Ódio e armas: combinação letal nos EUA

           O atentado em Orlando coloca o foco no frouxo controle do acesso às armas. Poucos países oferecem tantas armas, mais de 300 milhões, e de tão fácil acesso. O comentário é de Marc Bassets em artigo publicado por El País

Eis o artigo.

          A matança homofóbica de Orlando, na madrugada de domingo, foi imediatament e descrito como o pior ataque terrorista em solo norte-americano desde 11 de setembro de 2001 e o pior ataque com armas da história dos EUA. Nas próximas horas, o debate vai se desenrolar entre esses dois argumentos. Um deles, a tenaz realidade de que os EUA são o país do mundo com mais armas de fogo per capita e também o país desenvolvido com mais violência armada. E dois, a possibilidade de que aqui residam cidadãos norte-americanos simpatizantes do terrorismo jihadista dispostos a perpetrar atentados mais ou menos inspirados pelo Estado islâmico ou ISIS (na sigla em inglês).

          Nada sabemos, no momento da redação destas linhas, sobre a origem da arma do crime e a filiação exata do criminoso. É hora de cautela. O medo é a confluência, perfeita e letal, dos dois fenômenos citados. Poucos países oferecem tantas armas, mais de 300 milhões, e de tão fácil acesso – consagrado na Constituição, de acordo com a interpretação vigente – como os Estados Unidos.

            Os EUA, além disso, estão em guerra contra o ISIS e são um dos inimigos históricos do jihadismo. Nos últimos meses, as derrotas em seus feudos da Síria e do Iraque levaram o ISIS a tentar expandir a guerra aos países ocidentais. Depois dos atentados de 2001, em que cerca de 3.000 norte-americanos foram mortos, a entrada de estrangeiros nos EUA se tornou muito mais difícil.

            Um ataque como o das Torres Gêmeas e do Pentágono, com uma multidão de terroristas infiltrados e com uma logística que exigiu anos de elaborada preparação, dificilmente se repetirá. Os cenários apocalípticos de ataques com armas biológicas ou pequenos artefatos nucleares tampouco se cumpriram. Foi dito que o próximo ataque será feito por alguém que já viva legalmente nos EUA e com uma tecnologia mais rudimentar como um rifle ou uma pistola.

           A matança de Orlando acontece num momento de máxima tensão na política norte-americana. O direito de portar armas foi motivo de debate na campanha para as eleições presidenciais de 8 de novembro: é habitual. A novidade é a presença na campanha de um candidato à Casa Branca que agitou, com sucesso, a hipótese de um atentado jihadista. O republicano Donald Trump, rival da democrata Hillary Clinton, sugeriu inscrever os muçulmanos num cadastro e vetar a entrada nos EUA de fiéis dessa religião. Orlando colocará à prova o prestígio daqueles que aspiram dirigir o país mais poderoso do planeta nos próximos quatro anos.

Novo Procurador-Geral de Justiça toma posse nesta terça-feira

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A sessão solene de posse do procurador-geral de justiça, Luiz Gonzaga Martins Coelho, nomeado para o biênio 2016-2018, será realizada nesta terça-feira, às 19h, no auditório da nova sede da Procuradoria-Geral de Justiça (Av. Carlos Cunha – s/n – Calhau). Participam da cerimônia autoridades do Ministério Público Maranhão e de outros estados e dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Pela manhã, como parte da programação, será celebrado um culto ecumênico, às 9h, no mesmo local.

Luiz Gonzaga Martins Coelho irá substituir Regina Lúcia de Almeida Rocha que ocupou o referido cargo durante dois mandatos, de 2012 a 2014 e de 2014 a 2016.

O novo procurador-geral de justiça foi nomeado pelo governador Flávio Dino em 30 de maio, após ser eleito para a lista tríplice do MPMA, no pleito realizado no dia 16 de maio.

PERFIL

Luiz Gonzaga Martins Coelho ingressou no Ministério Público do Maranhão em 3 de janeiro de 1994, como promotor de justiça substituto. Foi titularizado na Comarca de Olho D’Água das Cunhãs, de onde foi promovido, por merecimento, para a 2ª Promotoria de Justiça de Presidente Dutra.

Em maio de 1998, foi promovido para a 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Timon, mais uma vez pelo critério de merecimento. O promotor foi titular, ainda, de promotorias nas Comarcas de Caxias e Bacabal. Desta última foi promovido, em 2012, para São Luís. Na capital, ocupa a 28ª Promotoria de Justiça Especializada, com atribuições na área da infância e juventude.

Luiz Gonzaga Coelho também foi presidente da Associação do Ministério Público do Estado do Maranhão, no período de 2004 a 2007.

Fonte – CCOM-MPMA

 

É abusiva negativa do plano de saúde em fornecer medicamentos receitados

Mesmo admitida a possibilidade de que o contrato contenha cláusulas que limitem o direito do consumidor, é abusiva a exclusão do custeio de medicamento.

            O STJ possui jurisprudência no sentido de que, mesmo admitida a possibilidade de que o contrato de plano de saúde contenha cláusulas que limitem o direito do consumidor (redigidas com destaque, permitindo imediata compreensão), é abusiva a exclusão do custeio de medicamento prescrito por médico responsável pelo tratamento do beneficiário.

A abusividade permanece configurada mesmo que o tratamento seja ministrado em ambiente domiciliar. O entendimento presente em decisões do tribunal foi utilizado para o julgamento de ação na qual uma operadora de plano de saúde buscava a modificação da decisão da Justiça estadual que negou seguimento ao recurso especial.

Na ação principal, a paciente relatou que foi diagnosticada com câncer de mama e, por esse motivo, seu médico prescreveu tratamento com uso contínuo de medicamento. Entretanto, o fornecimento do medicamento foi negado pelo plano, sob a justificativa da existência de cláusula contratual que vedava a entrega de remédios para tratamento domiciliar.

Abusividade

           Ao STJ, o plano de saúde alegou que a negativa de prestação do medicamento foi realizada de acordo com as disposições contratuais e que a paciente não afastou a legalidade da cláusula acordada livremente entre as partes.

Todavia, para o ministro relator, Marco Aurélio Bellizze, o contrato assinado pela paciente previu a cobertura da doença (neoplasia maligna de mama), e o tratamento medicamentoso decorreu de prescrição médica.

Se o contrato prevê a cobertura de determinada doença, é abusiva a cláusula que exclui o tratamento, medicamento ou procedimentos necessários à preservação ou recuperação da saúde ou da vida do contratante“, apontou Bellizze, ao manter decisão de segunda instância, que determinou o pagamento de indenização no valor de R$ 10 mil em favor da autora.

Jurisprudência

          Os julgados relativos à negativa de fornecimento de medicamentos pela operadora de plano de saúde estão agora disponíveis na ferramenta Pesquisa Pronta, no site do STJ. A ferramenta reuniu diversos acórdãos sobre o tema.

Fonte – Migalhas

“O Governo que na sua administração se preocupa com o cidadão é um bom gestor” – dispara vereador Chaguinhas.

O Vereador Francisco Chaguinhas, do PP, utilizou a tribuna da Câmara Municipal, para falar sobre a grave situação em que se encontra o município de São Luis, em vários segmentos sociais. Em seu discurso, ele pontua também três pontos fundamentais para que se tenha uma gestão séria e eficaz, e com os olhos voltados para os cidadãos.

         ─ Para encontrarmos um bom prefeito, é preciso ter três pontos fundamentais: ao chegar à cidade, ver como é que estão as ruas. Temos que observar se a cidade está limpa, olhar os prontos socorros e investir mais na saúde pública, pois diariamente milhares de pessoas morrem por falta de atendimento nas unidades de saúde de nossa capital. O Governo que na sua administração se preocupa com o cidadão, este, sim, é um bom gestor –  diz Chaguinhas.

                Dando continuidade em seu discurso, Chaguinhas não poupou críticas à gestão municipal. Segundo ele, o gestor pecou muito em apenas quatro anos da administração do prefeito. Nenhuma escola foi construída, mas, sim, fechadas pela gestão.

         ─ Entendemos que não ha como festejar quatro anos de governo. Não tem nenhuma escola construída por essa gestão. Muito pelo contrário, As escolas construídas nos governos Jackson e Tadeu Palácio foram fechadas por falta de acompanhamento. É muito triste e decepcionante ver o retrocesso da educação nos últimos dois governos que passaram nessa cidade.  Um tem sido acompanhado pelo outro. E sabemos que a Secretaria de Educação é uma das que mais recebem recursos federais. Sendo assim, olhando a precariedade das escolas do município, entendemos muito claramente que está tendo desvio de finalidade, desvio da função que deve ter o dinheiro público na questão da educação  –  finaliza.

 Fonte – Diret – Comunicação – CMSL

Empresários e delegado Almir Macedo recebem título de cidadão ludovicense

         Sessão solene realizada pela Câmara Municipal de São Luís presidida pelo presidente, vereador Astro de Ogum (PR), homenageou com o título de cidadão ludovicense, aos empresários, Mário Cezar Caíres Rocha, Roberto de Souza Alheiros Dias, e o delegado de polícia civil, Almir Macedo. A solenidade contou com as presenças de autoridades, convidados, e familiares dos três homenageados.

         O decreto legislativo, autoria do vereador Edmílson Jansen (PTC), foi aprovado este ano pela maioria do Legislativo. Em seu pronunciamento, o vereador trabalhista cristão destacou a importância do evento

        “ Não faço apenas uma simples homenagem, mas estamos reconhecendo a importância destes novos cidadãos, que contribuíram para o desenvolvimento de nossa capital”, pontuou Edmilson Jansen

          O presidente da casa, vereador Astro de Ogum, lembrou que a Câmara, destaca sempre personalidades, que prestam serviços relevantes para a sociedade ludovicense.

AGRADECIMENTOS –Os homenageados agradeceram os parlamentares, em especial o vereador, Edmilson Jansen, pela  iniciativa, e o presidente  Astro de Ogum (PR), que  comandou a mesa dos trabalhos.

            Presentes na sessão solene, O delegado e assessor especial da prefeitura de São Luís, Aldir Teixeira; delegada Irismar Cantanhede; Miguel Pinheiro, Subsecretário Municipal de Esporte; José Carlos Madeira, Juiz Federal; Itamargarethe Correia de Lima, diretora de comunicação da Câmara Municipal; Conceição Fernandes, esposa do homenageado, Mario Cesar, os vereadores Josuel Pinheiro, Carioca, José Joaquim, Estevão Aragão, Armando Costa, e Barbosa Lages, além de outros convidados.Após o ato solene, todos prestigiaram um almoço oferecido na Picanharia “THÉ” de propriedade de Mário Cesar.

Fonte – Diret – Comunicação – CMSL

Penitenciários recusam proposta salarial do Governo do Estado e anunciam greve de advertência de 48 horas

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A assembleia geral do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Maranhão  foi marcada por muita indignação , decorrente da proposta de reajuste salarial apresentada pelo Governo do Estado, que segundo a maioria dos agentes e inspetores penitenciários presentes, tem um propósito de desqualificar a categoria, principalmente quando não a reconhece como de nível superior, mas para inscrição em concurso público existe a exigência de curso superior feita nos editais. Quando foi feita a análise da proposta e a progressão de reajuste e uma verificação com os soldos dos policiais militares, chegou-se a conclusão de que em 2018, um agente penitenciário em inicio de carreira estará recebendo salários inferiores a um PM.

        Foram fortes as criticas feitas aos secretários de estado Márcio Jerry e Antonio Nunes, que estiveram na assembleia passada dos penitenciários e que chegaram a manifestar esperanças de que a proposta seria próxima de uma remuneração digna. Os mais inflamados registraram que o governador Flavio Dino estava bem identificado com o prefeito Edivaldo Holanda Júnior, que está oferecendo aos servidores municipais reajuste de dois por cento.

       Depois de muitos questionamentos e inúmeras criticas aos problemas existentes atualmente no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, o presidente em exercício do SINDSPEM, o inspetor Ideraldo Gomes colocou em votação as propostas apresentadas pelos associados, sendo que algumas delas chegaram a ser retiradas e outras foram para votação.

       Foram aprovadas pela maioria as seguintes propostas: O encaminhamento ao Governo do Estado de uma contraproposta e deflagração de uma greve de advertência de 48 horas nos dias 17 e a8 do corrente. Ficou definida uma comissão para elaborar e encaminhar ao Governo do Estado a contraproposta salarial.

        A maioria dos presentes à assembleia geral lamentou profundamente o tratamento que o governador Flavio Dino está dando a categoria, que o apoiou para chegar ao Palácio dos Leões. Eles registraram que nunca esperaram quaisquer privilégios do governador e muito menos benefícios, mas tinham aspirações que pelo menos seriam tratados com respeito e dignidade, o que infelizmente também foi uma frustração, afirmaram agentes e inspetores penitenciários.

Audiência de conciliação na justiça entre Estado, Prefeitura e Ministério Público sobre aumento de tarifas de coletivos

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  Está marcada para o próximo dia 16, na Vara dos Interesses Difusos, audiência de conciliação na justiça entre a Prefeitura de São Luís, Governo do Estado e a Promotoria de Defesa do Consumidor, sobre o aumento das tarifas dos transportes coletivos de São Luís, concedido pela Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte para os coletivos urbanos e pela Agência Estadual de Transportes para os semiurbanos.

       Como o aumento foi concedido por decisão expressa da Prefeitura e do Governo do Estado, a Promotoria de Defesa do Consumidor decidiu ajuizar uma ação, por entender que o percentual de 11,84%, se constitui em uma penalização para os usuários de transportes coletivos, diante da séria crise econômica e financeira, que tem resultado em desemprego em massa, o que afeta diretamente trabalhadores e estudantes.

        A promotora de justiça Litia Cavalcanti, titular da Promotoria Especializada de Defesa do Consumidor, defende que se o aumento foi concedido para atender interesses dos empresários, o município e o estado podem perfeitamente assumir o reajuste a exemplo do que já foi feito em inúmeras cidades brasileiras, diante da realidade séria que desestabiliza milhares de famílias, afirmou a representante do Ministério Público.

         O Governo do Estado e a Prefeitura de São Luís já se manifestaram nos autos e no próximo dia 16, o juiz Douglas Martins, tentará uma conciliação entre as partes. As entidades estudantis e de trabalhadores que suspenderam protestos contra o reajuste estão aguardando as negociações na justiça, para depois tomarem um posicionamento público. A verdade é que trabalhadores e estudantes afirmam que a concessão do aumento das tarifas dos coletivos fez parte de um acordo com os empresários como antecipação para a licitação dos transportes coletivos de São Luís e também beneficiar as linhas semiurbanas.

Procuradoria Geral de Justiça ministra curso de atualização em Direito Eleitoral para promotores de justiça

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Edson Castro comentou sobre formas de prevenção de infrações eleitorais

Promotores de justiça com atribuição eleitoral participaram do evento

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Promotores de justiça com atribuição eleitoral participaram do evento

Destinado a promotores de justiça que vão atuar nas eleições municipais deste ano, o curso “Eleições 2016” foi apresentado na manhã desta sexta-feira, 10, no auditório da nova Procuradoria Geral de Justiça, em São Luís, pelo promotor do Ministério Público de Minas Gerais, Edson de Resende Castro. O treinamento foi promovido pela PGJ, em parceria com a Escola Superior do Ministério Público (ESMP).

                  O objetivo da capacitação foi atualizar os promotores eleitorais sobre as mudanças na legislação eleitoral com vistas ao pleito de 2016. Temas como propaganda eleitoral, registro de candidaturas, inelegibilidade, compra de votos e uso da máquina administrativa foram tratados na ocasião.

Também foram abordadas as medidas de prevenção e combate aos abusos no processo eleitoral.

Na abertura do evento, a procuradora-geral de justiça, Regina Lúcia de Almeida Rocha, afirmou que a capacitação é muito importante, sobretudo neste momento de intensa efervescência política. “Temos que pensar numa correta e eficaz atuação do Ministério Público, porque a população clama pelo combate à corrupção. Para isso, é necessário que a lei seja devidamente aplicada”, afirmou a procuradora-geral de justiça.

A diretora da ESMP, Ana Teresa Silva de Freitas, saudou os presentes e agradeceu o apoio que recebeu da administração superior do Ministério Público do Maranhão, no mandato de Regina Rocha. “Aproveitem o dia para tirar dúvidas e discutir o tema. Estamos aqui com um dos mais renomados conhecedores do assunto”, ressaltou a promotora.

Também se pronunciou o presidente da Ampem, Tarcísio Bonfim. “A nossa entidade de classe sempre será parceira nestes eventos porque entende a importância de cada vez mais a instituição buscar a qualificação de seus membros”.

PROPAGANDA

             Um dos criadores da Lei da Ficha Limpa, o palestrante Edson de Resende Castro iniciou o curso comentando sobre a importância de uma atuação preventiva para evitar ilícitos eleitorais. O promotor citou a expedição de Recomendações e a realização de reuniões com candidatos e partidos para o esclarecimento da legislação eleitoral. “Muitos dizem que as Recomendações somente repetem o que já existe na lei, mas muitos candidatos desconhecem a legislação”.

             Outro tema abordado no começo da capacitação foi a propaganda eleitoral, destacando as diferenças com a propaganda partidária e quais os fatores que podem caracterizar propaganda extemporânea. “Para se atestar se é propaganda antecipada, o mais importante não é exatamente o texto, mas sim o contexto em que a mensagem é lançada”, frisou.

             Do Ministério Público do Maranhão, também estiveram presentes o procurador-geral de justiça nomeado, Luiz Gonzaga Martins Coelho; o corregedor-geral do MPMA, Suvamy Vivekananda Meireles; e o promotor de justiça com atuação junto à Procuradoria Regional Eleitoral, Pablo Bogéa. Representando a Procuradoria Regional Eleitoral, compôs a mesa o procurador da República Flauberth Martins Alves.

Fonte – Eduardo Júlio (CCOM-MPMA)

É mentiroso o discurso de que a privatização carcerária é mais barata, afirma a direção nacional da Pastoral Carcerária

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A viabilidade da privatização de unidades prisionais no Brasil foi o tema da reportagem “O preço do preso” publicada pela J.press, a agência de reportagens da Jornalismo Júnior da ECA-USP. Um dos entrevistados foi o Padre Valdir João Silveira, coordenador nacional da Pastoral Carcerária, que criticou qualquer modalidade de privatização de presídios. “Existe um discurso mentiroso que, ao privatizar, sai mais barato. Você pega os contratos e vê que há um custo a mais para cada preso, de R$ 1.000 a R$ 1.500 a mais quando é privatizado”, afirmou o Padre Silveira.

          Já em 2014, conforme a reportagem, um relatório da Pastoral Carcerária caracterizou o valor de R$1,8 bilhão — correspondente ao custo mensal para manter os presídios brasileiros, caso todos fossem privatizados — como “impraticável”.

A reportagem detalha que há no Brasil 52 presídios privatizados, espalhados em 11 estados; e mostra que os presídios privatizados oneram os cofres públicos, na medida em que nas prisões estatais o preso custa entre R$ 1.300 e R$ 1.700 por mês, enquanto que, por exemplo, no presídio privatizado de Ribeirão das Neves esse valor chega a R$ 3.000 e no Complexo Nova Itajaí (SC), que adota modelo de cogestão, chega a R$ 4.500 mensais, de acordo com a CPI do sistema carcerário brasileiro.

“As cogestões e as [prisões] privatizadas no Brasil são inconstitucionais. Não têm base na Constituição brasileira nem na lei de execução penal”, afirmou o Padre Valdir, que alertou para outro problema. “Os agentes penitenciários das privatizadas ganham um salário de R$ 1.000 a R$ 1.500, enquanto que no Estado é de R$ 4.000. Tem gestão compartilhada no Brasil que, por ano, chega a uma rotatividade de 70% dos funcionários, que são mal preparados e mal remunerados”.

A reportagem recorda que “a ideia de privatizar o sistema penitenciário surgiu em meio ao neoliberalismo inglês, durante a gestão Thatcher, nos anos 1980. Rapidamente se espalhou para os Estados Unidos, onde a população carcerária se expandia como nunca antes visto em função da política de ‘guerra às drogas’. A premissa básica era criar uma colaboração entre os setores público e privado que satisfizesse a ambos: o Estado ganharia prisões mais seguras e de melhor qualidade, e as concessionárias garantiriam cerca de 30 anos de consumo incessante de seus serviços, correspondentes à duração média desse tipo de contrato — uma estabilidade financeira invejável entre o empresariado”.

O texto faz menção às visitas da Pastoral Carcerária em unidades privatizadas e a outras apenas geridas pelo Estado. Naquelas, a principal reclamação dos presos se refere a repressão imposta pelos gestores, enquanto nestas se mencionam velhos problemas como superlotação, precariedades das celas, má alimentação e falta de itens de higiene. Em resumo, nenhum dos modelos pode levar a um tratamento humanizado das pessoas encarceradas.

Nos parágrafos finais da reportagem, a autora, Laura Castanho, aponta que “é quase impossível falar em alternativas à privatização presidial sem esbarrar nas mazelas do sistema prisional como um todo, admitido por muitos como falido” e menciona a Agenda Nacional pelo Desencarceramento, que propõe o esvaziamento do sistema carcerário por meio de ações estratégicas, da descriminalização do porte e tráfico de drogas à suspensão de verba para a construção de mais presídios, incluindo a revogação da privatização do sistema.

Fonte – Pastoral Carcerária Nacional

 

Papa Francisco: é herético dizer “é isto ou nada”, Jesus nos ensina o realismo sadio

          papa

Todos dias o Papa Francisco abre o seu coração ao Povo de Deus do Mundo

   Querer “isto ou nada” não é católico, é “herético”. Essa é a advertência de Francisco na missa matinal na Casa Santa Marta, totalmente centrada no “realismo sadio” que o Senhor ensinou aos seus discípulos.

A reportagem é de Alessandro Gisotti, publicada no sítio da Radio Vaticana

            O papa enfatizou o mal que causam no povo de Deus os homens da Igreja que fazem o contrário daquilo que dizem. Por isso, exortou a se libertar de um idealismo rígido que não permite que nos reconciliemos entre nós.

          “A tua justiça deve superar a dos escribas e fariseus.” O Papa Francisco inspirou-se nessa exortação de Jesus, no Evangelho dessa quinta-feira, para se deter sobre a importância do realismo cristão. O povo, afirmou o pontífice, estava “um pouco perdido”, porque “aqueles que ensinavam a lei não eram coerentes” no seu “testemunho de vida”.

           Então, Jesus pede que se supere isso, que se “vá para cima”. Assim, toma como exemplo o primeiro mandamento: “Amar a Deus e amar o próximo”. E ressalta que qualquer pessoa que se encolerizar contra o seu irmão deverá ser submetida a juízo.

Insultar o irmão é como dar um tapa na sua alma

            “É bom ouvir isso – disse o papa – neste tempo em que estamos tão acostumados aos qualificativos e temos um vocabulário tão criativo para insultar os outros.” Isso, retomou, “é pecado”, é “matar, porque é dar um tapa na alma do irmão”, na sua “dignidade”. E, com amarga ironia, acrescentou que, muitas vezes, dizemos tantos palavrões “com muita caridade, mas os dizemos aos outros”.

             Referindo-se à presença de crianças na missa, o papa também exortou a ficar “tranquilos”, “porque a pregação de uma criança na igreja é mais bonita do que a do padre, do bispo e do papa”. Deixem-na estar, foi o seu convite, “porque ela é a voz da inocência que faz bem para todos nós”.

Causa escândalo um homem da Igreja que faz o contrário daquilo que diz

               Jesus, afirmou o papa, a “esse povo desorientado”, pede que olhe “para cima” e vá “em frente”. Mas não deixa de salientar como faz mal ao povo o contratestemunho dos cristãos:

         “Quantas vezes nós, na Igreja, ouvimos estas coisas, quantas vezes: ‘Mas, aquele padre, aquele homem, aquela mulher da Ação Católica, aquele bispo, aquele papa nos dizem: Vocês devem fazer isto!, e ele faz o contrário’. Esse é o escândalo que fere o povo e não deixa que o povo de Deus cresça, vá em frente. Não liberta. Esse povo também tinha visto a rigidez daqueles escribas e fariseus, e, quando vinha um profeta que lhes dava um pouco de alegria, perseguiam-no e até o matavam: não havia espaço para os profetas lá. E Jesus lhes diz, aos fariseus: ‘Você mataram os profetas, perseguiram os profetas: aqueles que traziam ar fresco’.”

Seguir o realismo sadio da Igreja, não a idealismos e rigidez

“A generosidade, a santidade”, que Jesus nos pede, “é sair, mas sempre, sempre para cima. Sair para cima.” Essa, disse Francisco, é a “libertação” da “rigidez da lei e também dos idealismos que não nos fazem bem”. Jesus, comentou depois, “nos conhece”, “conhece a nossa natureza”. Portanto, ele pede para que nos coloquemos de acordo quando temos um contraste com o outro.

Jesus – disse o papa – também nos ensina um realismo sadio.” “Muitas vezes – acrescentou – não é possível chegar à perfeição, mas, ao menos, façam aquilo que vocês podem, ponham-se de acordo”:

         “Esse é o realismo sadio da Igreja Católica: a Igreja Católica nunca ensina ‘ou isto ou isto’. Isso não é católico. A Igreja diz: ‘Isto e isto’. ‘Faça a perfeição: reconcilie-se com o seu irmão. Não o insulte. Ame-o. Mas, se houver qualquer problema, ao menos, ponha-se de acordo para que a guerra não exploda’. Esse é o realismo sadio do catolicismo. Não é católico ‘ou isto ou nada’: isso não é católico. Isso é herético. Jesus sempre sabe caminhar conosco, nos dá o ideal, nos acompanha rumo ao ideal, nos liberta desse enjaulamento da rigidez da lei e nos diz: ‘Faça até o ponto que você pode fazer’. E ele nos entende bem. Esse é o nosso Senhor, é isso o que Ele nos ensina.”

Reconciliar-se entre nós é a “santidade pequenina” da negociação

O Senhor, disse ainda, nos pede para não sermos hipócritas: não ir louvar a Deus com a mesma língua com que se insulta o irmão. “Façam aquilo que vocês podem”, acrescentou, “é a exortação de Jesus“, “ao menos, evitem a guerra entre vocês, ponham-se de acordo”:

        “E eu me permito lhes dizer esta palavra que parece um pouco estranha: é a santidade pequenina da negociação. ‘Mas eu não posso tudo, mas quero fazer tudo, mas me ponho de acordo com você, ao menos não nos insultemos, não façamos a guerra e vivamos todos em paz’. Jesus é grande! Ele nos liberta de todas as nossas misérias. Também daquele idealismo que não é católico. Peçamos ao Senhor que ele nos ensine, em primeiro lugar, a sair de toda rigidez, mas sair para cima, para poder adorar e louvar a Deus; que ele nos ensine a nos reconciliarmos entre nós; e também, que nos ensine a nos pôr de acordo até o ponto em que o possamos fazê-lo.”

Fonte – IHUSINOS