Deputados pedem a saída de Rui Costa e governador de Brasília o define: “Um idiota completo”

Um ofício enviado a Lula pede a ‘cabeça’ do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Deputados distritais de Brasília foram motivados por uma declaração do ministro, durante um evento na Bahia, no sentido de que a transferência da capital para Brasília fez “muito mal” ao país. “Era melhor ter ficado no Rio de Janeiro, ou ter ido para São Paulo, para Minas ou para Bahia”, disse o ministro na ocasião.

Costa afirmou ainda que a capital federal “é difícil porque fazer o certo, para muitos, está errado e fazer o errado, para muitos, é que é o certo na cabeça deles”.

No ofício enviado a Lula, os deputados disseram que as declarações levantavam “dúvidas sobre a capacidade de Rui Costa desempenhar suas funções de forma adequada”.

Afirmaram ainda que é “fundamental ter líderes comprometidos com o bem comum, que demonstrem uma postura responsável e respeitosa ao se referirem a partes importantes de nossa nação”.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha foi ainda mais duro e definiu com precisão o ministro: “É um idiota completo. Agora sabemos de onde partiu o ataque ao Fundo Constitucional”, disse Ibaneis.

Jornal da Cidade Online

 

TCE-MA representará contra 38 secretárias municipais de educação por deficiências na alfabetização e fundamental

A Secretaria de Fiscalização (Sefiz) do Tribunal de Contas do Estado estabeleceu prazo de cinco dias para que o Núcleo de Fiscalizações-2 da instituição promova a abertura dos procedimentos de representação para cobrança de multas e demais medidas correlatas de fiscalização decorrentes de levantamento realizado com a finalidade de avaliar a infraestrutura e capacidade das escolas municipais, no que se refere à educação em tempo integral.

O procedimento de fiscalização realizado pelo TCE maranhense faz parte do conjunto de ações que integram o Pacto Nacional pela Educação, compromisso firmado entre governo federal, governos estaduais e do Distrito Federal e prefeituras para assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os oito anos de idade ao fim do terceiro ano do ensino fundamental.

Serão representados pelo TCE os secretários de educação dos seguintes municípios: Água Doce do Maranhão, Alto Alegre do Maranhão, Alto Alegre do Pindaré, Anapurus, Barra do Corda, Barreirinhas, Benedito Leite, Bequimão, Buriti, Carutapera, Caxias, Centro Novo do Maranhão, Davinópolis, Godofredo Viana, Gonçalves Dias, Graça Aranha, Guimarães, Icatu, Imperatriz, Jatobá, Joselândia, Junco do Maranhão, Lagoa Grande do Maranhão, Lajeado Novo, Lima Campos, Mirador, Paço do Lumiar, Parnarama, Paulino Neves, Pedreiras, Peri Mirim, Peritoró, Presidente Médici, Presidente Sarney, Santa Rita e Santo Antônio dos Lopes.

Para o secretário de Fiscalização do TCE, Fábio Alex de Melo, as representações são uma medida importante para que os gestores promovam as adequações necessárias para que as políticas públicas educacionais no âmbito desses municípios sejam desenvolvidas de modo eficaz, beneficiando os cidadãos. “As fiscalizações que o TCE realizou no contexto do Pacto Nacional pela Educação são estratégicas e de amplo alcance social. O controle externo brasileiro tem procurado atuar de forma ágil e efetiva nesse campo fundamental para o desenvolvimento socioeconômico brasileiro”, afirmou.

Fonte: TCE-MA

 

Senador desabafa sobre PEC para limitar poderes de ministros do STF e faz alerta

O senador Plínio Valério explicou a motivação e a necessidade de sua PEC que limita mandatos de ministros do Supremo, proposta há quatro anos:

“Era com medo que acontecesse o que está acontecendo agora, que alguns ministros incorporassem a personalidade de semideuses, por achar que não têm que dar satisfação a ninguém. Se intrometer em todos os assuntos, como estão se intrometendo agora”.

O senador explicou que, devido aos mandatos vitalícios, alguns ministros vêm se arvorando poderes que não estão previstos na Constituição, ampliando sua esfera de poder.

“Estão surrupiando, estão usurpando prerrogativas do Legislativo e até do Executivo”, disse.

Plínio Valério apontou que a situação atual está insustentável e reconheceu a responsabilidade do Senado. Ele lembrou que as sabatinas são pouco mais do que um teatro, com o resultado combinado antecipadamente. 

O senador fez uma grave alerta:

“Nós estamos sendo muito omissos, muito aquietados. Estamos pagando um preço caro, e vamos pagar um preço ainda maior, que é o descrédito total, por não agirmos naquilo que pode e deve agir, que é colocar freios na atuação do STF. Nós temos condição de colocar freios, uma vez que a gente pode, inclusive, impichar ministros. O Senado tem esse poder, e esse poder nunca é usado. E isso permite que algumas figuras extrapolem as suas prerrogativas,” afirmou o senador.

Jornal da Cidade Online

 

Advogado Zanin indicado ao STF recebeu R$2,9 milhões do PT e da campanha de Lula

Montante foi pago pelo partido, que usou recursos do fundo eleitoral

Os escritórios do advogado Cristiano Zanin Martins, já receberam R$2,9 milhões do PT, por meio de verba privada do partido e como repasse de recursos do fundo eleitoral durante a campanha de 2022. A informação é do Estadão. De acordo com informações registradas pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o escritório Teixeira Zanin Martins Advogados, que Zanin tinha com o sogro Roberto Teixeira, recebeu R$ 1,7 milhão por “serviços de consultoria jurídica” prestados no período de setembro de 2019 a agosto de 2022. Esse montante foi pago com verba do partido, sem recursos eleitorais, por meio de pagamentos mensais de R$ 46,9 mil, além de outros registros ocasionais com valores distintos.

Ainda de acordo com a reportagem, na prestação de contas à Justiça Eleitoral, da campanha presidencial do petista, consta que no dia 16 de agosto houve o pagamento de R$ 1,2 milhão feito ao escritório Zanin Martins Advogados, nova firma de Zanin aberta depois que o advogado rompeu a relação profissional com o sogro. O valor, registrado como “prestação de serviços advocatícios”, foi pago com recursos do fundo eleitoral, que é direcionado aos gastos nas eleições.

A reportagem também relata que a campanha de Lula contratou ainda outros dois escritórios de advocacia, o Aragão & Ferraro Advogados, do ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, que também recebeu R$ 1,2 milhão, e o escritório Araujo, Recchia, Santos Sociedade de Advogadas, que recebeu R$ 500 mil. As contas da campanha de Lula foram aprovadas pelo TSE.

Diário do Poder e o ESTADÃO

 

Lula avalia saída do ministro Alexandre Padilha por fracasso na articulação política

Quando se deu conta de que três importantes medidas provisórias caducariam nesta sexta-feira (2), e sem resistência de deputados que o apoiam, inclusive petistas, o presidente Lula (PT) deixou cair a ficha. Passou a dar ouvidos a velhos companheiros que recomendam freio de arrumação. Começando pela retirada Alexandre Padilha, da articulação que virou desarticulação, substituindo-o por alguém mais experiente e que, leal a Lula, tenha a simpatia dos presidentes da Câmara e Senado.

Cansado de guerra

O problema não é Padilha nem de qualquer outro ministro, como observam políticos experientes, e sim o próprio Lula, cansado de guerra.

Olho no boné

Como Lula tem dificuldade de demitir quem ele gosta, a torcida petista é para Padilha pedir o boné e poupar o presidente de constrangimento.

Segue ministro

Se for consumado seu afastamento, o mais provável é que Alexandre Padilha fique no governo como titular ministro da Secretaria Geral.

Pedindo licença

Queixam-se os deputados também da falta de orientação para que os ministros comuniquem previamente as visitas que fazem a seus estados.

Coluna do Claudio Humberto

 

Uma estrela para Mario Cella, na Festa Italiana

                                                                                                                                           *Carlos Nina

O mês de junho é especial para a Itália e, neste ano (2023), extraordinário para a família do italiano Mario Cella.

Data especial para a Itália porque, no dia 2 de junho, os italianos comemoram a fundação de sua República, decidida nesse dia, no ano de 1946. Através de referendo popular – com a participação das mulheres, pela primeira vez exercendo o direito de voto -, os italianos, há 77 anos, optaram pelo fim da Monarquia.

Dia extraordinário para a família de Mario Cella porque ele foi distinguido pelo presidente da República da Itália, Sergio Mattarella, com a Ordem da Estrela da Itália, depois de ouvido o Conselho da Ordem.

A indicação do homenageado partiu do Agente Consular Honorário da Itália em São Luís, Francesco Cerrato, acatada pela Cônsul da Itália em Recife, Nicoletta Fioroni, que, por sua vez, fez a solicitação ao Ministro das Relações Exteriores da República italiana.

Pode-se dizer que é um fato honroso para o Brasil, particularmente para o Maranhão porque Mario Cella, que aqui chegou em 1965, integrou-se à comunidade ludovicense com sua alegria, seu entusiasmo e permanente disposição para enfrentar os desafios de um missionário em terras distantes de sua origem, Santo Stefano d`Aveto, Gênova, Itália.

Formado em Filosofia no Seminário Vescovile de Bobbio, Piacenza, e em Teologia, no Instituto Teológico de Verona, na Itália, especializou-se na Universidade Federal da Paraíba, em Lógica e Metodologia das Ciências, e, na Universidade Federal do Maranhão, em Metodologia do Ensino Superior e Filosofia da Natureza e da Sociedade, vindo, posteriormente a integrar o Departamento de Filosofia da UFMA, onde exerceu cargos de direção, inclusive o de Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação.

Mario Cella veio para São Luís como sacerdote. Contudo, as limitações que os votos religiosos lhe impunham não conseguiram conter a intensidade de seu espírito irrequieto e solidário, sua extraordinária capacidade criativa e disposição para o trabalho. Assim, com a sensibilidade e a extroversão natural de sua italianidade, abriu espaços para criar, desenvolver e estimular atividades culturais, nas áreas da música (foi o criador e coordenador do Coral de Santo Antônio), cinema, teatro, artes, enfim. E sucumbiu aos encantos da Ilha do Amor, ouvindo o canto dos sabiás. Casou-se com a advogada Dulce Passarinho, constituindo uma bela família, querida, respeitada e admirada por todos que a conhecem.

As qualidades de Mario Cella o levaram a inúmeros cargos no setor cultural, na Universidade Federal do Maranhão e nos Governos estadual e federal, sempre promovendo e difundindo a cultura artística no Maranhão. Tudo sem negligenciar sua preocupação com a comunidade italiana, o que o tornou uma referência dos italianos em São Luís, exercendo, inclusive, a representação consular da Itália no Maranhão.

Com dupla nacionalidade, após conquistar a cidadania brasileira, Mario Cella, mercê de toda a sua contribuição para a comunidade à qual se integrou, foi reconhecido pelo Parlamento Estadual como cidadão maranhense, título que usa para proclamar-se ítalo-maranhense.

Conciliador e congregante por natureza, está sempre presente nas iniciativas de reunião da comunidade italiana, do que são exemplo o Circolo Italia, hoje sob o comando de Mônica De Lucca, e o recém-criado Comitê Dante Alighieri de São Luís, do qual é um dos fundadores e cuja presidente é Isabella Pearce.

Assim, é justa e merecida a homenagem que Mario Cella recebeu no dia 2 de junho de 2023, de Cavaleiro da Ordem da Estrela da Itália, destinada a agraciar pessoas que tenham promovido a amizade e a colaboração entre a Itália e outros países.

Mario Cella faz isso há 58 anos. Como italiano, brasileiro e maranhense.

Parabéns ao querido amigo, a sua família e à comunidade italiana no Maranhão, pelo aniversário da República e pelo reconhecimento da Itália a quem, no Maranhão, pauta sua vida tendo a solidariedade humana como princípio.

*Carlos Nina é advogado e jornalista

 

Miriam Leitão diz que Lula ‘errou gravemente’ ao defender o ditador Maduro

A afirmação foi dada durante comentário na programação ao vivo do canal de notícias Globo News, em uma referência à absurda recepção oferecida ao ditador comunista da Venezuela, Nicolás Maduro.

“Lula errou gravemente, porque quando ele fez a campanha dele, foi em defesa democracia. E assim ele foi visto no mundo. Acabou a eleição no Brasil e ele teve apoio das democracias como ‘se agora o Brasil venceu o perigo autocrata’. Aí ele vai e pros amigos dele, pode? Os amigos dele podem infringir as estruturas da democracia. Isso é muito ruim, o Lula errou gravemente no tom em que ele recebeu o Maduro. É normal ter relações, conviver, mas o que não pode é ele abonar, aprovar, esse tipo de comportamento, porque aí todas as dúvidas que foram levantadas pela oposição contra Lula, elas reaparecem”, disse Miriam.

Vale lembrar que ela não é a primeira a reclamar, pois a fila já foi puxada por Gerson Camarotti, Delis Ortiz (a do soco no peito) e Guga Chacra (que tem se descabelado de descontentamento), entre outros.

Toda essa galerinha global que ‘fez o L’ tem mostrado a insatisfação com o desgoverno do Janjo. Mas quando Miriam Leitão demonstra que também está pulando do barco à deriva, é porque a coisa está feia pra valer! Os pregos já foram colocados no caixão… e agora estão sendo martelados, um a um, pelos próprios ‘cumpanheros’!

Jornal da Cidade Online

 

PT vai cobrar até R$ 5 mil no ingresso para “quadrilha” com Lula

A informação foi publicada no site oficial do PT e anuncia os valores exorbitantes dos ingressos, sem qualquer cerimônia: “Os convites para o evento serão vendidos a R$ 300,00, R$ 1.000,00 e R$ 5.000,00 e poderão ser adquiridos através de mensagem de texto por Whatsapp”, diz o texto, informando um número de contato ao final.

“O Arraiá do PT acontece no dia 1º de julho, em Brasília, no Distrito Federal, e terá a tradicional ‘festa na roça’, comidas típicas e atrações musicais.” E não esconde que o objetivo é arrecadar para bancar as tais ‘atividades de formação, mobilização e de comunicação que vêm sendo incrementadas nos últimos anos’ (leia-se ativismo e criação de narrativas nas redes sociais).

Gleide Andrade, a secretária nacional de Finanças do PT, que aparece em uma foto ao lado de Lula, em seu Instagram, com quem afirma que esteve reunida nesta semana, ressalta que ele confirmou presença na tal festa.

Pelos valores cobrados, fica evidente que a direção do partido já faz uma filtragem prévia, de maneira a garantir que só a ‘nata da militância’ consiga participar, ou seja, a aquela ‘cumpanherada’ de sempre voltou à cena do crime, está deitando e rolando e, agora, tem que ‘colaborar’ um pouquinho com o partido.

Jornal da Cidade Online

Crise na bancada do PT: namorado de Gleisi chama líder do partido de “ditadorzinho de m.”

Lindbergh Farias está revoltado com Zeca Dirceu por não ter sido indicado para a CPI dos Atos de 8 de janeiro

As sucessivas derrotas do governo no Congresso Nacional têm demonstrado que a falta de articulação política é um problema enorme a ser enfrentado pelo Palácio do Planalto. Mas essa não é a única questão. Na base do governo, o clima não é dos melhores entre figuras bastante próximas do presidente Lula. O deputado Lindbergh Farias, namorado da presidente do PT e também deputada Gleisi Hoffmann, tem disparado adjetivos pouco ou nada lisonjeiros contra o líder do partido na Câmara, Zeca Dirceu, filho de José Dirceu, o ex-todo-poderoso ministro de Lula que foi condenado no escândalo do mensalão.

Pelos corredores da Câmara, Lindbergh tem chamado Zeca Dirceu de “ditadorzinho de merda”. O ataque se deve, especialmente, à decisão do líder petista de não o incluir entre os deputados do partido indicados para integrar a CPI Mista que vai investigar os atos golpistas de 8 de janeiro.

Lindbergh queria integrar a comissão, mas acabou ficando de fora. O motivo declarado é a postura crítica do namorado de Gleisi ao projeto do arcabouço fiscal enviado à Câmara pelo governo Lula. Lindbergh, porém, não engole a explicação. E culpa Zeca Dirceu por ter sido escanteado na CPI.

A relação entre os dois deputados, ambos donos de ótima relação com Lula, já não é boa há algum tempo. No começo do ano, Lindbergh chegou a disputar com Zeca o posto de líder do PT. Desde então, o ambiente é de desavença. Nas últimas semanas, porém, a crise escalou.

Coluna do Rodrigo Rangel – Metrópoles

 

Lula é uma fantasia coletiva de metade dos brasileiros

Um dos fundadores do PT o achava “meio farsante”, “um oportunista”. O intrigante é como tanta gente do PT e de fora do PT acredita em Lula

Depois que Lula fez exatamente o que disse que faria, presentear o seu advogado de defesa com uma cadeira de ministro do STF, muita gente espantou-se (ou fingiu espanto) por ele ter contrariado o que afirmara na campanha: que não nomearia um chapa seu para a mais alta corte do Judiciário, como fez Jair Bolsonaro (“nomear” é o verbo que corresponde à realidade, “indicar” é o verbo da fantasia constitucional brasileira). Não há por que espantar-se com Lula. Nunca existiu princípio de impessoalidade para ele. Nem como líder sindical, nem como chefão de partido, nem como presidente da República. Lula é uma pessoa cuja única finalidade está em si mesmo — em atender, acima de tudo, às suas próprias conveniências.

É fato sabido, provado, registrado, mas estranhamente deixado de lado por metade dos brasileiros nas eleições. Um dos fundadores do PT, por exemplo, o sociólogo Francisco de Oliveira, que depois se filiaria ao PSol (era de esquerda de verdade) deu uma entrevista ao programa Roda Viva, em 2012, que causou imenso desconforto entre os petistas. Ele disse que “Lula é muito mais esperto do que vocês pensam. O Lula não tem caráter, ele é um oportunista”. Francisco de Oliveira também afirmou: “Se ele quiser, que me processe. O Lula é uma vocação de caudilho, a antessala do ditador”. Ou seja, a defesa que o atual presidente da República fez do tirano da Venezuela, Nicolás Maduro, é expressão límpida do seu pensamento, do seu desejo nada recôndito. E também das suas ações passadas, ora bolas, porque ele sempre foi apoiador declarado do regime chavista, que causou a diáspora de 7 milhões de venezuelanos. Onde está a surpresa?

Francisco de Oliveira morreu em 2019, na crença de que Lula não havia roubado dinheiro público. Mas, como homem de esquerda experimentado na militância política e provado pela tortura da ditadura militar, ele não nutria muitas ilusões. O seu depoimento para o livro, organizado por Angela Alonso e Natalia Dolhnikoff, é mais do que o relato de uma testemunha da história. Francisco de Oliveira foi um protagonista da história que, no final da vida, não tinha mais nada a perder, porque não tinha nada a ganhar.

Nos trechos que destaco abaixo, o sociólogo desfaz a mitologia criada em torno de Lula e do Comício da Vila Euclides, no final da década de 1970, episódio considerado capital para a luta pela redemocratização e que lançou o então líder metalúrgico Lula para a cena nacional. Entre outras coisas, Francisco de Oliveira diz que “quem derrotou a ditadura foi a classe média”. Sim, a classe média tão espinafrada pelo PT. Leia:

“Eu nunca achei que o Lula fosse o caminho da revolução, aliás, quem acertava em cheio no Lula era o Roberto Freire, o ‘partidão’ nunca apostou no PT. Um pouco por ciumeira, porque o PT passou o trator. Um pouco porque, como se dizia antigamente, o ‘partidão’ tinha uma teoria sobre o Brasil, coisa que o PT não tem e nunca teve, e nessa teoria sobre o Brasil o Lula não se encaixava bem. Eles nunca apoiaram o PT.

“Eu estava mais para o lado do ‘partidão’, embora nunca tivesse entrado no partido, achava o Lula um pouco farsante. Para mim era muito estranho que um líder operário não conhecesse a história operária. Ele não conhecia nada, nem conhece, na verdade ele foi empurrado para lá pelo irmão dele, que o povo chamava de Frei Chico. Esse era militante. O Lula não.”

“Direi uma coisa heterodoxa: quem menos liderou a redemocratização foi a classe operária. É que a gente, por causa do velho Marx, tem essa adulação. Quem derrotou a ditadura foi a classe média. Derrotou não como classe, derrotou entrando no MDB, derrotou fazendo todo tipo de política que era possível fazer, não foi a classe operária, isso é uma adulação boba, e já está na hora, não de desfazer qualquer coisa, mas de entender o movimento real da história que houve no Brasil. Você não tinha grandes movimentações.

“Quando chegou ao auge em que essa panela já borbulhava por fora, aí você tem o Comício de Vila Euclides, mas, se você olhar antes o trajeto, peguem fotografias da época, quem está liderando as passeatas? Ulysses Guimarães, Fernando Henrique, são eles que estão lá na frente. Mesmo porque a visibilidade política dessa fração da classe média sempre foi maior. Mas nos momentos de auge, no famoso Comício da Vila Euclides, aí se projetam também outras imagens. Mas na maior parte dos casos, sem nenhum desdouro, as figuras eram da classe política.”

O que me intriga, e sempre vai me intrigar, é como tanta gente do PT e de fora do PT acredita há tanto tempo piamente em Lula e ainda se espanta (ou acha que dá para fingir espanto) com o que ele diz que vai fazer e faz. Lula é uma alucinação coletiva permanente de um terço dos brasileiros e de metade deles há várias eleições.

Coluna do Mário Sabino – Metrópoles