Reajuste de aposentadorias do INSS será de 6,58% para quem ganha acima do mínimo

Sem título

Reajuste atingirá mais de 30 milhões de beneficiários, entre aposentados, pensionistas e titulares de auxílios

Saiu o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que vai reajustar os benefícios de dez milhões de aposentados do INSS que ganham acima do salário mínimo. O aumento, retroativo a 1 de janeiro de 2017, será de 6,58% (variação inflacionária de janeiro a dezembro do ano passado), bem abaixo dos 7,5% previstos na proposta de Orçamento da União, enviada em agosto pelo governo, e também menor do que a inflação acumulada em 12 meses até novembro, que era de 7,38%.

O percentual ficou abaixo do previsto porque, segundo o IBGE, responsável pela apuração do indicador, a alta do custo de vida veio caindo nos últimos meses de 2016.

Ao longo do dia, o INSS deverá divulgar uma tabela escalonada de reajustes para quem só começou a receber benefício ao longo de 2016 e, portanto, não tem direito ao índice cheio de 6,58%, porque não sofreu as perdas inflacionárias do ano todo.

Vale lembrar que os 22,3 milhões de beneficiários do INSS que recebem um salário mínimo já tiveram seu aumento anunciado em dezembro. O piso subirá de R$ 880 para R$ 937, também a partir de 1 de janeiro de 2017.

Os benefícios reajustados começam a ser pagos nos cinco últimos dias de janeiro, para quem recebe o piso. O calendário se estenderá até os cinco primeiros de fevereiro, para os que ganham mais. As datas variam de acordo com o número final do cartão de pagamento (último algarismo antes do traço).

Fonte – Jornal Extra

‘A corrupção é o maior problema do sistema penitenciário’, diz o ministro da Justiça

Alexandre de Moraes afirma que todas as autoridades devem passar por equipamentos de segurança em presídios

 Sem título

O ministro da Justiça Alexandre de Moraes.

O ministro da Justiça, Alexandre de Mores, diz em entrevista ao GLOBO que todas as autoridades, incluindo promotores e juízes, devem passar por equipamentos de segurança em presídios. Para ele, a corrupção é o maior problema no sistema penitenciário. Para não abrir uma “janela de oportunidade”, ele determinou que os bloqueadores de celular atinjam até o setor administrativo das prisões.

O senhor acha que os visitantes têm condição de entrar com armas e celulares ou isso se deve mais aos funcionários dos presídios?

Há uma crise crônica de mais de cem anos e uma crise aguda no sistema penitenciário que, de tempos em tempos, ocorre num estado ou outro, porque nos últimos dez anos cresceu o número de presos sem que houvesse investimento. Temos uma série de fatores que levam a isso. Mas eu não erraria em afirmar que hoje o maior problema do sistema penitenciário na questão do crime organizado é a corrupção. Então, tem que construir presídio, mas só presídio não resolve. Vamos aparelhar os presídios com “scanner”, bloqueador de celular, raio-x. Só que temos que capacitar agentes penitenciários, e isso está no plano de segurança, e fazer um combate eficaz à corrupção. O que adianta ter bloqueador de celular e “scanner” se, na hora de passar no equipamento, houver corrupção?

Como exigir que funcionários e demais pessoas que transitam nos presídios se submetam a equipamentos?

Há protocolos nos estados que preveem isso. Agora, você tem que ter diretor e chefes de área fiscalizando isso. Mas há problemas maiores como o de, às vezes, liberarem visitas sem fazer nenhum tipo de vistoria. Se (o funcionário) libera quatro ou cinco que entram com armas e celulares, já preparou uma rebelião. Se houver suspeita de corrupção, tem que afastar e investigar.

O senhor defende que todas as pessoas, incluindo advogados, juízes e promotores, passem pelos equipamentos ao entrar nos presídios?

Todas. O equipamento não é algo, principalmente o “scanner” que vamos colocar, que fira a dignidade da pessoa. O que custa passar no “scanner”? Todas essas autoridades quando viajam não têm que passar pelo raio-x do aeroporto? Quando vão para o exterior, não têm que passar naquele (equipamento) que põem a mão? Alguém se nega? Se se negar, não entra no país. Alguns diretores pedem para deixar desbloqueado o setor da administração. Fica mais caro, porque tem que fazer um desbloqueio do bloqueio. E pode vir a gerar a corrupção. Enquanto está trabalhando, ninguém tem que falar ao celular, deve falar no telefone fixo. Então o bloqueio vai ser integral.

O senhor conhece casos concretos em que isso tenha ocorrido?

Não queremos fulanizar. Você não pode afirmar que quem pede assim (desbloqueio na área administrativa) é corrupto. Mas gera uma possibilidade, uma janela de oportunidade.

A maior parte dos presídios não tem “scanner” corporal e alguns nem contam com raio-x. Autoridades devem passar pela mesma revista que qualquer outra pessoa nesses locais?

A revista pessoal à autoridade que atua lá não acho necessária. Agora, isso logo não será problema, porque vamos liberar no mínimo dois “scanners” para todas as penitenciárias. Na sequência, vamos para os centros de detenção provisórias e cadeias públicas, onde ficam os provisórios. E raio-x também.

O senhor, que classificou recentemente como mera bravata alguns acontecimentos atribuídos a facções, acha que elas foram subestimadas?

Não temos que subestimar nada na criminalidade, mas não podemos superestimar. Temos que tratar como elas são. Temos que ver que toda a crise crônica e aguda não é decorrente de um único fator: facções. Não é o único que levou a essas questões em Manaus e Roraima.

Confere a informação de que o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho atuam para se tornar um cartel internacional do tráfico?

Não comento informação de inteligência. Até porque a informação de inteligência se analisa e se atua.

Como o senhor avalia a prática dos estados de separar presos nas cadeias por facção

O ideal é separar por gravidade de crime, periculosidade, idade. Os estados adotam outros critérios em virtude da superlotação. Mas o ideal às vezes é difícil. Queremos juntos, com o plano de segurança, construir a possibilidade de separar adequadamente. Nas quase 30 mil vagas que serão possíveis criar com o dinheiro repassado no fim do ano (R$ 1,2 bilhão do Fundo Penitenciário Nacional), os estados terão de fazer essa separação que a Constituição determina. Repito isto cansativamente: o Brasil prende muito e mal. Não é culpa da Justiça, do promotor, da polícia. Mesmo crimes sem violência ou grave ameaça vão para a penitenciária. Porque não investir mais em medidas restritivas, tornozeleira, penas alternativas? Ano após ano misturamos os presos e levamos um exército para a criminalidade organizada.

Mas as investigações no Brasil não identificam nem 10% dos autores de homicídio no Brasil. Como passar a prender melhor?

Essa é a lógica que montamos no plano, mapeando os casos, levantando os dados. Vamos fazer um sistema de prestação de serviços à comunidade que seja fiscalizado. E o plano prevê um cardápio de opções para que o juiz, ao conceder a liberdade provisória, possa fiscalizar. Dessa forma, tiramos quem não precisa estar no sistema e aí vai sobrar vagas para os crimes mais graves. A lógica do sistema penitenciário e criminal brasileiro precisa ser alterada. Vamos focar nos homicidas, latrocidas, roubadores. Porque é isso que gera a criminalidade grave. E agir de forma mais inteligente nos crimes sem violência e grave ameaça, principalmente os patrimoniais.

E se a pessoa incide no furto e outros crimes sem violência, deve continuar sendo submetida a medidas alternativas à pena privativa?

No caso do tráfico, mesmo de pequena quantidade, se for reincidente, a lei considera crime hediondo. Não há discricionariedade para nenhuma interpretação. No caso do crime sem violência ou grave ameaça, é uma questão de o juiz analisar. Não acho que o caminho deva ser obrigatoriamente a prisão. Tenho convicção de que (com medidas alternativas) diminuiríamos a reincidência O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo disse que preferia morrer a ir para uma prisão brasileira. Também pensa assim? Eu prefiro não cometer nenhum crime, como fiz minha vida toda, para não ter que ir para a prisão.

Deputados da Frente Parlamentar da Segurança Pública pediram ao presidente Temer a criação do Ministério da Segurança Pública, que seria desmembrado do Ministério da Justiça. Qual a sua posição?

Eu estava na reunião. A questão de colocar em pauta nacional a segurança é importantíssima. Toda a motivação para a criação do ministério, que vem de anos e anos, é porque o Ministério da Justiça nunca atuou na questão da segurança, nunca se colocou para coordenar, integrar. Ficava em segundo plano, o que não existe mais. A área de segurança, que engloba toda a questão penitenciária, é a prioridade absoluta desde que assumi. Essa pauta foi construída, integrando informações da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícias Militares, Polícias Civis, Depen (Departamento Penitenciário Nacional). Hoje, não há, a meu ver, necessidade da criação.

E o presidente expressou a posição dele?

O presidente colocou exatamente isso. O que por anos e anos foi um descaso do Ministério Justiça com segurança hoje vem sendo feito. O que ele acha importante é avançar mais nisso, aplicar rapidamente os recursos. Agora a discussão da segurança sempre é importantíssima.

As autoridades estaduais são coniventes? O secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Norte, Wallber Virgolino, disse ao GLOBO que há um acordo tácito entre direções de presídios, secretários, autoridades estaduais com pressos para que o caldo não entorne. Os detentos fazem festa, falam ao celular, fazem churrasco, levam mulheres.

Levar celular, bebida, entrar drogas, festas, isso é crime. Quem é conivente com isso está cometendo crime e deve ser afastado. Mas as autoridades estaduais atuam numa dificuldade muito grande para combater isso.

O senhor anunciou esta semana a força-tarefa de defensores públicos de todo o país para verificar os processos de presos que podem ser soltos, começando por Manaus. É parecido ao que foi feito pelo mutirão carcerário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Trouxe alívio, mas hoje a superlotação é maior. Há uma morosidade do Judiciário? O Judiciário precisa ser mais ágil?

Todas as instituições têm suas dificuldades. Por que os estados não conseguiram ter 100% de audiências de custódias (em que a pessoa presa pela polícia é levada ao juiz para ele avaliar se há necessidade de mantê-la atras das grades) ainda? Você dobra o número de custódias, mas com o mesmo número de juízes, promotores, defensores, funcionários. Você tem que analisar a questão de recursos humanos. Quem me entregou um ofício em Manaus foi a Defensoria Pública do Amazonas. A ideia de criar uma força nacional de defensores. Tinha sido feito já em Pedrinhas (presídio no Maranhão onde houve mortes de presos em 2013). Eu achei a ideia ótima, mas (precisar ocorrer) de forma permanente. Obviamente, permanente até não haver mais necessidade. Não seria mais fácil que cada estado contratasse mais juízes, promotores e defensores? Na crise econômica que o país vive, os estados estão no limite financeiro. Então por isso que essa é uma medida que tem uma chance muito grande de dar certo.

Os governos anteriores, desde Fernando Henrique (1995-2002), fizeram planos de segurança. Todos continham como pilar principal a integração com os estados. O que a gente viu na prática nesses planos foi uma dificuldade muito grande de se firmar convênios, seja pela burocracia, pela falta de troca de informações. O novo plano vai conseguir ultrapassar essas barreiras?

O plano não tem absolutamente nada a ver com os planos anteriores. Eram cartas de intenções. O plano que nós construímos foi junto com os estados. Isso nunca foi feito. Basta perguntar para os secretários (de Segurança Pública). É um plano operacional, com toda a parte estratégica montada, e com todo o indicativo tático. Os planos anteriores ficavam nos objetivos e intenções. Plano anterior dizia: reduzir homicídios. Nós já pegamos todas as capitais, mapeamos todos os homicídios nas capitais, já temos no banco de dados, cruzamos as informações, levantamos todos os mandados de prisão de homicidas, latrocidas, agressores de mulher. Já verificamos onde estão as câmeras, onde vamos instalar.

A privatização de presídios é um possível caminho para a crise no setor?

 São vários caminhos. Com o dinheiro que foi repassado aos estados, podem ser criadas de 25 mil a 30 mil vagas. Agora, isso tem que ser criado. Os últimos nove presídios entregues em convênios com os governos estaduais, do momento da assinatura do convênio à entrega da chave, levaram em média seis meses e meio. Há impugnação quando escolhe o município. Há impugnação porque não quer naquele terreno. Daí impugnação na licitação. O nosso desafio é pegar um modelo que construa rápido. O modelo que a legislação permite de contratação diferenciada, igual foi na Copa do Mundo, que se estendeu em 2015 para o sistema penitenciário. Ainda não foi usado. Há uma outra lei que autoriza realizar um chamamento para que se faça uma espécie de leasing, que seria uma espécie de parceria público-privada só para a construção. Quem fizer o menor aluguel ganha a licitação. Por tantos anos vai pagando (às empresas) e no final reverte para o estado.

O que já foi feito quanto a isso?

Estamos analisando essas possibilidades para evitar que esse dinheiro não se perca na burocracia. Há empresas que constroem em oito, dez meses. Estamos analisando isso. Vamos ter reunião na terça-feira com todos os secretários, para ver se a gente consegue até o fim do ano inaugurar essas penitenciárias para ter essas vagas. Agora, isso não depende só de boa vontade da gente, porque pode entrar alguém com uma impugnação, uma ação.

Houve a liberação de dinheiro para construção de presídios nos estados. Uma vez erguidos, haverá repasse para mantê-los?

A manutenção é do próprio estado. Até porque não podemos pagar servidores públicos estaduais.

São Paulo tem a maior população carcerária brasileira: 36% dos presos no país. O senhor inclusive já foi secretário de Segurança Pública do estado. São Paulo errou nessa política de alto encarceramento?

Não. O estado de São Paulo, nos últimos 20 anos, é o único que teve reduções gigantescas nas taxas de criminalidade. Só se compara, se pegar o crime principal, que é homicídio, a Nova York e Bogotá. São Paulo não adotou o encarceramento pelo encarceramento. Adotou uma série de mecanismos para encarcerar quem precisava ser encarcerado. E investiu muito em presídios. Agora São Paulo segue o sistema brasileiro. Nós precisamos mudar a cultura geral. Acho que este é um bom momento. A cultura geral estava errada? Não é isso. Não dá para chegar e dizer ao Judiciário: ó, solta aqui. Dá para soltar porque estamos oferecendo uma prestação de serviço que vai ser fiscalizada, um curso da capacitação, tornozeleira eletrônica. É necessário fornecer as condições corretas para o Judiciário analisar se realmente vai conceder liberdade. Acho que é essa a mudança de mentalidade.

Fonte – CNJ

Piso salarial do professor passa para R$ 2.298,80 e segundo a CNTE, o Maranhão não paga para os professores de nível médio

O Ministério da Educação anunciou nesta quinta-feira (12) um reajuste de 7,64% no piso salarial dos professores do país. Com o aumento, o menor valor a ser pago a esses profissionais deve passar dos atuais R$ 2.135,64 para R$ 2.298,80. A implementação do novo valor, porém, vai depender de cada Estado. Levantamento feito em 2016 pela CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) mostrou que mais da metade dos Estados brasileiros não pagam o piso, dentre os quais está o Maranhão, que não honra o piso para professores com formação de nível médio

O reajuste deste ano ficou 1,35 ponto percentual acima do índice da inflação do ano passado, que foi de 6,29%. Em 2016, ainda sob a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, o salário teve um reajuste de 11,36%, passando de R$ 1.917,78, em 2015, para R$ 2.135,64. A inflação acumulada no período foi de 10,67% (ganho real de 0,69 ponto percentual).

O reajuste vai representar um gasto adicional de pelo menos R$ 5,083 bilhões aos municípios brasileiros em 2017, segundo cálculos da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). O aumento ocorre justamente em meio às dificuldades enfrentadas por prefeitos para equacionar as contas diante da crise econômica.

Questionado sobre isso, o ministro da Educação, Mendonça Filho, disse que cumprir o piso é obrigação nacional. “As redes municipais e estaduais têm obrigação de cumprir a legislação federal. Sabemos que o contexto atual é de dificuldade financeira, mas governo federal tem empreendido esforços para passar recursos que ajudem na receita para a área da educação dos Estados e municípios”, declarou.

Em entrevista coletiva, Mendonça Filho reforçou que o governo federal antecipou, no fim do ano passado, R$ 1,5 bilhão do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).

Estados não pagam o piso

Contrariando o que diz o levantamento do CNTE, o presidente do Consed (Conselho Nacional dos Secretários de Educação), Frederico Amâncio, afirmou que quase a totalidade dos Estados cumpre sim o piso nacional. “Eu diria que praticamente todos Estados cumprem esse valor mínimo. Agora, outra discussão é se eles estão aplicando o percentual de reajuste do piso como reajuste salarial [das demais faixas]”, disse.

Já o presidente da CNTE, Roberto Leão, disse que o tema é bastante controverso. “Os Estados declaram [ao MEC] que cumprem com o piso. Mas se a gente for pesquisar direitinho, se for avaliar Estado a Estado, vamos ver que os dados são divergentes e controversos, porque a Lei do Piso não fala apenas do mínimo a ser pago, mas da jornada de trabalho, do percentual para cumprimento da hora/atividade, entre outras questões”, afirmou.

Segundo a tabela divulgada pela CNTE, Alagoas, Goiás, Maranhão, Paraíba, Paraná, São Paulo, Tocantins e Rio Grande do Sul não cumpriam o valor do piso apenas para os professores com formação de nível médio, mas aqueles com formação superior recebiam o valor atualizado.

Já Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, Rondônia e Pernambuco não pagavam o valor no vencimento, como estipula a lei, mas cumprem o valor na remuneração, ou seja, acrescentando gratificações e complementações. Espírito Santo não cumpria o valor estipulado para 2016 nem mesmo na remuneração.

Fonte – UOL Noticias

Barbárie prisional é projeto político rentável, diz professor da USP

A barbárie prisional, cujo exemplo mais claro são chacinas como as ocorridas em presídios no Norte do país recentemente e que provocaram a morte de mais de 90 detentos nos primeiros dias deste ano, é um projeto político rentável, avalia Conrado Hübner Mendes, professor da Universidade de São Paulo. Para ele, a violação de direitos dos presos e problemas como as péssimas condições dos estabelecimentos, a superlotação e o encarceramento em massa não são resolvidos pelos governantes porque podem ser capitalizados para ganhar confiança do eleitorado e conseguir mais votos nas urnas.

 Sem título

Para o professor da USP Conrado Hübner Mendes, à medida que mais mata e causa pânico, a bárbarie prisional mais dá votos e elege políticos da estirpe dos que hoje conduzem a crise.
“A barbárie prisional é um projeto político rentável. À medida que mais mata e causa pânico, mais dá votos e elege políticos da estirpe dos que hoje conduzem a crise. Estamos presos nesse círculo vicioso há décadas. É por isso que os representantes políticos permanecem surdos a argumentos, evidências e estudos. É óbvio que não querem solucionar nada, nem aplicar uma política pública que enfrente o problema da violência”, disse à ConJur nesta terça-feira (10/1).

Prova do que Mendes afirma foi o plano de segurança que o governo Michel Temer anunciou dias após o massacre que aconteceu no Amazonas e em Roraima. O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse que o objetivo do plano será reduzir o número de homicídios dolosos (com intenção) e feminicídios (crime de ódio contra mulheres), combater o tráfico de drogas e armas e modernizar os presídios.

Moraes ainda anunciou a liberação do dinheiro do Fundo Penitenciário (Funpen) para que os estados construam mais presídios. Segundo o ministro, esse dinheiro vai resultar na criação de “aproximadamente 25 mil vagas”. Ele também anunciou a construção de um presídio federal em cada estado. Especialistas ouvidos pela ConJur criticaram as medidas que serão adotadas pelo governo. Afirmam que, além de o plano não trazer novidades, não traz nenhuma medida efetiva para o sistema prisional brasileiro.

Mendes classificou o plano de Temer e Moraes de “capenga” e cheio de “generalidades inócuas”. “Temos um presidente cuja primeira manifestação é a proposta de construir mais presídios e um ministro da Justiça que, além de querer mais presídios, quer, ironicamente, retirar recursos do fundo para investimento em presídios para investir em armamentos”, critica o jurista.

Ele ainda aponta a indiferença de Temer ao tema prisional. Diz que o presidente tem uma crise humanitária sob seu nariz e não faz mais do que reproduzir o senso comum “mais vulgar”. “Depois de cometer a exuberante gafe ao dizer que o massacre foi um acidente pavoroso, não teve a dignidade de retratar-se. Seu narcisismo linguístico é tamanho que se preocupou em ir ao Twitter e colocar sinônimos da palavra ‘acidente’. Até numa hora dessas o tom é professoral, emocionalmente vazio, tecnicamente medíocre.”

O Psol já questionou no Supremo Tribunal Federal a medida provisória que permitiu o uso do Funpen em questões de segurança pública alheias ao sistema prisional. De acordo com a MP, agora é possível usar o dinheiro do fundo para atividades de caráter policial, como “políticas de redução da criminalidade” e “inteligência policial”, que não têm ligação com o sistema carcerário. Além disso, a fonte de receita do fundo foi reduzida.

Mendes criticou também o aprofundamento no combate às drogas, a maior causa de superlotação de presídios por “práticas banais criminalizadas”, segundo ele. Conjugada com a ineficiência estatal, tudo indica que as execuções ocorridas na Penitenciária Agrícola Monte Cristo, em Boa Vista, e no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, resultaram de conflitos entre as facções rivais que controlam paralelamente os presídios. Mas esses assassinatos em penitenciárias só continuam ocorrendo pela insistência na chamada guerra às drogas, que sobrecarrega o sistema carcerário, fortalece as organizações criminosas e não reduz o uso de entorpecentes, de acordo com especialistas.

Para o professor, o problema de superlotação nos presídios é agravado pela postura de parte do Judiciário, que “quase” desconhece pena que não seja a de prisão, apesar de um repertório bem mais amplo estar previsto na legislação brasileira. Ele afirma que os poucos juízes que procuram cumprir a lei e pluralizar as penas são perseguidos pela própria corporação e pelo Ministério Público. “É um beco sem saída, um ciclo de cinismo que não conseguimos quebrar. Permanecemos sequestrados por autoridades primitivas. No campo prisional e da segurança, a Constituição nunca teve mínima eficácia”, acrescentou.

Fonte – Consultor Jurídico

As cadeias da degradação humana

Dom Roberto Francisco Ferreira Paz
Bispo de Campos (RJ)

Já não é nenhuma novidade que a realidade prisional do país é uma verdadeira afronta à humanidade, e as massacres acontecidas fazem pensar no título de uma obra literária: Crônica de uma morte anunciada. O triste é que foram muitas mortes, e ficou escancarado o drama da superlotação que brutaliza os apenados, a disputa feroz, e com requintes de crueldade entre facções criminosas rivais, que organizam o espaço interno, tornando reféns aos presos, a falta de reeducação e de trabalhos que ressocializem o detento e lhe ensinem um ofício, que possa posteriormente inseri-lo na vida econômica e social servindo-lhe de sustento.

O PLS 513/2013 apresenta modidificações, a Lei de Execução Penal, no sentido de garantir a sustentabilidade em termos numéricos, tratando de evitar a superlotação e impedir o encarceramento em delegacias demandando uma maior agilidade judicial. No entanto é preciso ir além, pensar em penas alternativas, acompanhar os processos acelerando aqueles casos que não apresentam periculosidade e já estão no fim do cumprimento da pena, reformatar os presídios priorizando para os detentos comuns por crimes de reduzida letalidade a proposta de colônias agrícolas e industriais.

Viabilizar a LEP na sua processualidade e caminho de ressocialização e a progressividade nos regimes proporcionando a harmonização e a plena recuperação do apenado. Fortalecer e difundir experiências como a APAC (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado), que visam uma metodologia de reintegração social com o apenado, mostrando que ninguém é irrecuperável e que o extermínio e barbarização do preso intensifica e aumenta a violência no conjunto da sociedade, que se torna mais degradada e insensível.

Enquanto Igreja servidora dos irmãos (ãs) apenados, acredito que a pastoral carcerária faz um trabalho indispensável, na evangelização e acompanhamento espiritual do aprisionado ajudando-o no processo de internalização de valores humanos e cristãos e resgatando a humanidade e a esperança do apenado, fortalecendo sua auto- estima e dignidade. Como afirma o Papa Francisco, comentando as chacinas recentes no Brasil: São necessárias cadeias dignas. Que Jesus que nos liberta de todas as opressões e amarras nos permita humanizar esta realidade de sofrimento e morte, superando o Estado Penal de nossos dias, para construir coletivamente estabelecimentos que ressocializem e promovam integralmente pessoa do apenado. Deus seja louvado!

Fonte – CNBB Nacional

Vereador Francisco Chaguinhas cobra da Prefeitura de São Luís limpeza de ruas no São Cristóvão

O Vereador Francisco Chaguinhas (PP) esteve na manhã desta quinta-feira (12) iniciando seus trabalhos de 2017, com a fiscalização dos serviços prestados à comunidade. E mais uma vez se surpreendeu com o descarte irregular de lixos e entulhos na Rua do Arame, bairro São Cristóvão, que se encontra completamente obstruída, obrigando os pedestres a andar no leito carroçável da rua e correndo risco em meio aos veículos.

 No ato, o vereador solicita à Prefeitura, por meio dos órgãos competentes, melhorias urgentes na Rua do Arame, bairro São Cristóvão. Em conversa com moradores, constatou a necessidade da limpeza, mas também da advertência a respeito da proibição de jogar entulho, já que o local é utilizado com este fim por algumas pessoas.

  “O local está completamente ruim, impossibilitando as pessoas de andarem nas calçadas. Todos correm risco de vida, pois estão sujeitos a acidentes. Solicitamos que a Prefeitura de São Luis faça, de modo emergencial, a limpeza desta área, pois assim traria também a segurança aos pedestres”, disse.

Fonte – Assessoria do Vereador Chaguinhas

Quando é que Sebastião Uchôa vai ser responsabilizado pelas barbáries e corrupção no Sistema Penitenciário?

aldir

O problema mais sério e que vem corroendo o Sistema Penitenciário nos Estados, reside na corrupção deslavada e a impunidade. As barbáries registradas no Complexo Penitenciário de Pedrinhas no governo passado proporcionaram mais de 80 mortes, centenas de fugas, muitas pela porta dos presídios através da corrupção vergonhosa. Teriam sido mais de 200 milhões de reais desviados e ninguém foi responsabilizado. O poderoso secretário Sebastião Uchôa, veio a ser exonerado, depois que a Globo News mostrou ao vivo a fuga de presos do Cadeião do Diabo e a governadora foi transformada em chacota. O Ministério da Justiça, o STF, os Tribunais de Contas do Estado e da União e o Ministério Público Federal podem perfeitamente apurar e responsabilizar criminalmente todos os envolvidos nas barbáries e na corrupção no governo passado.

O Consultor de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, Juan Ernesto Méndez, quando veio ao Maranhão com uma equipe técnica de aproximadamente sete pessoas, esteve reunido com agentes e inspetores penitenciários na sede do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Maranhão, após as barbáries no Complexo Penitenciário de Pedrinhas e que resultaram em mais de 80 mortes, inúmeras com requintes de perversidade e decapitações de presos. Com a missão de ver perto as acusações feitas por entidades de direitos humanos do Brasil, a Missão da ONU decidiu reunir separadamente com o Governo do Estado, Tribunal de Justiça, Ministério Público e algumas entidades da sociedade civil organizada, dentre as quais o Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Penitenciário do Maranhão.
O consultor Juan Ernesto Méndez mostrou-se surpreso quando recebeu no SINDSPEM, documentação bem acentuada de denúncias de corrupção no Sistema Penitenciário do Maranhão, dentre as quais um relatório bastante contundente e com informações precisas até com publicações no Diário Oficial do Estado, feitas pelo Movimento de Auditores Unidos Contra a Corrupção.
Juan Ernesto Méndez, durante a prolongada reunião perguntou se algum gestor do Sistema Penitenciário do Maranhão havia sido responsabilizado pelas barbáries, oportunidade em que o líder sindical Cézar Bombeiro, respondeu ao representante da ONU, que a pergunta deveria ser feita a Governadora do Estado, a Presidente do Tribunal de Justiça, a Procuradora Geral de Justiça e ao então Secretario de Segurança Pública. Publicamente o caso está na verdadeira impunidade tanto para as barbáries e para a vergonhosa corrupção, tendo destacado que o documento produzido pelo Movimento de Auditores Unidos Contra a Corrupção foi encaminhado para todas as instituições acima citadas.
O então poderoso secretário Sebastião Uchôa, de Justiça e Administração Penitenciária era um homem da mais extrema confiança da governadora Roseana Sarney e era blindado por um grupo de políticos que tinham interesses e negócios escusos na pasta e por empreiteiras que se constituíam em verdadeiros ralos por onde saiam recursos públicos que deveriam ser aplicados nas unidades prisionais para oferecer um mínimo de dignidade humana aos presos foram criminosamente desviados.
Havia um sistema para defender o secretário Sebastião Uchôa, que até um juiz da Vara das Execuções Penais, deixava de cumprir a sua responsabilidade de fiscalizar e tomar providências sobre a realidade perversa nas unidades prisionais, para ocupar espaços em emissoras de rádio e jornais fazendo apelos patéticos para a governadora Roseana Sarney não exonerar Sebastião Uchôa e agredia vergonhosamente agentes penitenciários, sem ter nunca conseguido qualquer ônus de prova contra alguem e deve responsabilizado pelo SINDSPEM junto ao CNJ.

Proteção a Corrupção
A corrupção no Sistema Penitenciário do Maranhão era tão vergonhosa, que o elementos contratados como monitores sem um mínimo de qualificação profissional eram colocados pelo secretário Sebastião Uchôa para dirigir unidades prisionais do Complexo de Pedrinhas. Um chegou até a ser preso pela Policia Civil por facilitado fuga de três assaltantes de banco, além de ter se constituído em um facilitador de saídas em finais de semana de presos de elevado índice de periculosidade mediante pagamentos. Outro diretor vendeu mais de uma tonelada de ferro de grades destruídas por presos, que poderiam ser recicladas. Esse elemento hoje é agente temporário e continua na impunidade.
Um registro que não se pode deixar de fazer, reside em contrato feito com a empresa Gestor, pelo qual a então SEJAP repassava mensalmente mais de um R$ 1,5 milhão mensais para o pagamento de 294 pessoas com salários entre um mil e sete mil reais para não trabalhar. O Movimento de Auditores Unidos Contra a Corrupção fez a denuncia mostrando a folhas de pagamentos e registros dos contratos publicados no Diário Oficial do Estado.
Ministério da Justiça e o STF podem investigar as barbáries e a corrupção
A iniciativa do Ministério da Justiça e do Supremo Tribunal Federal em acompanhar bem de perto os Sistemas Penitenciários Estaduais e corrigir desvios de rumos, pode perfeitamente se constituir em instrumento, juntamente com os Tribunais de Contas da União e dos Estados e mais os Ministérios Públicos Estaduais e Federais para investigar desvios de recursos destinados aos Sistemas Penitenciários. No Maranhão chegou-se a comentar que desvios através de práticas ilícitas teriam ultrapassado mais de 200 milhões de reais

Conselheiro do CNJ desabafa e diz que Estado não manda mais nos presídios

       aldir

   O conselheiro Norberto Campelo, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), fez um desabado nesta terça-feira (10) durante entrevista ao Jornal do Piauí. Para ele, o Estado perdeu o comando do sistema prisional no país. As chacinas em presídios do Amazonas e Roraima recentemente evidenciaram a situação no país.

          “Não resolveremos o problema com mais presídios. O problema tem inúmeras fontes, muitas raízes. Ao longo do tempo deixou-se que isso acontecesse e hoje nós temos um domínio dos presídios brasileiros pelas facções criminosas. Dizer que as facções criminosas ainda não chegaram ao Piauí, eu acredito que não é uma informação correta na minha concepção. A gente tem conhecimento de facções no Piauí e elas estão se tornando inclusive internacionais. Essas informações já existem e o problema se tornou ainda mais complexo e de difícil solução”, afirmou.

          Norberto define as prisões brasileiras como “escolas do crime” e defende o projeto das audiências de custódia, lançado pelo próprio CNJ.

“Nosso sistema prisional é uma escola do crime. Para não se colocar no sistema pessoas que lá não devem estar, foi criada a audiência de custódia. O juiz vai poder avaliar se o delito é suficiente para a pessoa ficar detida. As vezes é uma banalidade. São pessoas que podem ter um apenamento alternativo e uma nova oportunidade. Se você coloca uma pessoa como essa em um sistema falido como o nosso, onde o Estado não manda mais, não tem jeito. As autoridades não têm mais comando dos presídios no Brasil. Quem manda são as facções criminosas. É uma escola do crime. A reincidência é altíssima e com crimes mais violentos”, desabafa.

             Para o conselheiro, além do poder Executivo, o Judiciário também tem sua parcela de responsabilidade com o sistema prisional. Ele cita como exemplo benéfico, o programa de execuções penais eletrônicos, onde a vida do preso é detalhada desde a entrada na cadeia.

“Nós sabemos que quem administra o sistema prisional é o poder Executivo, o poder Judiciário também tem a sua parcela de responsabilidade, mas entendo que o Conselho Nacional de Justiça já iniciou um programa que são as execuções penais eletrônicas. Em Teresina já está funcionando, Parnaíba deverá começar provavelmente no início de fevereiro. As execuções penais no Piauí são um exemplo, claro que em nível de capital. Os processos estão todos em dia e nós conhecemos o perfil dos presos. São poucos mais de 4 mil processos em andamento. O país inteiro precisa se integrar a este sistema”, concluiu.

Fonte – Hérlon Moraes
herlonmoraes@cidadeverde.com

FENASPEN diz que o Maranhão tem 17,6 agentes penitenciários para cada uma das suas 33 unidades prisionais

               aldir

A Federação Nacional dos Servidores Penitenciários do Brasil – FENASPEN, elaborou um relatório nacional sobre o número de agentes penitenciários, presos e unidades prisionais de cada unidade  da federação. A iniciativa da entidade é mostrar para o Ministério da Justiça, a realidade de cada Estado, que muitas vezes não retratam a realidade em seus relatórios.

                   De acordo com os números levantados pela FENASPEN, no Maranhão existem atualmente 581 agentes penitenciários servidores públicos, com os 100 nomeados há poucos dias, aprovados em concurso público e habilitados em todo o processo de capacitação, sendo que existem outros 145 agentes penitenciários que concluíram o curso com os que já foram nomeado e que estão no aguardo de nomeação.

                  No documento encaminhado ao Ministério da Justiça e ao Superior Tribunal Federal, o Maranhão aparece com o número de 581 agentes penitenciários para 33 unidades prisionais e o número de presos de 8.137. A realidade atual é que o Sistema Penitenciário do Maranhão tem uma média de 17,6% de agentes penitenciários, servidores públicos por cada unidade prisional, destaca a FENASPEN.

Ministério Público Federal no Maranhão garante junto a Justiça vacina DTPa para casos confirmados de microcefalia

              O fornecimento havia sido interrompido em abril de 2015

               A partir de ação proposta pelo Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA), a Justiça Federal condenou a União a fornecer a vacina DTPa – Tríplice Acelular (CRIE) aos recém-nascidos portadores de microcefalia. Desde o mês de abril de 2015, o Ministério da Saúde não fazia o repasse à rede pública.

             A vacina é indispensável por apresentar menos reações adversas. Segundo o MPF, a omissão no fornecimento da vacina representa clara lesão ao direito à saúde e à dignidade da pessoa humana, sendo potencializada por se referir a crianças com microcefalia.

             Assim, a Justiça determinou à União Federal que forneça a vacina DTPa a todos os casos confirmados de crianças nascidas com microcefalia no Maranhão. O número para consulta processual na JF/MA é 0016082-40.2016.4.01.3700

 

Assessoria de Comunicação

Procuradoria da República no Maranhão