Senado muda Lei de Lavagem de Dinheiro e coloca partidos na mira do Coaf

A Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou hoje um projeto de lei que inclui partidos políticos nas regras de prevenção e controle da lavagem de dinheiro. Com isso, as legendas entram na mira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). Projeto vai direto para votação na Câmara. Como a proposta tem caráter terminativo, ela não precisa passar pelo plenário do Senado. O texto foi aprovado por unanimidade, com 9 votos favoráveis e nenhum contrário.Texto altera a Lei de Lavagem de Dinheiro. Com isso, a legislação passa a incluir partidos políticos e federações partidárias no rol de entidades sujeitas a mecanismos de controle e fiscalização financeira, ao lado de seguradoras, imobiliárias, corretoras do mercado financeiro, gestoras de fundos e comerciantes de joias e artigos de luxo.

Mudança faz com que partidos passem a prestar contas ao Coaf. A Lei de Lavagem de Dinheiro exige que as empresas comuniquem periodicamente suas operações financeiras ao órgão, ligado ao Ministério da Fazenda. Projeto foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), no âmbito da campanha “Unidos Contra a Corrupção”. O texto teve parecer favorável da senadora Ivete da Silveira (MDB-SC), relatora da proposta, que justificou que a mudança pode reduzir “espaços para infiltração de recursos ilícitos na atividade política”.

A experiência recente de investigações de grande repercussão nacional evidenciou que estruturas partidárias podem se tornar canais de circulação e ocultação de valores de origem criminosa, com reflexos diretos sobre a lisura das campanhas e a igualdade de condições entre competidores. Por conseguinte, a inclusão dos partidos políticos no rol de sujeitos obrigados da Lei nº 9.613, de 1998, alinha o regime jurídico dessas entidades às melhores práticas de prevenção à lavagem de dinheiro, ao exigir rastreabilidade sobre doações, contribuições e demais receitas, diz a Senadora Ivete da Silveira (MDB-SC), em parecer sobre o projeto.

UOL NOTÍCIAS

Rombo nas estatais dispara e atinge R$7,4 bilhões no governo Lula

Déficit acumulado entre janeiro e maio de 2026 é o maior da série histórica para o período, segundo dados do Banco Central. O Banco Central divulgou um novo resultado das empresas estatais que aponta um déficit acumulado de R$7,4 bilhões entre janeiro e maio de 2026, o pior desempenho da série histórica para esse período. O valor supera todo o déficit registrado ao longo de 2025, quando as estatais encerraram o ano com saldo negativo de R$5,9 bilhões, segundo os dados oficiais utilizados pelo BC. Os números mostram que o resultado negativo foi concentrado principalmente nos primeiros meses do ano. Janeiro registrou déficit de R$4,869 bilhões, seguido por perdas de R$568,14 milhões em fevereiro, R$468,55 milhões em março e R$ 1,78 bilhão em abril. Apenas maio apresentou um superávit de R$273,35 milhões, insuficiente para reverter o desempenho acumulado.

De acordo com o levantamento do Banco Central, as estatais controladas pelo governo federal responderam pela maior parcela do resultado negativo, com déficit de R$5,9 bilhões nos cinco primeiros meses do ano. As empresas ligadas aos governos estaduais acumularam perdas de R$1,5 bilhão, enquanto as estatais municipais registraram pequeno superávit de aproximadamente R$95 milhões.

O indicador de 12 meses encerrados em maio também permaneceu no vermelho, acumulando déficit de R$6,7 bilhões. Na metodologia do Banco Central, empresas como a Petrobras não integram esse cálculo por possuírem características operacionais e de financiamento semelhantes às de companhias privadas de capital aberto, o que leva a autoridade monetária a tratá-las de forma distinta nas estatísticas fiscais. Os dados reforçam uma sequência de resultados negativos observada ao longo dos últimos levantamentos divulgados pelo Banco Central.

No primeiro bimestre de 2026, por exemplo, o déficit das estatais já havia alcançado R$4,16 bilhões, estabelecendo, à época, o pior resultado para o período desde o início da série histórica. Paralelamente, o governo federal divulgou um relatório contábil das empresas estatais referente ao exercício de 2025, informando lucro líquido agregado de R$169,4 bilhões para o conjunto das 44 empresas federais, impulsionado principalmente por grandes companhias como Petrobras, Banco do Brasil e BNDES. O governo ressalta que esse levantamento utiliza metodologia diferente da aplicada pelo Banco Central, que mede o resultado primário das estatais e exclui algumas empresas do cálculo.

Diário do Poder

 

Chanceler de Lula é chamado para explicar no Senado relatório sobre risco de ações militares dos EUA no Brasil

A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou, nesta terça, um requerimento para que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, seja convidado a explicar no Congresso o relatório do Itamaraty que analisa o risco de ações militares dos Estados Unidos no Brasil, depois de o governo de Donald Trump ter classificado as facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

O ato é mais uma resposta política do Parlamento do que um movimento concreto dos parlamentares para abordar as verdadeiras implicações da postura dos Estados Unidos em relação ao Comando Vermelho e ao PCC, já que o recesso parlamentar começa na próxima semana e não há nem data nem previsão de que a audiência ocorra neste momento. O convite foi proposto pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que lembrou que em 2026 os americanos capturaram o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e mataram o então líder do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

“Eu gostaria de ouvir de onde ele tirou dados para uma afirmação dessa gravidade. Apesar [das intervenções militares recentes], chama a atenção face à relação que temos com os EUA, inclusive na área militar”, disse Mourão à Agência Senado.

Jornal da Cidade Online

EUA desmentem o Itamaraty e classificam como “absurdo” a declaração do chanceler Mauro Vieira

O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou como “absurdo” o temor manifestado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, de que Washington possa utilizar força militar em território brasileiro após a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A informação é do site Metrópoles. A diplomacia norte-americana criticou a hipótese e afirmou que as medidas adotadas têm como objetivo combater grupos criminosos que atuam em território norte-americano.

“Esse comentário é absurdo. Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no âmbito de suas próprias competências soberanas, para combater os narco-terroristas. Essas gangues brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e vamos defender nosso povo contra elas”, afirmaram.

 O Departamento de Estado afastou qualquer possibilidade de que a designação tenha como objetivo justificar uma intervenção no Brasil. A pasta sustentou que a política americana está voltada ao combate de organizações criminosas que passaram a atuar em território dos Estados Unidos e afirmou que “alegações vagas” de intervenções militares podem “ajudar e incentivar” grupos terroristas.

“Alegações vagas de intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e incentivar alguns dos grupos mais violentos do mundo”, disseram.

A manifestação responde às declarações contidas em um documento assinado por Mauro Vieira e encaminhado pelo Ministério das Relações Exteriores à Câmara dos Deputados. No texto, o chanceler afirma que a decisão unilateral dos Estados Unidos de enquadrar o PCC e o CV como organizações terroristas poderia abrir margem para ações extraterritoriais contra instituições brasileiras, inclusive com o “risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional”. Segundo Vieira, a classificação também pode servir de base para medidas administrativas e judiciais de caráter unilateral contra pessoas físicas, empresas e organizações brasileiras, ainda que não possuam vínculos diretos com os Estados Unidos ou tenham apenas ligações indiretas com as facções.

“A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional,” diz o chanceler.

O ministro argumenta que a legislação antiterrorismo norte-americana permite ampla discricionariedade na adoção dessas medidas, o que, em sua avaliação, poderia gerar consequências para cidadãos brasileiros nos campos financeiro, migratório e penal, além de produzir impactos sobre a soberania nacional. O documento ressalta, contudo, que o governo brasileiro não recebeu comunicação formal de Washington sobre a classificação das facções. De acordo com o chanceler, trata-se de um “ato unilateral” dos Estados Unidos que não exige manifestação oficial do Brasil, embora o Itamaraty tenha reiterado sua oposição à medida.

Jornal da Cidade

 

Ligações perigosas entre Lula e Daniel Vorcaro

*Por Luiz Holanda

O título é de um romance epistolar clássico escrito por Pierre Choderlos de Laclos (Les Liaisons Dangereuses), publicado em 1782. A obra é mundialmente famosa por expor a hipocrisia, os jogos do poder e a futilidade da aristocracia francesa através de uma trama de manipulação e sedução. Essa espécie de trama foi muito utilizada por Daniel Vorcaro, dono da Banco Master, para seduzir autoridades e ganhar dinheiro. Com ela Vorcaro usou o Banco Master para corromper políticos, empresários e gente poderosa, em especial alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O governo Lula está entre os seduzidos, celebrando contratos milionários com empresas ligadas ao Master. Esses contratos ganharam notoriedade depois que Lula, em 2024, recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto em reunião não oficial, onde discutiram supostas “perseguições’ contra o Master relatadas pelo banqueiro. Nessa ocasião Lula teria aconselhado a Vorcaro não vender o Master para o BTG Pontual, além de questões operacionais repassadas ao Banco Central (BC). Vorcaro disse ao presidente que sofria perseguições e que estava sendo alvo de adversários políticos e econômicos tentando prejudicar o seu Banco.

No encontro, Lula afirmou que as apurações do BC envolvendo o Master seriam estritamente técnicas, sem qualquer tipo de interferência a favor ou contra a instituição, além de aconselhar Vorcaro a esperar pela posse de Gabriel Galípolo na presidência do BC dali a alguns dias. A reunião foi viabilizada pelo ex-ministro Guido Mantega, empregado de Vorcaro, e contou com a presença do Ministro-Chefe da Casa Civil, Rui Costa e do próprio Galípolo. O relacionamento entre o governo e o banqueiro envolveu episódios de aproximação, reuniões de bastidor e negócios que se tornaram alvo de investigações. O Ministério da Saúde, em 2025, firmou contratos milionários com a farmacêutica Biomm para o fornecimento de insulina, cujo principal acionista é justamente Daniel Vorcaro. Esses contratos levantaram questionamentos, tanto políticos como sobre a maneira como foram celebrados. A empresa de Vorcaro fechou, pelo menos, 3 acordos com o Ministério da Saúde para fornecer o produto naquele ano, sendo que um deles chegou R$ 303,65 milhões. Em 2024 Lula participou da inauguração da Fábrica da Biomm em Nova Lima, Minas Gerais, mas Vorcaro não esteve presente. As investigações da Polícia Federal (PF) chegaram a figuras próximas ao Planalto, como o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner, alvo de uma operação que investiga supostas negociações imobiliárias com um ex-sócio de Vorcaro. A revista Piauí apontou que o senador e Vorcaro possuíam vínculos na Bahia, com o parlamentar atuando como uma influência do Banco Master junto ao governo, facilitando uma rede de contatos que, segundo as investigações, beneficiaria os interesses do grupo financeiro. A revista destacou que a relação entre o senador e o banqueiro girava em torno de negócios financeiros, repasses de dinheiro a familiares e trânsito político, e que o senador e o empresário Augusto Lima ajudaram a consolidar os negócios e as “minas de ouro” do Banco Master na Bahia, principalmente os referentes a ativos financeiros e recebíveis garantidos pelo estado. Investigações policiais apuram a transformação do programa Credcesta em fonte de liquidez, bem como o uso de terrenos com valorizações suspeitas como garantia em operações com a cúpula do governo baiano. O senador seria a ponte de interlocução para Vorcaro no Palácio do Planalto. O envolvimento do banqueiro com o governo federal levou a PF a realizar buscas e apreensões nas residências do senador, obrigando-o a deixar a liderança do governo no Senado para focar em sua defesa. Wagner negou qualquer envolvimento em irregularidades, declarando que sua relação com Vorcaro era “praticamente zero”, e que se encontrou com o banqueiro apenas duas vezes, em situações específicas de negócios envolvendo o empresário Augusto Lima. Vorcaro sempre soube que, no Brasil, só se prospera com a corrupção. 

“Esse negócio de banco sempre falei que é igual a máfia”, disse ele em mensagens vazadas de seu celular para a namorada, Martha Graeff, afirmando que “não dá para sair” e que “ninguém sai bem, só sai mal” desse meio. Para se proteger cercou-se de políticos e autoridades dos Três Poderes em encontros pontuais, festas, degustações secretas de whisky e charutos, além de caronas em jatinhos e pagamento de propina. Para piorar, o ex-governador Anthony Garotinho colocou um novo elemento no debate ao afirmar ter assistido algumas gravações de uma festa conhecida como a “Noite das Astronautas”, que teria ocorrido em Nova York com autoridades federais de alto escalão, além de governadores, parlamentares e secretários de estado. Até agora Garotinho não apresentou nenhuma prova nem revelou a identidade dos supostos participantes.

*Luiz Holanda

Advogado e professor universitário

 

Senado aprova aumento de pena por violência sexual digital contra crianças

O Senado aprovou hoje um projeto que endurece as penas para crimes de violência sexual digital contra crianças e adolescentes. A proposta inclui casos de inteligência artificial. O texto considera conteúdos feitos com uso de IA, deepfake, filtros ou qualquer outro recurso tecnológico como violência digital sexual contra crianças. Em caso de aliciamento, o projeto também prevê aumento de pena.

O texto segue para sanção ou veto do presidente Lula. O projeto propõe aumento de pena para quem tiver acesso ou posse de material relacionado a violência sexual infantil de 1 a 4 anos para de 3 a 6 anos, além da multa. “Incorre na mesma pena prevista quem acessar de forma não-acidental, possuir conta ou realizar pagamentos a registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente, ressalvados os casos de pesquisa acadêmica e investigação policial, devidamente autorizados judicialmente”, diz a proposta.

Penalidade para quem tentar “mascarar” IP. Segundo o projeto aprovado, o responsável por qualquer técnica de ocultação, falsificação ou alteração de endereço do IP, que permite a identificação pelas autoridades, poderá cumprir pena de 1 a 3 anos, além de multa.

UOL NOTÍCIAS

Lula libera R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares maior do destinado ao novo PAC

Montante estabelece recorde histórico para anos eleitorais e supera execução de 2022. O governo federal liberou R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares até o dia 4 de julho de 2026, conforme levantamento do jornal O Estado de São Paulo com base em dados do siga Brasil, sistema vinculado ao Senado Federal. O valor representa um recorde histórico para anos de eleição e supera o executado em 2022, que havia sido de R$ 19,65 bilhões. O montante equivale a cerca de um quarto das despesas discricionárias do governo e é superior aos R$ 19,65 bilhões repassados pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no mesmo período.  

Desde o dia 4 de julho, data que marca o início do chamado defeso eleitoral, novos pagamentos de emendas e transferências não obrigatórias estão proibidos. A legislação prevê exceções apenas para obras já em andamento ou situações de emergência. Do total liberado, ao menos R$ 24,5 bilhões foram transferidos sem que os projetos ou obras correspondentes tivessem sido concluídos, o que permite que os recursos estejam disponíveis para uso durante a campanha eleitoral. Esse movimento de antecipação de repasses foi observado a partir do governo de Jair Bolsonaro, que alterou a dinâmica da execução orçamentária em períodos eleitorais. 

A criação da chamada emenda Pix, em 2019, permitiu a transferência direta de verbas para Estados e municípios. Em 2024, o Congresso Nacional aprovou a antecipação de outros tipos de transferências, limitadas a até R$ 1,5 milhão por operação, que hoje correspondem a 90% do total de emendas liberadas. Para 2026, o Legislativo estabeleceu um calendário que priorizou a liberação de emendas no primeiro semestre, com sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida foi aprovada em meio a negociações que também envolveram a flexibilização de metas fiscais e a ampliação do espaço para gastos do Executivo. Com essas mudanças, prefeituras e governos estaduais tiveram acesso antecipado a recursos que podem ser empregados durante o período eleitoral, dentro das regras atuais. 

Diário do Poder

 

Governo Lula banca ricas viagens do pessoal do Planalto ao exterior com farra de cursos

Servidores da Presidência da República deitam e rolam com “cursos” caríssimos bancados pelo pagador de impostos. No oba-oba, belos valores em diárias e até passagens aéreas entram na farra. No mês passado, 11 servidores participaram de curso de “Gestal de Cerimonial” com mensalidade a R$3,9 mil cada. Até curso de “Preparação para a Aposentadoria” entra na lista. Cursos de idiomas, em uma das escolas mais tradicionais da capital, fazem sucesso: 522 alunos palacianos.

E o compliance?

A Presidência ainda desembolsou mais de R$6,2 mil em curso sobre “Governança, Riscos e Compliance”.

Bicharada

Em maio, um congresso sobre zoológicos e aquários para um servidor custou R$1,2 mil. Soma R$843 de passagem e R$3,3 mil em diárias.

Bicharada

Em abril, uma servidora foi ao exterior para curso entre os dias 13 e 17. Só com passagens, lá se vão R$14,8 mil. Com diárias, mais R$16,1 mil.

Dólar nas alturas

Outra também escolheu a mesma instituição para cursinho na gringa. A viagem, tida como “urgente”, saiu por R$32,8 mil em passagens e diárias.

Coluna do Claudio Humberto

 

Recursos infinitos protelam processos e garantem a impunidade e a corrupção

*Por Luiz Holanda

Diante da fragilidade institucional de se combater a corrupção devido ao número de recursos que protelam o processo e garante a impunidade, o Brasil passou a encontrar dificuldades para o desenvolvimento e ajustes institucionais. A sensação de colapso moral vem dos escândalos que testam diuturnamente o regime, mantendo os corruptos no poder como se nada tivesse acontecido. Passamos a aceitar pacificamente as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que geram a impunidade, principalmente quanto as mudanças jurisprudenciais relacionadas a prazos de prescrição, anulação de condenações (exemplo da Operação Lava Jato) e na limitação do foro por prerrogativa de função.

Decisões que impactam o combate à corrupção se tornaram normais em nossa Suprema Corte, especialmente no que se refere às análises sobre alterações nos prazos prescricionais de ações e o consequente encurtamento do tempo hábil para punição, porta de entrada para a impunidade. O questionamento de teses que levaram à anulação de processos oriundos de forças-tarefa gerou debates intensos sobre nulidades processuais e soltura de réus. O STF reformulou regras para o foro por prerrogativa de função, alvo de críticas, pois a mudança de competência prolonga indefinidamente os processos.

A proteção constitucional ao amplo direito de defesa e os recursos que prolongam o trânsito em julgado das ações são fatores frequentemente apontados como causas de impunidade e do descrédito do nosso sistema judicial. O trânsito em julgado tardio, muitas vezes provocado por sucessivos apelos e embargos, pode resultar na prescrição dos crimes, impedindo a aplicação da pena e liberando os criminosos para a renovação dos mesmos delitos. Para se equilibrar a justiça e se efetivar as decisões judiciais precisamos limitar o número de recursos atualmente existentes, impedindo que se recorra indefinidamente às instâncias superiores como garantia da impunidade, especialmente nos casos de corrupção e nos crimes de colarinho branco, onde os réus possuem recursos financeiros para contratar defesas extensas.

A discussão sobre a execução da pena após condenação em segunda instância (antes do trânsito em julgado) é defendida por muitos como essencial para garantir que o sistema punitivo seja real e oportuno. O excesso de recursos sobrecarrega os tribunais, obrigando-os a lidar com um volume massivo de processos que compromete a razoável duração do feito, conforme previsto na Constituição.

O amplo direito de defesa e o duplo grau de jurisdição para evitar erros judiciários e condenações injustas já estão garantidos em nossa Constituição, sem a necessidade dos inúmeros recursos que provocam a morosidade do Judiciário e a descrença em suas decisões.  A exigência de que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença gera a prescrição e a sensação de que o crime compensa, pois longos recursos costumam servir para protelar o feito até a extinção da punibilidade por prescrição.

Em fevereiro e outubro de 2016 o plenário do STF mudou seu entendimento anterior e passou a autorizar o início da execução da pena de prisão logo após a condenação em segunda instância. Antes disso, a lei exigia o trânsito em julgado, ou seja, o esgotamento de todos os recursos nas instâncias superiores. A alteração representou uma guinada na jurisprudência da Corte, mas esse cenário durou pouco. No final de 2019, o STF julgou as Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) 43, 44 e 54, e -por 6 votos a 5-, decidiu que a execução da pena só pode ocorrer após o trânsito em julgado da sentença, ou seja, depois do esgotamento de todos os recursos possíveis.

Com essa decisão os réus condenados não podiam mais ser presos após a confirmação da sentença em segunda instância, a menos que o juiz determinasse a prisão preventiva, que é aquela que pode ser decretada pelo juiz a qualquer momento durante o inquérito policial ou a ação penal visando proteger o andamento do processo ou a sociedade. A prisão preventiva exige a presença de provas do crime e indícios de autoria, somadas a riscos específicos como o perigo de fuga ou ameaça às investigações. Os recursos são garantias democráticas, mas não se pode aceitar que o abuso do direito de recorrer seja uma garantia fundamental da impunidade, pois a verdadeira “efetividade” do processo não se mede pelo número de recursos, mas pela qualidade e justiça das decisões.

 *Luiz Holanda

Advogado e professor universitário

 

Morre Benedito Rui Barbosa um dos maiores novelistas da história da Rede Globo

Morreu nesta terça-feira (07) o autor de grandes sucessos das telenovelas brasileiras, Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos. O dramaturgo estava internado no Hcor, em São Paulo. De acordo com o boletim médico, ele tinha um diagnóstico de insuficiência renal crônica (IRC) há três anos e apresentava um histórico de internações recorrentes devido a infecções frequentes do trato urinário. Em janeiro, o autor já havia ficado quase vinte dias internado no mesmo hospital para tratar um quadro de infecção urinária.

Nascido em 17 de abril de 1931, em Gália, no interior paulista, Benedito, filho mais velho de cinco irmãos, cresceu entre cafezais e comunidades formadas por descendentes de italianos e japoneses na cidade vizinha de Vera Cruz. A infância foi interrompida cedo pela morte precoce do pai, o jornalista Otávio Barbosa, fundador o jornal A Voz de Vera Cruz, aos 29 anos, quando o futuro dramaturgo tinha apenas 11. A necessidade de trabalhar ainda menino, já que a mãe, Aurora Medeiros Barbosa, não poderia sustentar a família sozinha, primeiro no interior e depois na capital paulista, moldou uma visão de mundo que mais tarde seria transportada para a ficção. Seu primeiro trabalho acabou sendo como auxiliar de guarda-livros em uma firma. Antes de viver da escrita, foi auxiliar de escritório, vendedor, faxineiro, bancário, revisor e repórter esportivo.

Poucos autores ajudaram a moldar a identidade da telenovela brasileira como Benedito Ruy Barbosa. Em uma televisão historicamente marcada por tramas urbanas, ele fez do campo, das plantações, dos rios, das disputas por terra e das famílias de imigrantes o centro de histórias que atravessaram gerações. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, consolidou um estilo próprio: novelas em formato de saga, protagonizadas por personagens de forte senso moral, romances quase impossíveis e um olhar atento para a formação cultural do país.

A literatura abriu as portas para a dramaturgia. Inspirado pela temporada que passou na zona rural do Paraná, escreveu o romance Fogo Frio, transformado em peça teatral sob direção de Augusto Boal em 1959 e premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte. O reconhecimento o levou ao mercado publicitário, onde começou a escrever radionovelas e, posteriormente, teledramaturgia. Sua estreia como novelista ocorreu na década de 1960, mas foi em 1971, com Meu Pedacinho de Chão, que encontrou a marca que definiria sua carreira.

A novela representou uma ruptura. Em plena ditadura militar, Benedito apostou em um universo rural brasileiro tratado com realismo, abordando técnicas agrícolas, educação e a vida no campo. Mesmo submetida à censura, a obra mostrou que era possível fazer sucesso contando histórias longe dos grandes centros urbanos. A partir dali, o autor consolidou uma dramaturgia baseada na observação direta da realidade. Antes de iniciar um projeto, costumava visitar as regiões que serviriam de cenário para suas histórias, numa busca por sotaques, costumes e personagens reais que alimentariam sua ficção.

Na Globo, para onde foi contratado em 1976, escreveu sucessos como Cabocla, Paraíso, Sinhá Moça e Vida Nova. Mas seria nos anos 1990 que seu nome alcançaria um novo patamar. Depois de escrever Pantanal para a extinta TV Manchete, novela que revolucionou a linguagem da televisão ao privilegiar paisagens naturais e gravações externas, retornou à Globo para criar Renascer, marco definitivo da dramaturgia rural brasileira. Em seguida vieram O Rei do Gado, Terra Nostra, Esperança e Velho Chico, produções que combinaram conflitos familiares, disputas econômicas, imigração, religiosidade popular e grandes histórias de amor.

Jornal da Cidade Online