Quando Hegel morreu (1811) o cinema não existia. Se existisse, o filósofo, certamente, o teria incluído na sua lista das artes, tema sobre o qual se debruçou, estudou e escreveu. O cinema surgiu oito décadas depois, com a exibição de filmes dos irmãos Lumière, em dezembro de 1895, em Paris.
Foi um italiano – Ricciotto Canudo – quem atribuiu ao cinema a categoria de arte. Primeiro, como a Sexta Arte, ao publicar, em 1911, La Naissance d’un sixième art. Essai sur le cinematografe. Em 1923, atualizou seu texto e o publicou como Manifesto das Sete Artes e Estética da Sétima Arte, reclassificando o cinema como Sétima Arte. Acrescentara a Dança à sua lista: Arquitetura, Escultura, Pintura, Música, Poesia, Dança e Cinema.
Em que pese a força dos estúdios de Hollywood (Los Angeles) e da Disney (Burbank e Anaheim), na Califórnia, no mercado cinematográfico, o cinema italiano tem identidade própria, pelos seus produtores, diretores, atores e profissionais que trabalham para projetar nas telonas mensagens que levam à diversão, sim, mas à reflexão, acima de tudo, pela qualidade de sua produção e densidade de seu conteúdo.
Essa riqueza artística tem sido exibida no Brasil em festivais anuais objeto de projeto organizado pela Câmara de Comércio Italiana de São Paulo – ITALCAM, em colaboração com a Embaixada da Itália, o Ministério de Relações Exteriores e Cooperação Internacional da Itália e o Ministério da Cultura do Brasil. Neste ano – 20º Festival de Cinema Italiano no Brasil – o lema é “Il Cinema che Racconta, I Maestri che Ispirano” (O Cinema que Conta, Os Mestres que Inspiram). Sua mostra teve início em 29 de outubro e estender-se-á até 29 de novembro.
A programação do Festival em São Luís começa dia 12 e se encerrará dia 29 deste mês, com sessões às 19h. No sábado e domingo haverá sessões adicionais às 15h e 17h. Os filmes serão exibidos no Cine Lume, no térreo do Edifício Office Tower, Jardim Renascença, com o apoio da Agência Consular da Itália (Francesco Cerrato) e parcerias com o Cine Lume (Frederico Machado), a Associação dos Magistrados do Maranhão (AMMA), o Comitê Dante Alighieri de São Luís (Isabella Pearce) e o Circolo Italia.
A mostra em São Luís reúne inéditos (A ilusão e As provadoras de Hitler, ambos de 2025) e obras de diretores que, com seu talento e criatividade, honram os clássicos do passado, como Vittorio de Sica e Roberto Rosselini, presentes no Festival na retrospectiva que traz Ladrões de bicicleta (De Sica, 1948) e Paisá (Rosselini, 1946). Mestres que inspiraram as sucessivas gerações de cineastas, responsáveis pela preservação da Sétima Arte, como o classificou Canudo. Completam a mostra: Eterno visionário Os rapazes de Via Panisperna, O jantar, Verão na Sicília, Diamantes, A última rodada, Hey Joe e Roberto Rosselini, mais que uma vida.
O Festival é um rico presente cultural e artístico da comunidade italiana aos brasileiros. Todas as sessões do 20º Festival de Cinema Italiano no Brasil, no Cine Lume, serão gratuitas.
*Carlos Nina é advogado e jornalista








