“Programa de Combate à Desinformação”, criado pelo STF é censura, diz o jornalista Diogo Forjaz

A poucos dias das manifestações do dia 7 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro disse que a participação nos atos é uma “oportunidade histórica” para a população brasileira. O analista político Diogo Forjaz comentou a respeito do imenso apoio ao presidente, em entrevista à TV JCO.

“O Data Rua tem rasgado o Data Falha, que temos visto falhar várias vezes. Temos o Brasil de fato e o Brasil de fala. E o Brasil de fala não convence mais ninguém”, afirmou.

E o ex-presidente Temer procurou Bolsonaro, tentando intermediar um encontro com Alexandre de Moraes, propondo ‘pacificação’. Mas Bolsonaro foi firme, disse ‘não’ à proposta. Forjaz é categórico, ao dizer que “não dá pra pacificar”.

E ele continua:

“Como se daria essa pacificação? O Alexandre de Moraes vai se entregar à justiça? Eles vão desfazer o inquérito das fake news?”, questionou.

Outro tema da conversa foi o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, que anunciou, por meio de resolução, a criação do Programa de Combate à Desinformação (PCD) na esfera do Tribunal. Para Forjaz é “claramente uma censura”.

“As agências reguladoras de informação regulam o que você pode falar. Se isso não é censura, eu não sei o que é. Os que são comunicadores estão sujeitos a sair da rede, a pagar altas multas, a perder a remuneração do seu trabalho”, lamentou.

Jornal da Cidade Online

 

Uma “bofetada” que pode acordar muita gente que está dormindo

Fui aluno de grandes mestres do Direito.

Tanto na graduação como na pós-graduação e dezenas de outros cursos que frequentei ao longo da minha longa carreira de advogado. Convivi com grandes Professores e com colegas brilhantes. Sempre tive em quem me espelhar e fazer baliza.

E sempre vi uma OAB nacional ativa e aguerrida na defesa das prerrogativas da advocacia, da cidadania e do Estado Democrático de Direito, orientando os caminhos e dando rumo aos Advogados e Advogadas do Brasil. O enfrentamento das injustiças é um mantra e um dogma na nossa profissão.

Daí que o vídeo que compartilho junto com este texto é uma síntese que sacode a roseira da comunidade jurídica, para lembrar-nos do nosso mais profundo e significativo papel na teia de relacionamento social.

No momento em que tecnicamente presenciamos atitudes de alguns integrantes da mais alta Corte de Justiça do Brasil – que é o Supremo Tribunal Federal – negando sentido e direção a fundamentos e princípios constitucionais, não há como permanecermos calados!

Não é possível que um ministro instaure, processe e julgue uma ação penal onde ele mesmo é vítima, contra e sem a presença do Ministério Público; tendo por base uma acusação de fatos que não estão capitulados na norma penal como crimes.

Portanto sem materialidade e sem tipicidade legal.

É inadmissível que nesses mesmos processos sejam lançadas decisões irrecorríveis de cerceamento de defesa, de controle da liberdade de opinião com reflexos difusos de amedrontamento coletivo, de censura à liberdade de imprensa e de prisões políticas.

Aqui já não é mais o caso de defender esse ou aquele governo.

Agora é hora de defender a Democracia brasileira contra o arbítrio e contra o estado de exceção, independentemente das convicções ideológicas!

Lembro-me de Sobral Pinto, católico e conservador e anticomunista ferrenho, que sob o regime da ditadura Vargas, advogava “pro bono” e patrocinava a defesa de líderes comunistas presos por ações ilegais patrocinadas pelo chefe da repressão do regime de força, Filinto Muller.

E ia visitá-los semanalmente por anos a fio no cárcere, provendo suas vidas de esperança e nutrindo seus familiares dos bens materiais para garantir seus sustentos com mínimo de dignidade possível.

Entre eles, seu maior adversário ideológico, Luiz Carlos Prestes.

Lembro-me de outros tantos colegas agindo, nas mesmas condições e da mesma forma, advogando em favor dos presos políticos e combatendo duramente o regime militar.

Não me esqueço jamais dos tempos estudantis, onde nós acadêmicos, mesmo diante das mais severas e reais ameaças de prisão, nos mobilizamos em favor da Democracia.

Agora, num cenário igualmente grave, estranho o silêncio ensurdecedor da Comunidade Jurídica do Brasil.

Salvo uma honrosa minoria, vejo estudantes, colegas e intelectuais do Direito calados e omissos!

Ainda é tempo de lutarmos contra essa vergonha que estamos assistindo!

Advocacia não é profissão para covardes!

Ele é uma bofetada que pode acordar muita gente que está dormindo!

“O que preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons!” (M. Luther King – Líder americano, defensor dos Direitos Civis).

Luiz Carlos Nemetz

Editorialista do Jornal da Cidade Online. Advogado membro do Conselho Gestor da Nemetz, Kuhnen, Dalmarco & Pamplona Novaes,

 

Governo Federal libera R$ 1,1 bilhão para estados e prefeituras combaterem a covid-19

Recursos serão repassados para enfrentamento da covid-19. Uma portaria do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (3) destina mais de R$ 1,1 bi para Fundos de Saúde dos estados, Distrito Federal e municípios. Os recursos serão repassados em parcela única para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

O montante está previsto na Medida Provisória (MP nº 1062/21), editada pelo presidente Jair Bolsonaro no mês passado, que libera mais de R$ 9,1 bilhões para o combate à covid-19.

O Fundo Nacional de Saúde fica com a maior parte dos recursos: mais de R$ 8,3 bilhões. O dinheiro deve ser aplicado em atenção à saúde para procedimentos em média e alta complexidade, estruturação de serviços de urgência e emergência, pagamento do piso de atenção primária à saúde, educação e formação em saúde.

Pela MP, uma parte do restante do valor previsto – R$ 705,1 milhões – irá para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os recursos vão financiar compra e distribuição de vacinas, manutenção de laboratórios e pesquisas clínicas em patologias de alta complexidade da mulher, da criança e do adolescente.

O Hospital Nossa Senhora da Conceição fica com o restante, R$ 15,3 milhões. O dinheiro faz parte do programa de atenção à saúde nos serviços ambulatoriais e hospitalares do Ministério da Saúde em Porto Alegre. A MP 1062/21 tranca a pauta de votações do Congresso a partir de 24 de setembro e precisa ser votada por deputados e senadores até o dia 08 de outubro.

Com informações da Agência Brasil

 

PEC do fim do foro privilegiado engavetada por Rodrigo Maia pode ser votada em 2021

Proposta completa 1.000 dias parada, mas há compromisso do presidente Arthur Lira (PP-AL) em pautar até o fim deste ano. Rodrigo Maia procurou desconhecer a PEC e não mediu esforços para mantê-la engavetada. 

Câmara dos Deputados

A PEC do fim do foro privilegiado pode finalmente entrar na pauta de votações da Câmara ainda em 2021. Nesta segunda-feira (6), o texto completa 1.000 dias parado na Casa, mas há um comprometimento do presidente da Câmara, Arthur Lira, (PP-AL) de colocar o texto em votação neste segundo semestre.

Lira se comprometeu com o Podemos, partido do autor da proposta, a trabalhar com líderes para a votação em duas reuniões com a legenda. O presidente da Câmara é conhecido por honrar compromissos e a análise, portanto, deve acontecer.

Pelo texto, do senador Álvaro Dias (PR), o foro por prerrogativa de função ficaria restrito aos presidentes da República e vice, presidente da Câmara, do Senado e do STF. Aprovada no Senado e em comissão especial da Câmara está parada desde o final de 2018. Dez partidos já apresentaram requerimento para a votação. Hoje, de acordo com a consultoria legislativa da Câmara, quase 55 mil pessoas têm foro privilegiado no Brasil.

A presidente do Podemos, deputada Renata Abreu (SP), diz que o foro privilegiado deixa impunes corruptos do País. 

“A Câmara tem essa dívida com o Brasil. São mil dias em que só uma pequena parcela de corruptos comemora, contra uma imensa maioria de cidadãos honestos. O País é refém da corrupção, e votar o fim do foro é uma das medidas mais urgentes para libertar o Brasil de quem comete crimes e usa de privilégios para ficar impune. Será o começo de uma nova Justiça, em que todos serão iguais perante a lei”.

Fonte: R7

 

Justiça Federal atende pedido do MPF e obriga a Caema acabar a poluição “língua negra” na praia do Calhau

Companhia terá que consertar equipamentos defeituosos em estação elevatória de esgoto, sob pena de multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

Após ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal no Maranhão concedeu liminar que determina à Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) que promova a imediata manutenção dos equipamentos defeituosos de uma Estação Elevatória de Esgoto (EEE) que têm causado danos ambientais no rio e praia do Calhau, localizados na cidade de São Luís (MA).

Segundo a ação do MPF, laudos periciais emitidos pela Política Federal e Polícia Civil do Estado do Maranhão comprovaram que o mau funcionamento dos equipamentos de uma das Estações Elevatórias de Esgotos, mantidas pela Caema no Bairro do Cohajap, está contribuindo para a ocorrência do fenômeno da “Língua Negra”.

Desde 2015, ocorreram vários desses episódios de poluição em razão do lançamento direto de efluentes (esgoto) não tratados no rio Calhau e na praia com o mesmo nome, o que tem gerado grave impacto ambiental e grande repercussão social negativa.

Na decisão, a Justiça Federal no Maranhão determinou que a Caema conserte imediatamente os equipamentos defeituosos e apresente, em 30 dias, um relatório sobre as medidas adotadas para a manutenção emergencial da Estação Elevatória de Esgoto do Cohajap.

Além disso, a Companhia terá que apresentar, no prazo de 60 dias, um projeto de restauração adequada dos equipamentos, com cronograma de reforma, que deverá ter duração máxima de um ano, especificando-se as obras a serem realizadas, sendo proibida de liberar qualquer efluente no ambiente externo. A empresa terá que pagar, ainda, multa de R$ 50 mil para cada evento de descumprimento comprovado.

Assessoria de Comunicação
Ministério Público Federal no Maranhão

 

Flavio Dino tenta retomar controle do grupo político quanto a sua sucessão

O governador Flavio Dino sempre pautou o comando do grupo político que o apoia com autoritarismo e impondo sempre a sua vontade e interesses. Quantos prefeitos, deputados e vereadores da sua base política tomaram chá de cadeira e depois de longas horas de espera eram informados que o governador já havia saído para atender um chamado urgente. Muitos desistiram e decidiram seguir por outro lado, mas alguns assumiram o papel da subserviência e mesmo com a arrogância inerente ao governador, permanecem ouvindo esculhambação.

O vice-governador Carlos Brandão sofreu no mandato anterior e o começo da atual administração, muita indiferença de Flavio Dino e foi boicotado o tempo todo pelo deputado Márcio Jerry, principal vassalo do senhor suserano. Com uma larga experiência política advinda do seu pai, o médico Carlos Orleans Brandão, político com mandatos parlamentares e depois Ministro do Tribunal de Contas do Estado e conhecimentos adquiridos com o senador Alexandre Costa e o governador José Reinaldo Tavares, além de que com os seus princípios e valores não capitulou, e enfrentou com a devida determinação todo tipo de exclusão e desrespeito advindos do governador Flavio Dino e do subserviente vassalo Márcio Jerry.

Carlos Brandão saiu do ostracismo, quando o governador Flavio Dino entendeu a princípio que poderia ser candidato à presidência da república e para tanto buscava apoio de Lula, até quando este foi ressuscitado pelo STF. O sonho de ser um novo presidente José Sarney do Maranhão continuaram, mas não demorou muito em ver a diferença que há entre um vinho de qualidade e safra nobre e uma água da caema, esta última que lhe identifica bastante, começando do tratamento.

Quando o sonho lhe torturava com muitas visualizações, mesmo com a possibilidade de vir a ser candidato a vice numa composição com Lula, recebeu aqui em São Luís, do próprio Lula e da deputada Glesi Hoffman, presidente nacional do PT, que ele era carta fora do baralho para uma possível composição e que havia mais de 11 candidatos à sua frente e com cacifes eleitorais importantes.

As desavenças dentro do grupo do governador e a falta de força e liderança, inclusive à vista clara da comitiva de Lula, foram fatores importantes para sepultar o sonho de Flavio Dino, mas como na política tudo é possível, ele pode perfeitamente vir a ser ressuscitado para as suas pretensões.

                 A Sucessão no Maranhão no Grupo do Governador  

Desde quando Flavio Dino invocou em ser presidente ou vice estimulou dentro do seu grupo candidatos ao senado, sendo ela retomada depois de ser despachado por Lula. Antes vinha tratando do candidato à sua sucessão e criou uma disputa, em que o seu candidato seria o vice-governador Carlos Brandão, que no entretanto nunca foi anunciado por ele. O senador Weverton Rocha sempre manifestou publicamente o desejo de disputar o governo, mas Flavio Dino, durante algum tempo fez ouvido de mercador e posteriormente nunca se posicionou a favor ou contra.

Mais recentemente com os avanços e até campanha fora de época, Flavio Dino, ao seu estilo autoritário, anunciou que os debates e outros questionamentos relacionados à sucessão dentro do seu grupo político estavam suspensas e seriam retomadas em janeiro de 2022. Ninguém levou a sério o comunicado e inclusive, os pretensos candidatos, como Felipe Camarão e Simplício Araújo, estimulados pelo próprio governador continuaram com as suas articulações.

Tentando desestimulá-los, como se fossem amadores, todos ignoraram a informação de que Flavio Dino estaria disposto a permanecer no governo até o final do seu mandato. Vendo que havia mais uma vez dado um fora, reapareceu dizendo que é candidato ao senado federal. Pelo que se observa, Flavio Dino por falta de capacidade de articulação e acreditando mais no seu autoritarismo do quero, posso e mando, sente que perdeu o poder de coordenação e a ruptura no grupo é iminente e coloca em risco o mandato de senador que pretende.

A verdade é que Carlos Brandão não será candidato ao Governo do Maranhão em 2022, apenas na hipótese de Flavio Dino permanecer até o final do seu mandato. Quanto ao senador Weverton Rocha não desistirá com facilidade e vem trabalhando ativamente em busca de apoios políticos. Enquanto isso o grupo da oposição liderado pela ex-governadora Roseana Sarney vem acompanhando os conflitos na base governista e como afirmou publicamente, as questões políticas para ela e seu grupo serão tratadas apenas em 2022.

Fonte: AFD

 

 

 

Nova “CPI da Pandemia” vai apurar denúncias de fraudes e corrupção de governadores e prefeitos

O senador Eduardo Girão já reuniu pelo menos 30 assinaturas das 27 necessárias para criar uma CPI que se propõe a investigar o uso de recursos públicos federais enviados a Estados e municípios durante a pandemia. Girão quer que essa nova CPI apure denúncias de fraude e corrupção. O ponto de partida é a compra de 300 respiradores, no valor de 48,7 milhões de reais, feita pelo Consórcio Nordeste. O senador Girão encaminhará o pedido ao presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco.

O requerimento deve ser apresentado na próxima semana, logo após o feriado de 7 de Setembro. No decorrer da CPI da Pandemia, diversos documentos que mostraram desvios em contratos assinados por governadores e prefeitos foram simplesmente omitidos, principalmente do Consórcio de Governadores do Nordeste e blindaram vários acusados de corrupção, em que está o governador Renan Filho, nada menos do que o filho do poderoso Renan Calheiros, envolvido até alma em corrupção e com o respaldo do STF se tornou relator da CPI do Protecionismo e voltada contra a presidência da república.

No caso do Consórcio Nordeste, os governadores compraram respiradores de uma empresa especializada na fabricação de peças íntimas e na importação de medicamentos à base de maconha.

Girão enumerou mais de 100 operações da Polícia Federal, desde o início da pandemia, para investigar contratos firmados por governos estaduais e prefeituras, com verbas repassadas pelo governo Bolsonaro. As cifras ultrapassam 3,2 bilhões de reais, segundo o senador. Desde abril de 2020, foram cumpridos 158 mandados de prisão temporária, 17 de prisão preventiva e 1.536 de busca e apreensão, em 205 cidades, de 26 Estados.

Fonte: Jornal da Cidade Online

 

PT em defesa de Lula perde ação de dano moral contra Luciano Hang

Ação foi movida após vídeo publicado nas redes sociais do dono da Havan, em 2020; indenização pedida era de R$ 10 mil  O Partido dos Trabalhadores (PT) perdeu ação contra o empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan. A derrota foi confirmada na última quarta-feira (1º) pelos desembargadores do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF). De acordo com o escritório Leal & Varasquim Advogados, que faz a defesa de Luciano Hang, o PT pretendia receber indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil.

A ação do PT foi embasada em um vídeo publicado nas redes sociais do empresário em que ele fazia críticas à ideologia petista. A publicação ocorreu durante o segundo turno das eleições municipais de 2020 e referia-se à disputa para a prefeitura das cidades de Vitória e Cariacica, no Espírito Santo.

Entretanto, o Tribunal considerou que as manifestações de Hang fazem parte do livre exercício da liberdade de pensamento, expressão e manifestação. A Corte argumentou, ainda, que as críticas do empresário foram ““equivocadamente tomadas como ofensas pelo PT”.

Fonte: R7

Canal de humor polemiza com vídeo onde “Alexandre” é o juiz, o promotor, o júri e a vítima

Um vídeo do canal Hipócritas está dando o que falar. Um sujeito de nome “Alexandre” se apresenta como o juiz de uma determinada causa. Na sequência, o mesmo “Alexandre” aparece como promotor, vítima e júri do caso.

Com aguçado humor, o canal obviamente retrata o que está acontecendo em inquéritos em trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Alexandre de Moraes exerce as funções de julgador, acusador e também é a vítima.

Inúmeros juristas já alertaram para a absoluta inconstitucionalidade disso que vem ocorrendo em nossa Suprema Corte. O humor do Hipócritas, mais uma vez, é revelador.

Jornal da Cidade Online

Magistrada critíca Resolução do STF que pode decidir o que é “mentira” e o que é “verdade” no Brasil

A juíza Ludmila Lins Grilo fez uma análise da Resolução 742/21 do Supremo Tribunal Federal (STF), publicada no Diário da Justiça eletrônico, no último dia 27 de agosto, que cria o “Programa de Combate à Desinformação”, com o objetivo, segundo o texto, de “enfrentar os efeitos negativos provocados pela desinformação e pelas narrativas odiosas à imagem e à credibilidade da Instituição, de seus membros e do Poder Judiciário”.

Ludmila fez uma forte crítica e apontou, em suas redes sociais, alguns pontos da “lei” criada pelo STF:

A resolução fala que a ideia é “MANTER A PROTEÇÃO DA CORTE acerca das LIBERDADES de comunicação”. Nesta parte eu fiquei confusa. Haverá liberdade de comunicação para todas as pessoas, ou só para quem falar bem do Judiciário? Estamos na era das opiniões permitidas e proibidas? Isso me lembra coisas terríveis que aconteceram na história, mas, sei lá, deve ser coisa da minha cabeça.

A resolução afirma que serão adquiridos recursos tecnológicos para identificação de “práticas de desinformação” e “discursos de ódio”. Portanto, será gasto dinheiro público nisso.

Com o belo nome “diálogos institucionais”, afirma que o comitê se aproximará de ÓRGÃOS DE INVESTIGAÇÃO e de AGÊNCIAS DE CHECAGEM.

Coloca-se como oráculo do bem e do mal, arvorando-se de “alfabetizador midiático”, afirmando que não só “capacitará” servidores, jornalistas e INFLUENCIADORES DIGITAIS para “identificar práticas de discurso de ódio”, mas também indicará as “formas de atuação para COMBATÊ-LAS”.

Como será a forma de combate ao pensamento que eles taxarem de perigoso ou subversivo? Já vi isso antes na história também, e não achei muito legal. O comitê também terá o objetivo de “combater notícias falsas” e “DISSEMINAR INFORMAÇÕES VERDADEIRAS”. Nesse trecho, por algum motivo, lembrei do “Ministério da Verdade” do livro 1984, mas deve ser implicância minha, evidentemente.

É claro que estamos em uma democracia, você ainda não percebeu?

Em resumo, O STF, mais uma vez, atropela as próprias atribuições para legislar em causa própria. Afinal, a Resolução 742/21 permitirá à Corte maior do país se colocar no papel de vítima de mentiras que ela decidir que assim o são e, a partir daí, terá ainda a atribuição de mandar investigar, acusar, instaurar processo e julgar.

É um passo adiante da decisão do TSE, pela desmonetização de canais de mídia conservadores. Mas está tudo bem, afinal de contas, quem pratica censura ataca a liberdade de expressão fica do outro lado da praça, não é mesmo?

Fonte: Jornal da Cidade Online