Viagens, vinhos e apartamento: Veja ‘mimos’ de empresas do Master para Jaques Wagner

Presentes aparecem em documento da Polícia Federal. Os documentos da Polícia Federal que embasaram a Operação Compliance Zero apontam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria recebido uma série de presentes, cortesias e vantagens de empresários ligados ao Banco Master. Segundo os investigadores, os benefícios teriam sido concedidos ao longo da relação entre o parlamentar e o ex-sócio da instituição Augusto Ferreira Lima. Entre as benesses descritas pela PF estão voos em aeronaves particulares colocadas à disposição do senador e de familiares. As investigações citam diferentes deslocamentos, incluindo uma viagem realizada em outubro de 2023 para a chamada Ilha da Paixão, imóvel que, segundo a PF, era utilizado por Augusto Lima. Em mensagens apreendidas, auxiliares encaminham o prefixo da aeronave, horários de decolagem e orientações para utilizar um avião “que ninguém conheça”, de forma a evitar a identificação do deslocamento.

A Polícia Federal também afirma que familiares de Jaques Wagner receberam ingressos para shows da cantora Taylor Swift. Em um dos episódios, foram comprados bilhetes para uma apresentação da artista em Los Angeles destinados a uma neta do senador, à mãe da jovem e a uma amiga. Em outro momento, mensagens tratam da entrega de cinco ingressos de camarote para um show da cantora no Brasil. Os investigadores estimam que os ingressos tenham representado uma vantagem superior a R$ 60 mil.

Outro benefício apontado pela investigação envolve presentes de alto valor. Mensagens encontradas no celular de Augusto Lima mostram a organização de uma lista de autoridades que receberiam lembranças de fim de ano. Ao lado do nome de Jaques Wagner, a secretária do empresário encaminha opções de vinhos importados avaliados entre R$ 2,5 mil e R$ 5,3 mil cada. Fotografias apreendidas pela PF mostram caixas de presentes identificadas com etiquetas contendo o nome “Jaques”, prontas para entrega.

Os investigadores também apontam que Wagner teria solicitado um apartamento de luxo em Salvador como vantagem indevida. O imóvel, avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões, teria sido negociado por intermediários ligados aos empresários investigados. Segundo a PF, mesmo após as prisões de Daniel Vorcaro e Augusto Lima, as conversas sobre a compra continuaram incluindo discussões sobre contrato, forma de pagamento e acabamento do imóvel, indicando, na avaliação dos investigadores, uma tentativa de concluir a operação discretamente.

Além desses itens, os documentos mencionam despesas com a logística das viagens, incluindo a disponibilização das aeronaves particulares e a estrutura necessária para os deslocamentos do senador e de seus familiares. Para a Polícia Federal, o conjunto dessas vantagens integra um suposto sistema de benefícios concedidos por empresários ligados ao Banco Master em troca de influência política. A defesa de Jaques Wagner nega que o senador tenha recebido vantagens ilícitas ou   atuado em favor dos interesses do Banco Master.

Diário do Poder

Ministro André Mendonça autoriza o 2º inquérito contra Lulinha e PF já pede um terceiro

O Ministro André Mendonça autorizou nesta sexta-feira (31) a Abertura de um segundo inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — filho de Lula, um sujeito que por suas atitudes não nega a origem. E a PF já pediu um terceiro inquérito. Enquanto o primeiro inquérito trata de negócios com cannabis medicinal, este novo mira a relação de Lulinha com o empresário Cleber Ribas de Oliveira, da empresa 3STRUCTURE IT — que teria buscado contratos na Dataprev (a estatal de tecnologia do governo) e em outros órgãos. A suspeita da PF: que Lulinha tenha recebido ao menos uma viagem (a Foz do Iguaçu, em dezembro de 2024, com o mesmo localizador de reserva do empresário) em troca de facilitar negócios na gestão federal. Todos os caminhos partem da investigação do “Careca do INSS” e da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.

Vale a régua, e ela é rigorosa: são suspeitas e indícios — Lulinha é investigado, sem condenação em qualquer dos casos; abrir inquérito é o início da apuração, não acusação nem culpa. A defesa, pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, afirma seguir “tranquila”, mas ressalvou que ainda não teve acesso a essa nova abertura. Detalhe processual: como a PF não pediu que os novos casos fossem para Mendonça, houve sorteio — que, novamente, recaiu para ele.

A PF, por sua vez, ainda pediu um terceiro inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo o filho de Lula, mas a solicitação ainda deve ser distribuída no STF.

Jornal da Cidade Online

Lula rompe o silêncio sobre o filho Lulinha: As acusações de corrupção são difamatórias

O petista Lula afirmou que seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, está morando na Espanha e não tem necessidade de se manifestar sobre o que classificou como “campanha difamatória” e “mentiras” relacionadas a ele. A declaração foi dada durante entrevista ao podcast “Inteligência Ltda.”. Lula afirmou que Lulinha é alvo de ataques utilizados contra sua própria trajetória política desde 2006. Questionado pelo apresentador Rogério Vilela sobre a possibilidade de o filho fazer uma manifestação pública a respeito das acusações, o presidente respondeu negativamente.

Segundo Lula, Lulinha “jura” diariamente que é inocente.

“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa. Como eu, não haverá qualquer privilégio. Jamais pedirei para um juiz não fazer a coisa correta. Se ele tiver certo, vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, não vai ter”, disse.

Durante a entrevista, Lula voltou a mencionar a Operação Lava Jato, investigação que resultou em sua prisão em abril de 2018, e citou sua mulher, Marisa Letícia, que morreu em 2017. O presidente afirmou que o filho acompanhou os impactos daquele período e sabe das consequências que as acusações tiveram sobre a família.

“Ele sabe o que eu passei, sabe o que é ver na TV te chamarem de ladrão. Sabe que minha mulher morreu por causa da Lava Jato. Ele não tem o direito de errar”, disse Lula.

A manifestação do presidente ocorreu no mesmo dia em que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de um inquérito para investigar se Lulinha praticou tráfico de influência e corrupção. A apuração está sob responsabilidade da Polícia Federal.

O inquérito autorizado por Mendonça busca esclarecer se Lulinha teria atuado em benefício do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em negociações envolvendo o Ministério da Saúde. A Polícia Federal suspeita ainda que os dois tenham mantido negócios relacionados ao setor de cannabis medicinal.

Antônio Carlos Camilo Antunes é apontado como um dos principais envolvidos nos desvios de aposentadorias e pensões investigados pela operação Sem Desconto. O lobista havia contratado a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para prospectar negócios envolvendo cannabis medicinal junto ao governo federal em nome da empresa World Cannabis, da qual era proprietário.

A suspeita investigada pela PF é de que Lulinha teria ajudado a viabilizar uma reunião de Careca com integrantes do Ministério da Saúde. O lobista buscou negociar com a pasta, em 2024 e 2025, um contrato milionário para o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao governo. O acordo, porém, não chegou a ser firmado.

Jornal da Cidade Online