Doação para campanha deverá ser identificada por CPF ou CNPJ

cpjResolução 23.406 impõe como condição às doações a devida identificação do CPF ou CNPJ do doador originário.

Uma norma editada e aprovada pelo TSE em meados de março para as eleições de outubro possivelmente fechará brecha com relação a repasse de verbas para candidatos e dará cabo das chamadas doações ocultas. Para tanto, a resolução 23.406 da Corte eleitoral impõe como condição às doações a devida identificação do CPF ou CNPJ do doador originário.

A regra não estava prevista nas eleições anteriores e foi acrescentada a pedido do MP/SP. O partido ou comitê indicava na prestação de contas de quem recebeu o dinheiro e para quais candidatos tinha feito doações, mas não fazia ligação direta.

O mecanismo foi amplamente utilizado nas últimas eleições, quando, de acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, empresas como Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS, Camargo Corrêa e o braço da Vale na produção de fertilizantes repassaram R$ 226,2 milhões. Deste total, 97% foram repassados a partidos e comitês que, quando enviavam o dinheiro para o candidato, dificultavam a identificação da empresa que investiu em cada campanha.

Para o TSE, a resolução dará maior transparência ao processo. Os dados referentes à prestação de contas das campanhas são divulgados pelo tribunal em sua página na internet.

Fonte Migalhas

Enquanto a Sejap se concentra na corrupção mortes e fugas acontecem no Sistema penitenciário

Constantemente venho fazendo advertências sobre os riscos iminentes de novas barbáries dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas. De nada adiantou a criação do Comitê de Gestão Integrada, criado pelo governo federal com a participação do estadual e de várias outras instituições, nas quais estavam depositadas esperanças de que realmente seriam tomadas decisões eficientes e capazes para pelo menos frear desordens e promiscuidades instaladas dentro das unidades prisionais pela administração da Sejap, com o aval da governadora Roseana Sarney. Muito pelo contrário, a problemática ficou mais acentuada, commais assassinatos, fugas, escavações de túneis e o acentuado tráfico de drogas e armas, muito embora no local estejam instaladas a Policia Militar, a Força Nacional de Segurança, Segurança Armada Privada e o exército de monitores contratados a peso de ouro pela administração estadual, que ainda não conseguiram fazer o que os agentes penitenciários são capazes e que sem a verdadeira fortuna de recursos públicos que estão sendo jogados nos bolsos dos espertos com a corrupção deslavada, sabiam perfeitamente manter o controle das unidades prisionais.

Para mostrar do que são capazes, os presos da Central de Custódia de Presos de Justiça, arrombaram um alojamento provisório da Policia Militar instalado dentro da unidade à procura de armas e em outro local foi encontrada uma arma de fogo com bastante munição. Se o Secretário de Justiça e Administração Penitenciário tivesse um mínimo de respeito para com a população já deveria ter deixado de expressar a suaincompetência publicamente com a velha história de que os fatos serão apurados, quando se sabe, que apesar de todos os problemas, ele mantém os mesmos diretores de unidades, muito embora existam muitas queixas contra a maioria. O pior de tudo é que mortes e fugas começam a tomar maiores proporções nas unidades do interior do Estado.

 E o cabidão de 294 empregos para o pessoal não trabalhar

O secretário da Sejap mantém silêncio em torno da Portaria 035 de 1º de Abril de 2013, assinada por ele e publicada no Diário Oficial de 04/04/2013, pela qual criou cargos para a contratação de 294 pessoas de diversas categorias profissionais com salários variando entre um e sete mil reais, as quais são contratadas pela empresa Gestor Serviços Ltda, mediante recursos da ordem de um milhão e meio de reais. A corrupção se torna mais acentuada, uma vez que elas não precisam trabalhar para receber salários.

De acordo com o trabalho do Movimento Auditores Unidos Contra a Corrupção, a Sejap tem um contrato no valor de 155.600 reais com a empresa Sete Linhas Aéreas para a realização de voos não especificados e com a AMMA Logística que recebeu um aumento de 300% para a locação de veículos no valor de 402.500 reais, que daria para comprar seis camionetas por mês para o transporte de presos.

O relatório contém muitas práticas criminosas e infelizmente o Ministério Público, que detém um grupo de trabalho para combater improbidades públicas, apesar de já ter conhecimento, ainda não se movimentou para pelo menos sustar a sangria mensal que vem sendo feita nos cofres públicos.

 

Ditadura Nunca Mais! Dois olhares sobre os anos de chumbo: Cida Horta e Frei Betto

Nada melhor para escrever um texto de reflexão política do que o contato direto com segmentos da chamada sociedade civil organizada do Brasil, intelectuais, pessoas simples encontradas em encontros casuais, inclusive os taxistas. Nunca senti um país politicamente tão dividido, todavia, meus interlocutores me surpreenderam com suas analises pertinentes e outras inconsequentes, pois fugiam de toda regra da racionalidade política.

Aproveitei também para realizar uma série de entrevistas e recolher alguns depoimentos com pessoas que foram presas, torturadas, perseguidas durante a ditadura, assim como, aquelas que num trabalho de formiga levaram em frente o desafio de colaborar para a emergência da sociedade civil. Muitos militantes utilizaram do instrumento de educação popular segundo Paulo Freire, e adotam uma pratica educativa não autoritária, partindo da ótica que todo conhecimento é construído na relação das pessoas entre si e com o mundo, no sentido de apreender a realidade social de maneira critica desvelando suas contradições.

Aqui lhes apresento o depoimento da educadora popular Cida Horta, em seguida a entrevista de Frei Beto.

Boa Leitura. Ditadura Nunca Mais! Que nossa democracia se fortaleça sempre.

Cida Horta foi perseguida pela ditadura após se tornar professora e lutar por um país mais justo e igualitário

reporter

Uma vida pela Educação

Maria Aparecida Antunes Horta tem 68 anos e é professora desde 1966. Participante do movimento de resistência à ditadura foi obrigada a sair do país, tendo vivido em Cuba de 1973 a 1979. De volta ao Brasil, retomou seu trabalho na escola pública e num centro de educação popular dedicado á formação de educadores de jovens e adultos.

“A geração à qual pertenço, nascida nos anos 40, viveu sua juventude e começo da idade adulta sob a ditadura que dominou o Brasil de 1964 a 1984. Nossa caminhada de aprendizagem da vida democrática teve início ao final dos anos 70, a partir de uma chamada abertura lenta, gradual e segura que implicou em uma transição negociada com os antigos ditadores, que, entre outras coisas, se concederam uma auto anistia para seus crimes de usurpação do poder, tortura, morte e desaparecimento de opositores políticos. Essa transição negociada também permitiu a realização de eleições indiretas para a presidência em 1985.

“Se refletirmos sobre o legado desses de 21 anos de regime ditatorial no Brasil, veremos que aquelas duas décadas em que fomos totalmente silenciados e impedidos de qualquer participação política foram marcadas pela entrega do país ao capital internacional, pela concentração da terra e capitalização do campo de onde foram expulsos os camponeses obrigados a se espremerem nas periferias das cidades, pela privatização da educação e desvalorização dos professores através da redução de seus salários, pelo arrocho salarial e repressão a qualquer ameaça de greve operária, além de uma perseguição feroz aos que participaram dos movimentos de resistência, que resultou em milhares de brasileiros torturados, presos, ou mortos e desaparecidos.

“A ditadura civil-militar roubou aos brasileiros a possibilidade de implementar as reformas de base que faziam parte do programa de governo do presidente João Goulart e que contavam com amplo apoio popular. Mataram os movimentos de cultura popular, suspenderam a campanha nacional de alfabetização que se anunciava sob a inspiração de Paulo Freire, que foi preso e exilado, aniquilaram as propostas de reforma urbana e reforma agrária, assim como, de controle sobre as remessas de lucros das empresas estrangeiras instaladas no País. Impôs-nos um atraso de 21 anos, aprofundando as desigualdades sociais, o desemprego, tornando explosiva a questão da moradia nas grandes cidades, tolhendo a nossa cultura enquanto favorecia o domínio da cultura norte-americana em nossos meios de comunicação. Ao mesmo tempo, fortaleceram com sua política os setores conservadores e reacionários, atendendo aos interesses dos grandes latifundiários, empreiteiras, banqueiros e monopólios internacionais.

“Não obstante toda a repressão e controle dos aparelhos repressivos, na década de 70, os movimentos sociais começaram a se reorganizar, as comunidades eclesiais de base inspiradas na Teologia da Libertação se multiplicaram e surgiram vários centros de educação popular que foram protagonistas a partir de meados daquela década de importantes movimentos por moradia, saúde, educação, participando também da luta pela redemocratização e pela anistia. Pude integrar um desses grupos de Educação Popular, no Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo a partir de 1979 e, ali, acompanhei de perto todos os desafios enfrentados pelos educadores populares ao longo dos últimos 30 anos.

“O trabalho de educação popular foi certamente um dos fatores que permitiram a vitória das candidaturas de esquerda ao parlamento e ao executivo eis que conseguiu detonar as rochas do reacionarismo fomentadas e alimentadas ao longo de nossa história. Foi determinante, por exemplo, para a eleição de Luíza Erundina à prefeitura de São Paulo em 1988 e de Lula à presidência em 2002 depois de uma caminhada exaustiva de mais de 10 anos. Conseguiu igualmente eleger vários militantes de esquerda a cargos no legislativo, alguns deles com história de atuação na Educação Popular.

“Naqueles momentos, o entusiasmo e o trabalho da militância supriram a falta de recursos materiais para as campanhas.
Nesse esforço de contribuir para a construção do processo democrático em nosso País, garantindo a participação nele dos trabalhadores da cidade e do campo, não foi pequeno o desafio que os educadores populares enfrentaram quando da Queda do Muro de Berlim seguida da crise e desmanche do socialismo nos países da Europa Oriental e na URSS.

“Após a perplexidade inicial, abriu-se um abismo de incertezas e de questionamentos. Mas a década de 90 acrescentou novos desafios com a implantação da política neoliberal principalmente nos dois governos de FHC com toda a mudança que imprimiu no mundo do trabalho e as políticas de privatização. Houve muita mobilização popular, muitos esforços dos educadores para entender o que era globalização, o Consenso de Washington, o neoliberalismo e fazer chegar esse entendimento a todos.

“Desenvolveram-se campanhas pelo questionamento da enorme dívida externa do País, campanhas contra as privatizações, principalmente da Vale do Rio Doce e da Petrobrás, contra o ingresso do Brasil na ALCA, etc. Foram anos de fundamentação da Educação Popular e de questionamentos sobre sua relação com o Estado uma vez que nossas organizações passaram a ser convidadas para participar das políticas públicas e foram muitas as discussões sobre se isso era ou não correto.

“O surgimento do Fórum Social Mundial foi muito importante ao se colocar como um espaço para a discussão do futuro de nossas utopias. Se o socialismo real não se mostrara capaz de construir um mundo novo, o Neoliberalismo experimentou um fracasso total para responder aos males produzidos pelo capitalismo nas sociedades contemporâneas. Pelo contrário, ele só conseguiu agravar esses males, multiplicando a pobreza, o desemprego, a desigualdade e a violência social no planeta. Do Fórum surgem novas abordagens das questões ecológicas e a proposta de construção de uma economia sustentável.

“Esses temas passaram a ser objeto do trabalho de muitas entidades a partir dos anos 2000, juntamente com o surgimento de movimentos sociais de gênero, etnia, orientação sexual, etc. Também se destacam muitas experiências de economia solidária não só para fazer frente ao desemprego, mas principalmente para permitir a vivência de uma atividade econômica baseada no esforço coletivo e solidário dos trabalhadores.

“O trabalho educativo desenvolvido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra tornou-se um paradigma para aqueles que pensam a educação popular como instrumento de transformação social e como forma de empoderamento dos trabalhadores.

“Hoje, a complexidade social e política de nosso País chama a desenvolver ações em defesa dos direitos humanos, ações de formação da juventude ameaçada pelo desemprego e as drogas, ações de combate à violência social, à violência contra as mulheres, à violência doméstica, e, o mais grave, à violência policial, herança que trazemos intacta da ditadura. Com o agravamento da violência social, surgem também trabalhos que buscam uma justiça restaurativa que devolva a paz a famílias destroçadas pela perda de entes queridos. O movimento de alfabetização, que foi uma proposta anterior ao golpe, se reforçou nas últimas décadas e continua atuante agora como esforço complementar das políticas públicas de educação para atingir os alfabetizandos jovens e adultos.

“Ao longo dos quase 12 anos dos governos Lula e Dilma, os lutadores sociais foram compreendendo que ter o governo não significa ter o poder, e tomaram consciência da necessidade de pressão por mudanças. Os movimentos por terra, os movimentos por moradia, os movimentos indígenas e outros grupos têm se manifestado sistematicamente em defesa de seus direitos, e outros novos surgem, com palavras de ordem e formas de organização diferentes, como o Movimento Passe Livre, o Levante Social da Juventude.

“Hoje, mais que nunca, os trabalhos de educação popular são necessários para fazer o contraponto aos setores que desejam aniquilar as conquistas alcançadas na última década e que contam com os meios de comunicação para alardear suas críticas e sua desinformação. São ainda poucos e um tanto tímidos os que defendem abertamente um golpe contra o governo, mas essas coisas podem crescer se a população não tem os instrumentos que lhes permitam conhecer como funcionam as engrenagens de uma sociedade injusta e desigual. Mais ainda quando os governantes do PT não criaram uma política de comunicação que lhes permita responder as sucessivas mentiras e campanhas levadas a cabo pela mídia”.

Frei Betto é teólogo e escritor, enfrentou a ditadura e segue uma linha de pensamento libertária

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Frei Betto: “É preciso comemorar”

Carlos Alberto LibânioChristo, conhecido como o Frei Betto , (Belo Horizonte, 25 de agosto de 1944) é um escritor e religioso dominicano brasileiro.

Adepto da Teologia da Libertação, foi militante engajado em movimentos pastorais e sociais, tendo ocupado a função de assessor especial do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva entre 2003 e 2004. Foi coordenador de Mobilização Social do programa Fome Zero.

Frei Betto esteve preso por duas vezes sob a ditadura militar: em 1964, por 15 dias; e entre 1969-1973.2 Após cumprir quatro anos de prisão, teve sua sentença reduzida pelo STF para dois anos. Sua experiência na prisão está relatada nos livros “Cartas da Prisão” (Agir), “Dário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira” (Rocco) e Batismo de Sangue (Rocco). Premiado com o Jabuti de 1983, traduzido na França e na Itália, Batismo de Sangue descreve os bastidores do regime militar, a participação dos frades dominicanos na resistência à ditadura, a morte de Carlos Marighella e as torturas sofridas por Frei Tito. Baseado no livro, o diretor mineiro Helvécio Ratton produziu o filme Batismo de Sangue, lançado em 2007.3

Frei Betto recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares.

– Frei Betto, você que foi preso, torturado durante a ditadura, como analisa esta data de 50 anos de golpe militar?

– É preciso comemorar, no sentido etimológico de fazer memória, os 50 anos da implantação da ditadura no Brasil. Como diria Marx, para que a história, uma tragédia, não se repita como farsa. As novas gerações precisam saber como foi, o que foi e o que fez a ditadura ao longo de 21 anos governando o Brasil. Ainda temos, em nosso país, “viúvas” da ditadura e quem apregoa que a volta dos militares haverá de melhorar o país…

– Como você analisa hoje o processo de redemocratização do Brasil? Quais os maiores avanços desta conquista?

– A ditadura foi derrubada pelo acúmulo político provocado pelas mobilizações dos movimentos sociais: CEBs, associações de bairros, luta pela terra, sindicatos, grupos de arte e cultura etc. Conseguimos eleger um metalúrgico – Lula – presidente da República, consolidando processo democrático. Grandes avanços ocorreram ao longo dos 11 anos de governo do PT: controle da inflação, elevação do salário mínimo, inclusão econômica de 55 milhões de pessoas etc. Porém, os arquivos da ditadura de posse das Forças Armadas não foram abertos até hoje e a Comissão da verdade, que apura os crimes do regime militar, não tem poder de punir. Além disso, nenhuma reforma de estrutura foi implementada nesses 11 anos de governo, nem a agrária, nem a política, nem a tributária etc

– O processo de democratização no Brasil forjou ao longo desses anos um Estado de direito?

– Sim, mas falta muito para aperfeiçoá-lo. Precisamos de uma nova carta constitucional, e esperamos que o povo brasileiro vote a favor disso no plebiscito que ocorrerá a 7 de setembro. Precisamos, após a inclusão econômica de inclusão política, pela qual os jovens se mobilizam nas ruas. Nossa democracia ainda é meramente “delegativa” e não participativa. Há muito a fazer e lutar!

Marilza de Melo Foucher é economista, jornalista e correspondente do Correio do Brasil em Paris

O Golpe de 1º de abril e seu arsenal de mentiras

predioGolpistas de ontem e de hoje fazem referência ao 31 de março como data oficial porque sempre temeram que o movimento ficasse conhecido por seu verdadeiro nome.

O golpe de 1964 e sua ditadura foram uma usina de mentiras, do início ao fim.

A começar por sua data de nascimento. Seus defensores dizem que ele ocorreu em 31 de março, e não em 1º de abril – mentira. Dizem que foi uma revolução – mentira. Que aconteceu para evitar que o País fosse transformado em uma ditadura comunista – mentira. Que garantiria a lei e a ordem e defenderia a democracia – mentira. Que combateria a corrupção e a politicagem – tudo mentira.

Os golpistas de ontem e de hoje fazem referência ao 31 de março como sua data oficial porque sempre temeram que o movimento ficasse conhecido por seu verdadeiro nome: o Golpe de 1º. deAbril.

O plano para a derrubada do governo João Goulart estava sendo programado para a primeira semana de abril, certamente não para o dia primeiro. O fato de o desenlace do golpe ter sido dado no 1º de abril é obra do general Olympio Mourão Filho, comandante da 4ª Região Militar, em Minas Gerais, que, no dia 31 de março, começou a movimentar suas tropas em direção ao Rio de Janeiro. Mourão Filho só conseguiu chegar ao Rio de Janeiro e estacionar seus tanques no Estádio do Maracanã no dia 2 de abril. Chegou tarde. O golpe já estava dado na véspera.

Se for para considerar a data do 31 de março, por causa da movimentação dos tanques de Mourão Filho, a Independência do Brasil deveria agora ser comemorada no dia 14 de agosto, quando o príncipe D. Pedro montou em seu cavalo para se deslocar do Rio de Janeiro para as margens do Ipiranga, no estado de São Paulo.

O fato é que, ainda no dia 1º de abril, Jango (apelido pelo qual João Goulart era popularmente conhecido) chegou a rumar do Rio de Janeiro para Brasília, e lá permaneceu até tarde da noite. Fez reunião com seus ministros e só ao final do dia rumou para a Base Aérea de Brasília.

Os ministros que presenciaram sua fuga relatam sua demora na Base Aérea até depois das 22 horas, quando partiria para o Rio Grande do Sul, onde era esperado pelo governador Leonel Brizola, que defendia, enfaticamente, a proposta de impor resistência e reconquistar o poder. Portanto, foi no dia 1º de abril quando Jango de fato se viu obrigado a abandonar Brasília, a capital da República. É quando se pode dizer, de fato, que ele foi deposto, para nunca mais voltar ao País.

No dia 2 de abril, mais uma mentira. O presidente do Congresso, Senador Auro de Moura Andrade, declarou  vago o cargo de presidente da República – mentira. Jango estava ainda no Rio Grande do Sul. Moura Andrade havia sido um dos organizadores da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo”, nome escandalosamente mentiroso para a marcha do golpismo.

A sessão do Congresso que declarou vaga a Presidência foi tão fajuta que nem os golpistas a levaram a sério. O presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, que pela Constituição era o substituto do presidente, ficou apenas 14 dias no cargo. No dia 15 de abril, o Marechal Humberto de Alencar Castello Branco seria empossado na Presidência da República. Ele havia sido eleito indiretamente por um Congresso Nacional expurgado de 40 parlamentares.

Se alguém tinha dúvida de quem mandava e desmandava no país, naquele dia 15 a certeza foi esfregada na cara dos golpistas civis. Mazzilli seria enxotado da Presidência da República, e Auro de Moura Andrade, que se achava um dos donos do novo regime, sequer conseguiu apoio para se eleger vice do Marechal.

Castello Branco, quando editou o Ato Institucional nº 4, convocando o Congresso a votar e promulgar uma nova constituição, declarou que aquele seria o último dos atos institucionais – mentira. O ato seguinte, o famigerado AI-5, ainda seria complementado por mais outros 12 Atos Institucionais. A constituição aprovada pelo Congresso, em 1967, duraria pouco, sendo substituída em 1969 por um novo texto, baixado por uma Junta Militar.

De revolução, o regime não teve nada além de um slogan mentiroso. Foi golpe, ditadura e conservadorismo. A motivação essencial do golpismo foi conter as reformas de base propostas por Jango, na educação, no sistema financeiro e tributário e no campo, com uma reforma agrária pressionada pelo movimento ascendente das Ligas Camponesas, que seriam depois duramente reprimidas.

A ditadura foi um regime estúpido, violento, que envergonharia a Idade Média. Assassinou militantes de grupos de esquerda e inocentes. Expôs crianças e familiares a sessões de tortura.

Hoje, os comandantes das Forças Armadas dizem que não têm nada a declarar – mentira. Devem um pedido de desculpas à sociedade brasileira e deveriam colaborar para que os mortos e desaparecidos pudessem ser encontrados e enterrados dignamente. Isso não apagaria o passado, mas daria mais dignidade às Forças Armadas do que o vergonhoso silêncio de seus comandantes.

Os golpistas se diziam contra a politicagem e a corrupção – mentira da grossa. Para governar, com o apoio do Congresso e sustentação dos governos estaduais e prefeituras, a ditadura patrocinou a política mais tradicional e corrupta possível. Seus ministros protagonizaram inúmeros escândalos.

Os chefões estaduais eram políticos pró-ditadura, indicados com o aval dos militares para serem depois aclamados como governadores pelas Assembleias Legislativas, também já drasticamente expurgadas de opositores.

Os militares não inventaram a política do “toma lá, da cá”, e nem criaram os políticos tradicionais, mas se valeram deles e os fizeram maiores. Era o preço que a ditadura se dispôs a pagar para conter o que chamavam de “populismo” e de “república sindicalista”.

O alto comando da ditadura patrocinou as carreiras de políticos como Antonio Carlos Magalhães, na Bahia; José Sarney, no Maranhão; e de Chagas Freitas, do Rio de Janeiro, um golpista que acabou entrando no MDB porque a Arena era controlada pelo corvo, Carlos Lacerda.

Políticos dessa espécie deram origem a substantivos irônicos, como o malufismo e o chaguismo, que representavam a política de troca de favores. A pior “escola” da política brasileira foi aperfeiçoada durante a ditadura.

No Rio, as práticas de Chagas Freitas ficaram conhecidas como a “política da bica d’água”. Na época da lata d’água na cabeça, o político que prometia instalar uma bica d’água na favela, com o apoio do governador, ganhava votos certos.

A ditadura foi pródiga em escândalos de corrupção. Não é de se admirar, pois ditaduras são regimes corruptos por excelência. Muita gente certamente não se lembra, ou sequer era nascida, quando esvaziaram o caixa da Capemi, a própria Caixa de Pecúlio dos Militares. Casa de ferreiro, espeto de pau. Também ficaram famosos o caso Lutfalla e o escândalo da Mandioca, que envolveram o desvio de grandes somas de recursos públicos. Nada apurado, ninguém punido.

As grandes obras públicas, ditas faraônicas, de tão grandes, eram o paraíso do superfaturamento, do empreguismo, e muitas se tornaram obras inacabadas – mas pagas religiosamente.

Mentiras e mais mentiras. E ainda tem gente que tem saudade. Será por quê?

AntonioLassance é cientista político.

A novela de Roseana Sarney e Amor a Vida

       O sensacionalismo que vem sendo feito em torno da renuncia ou não da governadora Roseana Sarney, vem sendo comparada à última semana da novela Amor a Vida, marcada por enormes expectativas e que deram origem a milhares de apostas sobre o final. A diferença é que em Amor a Vida, embora tenha sido apresentada com ficção bem elaborada pelo autor, traduziu inúmeros aspectos inerentes à realidade brasileira, contrariando inclusive a hipocrisia de muita gente, a que está mostrada no Maranhão não é tão diferente, uma vez que se trata de amor ao mandato politico e ao cofre público.

          No caso da governadora Roseana Sarney, o problema maior é o controle do cofre do Governo do Estado, usado, manipulado e até saqueado há mais de 50 anos pelo grupo dominante, do qual ela é um dos legítimos autoritáriosintegrantes. Acostumada a impor, o quero, posso e mando, encontrou uma forte resistência e nem as conhecidas ameaças de destruição de segmentos políticos contrários aos interesses da governadora e do velho cacique José Sarney, conseguiram intimidar a então sua base de sustentação. Roseana Sarney acostumada a tratar o parlamento estadual com desrespeito, deferindo apoios aos que bem entendia, não recebendo outros e prejudicando-os nas suas bases, os deputados que não lessem corretamente e como queria em sua cartilha.  Com plena e absoluta certeza, que quando os chamassem todos estariam acocorados ou ajoelhados aos seus pés para receber ordens ou esculhambações, estranhou o posicionamento do presidente da Assembleia Legislativa do Estado, quando procurou a maioria, já não contava mais com ela.

            Dentro da própria máquina administrativa já há visibilidade para uma debandada e Roseana Sarney, que até um pouco mais de um mês impunha ordens, regras e o que bem entendia, hoje corre em busca de uma negociação, pela certeza de que sem mandato politico a sua vida será transformada em um inferno pelas centenas de improbidades praticadas ao longo das suas administrações no executivo estadual. O senador Sarney tentou com as suas conhecidas estratégias e promessas para mais adiante, que nunca são cumpridas, e já é visto como o gavião já não impõe o medo de outrora. Com o elevado desgaste da governadora nas negociações para impor o que quer, e enfrentando uma pesquisa que aponta a sua derrota ao senado federal, aumentam ainda mais a sua indecisão, daí que a novela vem se arrastando com o capítulo final marcado para o dia 5 de abril.

O “Chocolate” que constrói com a Potiguar

    chocolate Com a sensibilidade de um observador e até admirador das boas produções de marketing e propaganda, a minha atenção foi despertada para uma nova campanha colocada no mercado pela empresa Potiguar. O jovem radialista Flávio Brito, o conhecido Chocolate despontou como o garoto propaganda do grupo empresarial. Para surpresa é que a campanha revelou para o público um jovem dinâmico, com visual bem atraente e que logo se identificoucom os consumidores. Apesar de conhecer há pouco tempo Flávio Brito, passei a admirá-lo pela sua maneira e expressão comunicativa e o sorriso bem cativante. O parabenizei  pelo trabalho que vem realizando, quando ele me fez alguns esclarecimentos importantes. É proprietário da Masterando Studio, realizando trabalhos de gravação e prestando serviços para a  Quadrante, empresa de publicidade. Quando da apresentação da nova campanha para o executivo Marcelo Brasil, da Potiguar, o pessoal ainda não definido quem iria fazer a apresentação. O empresário para surpresa de todos, registrou o expresso desejo dela ser executada por Chocolate, que já era seu conhecido fazendo serviços de promoção interna das suas lojas. Quando a campanha foi para a mídia e o sucesso imediatamente alcançado, empresário Marcelo Brasil passou a ser parabenizado por muitos clientes, quando aproveitou para informar que o garoto propaganda foi uma escolha sua, deixando claro que tem sensibilidade para ver um pouco mais adiante. O registro é o reconhecimento a um profissional competente e um cidadão de bem, que admiro também como ser humano.

O bispo Dom Geraldo Dantas de Andrade na efervescência dos seus 87 anos

    bispo Dom Geraldo Dantas de Andrade, bispo emérito Auxiliar da Arquidiocese de São Luís, que recentemente esteve internado em uma casa de saúde com problemas de pressão arterial, está muito com bem com os seus 87 anos, em sua residência no Seminário de Formação dos Dehonianos, no Cantinho do Céu. Ontem eu e minha esposa Lindalva fomos visitá-lo e tivemos oportunidade de estar com ele por mais de uma hora. Padre Aurélio, pároco da comunidade Santa Paulina, estava presente, e nos informou que a alteração da pressão arterial de Dom Geraldo, foi decorrente de medicação, que após a substituição o problema foi sanado, e inclusive lhe deu mais ânimo para caminhar e conversar. Dom Geraldo constantemente recebe visitas de fiéis de muitas comunidades da Arquidiocese de São Luís. Com o seu carisma, profissão de fé e a maneira bem afetiva de se comunicar com o Povo de Deus, mereceu sempre o respeito e a admiração de todos os que tiveram o privilégio de conhecê-lo ou de ter assistido alguma das suas celebrações com as belas homilias que tocavam a efervescência do coração. Sinceramente, foi muito importante revê-lo e mostrar a foto com o seu sorriso cativante.

Refinaria Premium: mais um estelionato eleitoral contra os maranhenses

O grupo dominante já estava devidamente articulado para requentar a construção de uma refinaria no município de Bacabeira, inclusive com declarações da presidente da Petrobrás, Graça Foster de que as obras seriam retomadas em 2015. A Petrobrás está envolvida em um mar de lama de corrupção, com as compras superfaturadas de duas refinarias, uma nos Estados Unidos e a outra no Japão, o que deu origem a queda de suas ações na bolsa de valores de 62 reais para um pouco mais de 14 reais.As primeiras denuncias respingaram no Palácio do Planalto, e diretamente na presidenta Dilma Rousseff, e logo com certeza estarão na pauta dos negócios ilícitos feitos pela empresa com a rede de corrupção instalada dentro dela mais negociatas com o protecionismo de políticos afinados com o ex-presidente Lula e a atual Dilma Rousseff. O caso da corrupção denunciada na terraplanagem da Refinaria Premium foi tão vergonhoso, que o orçamento inicial de 789 milhões de reaischegou a 1,5 bilhão de reais sem a conclusão.

                      Com o anuncio da suspensão das obras, já de conhecimento da classe politica, em razão dos elevados prejuízos que a Petrobrás vinha acumulando, causados por sucessivas negociatas como foi o caso registrado em nossa capital, começou um jogo de que os senadores José Sarney (então presidente do Congresso Nacional) e Edison Lobão, ministro das Minas e Energia exerceriam pressão para retomada da sonhada ilusão de construção de uma refinaria nas proximidades do Porto do Itaqui, com investimentos superiores a 20 bilhões de reais, que foi o carro chefe da campanha eleitoral de Roseana Sarney. Com os seus interesses plenamente garantidos e pouco se importando com a população, aos poucos tudo foi levado para o esquecimento.

                    As empresas contratadas pela Petrobrás para as obras de terraplanagem, quando receberam a ordem de cancelamento de contratos, começaram a desativar canteiros de obras e com rapidez deixaram a nossa capital e aplicaram muitos calotes no comércio local, principalmente em fornecedores.

                    Mais doloroso foi o sofrimento de muitos jovens e famílias que fizeram esforços, em que pais contraíram empréstimos, outros venderam bens e fizeram sacrifícios para que os filhos fossem capacitados para trabalhar na refinaria. A governadora Roseana Sarney contabilizava todos os dias na mídia oficial os números de empregos que seriam gerados, tanto os diretos e os indiretos. Hoje temos milhares de jovens em todo o Maranhão, acusando o estelionato de que foram vítimas.

                    O elemento Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobrás, bastante ligado ao senador José Sarney e a governadora Roseana Sarney, por algumas vezes esteve em São Luís, concedendo entrevistas para a mídia oficialrelatando prazos e investimentos que não existiam. Ele foi preso à semana passada pela Policia Federal por envolvimento como participante de quadrilha de lavagem de dinheiro e de aplicação de golpes em instituições públicas.

                    O mais vergonhoso é que o grupo da governadora Roseana Sarney já estava articulando um plano para requentar informações sobre a Refinaria Premium, com prazos para 2017, quando a casa caiu. Entendo que os milhares de jovens e suas famílias deveriam cobrar do Governo do Maranhão, os prejuízos que tiveram e o estelionato de que foram vítimas, uma vez que ele foi o maior divulgador e beneficiado eleitoralmente com a farsa da Refinaria Premium.