A mídia nacional voltou a comentar o escabroso caso das mortes de 200 bebês e de 20 crianças que ficaram cegas, em decorrência da irresponsabilidade da gestão municipal e da direção da Maternidade Carmosina Coutinho, no município de Caxias, distante 360 km da capital. O fato à época mereceu destaques nacional e internacional e o mínimo que se esperava era que as autoridades tomassem as devidas providências para responsabilizar criminalmente todos os culpados e determinasse acompanhamentos psicológicos às mães que perderam os seus filhos e tratamento para as crianças que ficaram cegas.
O Ministério Público chegou a adotar algumas providências assim como a policia, que chegou a instaurar inquéritos policiais. Como já era esperado, as influências politicas pesaram bastante e até hoje muitas mães nunca foram chamadas para pelo menos prestar depoimento.
As 200 mortes de recém-nascidos registradas na Maternidade Carmosina Coutinho, me levou a refletir e sugerir, que seria necessário a criação de uma Força Tarefa integrada pela Procuradoria Geral de Justiça, Defensoria Pública, Segurança Pública e Secretaria de Saúde para com transparência e a devida responsabilidade que o caso requer proceder todos os processos investigatórios e indiciar os responsáveis, a partir do prefeito Leonardo Coutinho e os administradores da Maternidade Carmosina Coutinho.
A única ação concreta que se tem informação foi feita de maneira esmoteada pela Secretaria de Saúde do Estado, com acompanhamento técnico na assistência técnica pediatra e a aplicação de recursos, mas não interferiu nas questões administrativas e o prefeito Leonardo Coutinho, continuou com ingerências bem determinadas na casa de saúde. Na verdade, tudo não passou de uma tentativa do Governo do Estado tentar mostrar que de alguma forma adotou providências, quando se sabe, que o prefeito é sobrinho do deputado Humberto Coutinho, presidente da Assembleia Legislativa do Estado e a maternidade tem tudo a ver com o parlamentar.
A Subserviência do Poder Legislativo
Por ocasião da denúncia nacional feita pela Rede de Televisão Record, deputados das Comissões de Saúde e de Direitos Humanos e das Minorias, chegaram a registrara em plenário que iriam ver a realidade no município de Caxias e também das mães que perderam os seus filhos e as crianças cegas, que precisam de acompanhamentos médicos. Tudo não passou de ensaio e os comentários que surgiram foram que os parlamentares decidiram recuar da visita a Caxias, por ser área de atuação do presidente da Assembleia Legislativa do Estado e o prefeito é seu sobrinho que está tentando a reeleição com o irrestrito apoio do governador Flavio Dino.
O que é lamentável sob todos os aspectos é que o povo mais uma vez foi iludido na troca dos atores. Os novos se esqueceram dos compromissos assumidos em praça pública e as práticas que eram criticadas em todos os níveis, permanecem vivas, com algumas delas bem mais rigorosas em relação aos gestores anteriores.
E a CPI da Saúde?
Criada de maneira obsessiva e articulada no Palácio dos Leões, a Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar praticas ilícitas dentro do Sistema Estadual de Saúde, tinha como o único objetivo, a destruir totalmente o ex-secretário e ex-deputado estadual Ricardo Murad. Com o surgimento do escândalo criminoso de Caxias, inevitavelmente a CPI iria chegar ao prefeito Leonardo Coutinho e a Maternidade Carmosina Coutinho e por extensão causaria sérios e graves prejuízos para o deputado Humberto Coutinho, presidente do legislativo estadual.
A CPI está totalmente esvaziada e os deputados indicados para a ocupação dos cargos estabelecidos para o seu normal funcionamento, mostram-se desmoralizados, principalmente alguns que foram orientados por colegas a não fazer parte dela, uma vez que não iria prosperar. Comenta-se que algumas consultas jurídicas chegaram a ser feitas, se a CPI poderia ser restrita unicamente aos problemas de corrupção na Secretaria de Estado da Saúde.
A verdade é que a impunidade e o abandono a que foram relegadas as mais de 200 mães que perderam os seus filhos e 20 crianças que ficaram cegas por irresponsabilidades e até mesmo incompetências dos gestores da Maternidade Carmosina Coutinho, do prefeito Leonardo Coutinho e do Governo do Estado.
