O cenário industrial brasileiro enfrenta uma debandada silenciosa, mas profundamente expressiva. Dados recentes revelam que mais de 230 empresas já transferiram ou expandiram suas linhas de montagem para o Paraguai. Atraídos por um ambiente de negócios acolhedor, esses empreendimentos buscam do outro lado da fronteira o oxigênio financeiro que a máquina pública nacional lhes confisca diariamente. A migração massiva expõe as fraturas de um Brasil que pune quem produz.
Para o empresário Alexis Fonteyne, o movimento não representa um mero capricho corporativo, mas um imperativo de mercado. “A decisão das empresas brasileiras de montarem uma unidade no Paraguai é uma decisão lógica, uma questão de sobrevivência, de competitividade”, afirma. Segundo ele, o ambiente de negócios doméstico deteriora-se ano após ano, agravado pelas diretrizes do atual governo. O entrave inicial reside em uma burocracia paralisante que sabota projetos antes mesmo do início das obras.
Licenças de instalação e funcionamento enfrentam uma via crucis de órgãos reguladores, que vão do uso do solo a exigências do IPHAN, IBAMA, órgãos estaduais como a CETESB, além de interferências constantes do Ministério Público. Somando-se a isso, a carga tributária é descrita como “altíssima e insana”. Contudo, Fonteyne ressalta que o pior fator é a profunda insegurança jurídica: “Ninguém sabe exatamente como pagar impostos porque as interpretações estão na mente dos fiscais”, desabafa o empresário.
O ativismo judicial surge como outro gargalo crítico, especialmente na esfera trabalhista. Decisões ideológicas que desrespeitam leis sob o pretexto de um “fundo social” terminam por inflar o Custo Brasil, penalizando a geração de empregos. Fenômeno semelhante ocorre no âmbito cível, onde a judicialização predatória e irracional de reclamações — como se observa frequentemente no setor aéreo — cria passivos impagáveis, forçando o judiciário a atender demandas economicamente inviáveis e injustas para o setor privado.
Enquanto o Paraguai se consolida como um porto seguro com energia barata, estabilidade e logística eficiente, o Brasil amarga as consequências de sua própria irresponsabilidade fiscal.
“Outro ponto problemático no Brasil são as inúmeras ações cíveis contra empresas, por exemplo, as empresas aéreas que o tempo todo tem uma reclamação que invariavelmente judicializa e o judiciário sempre tende a atender uma demanda do cliente, mas que nem sempre é viável economicamente ou é justa.
“Paraguai está atraindo empresas porque ele está sendo um bom anfitrião, dando boas condições, menos carga tributária, mais segurança jurídica, sem ativismo judicial, leis trabalhistas mais adequadas e assim as empresas podem ser mais competitivas”, destacou Fonteyne. Com taxas de juros elevadas devido ao endividamento de um governo que gasta mais do que arrecada, o crédito privado murcha. Como pontua a mandala do Custo Brasil do Movimento Brasil Competitivo, cada item problemático reforça que produzir no vizinho e importar o produto — mesmo sob tributação — tornou-se o único caminho viável para não quebrar.”
Jornal da Cidade Online