Reportagem aponta que eventual vitória do senador fortaleceria a estratégia de Trump contra cartéis. O jornal americano The New York Times publicou uma reportagem sobre o desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais brasileiras. O texto afirma que, nos últimos 18 meses, candidatos de direita venceram sete eleições na América Latina. Flávio terminou o primeiro turno com 47% dos votos, ante 45% de Lula (PT). “Os brasileiros também deram aos políticos de direita o controle do Congresso e dos governos estaduais em todo o país, incluindo quatro novos legisladores federais com o sobrenome Bolsonaro. (São eles a esposa do ex-presidente, dois de seus filhos e seu irmão.)”, diz a reportagem.
De acordo com o NYT, uma vitória de Flávio seria a peça fundamental que falta na crescente lista de aliados de Donald Trump na região. Isso mudaria caso o senador vencesse o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
“O governo Trump está determinado a exercer um controle crescente sobre a região por meio de tarifas, sanções, ataques aéreos, revogação de vistos, interferência eleitoral, um embargo de petróleo contra Cuba e a captura do líder venezuelano”, afirma o jornal.
O texto também cita a Doutrina Monroe, associada à política externa do governo Donald Trump para a América Latina. Segundo a reportagem, o governo Trump fez da nova guerra contra as drogas sua principal prioridade na América Latina. O jornal compara a estratégia à guerra contra o terror no Oriente Médio e afirma que a Casa Branca passou a agir de acordo com essa política.
O Departamento de Estado designou 21 grupos criminosos na América Latina como organizações terroristas. O Pentágono realizou 71 ataques contra embarcações em águas que circundam a América Latina, matando quase 240 pessoas que, segundo o governo americano, eram traficantes de drogas. “Muitos especialistas jurídicos consideram esses ataques ilegais”, afirma o NYT.
No mês passado, tropas americanas se juntaram a uma operação policial no Equador contra um cartel. Esse é o tipo de cooperação que, segundo o jornal, o governo Trump deseja expandir. Dezoito nações latino-americanas aderiram a uma nova coalizão liderada pelos Estados Unidos contra os cartéis, e pelo menos quatro delas, Colômbia, Guatemala, Honduras e Equador, já concordaram em realizar operações militares conjuntas com o Pentágono. O texto também lembra a relação entre Trump e o ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-presidente já declarou que integraria o Brasil à coalizão anticartel, conhecida como Escudo das Américas, e que colaboraria com os Estados Unidos no combate aos cartéis de drogas brasileiros.
O Antagonista