CNJ suspende por 30 dias licitação de R$ 217 mil em mordomias para Dias Toffoli em voos da FAB

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu suspender por 30 dias a licitação para compra de lanches para Dias Toffoli e suas comitivas durante viagens em voos da Força Aérea Brasileira (FAB).

O diretor-geral do CNJ, Johaness Eck, determinou que o pregão seja retomado em “momento mais oportuno”.

“Considerando o atual cenário de emergência de saúde pública decorrente da pandemia do Novo Coronavírus, bem como as diversas medidas que estão sendo adotadas para mitigar a propagação da referida doença, inclusive no que se refere às restrições de viagens e encontros presenciais, encaminhem-se os autos à Comissão Permanente de Licitação (CPL), para que se suspenda, por 30 dias, a realização do Pregão Eletrônico n. 06/2020 a fim de que a Administração reavalie o momento mais oportuno para a realização da licitação.”

A licitação, que custaria R$ 217 mil aos cofres públicos, foi revelada por O Antagonista na semana passada. É a primeira vez que um edital para esse tipo de serviço foi feito no CNJ.

O cardápio é bem variado, com café da manhã, almoço e jantar. Além de estabelecer números que chamam a atenção, como R$ 63 mil em gelos em cubos e secos, estão previstas a compra de 126 sanduíches de filé, com gastos de R$ 2 mil, e de peito de peru a R$ 1,6 mil.

O menu inclui ainda bandeja de frios, castanhas, patê de diversos sabores (gorgonzola e tomate seco), geleias (damasco, laranja e morango), iogurte natural e light. Além, é claro, de bebidas, como água de coco, refrigerantes com açúcar e light e sucos.

O Antagonista

 

Como fazer prevenção ao Covid – 19, sem água, sabão, álcool gel, fome e extrema pobreza?

O isolamento social como a maior prevenção ao Covid – 19, está sendo bem assimilado pela população, mas infelizmente tem muita gente que não pode se inserir dentro do contexto pelas próprias dificuldades que enfrentam para subsistir no dia a dia.

Aqui em São Luís, há uma movimentação do poder público para dar assistência aos moradores de ruas, mas também há necessidade de se olhar para as famílias que vivem condições subumanas nas áreas de risco atingidas pelas enchentes, em que também estão as que foram transferidas para casas de parentes. São situações sérias, em que é impossível isolamento de qualquer ordem, além de que as pessoas precisam sair em busca do pão de cada dia.

Em nossa capital existem dezenas de comunidades que não contam com abastecimento de água e o produto é adquirido em locais de aglomeração, além de que não terão disponibilidade para lavar as mãos, de acordo com as orientações médicas. Isso sem falarmos em sabão e álcool gel. Se a situação em São Luís é séria em que milhares de pessoas estão expostas ao vírus por falta de uma política de emergência, avaliemos as famílias do interior do estado.

De acordo com o IBGE, o Maranhão tem 54,1% da sua população na extrema pobreza que vivem com R$ 406,00, com uma importante observação de que 3% do total passam fome, não têm qualquer tipo de renda. Outro fator assustador para o momento em que vivemos a prevenção ao Covid – 19, um pouco mais de 29% dos maranhenses não têm acesso ao abastecimento de água.

Dentro da campanha de prevenção ao Coronavírus, que chega a apavorar as pessoas e criar neuroses em outras, não se sabe o tem sido feito ou pretendido no Maranhão ao enfrentamento a doença nos 217 municípios.  A realidade é que a maioria da população é formada de pessoas que passam fome, vivem em plena miséria e integram os indicadores da extrema pobreza de acordo com o  IBGE.

O sério e grave problema está envolto em mistério, uma vez que o governo não fala e a classe politica também faz o silêncio obsequioso. O Covit-19 é letal e os riscos a que estão expostos os maranhenses precisa ser encarado com a devida e necessária responsabilidade. A massificação para o isolamento social é necessária, mas a maioria das famílias que não podem nem se aventurar a um isolamento, uma vez que as suas casas têm espaços bem restritos apenas para dormir num verdadeiro imprensado.

A distribuição de cestas básicas que seriam de 200 mil como doação da Assembleia Legislativa do Estado e participação do governo, que deu origem a uma enorme confusão no Reviver, precisa ser bastante melhorada, tendo-se como referência às duas mil que foram distribuídas para as pessoas da informalidade. Pelo que observei, uma cestinha daquelas para uma família de 04 pessoas não dura uma semana. Se realmente o governo pretende exercer a sua responsabilidade quanto às famílias que vivem na extrema pobreza que é mais da metade da população do Estado, precisa se mobilizar e comprar alguns milhões de cestas básicas, que neste momento o clientelismo se torna aceitável, mas sem qualquer desvio de finalidade para a exploração politica.

Apesar de inúmeras mobilizações que vêm sendo feitas no interior do Estado por entidades e por prefeituras, elas nunca chegarão à maioria dos pobres miseráveis que passam fome e sem as mínimas condições de defesa à pandemia do Covid-19.

 

Quando sair da cadeia no Paraguai, Ronaldinho tem encrenca à sua espera em Porto Alegre

Quando Ronaldinho Gaúcho deixar a cadeia no Paraguai, uma outra encrenca judicial o aguarda em Porto Alegre. Em ação que tramita na Vara Cível do Foro Regional da Tristeza, em Porto Alegre, o ex-craque está sendo cobrado pela ICH Administradora dos Hoteis Intercity.

A questão sub-judice: Ronaldinho comprou – e prometeu pagar a prazo – algumas unidades no Condomínio Urban Office e Hotel Intercity Curitiba.

Segundo a empresa alega, nenhuma parcela foi paga.

Detalhes (cabalísticos?): são 13 unidades, todas situadas no 13º andar do prédio. E mais: o número do processo tem 13 algarismos; e, nele, os dois últimos são, justamente, 13. (Proc. nº 1160013919213).

Pelo menos, o conteúdo dessa encrenca é meramente financeiro, mas, de qualquer forma, denota que o ex-craque vai realmente mal das pernas nas finanças.

Há quem diga que o rombo deixado pelo irmão Assis, nos últimos anos, supera a bagatela de 400 milhões de reais.

Ronaldinho nasceu para o futebol, um gênio. Assis nasceu para a picaretagem, um estelionatário de luxo.

Jornal da Cidade Online                

 

Pandemia do COVID-19

  * José Olívio Cardoso Rosa

Ao nascer de um famigerado dia, a China viu-se mergulhada em uma verdadeira pandemia, iniciando-se na cidade de Wuhan e se alastrando por várias cidades chinesas com um resultado fatal, por ceifar centenas de vidas e acometer gravemente a saúde de centenas de outras mais, numa guerra desigual, não existindo vacina para debelar esse mal, ora incurável.

Porém, o Presidente chinês Xi Jinping encarou o mal de frente, tomando medidas drásticas, fechando estabelecimentos para evitar aglomerações e consequentemente maior disseminação do vírus, inclusive igrejas, ficando todos confinados em suas casas, numa espécie de toque de recolher. Até os supermercados foram atingidos parcialmente, adequando-se como se estivessem em guerra.

A situação de calamidade pública gerada por essa pandemia que dantes era isolada ao território chinês avolumou-se desastrosamente para uma calamidade mundial ao afetar rapidamente diversos outros países, por conseguinte todas estas nações empenharam-se em descobrir uma cura química para esse vírus cruel e mortal.

Nesse cenário apesar dos esforços da comunidade científica mundial, que ainda não nos proporcionou a tão esperada notícia do desenvolvimento de uma vacina, louvamos estes profissionais, ao tempo que aguardamos com esperança e fé para que exitosamente obtenham resultados almejados nestas pesquisas e com a urgência que o panorama atual requer.

Por enquanto a melhor medida é atender todas as recomendações dadas pelos especialistas de prevenção a serem adotadas por cada indivíduo, seja de cunho sanitário ou distanciamento social. Que apesar de fugir aos nossos costumes habituais, e de representarem certos sacrifícios, são medidas deveras necessárias.

De certo que providências como a realização de videoconferência ao invés de reuniões presenciais, bem como, o distanciamento social de pessoas que corriqueiramente tínhamos contato físico, sobretudo familiares, e da recorrência da incursão dessa temática hodiernamente em nossas vidas, no campo pessoal e profissional permeando nosso lares, nossos periódicos, matérias de entretenimento e nosso trato diário nas relações interpessoais, notadamente acarretam no temor psicológico inevitavelmente incutido em nossas mentes derivado de todo esse arcabouço. Contudo temos como concepção irrefragável que tudo isso é passageiro e se todos fizermos nosso papel fundamental no enfretamento desse vírus mitigaremos de sobremaneira esses malefícios por ele proporcionado, até que surja a eficaz cura pela ciência através de um antídoto vacínico.

Desse modo sigamos com a sensatez devida e comprometimento que esse cenário requer. Além de clamarmos para que os demais que assim não se comportem, modifiquem suas posturas em prol do bem comum.

Enfim, rogamos a Deus nosso criador que ilumine e dê fertilidade a uma mente abençoada que possa encontrar a forma de debelação desse truculento vírus e esperamos que a paz reboe no mundo inteiro e finalmente cesse essa crise de saúde mundial, voltando assim tudo ao normal.

 José Olívio de Sá Cardoso Rosa é advogado e poeta.

 

Bolsonaro quer liberar R$ 36 bilhões para empregados de bares e restaurantes de todo o país

Desde quinta-feira, 26, circula a informação de que o presidente da República, Jair Bolsonaro, está estudando uma possibilidade que irá beneficiar milhares de empreendedores e seus funcionários em todo o país.

Bolsonaro deve editar Medida Provisória e autorizar a liberação de R$ 36 bilhões para pagar salários de funcionários de bares e restaurantes ao longo dos próximos três meses.

A iniciativa é mais uma ação do governo para amenizar o estrago na economia causado pela pandemia de coronavírus que está no Brasil.

Antes de encaminhar o texto ao Congresso, o Executivo o enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que alguns itens sejam reavaliados.

A previsão é que os recursos saiam do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Jornal da Cidade Online

 

Desunião contra o COVID-19

Carlos Nina*

A ambição e o egoísmo são tão exacerbados em determinadas autoridades públicas que não conseguem controlar-se nem mesmo neste momento de pandemia do COVID19. O interesse público é secundário.

Quando um vírus com enorme letalidade se alastra pelo mundo, era de se esperar que os responsáveis pela administração pública se unissem para planejar ações conjuntas, atendendo às peculiaridades relevantes.

Não foi isso o que aconteceu. Nem há perspectiva de que aconteça. Alguns veem no vírus um aliado para tentar desestabilizar e afastar o presidente da República. Motivo: seus pronunciamentos, suas palavras. Não o acusam de corrupção. Até admitem que seu ministério está fazendo a coisa certa. O que está por trás da trama contra o presidente é o fato de que atacou os esquemas de corrupção.

Para os golpistas é como se o povo brasileiro tolerasse a corrupção, mas não tolerasse a verborragia. Não é verdade. As últimas eleições provaram o contrário. Quanto às palavras rudes do presidente, têm sido usadas como argumento porque não há outro. Coisa que não houve contra os ex-presidentes que chamaram os aposentados de vagabundos e ofenderam inúmeros segmentos sociais e autoridades públicas, sem que tais manifestações causassem a mesma reação.

O que a população esperava de seus governantes é que de fato os discursos de união e solidariedade tivessem uma correspondência de honestidade e coerência com suas condutas e todos procurassem comunicar-se de forma saudável, na busca de solução para o problema, ainda que não fosse definitiva, mas que fosse consensual, permanentemente avaliada, para correção das medidas, conforme a necessidade. Para isso seria necessário que a pandemia fosse tratada com seriedade e não como aliada eleitoreira.

Dizer que quem prefere um tipo de enfrentamento a outro está escolhendo a economia em vez da vida é má-fé ou ignorância. É maldade, irresponsabilidade e falácia, para parecer bom moço, escondendo a crua realidade que deveriam todos analisar e avaliar.

Sobre o vírus devem falar os infectologistas, os cientistas e deles vir a orientação. E aos médicos, onde o vírus chega com intensidade superior à de seu enfrentamento, tem cabido a difícil tarefa de decidir a quem dar atendimento em detrimento de outrem.

No caso da decisão da administração pública, lamentavelmente cabe tarefa semelhante, porque ao tomar medidas extremas como de confinamento além da capacidade de subsistência, virá a violência, inclusive a doméstica, o caos, causando mais mortes do que as habituais, cujos números já são absurdos, mas compreensíveis pela falta de políticas e serviços públicos decentes efetivamente voltados para a população.

Governantes pedem verbas e suspensão de pagamento das dívidas. Mas não se ouve nada sobre suprimento do que é necessário para enfrentar o vírus. Sequer há preocupação eficaz com médicos e paramédicos, para que a todos sejam assegurados os equipamentos necessários de proteção e inclusive remuneração digna, porque são eles os que estão na linha de frente dessa guerra contra um inimigo invisível, traiçoeiro e letal.

A população espera que os recursos que estão sendo destinados ao combate ao novo corona vírus atinjam sua finalidade.

 *Advogado e jornalista

 Carlos Nina
(98) 9 8899 8381

 

 

 

O assassinato de mais um agente temporário da SEAP aumenta o medo pelas ordens de dentro dos presídios

As autoridades ainda não conseguiram elucidar o assassinato do agente penitenciário temporário  Alberto Diniz, ocorrido na BR 135, nas proximidades do Complexo Penitenciário de Pedrinhas. A vítima deixou a unidade prisional no último domingo, em esteve de plantão e bem próximo do local em que trabalhava foi alvejado a bala, quando conduzia a sua própria motocicleta, tendo caído do veículo já sem vida.

A verdade é que a ordem para a execução de Alberto Diniz partiu de dentro da unidade prisional onde trabalhava. É desconhecido se a vítima já teria tido algum problema com presidiário ou se ele teria feito denuncias de irregularidades e que acabou chegando ao conhecimento dos lideres, que determinaram a sua execução. Há também suspeitas de que no dia anterior ao assassinato que foi no domingo (22), houve suspensão das visitas em razão por causa da coronavírus, o que causou revolta e indignação entre os presos, os quais teriam afirmado que a resposta viria mais rápido do que podiam imaginar.

O certo é que o medo voltou a reinar entre os agentes penitenciários temporários, que hoje representam mais de dois terços da força da SEAP em todo o Sistema Prisional do Maranhão. Eles são contratados por seis meses e depois de acordo com os seus desempenhos ou indicação política podem continuar até por três anos. Para o Governo do Estado, a terceirização é importante sob o aspecto de que os temporários ganham salário de miséria, além de não terem direito a risco de vida e adicional noturno e podem ser postos na rua a qualquer momento. O mais importante dentro do contexto para a SEAP é que os temporários ganham quase um terço do salário de um agente penitenciário concursado e com risco de serem assassinados a qualquer momento.

A indignação dos mais de três mil agentes penitenciários temporários é que não podem ter armas para a defesa própria e ficam expostos, sem que haja um mínimo de proteção pela SEAP, que tem tratado os assassinatos dos temporários com muita indiferença.

 

 

Presidente Bolsonaro anuncia linha de crédito de R$ 40 bilhões para pequenas empresas

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta sexta-feira uma linha de crédito emergencial de R$ 40 bilhões para que pequenas e médias empresas possam pagar salários dos seus trabalhadores por dois meses em meio à crise causada pelo coronavírus. Inicialmente o Ministério da Economia havia sinalizado que permitiria a empresas suspender salários e que o governo compensaria o trabalhador pagando parte da remuneração suspensa.

No entanto, o presidente não disse se o governo ainda estuda essa medida, ou se haverá apenas a possibilidade de as empresas contraírem empréstimos para pagar salários. Ao lado de Bolsonaro, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que essa linha de crédito permitirá pagar até dois salários mínimos por trabalhador.

Segundo ele, a empresa terá que decidir entre bancar a diferença no caso das remunerações mais altas ou demitir. “A empresa pode não complementar (a diferença do salário coberto pelo empréstimo). Agora, a empresa vai fazer uma anállise se quer manter o funcionário ou não. O nosso intuito é fazer com que a base dos funcionários permaneça e que diminua o custo para as empresas”, afirmou Campos Neto.

“Vale lembrar que hoje 45% do custo de uma empresa pequena e média é folha de pagamento e a gente está fornecendo recursos a um juros que eles nunca tiveram nem perto”, disse ainda.

Os juros desses empréstimos serão de 3,75% ao ano, com carência de seis meses para início do pagamento, e prazo de 36 meses. Segundo Campos Neto, não haverá cobrança de spread (parte do juros que remunera os bancos).

A linha de crédito foi criada em parceria com o setor privado, por meio da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Dessa forma, o governo federal entrará com 85% dos recursos (R$ 34 bilhões) e os bancos privados com 15% (R$ 6 bilhões). Poderão acessar essa linha emergencial empresas com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões. O programa deve atender 1,4 milhão de empresas e 12,2 milhão de de pessoas.

Campos Neto explicou ainda que os bancos que operam as folhas de pagamento das empresas depositarão os recursos emprestados às companhias diretamente na conta dos trabalhadores. “Entre as medidas já anunciadas pelo governo, de modo que nos possamos atender as possíveis vítimas do coronavírus, (há) também uma preocupação em manter os empregos. A gente costuma falar na segunda onda (de impacto da economia). Nós devemos o máximo possível diminuir a altura dessas duas ondas (de contágio da doença e de impacto na economia), e elas caminham juntas”, disse Bolsonaro, ao anunciar a medida.

BBC NEWS

 

Mais de 70% da indústria brasileira de eletroeletrônicos sofrem com falta de insumos

Linha de produção de eletro eletrônicos da Semp Toshiba. Chão de fábrica. Indústria.
Manaus (AM) 27.10.2010 – Foto: José Paulo Lacerda
*** Local Caption *** Chão de fábrica da Semp Toshiba

Crise que afeta produção de peças na China, principal exportador para o Brasil, tem reflexos, principalmente, na fabricação de celulares e computadores

Por conta da crise mundial causada pelo novo coronavírus, mais de 70% das indústrias brasileiras do setor eletroeletrônico enfrentam problemas para manter a produção. O principal problema, aponta levantamento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), é a falta de materiais, componentes e insumos que eram importados da China. Os fabricantes de produtos de Tecnologia da Informação, como celulares e computadores, são os mais afetados.

“No total, 80% de tudo que é importado de componente eletrônico vem do continente asiático, o que demonstra uma grande vulnerabilidade. Não é o setor eletroeletrônico que tem essa situação, mas é uma coisa que nos faz pensar muito seriamente em diminuir essa vulnerabilidade”, relata o presidente da Abinee, Humberto Barbato.

Como a atividade industrial do país asiático também diminuiu, o reflexo aqui foi imediato. Segundo a pesquisa da Abinee, das 50 companhias ouvidas, três já trabalham com paralisação parcial das fábricas. Nos próximos dias, outras sete têm paralisações programadas.

Se informações preliminares estimam faturamento da indústria eletroeletrônica de R$ 154 bilhões em 2019, os prejuízos para este ano, até o momento, ainda não são conhecidos. Segundo a Abinee, a prioridade agora é cuidar e manter o emprego de 235 mil funcionários que prestam serviço ao setor no país.

A apreensão diante dos impactos econômicos, ao menos, serviu para mostrar que é possível ser menos dependente dos produtos chineses. Para isso, a instalação de indústrias que abastecem o setor requer regras mais claras e menos burocracia.

“Nós temos uma boa demanda, temos um mercado interno importante. Entretanto, ele não é suficiente para justificar a vinda de determinado fabricante de componentes para cá. Para isso, precisamos fazer a lição de casa: diminuir o Custo Brasil, fazer as reformas que estão sendo colocadas, para que a gente possa voltar a ser uma grande base de produção e de exportações”, espera Humberto Barbato, que defende que a aprovação da reforma tributária para melhorar o ambiente de negócios e atrair investimentos.

Os números preliminares do ano passado reforçam isso. Segundo dados da Abinee, com base em informações do IBGE e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a China é a principal origem das importações de componentes do Brasil, totalizando US$ 7,5 bilhões em 2019, o que representou 42% do total importado. Isso significa dizer que somente o país asiático foi responsável por 25% do total de insumos do setor (nacionais + importados). Enquanto isso, as exportações da indústria eletroeletrônica caíram de US$ 5,9 bilhões, em 2018, para US$ 5,6 bilhões, em 2019.

Este ano, os prejuízos podem ser maiores, levando em conta que mais da metade das fabricantes de eletroeletrônicos vão ter sua produção afetada e não vão devem atingir a produção prevista para este semestre ou ainda não calcularam os efeitos da crise. A Abinee estima que seja necessário, no mínimo, dois meses para que o ritmo de produção volte ao normal.

Socorro às empresas 

Enquanto as grandes reformas não chegam e o governo ajusta seu orçamento para recolocar a economia nos trilhos, o setor industrial adota medidas para atenuar os efeitos econômicos da crise. “A CNI tem feito um conjunto de propostas, de diferimento e parcelamento de dívidas fiscais e tributárias para dar mais oxigênio às empresas”, explica o Diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Lucchesi.

Na semana passada, a CNI encaminhou ao governo federal um pacote de 37 propostas nas áreas de tributação, política monetária, financiamento, normas regulatórias e legislação trabalhista, para socorrer as empresas em meio à pandemia do novo coronavírus.

A avaliação da entidade é que as dificuldades para produzir, geradas pela falta de insumos e pela falta de liquidez, fatores somados à queda nas vendas, poderão levar empresas à falência e aumentar os impactos sociais da crise.

O adiamento temporário de pagamento de impostos (diferimento), a que se referiu Lucchesi, foi uma das medidas acatadas pela área econômica do Planalto. A ideia é aliviar o caixa das empresas e, com isso, evitar demissões em massa.

Essa providência emergencial está prevista na MP 927/2020, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro nesta semana, e posterga o recolhimento do FGTS, pelos empregadores, dos meses de março, abril e maio. Os valores não recolhidos poderão ser pagos em até seis parcelas mensais a partir de julho, sem incidência de atualizações, multas e outros encargos.
Agência do Rádio MAIS

Falta de equipamentos e demora por exames é o drama dos médicos brasileiros nos casos de covid-19

Médicos na linha de frente do combate ao novo coronavírus no Brasil têm enfrentado desafios e momentos dramáticos no atendimento e tratamento de pacientes, como falta de equipamentos e demora por exames.

A BBC News Brasil ouviu profissionais de três Estados para entender como tem sido este trabalho tanto na rede pública quanto na privada. Seus nomes foram alterados, porque eles temem sofrer retaliação.

Os médicos relatam que os pacientes com covid-19, a doença causada por esse vírus, estão se multiplicando rapidamente — em um dos hospitais, o número de casos quadruplicou em dois dias, segundo uma médica. Ao mesmo tempo, faltam equipamentos de proteção adequados, e o risco de serem infectados aumenta ainda mais o estresse e o medo em sua rotina diária. Uma das médicas ouvidas pela BBC News Brasil afirmou que ela e seus colegas trabalham “apavorados”.

Já no caso da rede pública de São Paulo, outro ponto tem atrapalhado os servidores: uma demora de até dez dias para obter os resultados de exames que confirmam se uma pessoa foi infectada.

Falta de equipamentos

Um dos profissionais ouvidos pela reportagem, Ricardo trabalha em um dos principais hospitais públicos de referência de São Paulo para atendimento de pacientes com covid-19. O médico conta que, nos últimos dias, funcionários decidiram comprar equipamentos de proteção individual (EPI) por conta própria, porque o material enviado pelo poder público não atende à demanda do pronto-socorro e da unidade de terapia intensiva (UTI).

“Há diretores do hospital que, na falta dos equipamentos, tentam justificar para a equipe que eles não são necessários. Dizem que as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) para o uso de EPI são exageradas”, diz ele. Segundo Ricardo, nesta semana, um paciente com covid-19 precisou ser entubado emergencialmente na UTI, mas a médica de plantão não tinha máscaras disponíveis.

Esse tipo de procedimento é um dos que deixam os profissionais de saúde mais expostos ao vírus. “Ela fez o procedimento mesmo assim. E tem mais de 60 anos. Decidiu encarar (o risco). No dia seguinte, aconteceu a mesma cena, mas outro profissional falou que não iria fazer, porque não ‘queria ser mártir'”, conta o médico.

“Como vai entubar um paciente sem proteção? Isso está acontecendo. Na porta dos hospitais da Prefeitura e do Estado, você pode ver funcionários terceirizados lavando a entrada com equipamentos melhores do que os dos médicos que estão lá dentro.”

Lúcio, diretor de um grande hospital público de Brasília, enfrenta um problema parecido. “Até temos EPI em boa quantidade, mas estamos racionalizando. Não são todos os profissionais que estão usando, só aqueles que lidam diretamente com pacientes suspeitos. Mas muitos médicos estão comprando o próprio material”, afirma.

Ele também diz que muitos profissionais ainda não tinham treinamento para o uso do EPI. “As pessoas não sabem retirar e colocar os equipamentos da maneira adequada, para evitar contaminação. Estamos dando cursos”, explica. No Rio de Janeiro, a médica Luciana, responsável por pacientes com covid-19 internados em um hospital de uma das maiores redes privadas do país, também tem de lidar com a escassez de equipamentos de proteção. Seu hospital determinou que os profissionais que atendem pacientes com covid-19 usem máscara cirúrgica, um dos três tipos possíveis de máscara.

BBC NEWS