16.666,67 por voto. A PF detalha que o desempenho pífio nas urnas atraiu a suspeita da simulação de candidaturas apenas para atender à cota de gênero e permitir o desvio de recursos públicos.
“Para viabilizar a fraude, foram utilizadas empresas de fachada, contratos fictícios, notas fiscais superfaturadas e documentos inidôneos. Em um dos documentos apreendidos, consta a aquisição fraudulenta de mais de 1 milhão de santinhos, 50 mil bottons e 300 adesivos perfurados para veículos, todos vinculados à candidata identificada como fictícia”, informou a PF.
Crimes investigados
O desvio milionário favoreceu pessoas físicas e jurídicas com as verbas de campanhas de candidatas fictícias que receberam o chamado Fundo Eleitoral. E a PF aponta que existem indícios de lavagem de dinheiro por meio da utilização de empresas “fantasmas”, para ocultar o destino dos valores desviados. Os crimes investigados incluem organização criminosa, falsidade ideológica eleitoral, uso de documento falso, peculato eleitoral e lavagem de dinheiro.
Diário do Poder