Symon Filipe de Castro Albino gritou que não há provas de que ele tenha entrado nos prédios destruídos em 2023 na Praça dos Três Poderes. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, teve seu evento em Buenos Aires interrompido, nesta quinta-feira (7), por um protesto de um réu foragido da Justiça do Brasil que afirmou ter sido acusado sem provas, pelo ministro Alexandre de Moraes, de crimes pelos ataques do 8 de janeiro de 2023 aos Três Poderes da República. Symon Filipe de Castro Albino gritou da plateia que não há provas de que ele tenha entrado nos prédios que foram destruídos por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no ataque motivado pela não aceitação da derrota do candidato à reeleição para o atual presidente Lula (PT), em 2022.
“Senhor Gilmar Mendes, é muito bonito falar em liberdade. Mas estou há três anos sem ver meus filhos por um crime no 8 de janeiro que não cometi no Brasil, ministro Gilmar. Não tem provas, lá. Estamos sofrendo por um crime que eu e muitos cometeram? Sim! E aqueles que cometeram têm de pagar. Mas, eu, Gilmar Mendes, estou há três anos sem ver meus filhos. O senhor tem feito um papel de juiz, de julgar, sim, no STF. O senhor tem feito um bom papel. Mas o Alexandre de Moraes acusa, acusa outros que estão aqui no nosso meio, de 14 a 17 anos, sem nem ter prova de eu ter entrado dentro dos prédios”, gritou Symon, no Fórum de Buenos Aires, organizado pelo ministro. Com julgamento marcado para o dia 14 deste mês, Symon se inscreveu no evento com o próprio nome, com outros foragidos como Daniel Luciano Bressan e Claudiomiro Rosa Soares, Symon chegou a posar para uma foto com Gilmar Mendes, a quem agradeceu por estar ouvindo seu protesto. Ele foi cercado por seguranças e retirado do local das palestras, que prosseguiram sem comentários a respeito do protesto.
“Eu vim aqui para falar isso; aproveitar esse momento que o senhor está na Argentina, para falar que existem pessoas de bem no meio do dia 8, sim! E que não cometeram [crime]. Então agradeço pelo senhor me ouvir, agradeço aos que estão em silêncio. Porque vocês estão falando de democracia. Essa é uma verdadeira democracia [na Argentina]. Eu poder falar e me expressar. Então, senhor Gilmar, muito obrigado. Te agradeço. Sou um dos refugiados aqui na Argentina. Te agradeço por me receber e me ouvir”, disse o réu foragido.
Symon foi denunciado pela Procuradoria-Geral de República (PGR), não por Alexandre de Moraes, por supostos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
Diário do Poder








