Câmara envia ao STF relato da armação criminosa de Lindbergh Farias do PT contra Alfredo Gaspar

Eles são inescrupulosos. A bandidagem está sendo desmascarada. A Câmara já enviou ao STF o depoimento de um comerciante que afirma que a acusação por crime de estupro de vulnerável envolvendo o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) teria sido uma “armação”. O relato foi colhido pela Polícia Legislativa da Casa de forma virtual, após a corporação ser acionada pelo próprio Gaspar. O parlamentar alagoano relatou que o depoente teria ligado para seu gabinete funcional a fim de denunciar a trama.

O material foi enviado pela Câmara ao Supremo. O caso precisou ser remetido à Corte após o comerciante citar que a “armação” teria sido feita, supostamente, por pessoas ligadas ao deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que tem foro privilegiado. No relatório enviado ao STF, a Polícia Legislativa informa ter colhido o depoimento de um homem identificado como “Luís Antonio Lopes”, de 62 anos. Segundo o documento, ele seria dono de um quiosque no shopping Jardim Guadalupe, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O comerciante relatou que a suposta “armação” envolvia o recrutamento de uma jovem chamada “Marcela Maria Mendes”, que prestava serviços em seu quiosque. O plano seria Marcela conceder entrevistas fingindo se chamar “Jailma” e se apresentando como vítima do estupro de Gaspar.

Jornal da Cidade Online

 

Esquema milionário de corrupção na Saúde envolve Lulinha com Berge, Marcola e ‘Careca do INSS’

Delator confirmou à PF que “Careca do INSS” pagava mesadas ao filho de Lula. O então secretário-executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa, o “Berge”, espécie de petista profissional que sempre ocupa cargos secundários, mas chaves, em governos do PT, e Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-titular do Gabinete Pessoal de Lula, ajudaram a “abrir portas” do Ministério da Saúde para os negócios milionários de interesse de Fábio Luiz, o Lulinha, filho do presidente da República, e seu parceiro Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. O esquema foi detalhado em depoimento à Polícia Federal por um delator do esquema que chegou a ser entrevistado pela emissora CNN, mas pediu para não ter o nome divulgado. Os investigadores acreditam que Lulinha e Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, estariam associados à lobista Roberta Luchsinger, para tentar obter contratos billionários na área do Ministério da Saúde, onde “Berge” era o secretário-executivo, na prática, o vice-ministro.

Esse delator contou à PF em depoimentos realizados no ano passado que o “Careca do INSS”, acusado de comandar nbos parte do robubo bilionário a cerca de 9 milhões de aposentados e pensionistas, pagava mesada vultosa a Lulinha em troca de acesso à estrutura do Ministério da Saúde para vender supostos medicamentos produzidos a partir do princípio ativo do canabidiol, substância obtida na planta da maconha.

Diário do Poder

 

Essa ‘coisa’ que se impôs ao Brasil

                                                                                                                                                                                              Percival Puggina

Durante os governos militares, anos 60 e 70, surgiram no Brasil algumas dezenas de organizações revolucionárias de base marxista. Mataram, feriram, assaltaram, sequestraram. Por rejeitarem tanto o autoritarismo quanto a democracia e a liberdade, atrasaram a redemocratização. Os adjetivos por trás das siglas com que se tornaram conhecidas diziam o que queriam. Eram revolucionárias, comunistas, maoístas, leninistas, trotskistas, armadas, vermelhas. Como tais se apresentavam. Procure no Google e peça uma lista tão completa quanto possível (porque a primeira resposta traz apenas meia dúzia) e verá que nenhuma fala em democracia ou em liberdade. Algumas traziam o L significando que eram libertadoras, mas sua libertação se referia ao regime instalado e tinha fins totalitários que os adjetivos das demais letrinhas esclareciam bem.

Quando caiu o Muro de Berlim e o Leste Europeu retornou à democracia, Lula e Fidel criaram o Foro de São Paulo. Olhe a lista das quatro dezenas de organizações que o constituíram. Em todas, os adjetivos reproduzem os mesmos objetivos. Muitas ingressariam no processo político e chegariam ao poder, em cujo exercício cuidaram de instituir regimes que protegessem o Estado e inibissem as liberdades inerentes aos cidadãos. Criaram ditaduras, fraudaram eleições, silenciaram a divergência e perseguiram quem se lhes opusesse.

Faço este preâmbulo para afirmar que hoje, quando a “coisa” manda com uso abusivo e ostentatório de poder, esses presos políticos, esses exilados, essas vítimas de assédio estatal, essas confissões exigidas para libertar prisioneiros culpados de ter lado político e participar do protesto do 8 de janeiro, são vítimas de velha cultura política, antagônica à democracia e às liberdades.

Quando essa nova classe chegou ao poder, eu já escrevia há mais de 15 anos para os dois maiores jornais da Capital e para quase todos os periódicos do Rio Grande do Sul, situação que se prolongou por mais uma década e meia. O período todo coincide com a vigência da nova Constituição e nunca, em trinta anos, sofri qualquer restrição à liberdade de expressão. Agora, a “coisa” tem fãs do regime chinês e isso exige cautela.

Quando ainda não havia rede social, e desde que o PT chegou ao poder em 2003, o governo e seu partido se empenharam, isto sim, no que ficou conhecido como “controle social da mídia”. Tentaram impor ao Congresso a criação de um Conselho Federal de Jornalismo para “orientar, disciplinar e fiscalizar” o exercício da profissão. O sonho dourado do arbítrio para controlar a imprensa, porém, era o fabuloso “Marco Regulatório das Comunicações”. Esses ensaios rumo às arbitrariedades caíram no esquecimento quando chegaram as redes sociais e o velho jornalismo deixou de lado o ideal libertário para se alinhar com o governo contra os adversários comuns. Há mais de dez anos, tempo suficiente para que essa longa história seja esquecida, as redes são o alvo preferido … de ambos.

Quem queria controlar a mídia, agora quer controlar as redes sociais com apoio da mídia. O que pode a sociedade quando o parlamento é submisso, dá o exemplo com o próprio temor e a desejada blindagem é objeto de escambo nos altares do poder?

Desprotegida do próprio parlamento, a sociedade foi e permanece intimidada. Há verdades que a “coisa” considera intoleráveis e às quais reage de modo truculento alegando motivos impróprios. Essa “coisa” em que vivemos vem daí e democracia não é. Contra ela votarei em outubro!  Oh, céus!

Percival Puggina é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org),

 

Senador Rogério Marinho critica encontro de Lula e Alcolumbre na casa de Alexandre de Moraes

Coordenador da campanha de Flávio afirma que articulação política na residência de ministro do STF coloca separação dos Poderes sob suspeita. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, criticou nesta segunda-feira (10) a reunião entre o presidente Lula (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), realizada na casa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro ocorreu em 4 de agosto e foi mediado por Moraes e pelo ministro Cristiano Zanin. Foi a primeira reunião entre Lula e Alcolumbre, após o Senado rejeitar a indicação do advogado geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF. As relações entre o presidente e o senador estavam desgastadas. Também foram discutidas pautas consideradas prioritárias pelo governo no Congresso.

Em nota, Marinho afirmou que a articulação faz parte da democracia, mas criticou a participação de ministros nas negociações. Para o senador, acordos na residência de integrantes da Corte representa “uma linha perigosa” e coloca em dúvida a imparcialidade.

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro também acusou o grupo político ligado ao governo de tentar preservar influência e impedir a vitória do candidato do PL.

“Nossa resposta será nas urnas. Eles têm os acordos. Nós temos o povo”, afirmou Marinho

O senador ainda questionou a atuação de ministros envolvidos em inquéritos com impacto político e eleitoral nas articulações entre Executivo e Legislativo. Zanin foi indicado ao STF por Lula, enquanto Moraes mantém relação institucional próxima com Alcolumbre.

Diário do Poder

 

Sidônio Palmeira, secretário da Secom do Governo é afastado da campanha de Lula e crise aumenta

O chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, está formalmente fora da campanha à reeleição de Lula. É a crise estabelecida ante os resultados ruins que estão chegando no Planalto. Lula já deixou transparecer o seu descontentamento com o trabalho do marqueteiro. Tudo indica que Sidônio será mantido na Secom apenas para evitar que a crise ganhe contornos maiores, mas o seu afastamento do dia-a-dia da candidatura já está decidido.

Por outro lado, percebe-se que a campanha petista tem sofrido com as divisões internas. A guerra nos bastidores ganhou um novo capítulo na semana passada, com a saída do ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, da coordenação da campanha petista, após ser revelado que ele recebeu dinheiro da empresária Roberta Luchsinger. Pessoas próximas a Marcola apontam fogo amigo no episódio após a divulgação de informações sobre as reações de Lula ao saber do caso.

Jornal da Cidade Online

Governo Lula já tomou dos brasileiros R$2,5 trilhões em impostos, este ano

Eles devem superar em 2026 a tunga de 2025, que chegou a cerca de R$4 trilhões. A partir desta terça-feira (11), o Impostômetro, plataforma da Associação Comercial de São Paulo, passa a registrar R$2,5 trilhões de impostos tomados da população brasileira, apenas em 2026. Nunca um governo tomou tanto dinheiro do brasileiro, tão rapidamente. Até o final deste ano, pela primeira vez na História, o pagador de impostos vai ver sair do bolso mais de R$4 trilhões, outro recorde histórico sob o governo Lula (PT). A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.

Em 2025, o governo Lula (PT) conseguiu chegar perto, mas foram R$3,98 trilhões tomado dos pagadores de impostos.

Entre 2024 e 2025 a arrecadação cresceu quase 10%: passou de R$3,62 trilhões para R$3,98 trilhões. Este ano vai chegar aos R$4,13 trilhões.

Apesar dos valores estratosféricos, a plataforma Gasto Brasil aponta que o governo já gastou mais de R$900 bilhões a mais do que arrecadou.

Diário do Poder

Trama diabólica de Lindbergh Farias para acusação falsa a Alfredo Gaspar são revelados: Até uma atriz foi contratada

*Por Carlos Arouck

Em depoimento prestado à Polícia Legislativa, um comerciante revelou ter participado de uma trama elaborada para acusar falsamente o deputado Alfredo Gaspar, atual vice na chapa de Flávio Bolsonaro, de abuso sexual. A narrativa, segundo ele, foi montada com a participação de uma jovem identificada como Marcela (também referida como Jailma), que assumiria identidade da operação tinha o objetivo claro de atingir politicamente o relator da CPMI do INSS. Em conversa com Carlos Roberto Lopes, este passou a atacar verbalmente o relator, chamando-o de “canalha”, “safado” e “vagabundo”, e afirmando que “tinham que acabar com a raça desse cara”. Foi nesse contexto que o declarante passou a perceber que a narrativa montada com Marcela seria utilizada como instrumento político contra o parlamentar.

O caso começou a ganhar contornos em 14 de abril, quando a assessora de Gaspar, Marise Pena, relatou ter recebido uma ligação de Luiz Antonio Lopes. Nesse contato, Lopes afirmou ter conhecimento da armação e revelou que sua própria conta bancária havia sido utilizada para receber os pagamentos destinados a Marcela. Foram registrados três depósitos: R$ 10 mil, R$ 4 mil e R$ 2,5 mil, totalizando pelo menos R$ 16,5 mil. Um desses valores, de acordo com o depoimento, teria sido feito por Carlos Roberto Lopes, presidente da Conafer, que chegou a ser preso por determinação da própria CPMI por mentir ao colegiado. O depoente destaca ainda que os pagamentos eram feitos, em regra, por outras pessoas, aparentemente para evitar que os principais envolvidos figurassem diretamente nas transações bancárias.

O detalhe mais grave da história aparece na descrição de uma reunião virtual. Segundo o depoimento, Marcela viabilizou um encontro pelo Google Meet no qual estiveram presentes o próprio deputado federal Lindbergh Farias, Carlos Roberto Lopes, um vereador de Nova Iguaçu conhecido como “Toninho da Padaria” e outras pessoas não identificadas. Durante a reunião, Marcela cobrou o pagamento que lhe havia sido prometido e foi informada de que o valor seria providenciado, o que de fato ocorreu por meio de terceiros. O declarante afirma, segundo sua percepção, que Lindbergh Farias parecia ter ciência do contexto tratado nas reuniões e integrava o conjunto de pessoas que discutiam os desdobramentos da narrativa falsa.

Na avaliação do depoente, o indivíduo chamado Lucas foi apontado por Marcela e também percebido por ele como o mentor inicial da ideia daquela simulação. O conjunto de informações coloca o parlamentar no centro de uma operação que, se confirmada, configura tentativa de manipulação política por meio de acusação fabricada, pagamentos dissimulados e reuniões articuladas com o objetivo de destruir a imagem do relator da CPMI do INSS.

*Por Carlos Arouck

 

 

O policial federal perderá o emprego por expor a verdade sobre ministros do STF e negociatas com Vorcaro

João Nabas. Esse é o nome do mais novo herói nacional. O policial federal arriscou a sua carreira para que as relações de ministros do STF com Daniel Vorcaro viessem à luz do dia, via imprensa. Em casos envolvendo os grandes próceres da República, que detém os cordões do poder, não há outra forma de avançar além de acionar o quarto Poder, a imprensa. Sem as revelações da jornalista Malu Gaspar, o caso Master não existiria, e os milionários ministros Moraes e Toffoli estariam livres de constrangimento até hoje.

Um dos “excessos” da Lava-Jato comumente apontado pelos advogados de defesa e por Gilmar Mendes eram os ditos “vazamentos seletivos” de provas para a imprensa. No entanto, como neste caso, não haveria Lava-Jato se não houvesse a imprensa com suas fontes nas investigações. Em um país em que a justiça funciona somente para quem está fora dos círculos íntimos do poder, a imprensa livre tem um papel fundamental. E não existem denúncias da imprensa sem informantes.

Sim, Nabas violou o sigilo funcional e responderá por isso na forma da lei. Esse é o preço que o herói paga por mostrar as vísceras do sistema político e judicial brasileiro. Vísceras estas que estariam até hoje devidamente enterradas em um processo que nem se iniciaria, dado o sono profundo do PGR. Nabas responderá com o próprio cargo, e até com prisão, pelos seus atos. Até por isso deveríamos ser-lhe gratos pela sua coragem.

Marcelo Guterman. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP e mestre em Economia e Finanças pelo Insper.

 

Fraudes no INSS: Agora é a vez do senador Weverton Rocha

*Por Luiz Holanda

O rombo financeiro do INSS ficou conhecido como o escândalo dos descontos indevidos das aposentadorias e pensões de segurados, especialmente dos velhinhos, cujo prejuízo é estimado em cerca de R$ 6,3 bilhões. A roubalheira era patrocinada por entidades, sindicatos e associações que firmavam acordos de cooperação para oferecer serviços e cobrar mensalidades dos segurados. Os descontos ocorriam de forma irregular e sem autorização dos aposentados e pensionistas. Como a impunidade entre nós é um princípio fundamental de nossa administração pública, nada vai acontecer. Além disso, a lentidão do sistema judiciário e a prescrição de crimes de colarinho branco alimentam a percepção de que a corrupção compensa. Tantos são os recursos que o processo pode se estender por décadas, adiando ou impedindo o cumprimento de penas.

O esquema abrange autoridades dos três poderes da República, embora de formas e com dinâmicas próprias em cada um deles. Os desvios éticos, ilícitos e os esquemas de corrupção sistêmica ou pontual podem ocorrer em qualquer uma dessas esferas, abrangendo vários tipos como a compra de apoio político (o chamado “toma lá, dá cá”), o desvio de recursos de emendas parlamentares, a corrupção na aprovação de leis de interesse particular ou corporativo e a prática de contratações irregulares de funcionários fantasmas (rachadinhas). A roubalheira no INSS foi mais um tipo. Até o filho do presidente Lula, Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, foi envolvido. Atualmente ele responde a três inquéritos da Polícia Federal (PF) autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações giram em torno de suspeitas de tráfico de influência e favorecimento de interesses privados em órgãos e empresas públicas federais, tendo surgido a partir de elementos colhidos na Operação Sem Desconto, que apura as fraudes no INSS. As investigações apuram se Lulinha atuou para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes (conhecido como “Careca do INSS”) e a empresária Roberta Luchsinger em negociações e tratativas contratuais voltadas à venda de medicamentos à base de cannabis medicinal para a pasta.

No bolo das investigações estão a Dataprev e o da relatoria do ministro Flávio Dino, que apura conexões e movimentações financeiras envolvendo um ex-chefe de gabinete da Presidência da República (Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”) e a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, além de eventuais vazamentos sigilosos relacionados aos casos. Agora surge um novo envolvido, o senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão. A PF está investigando o parlamentar por suspeita de envolvimento no esquema de fraudes e descontos ilegais envolvendo o INSS. Segundo a imprensa, o senador seria o líder do núcleo político e possível beneficiário do esquema investigado na Operação Sem Desconto. Seus familiares (esposa, filha e irmã) sofreram busca e apreensão pela PF, além de aliados e do advogado Willer Tomaz, apontado como integrante do núcleo de lavagem de dinheiro. A investigação aponta também o uso de empresas de fachada, laranjas, circulação de dinheiro em espécie e compra de bens de luxo (imóveis e aeronaves) para ocultar valores desviados.

O senador Weverton Rocha nega todas as acusações de participação no esquema e afirma que não foi pego de surpresa pela operação da Polícia Federal que mirou seus familiares, afirmando encarar a ação com tranquilidade e que “nada tem a esconder”, classificando os fatos como ataques políticos decorrentes de sua atuação e candidatura. A esposa do senador, Samya Bernardes, está sendo solicitada a explicar repasses financeiros que somam cerca de R$ 11 milhões, direcionados a ela por meio de ligações com o advogado e empresário Willer Tomaz.

A defesa alega que os valores são decorrentes de serviços advocatícios regulares. A filha do senador, Arina Catarina Viana Rocha, é citada pela imprensa como atuante no controle financeiro e operacional de postos de combustíveis (Petro São Francisco e Petro São José), cujas contas teriam sido utilizadas para movimentar recursos, adquirir propriedades rurais, pagar maquinário agrícola e realizar transferências a terceiros indicados pelo senador. Uma irmã do senador, Geyse Rocha, gerenciava interesses patrimoniais da família, e a outra, Shainess Kellmassen, é apontada como intermediária em transferências bancárias suspeitas para ocultar a origem dos recursos. O princípio da presunção de inocência está positivado no Art. 5º, LVII, da Constituição Federal e no Art. 8º, item 2, da Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH), a qual prevê que “toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente a sua culpa”. Uma coisa, porém, é certa: se, por acaso, alguma acusação for comprovada, nada vai acontecer.

*Luiz Holanda

Advogado e professor universitário

 

Carta do 17º Encontrão da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão

Chamamos quem plantou antes de nós,
chamamos nós para plantar e chamamos quem vai plantar depois de nós.
Hoje não estamos entregando sementes,
estamos devolvendo ao mundo a memória que a TERRA confiou a nós.
Que cada grão encontre chão, e que cada chão encontre gente que cuida.
Semente é promessa.  E promessa quando é do povo, não se quebra.
Que germine o cuidado. Que frutifique a Teia.
Com a força dos troncos velhos, brota a nossa resistência.


Nádia Carvalho
Comunidade Alegria, Território Campestre – Coletivo de Mulheres Trabalhadores do Maranhão – CMTR e

MIQCB

 Nós, quilombolas, indígenas, quebradeiras de coco babaçu, pescadores e pescadoras, ribeirinhas e ribeirinhos, sertanejas e sertanejos, agricultoras e agricultores, e organizações aliadas que nos reunimos no território quilombola Tanque da Rodagem e São João, Matões, entre 2 e 6 de julho de 2026, celebramos os 15 anos da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão em seu 17º Encontrão. 

 Há 15 anos, a luta quilombola contra um crime do latifúndio – o assassinato de Flaviano Pinto Neto, liderança quilombola do Território Charco, município de São Vicente Ferrer, em 30 de outubro de 2010 – foi abraçada pelos indígenas em um ato de solidariedade; e assim nasceu uma nova aliança entre os povos do Maranhão. Nasceu uma Teia que articula aqueles que se reconhecem na luta pelo direito de ser, estar e permanecer onde os troncos velhos fincaram raízes, brotaram e espalharam sementes.

 A aliança na luta, que marcou o nascimento Teia, passou a constituir a sua essência: acudir e colocar os corpos e corações a serviço dos seus. Assim, os povos da Teia estiveram com o povo Krenjê na retomada que garantiu seu território em 2018. Esteve com os Akroá Gamella quando foram brutalmente atacados por fazendeiros, pistoleiros e políticos em 2017, e quando a polícia sequestrou suas lideranças em 2021 no contexto da luta contra a invasão do território pela Equatorial Energia. E esteve em massa em Tanque da Rodagem, também em 2021, para se juntar à resistência contra a invasão, o desmatamento e a destruição do território por grileiros e seus tratores. 

A violência no campo no Maranhão seria muitas vezes mais brutal se não existisse a Teia.

E hoje, os povos podem comemorar vitórias. Quantos Grupos Técnicos de demarcação de terras quilombolas foram criados! Quanto avançou o reconhecimento do território Akroá Gamella! A ocupação do Incra em julho de 2011, destravou dezenas de processos de titulação. E em breve, o quilombo do Charco, onde ocorreu o martírio de Flaviano Pinto Neto que motivou a ação de 2011, será titulado. Completar 15 anos é também um rito de passagem. É olhar para traz com orgulho, mas também estar consciente de que muito mais coragem, determinação e compromisso são e serão cobrados, porque os inimigos dos povos e dos territórios tradicionais estão cada vez mais gananciosos, vorazes e violentos. 

 Tanque da Rodagem parou tratores e expulsou grileiros com seus corpos, mas o veneno e a soja avançam contra seu território. O agro facínora segue em ritmo veloz, contaminando as águas, destruindo as matas, adoecendo e expulsando o povo em centenas de comunidades no Maranhão, com drones e aeronaves das quais despejam toneladas de venenos sobre nossos Corpos Territórios, numa cruel e prolongada guerra química, sob os olhares complacentes de autoridades públicas.

Assim, neste 17º Encontrão da Teia, os Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão, afirmam:

1. Estarem conscientes e dispostos a enfrentarem os/as inimigos/as na luta pela demarcação e garantia dos territórios, pelo enfrentamento ao agro e aos agrotóxicos, contra a lei 14.701 que regulamenta o Marco Temporal para demarcação de terras indígenas e outros ataques contra a destruição dos babaçuais, contra as eólicas nos territórios pesqueiros, e contra governos e empresas que vão tentam nos cooptar, comprar, dividir. Reafirmamos o nosso direito de autodefesa, na forma e nos tempos que aquilo que nos ameaça exige.

  2.  Garantir a reprodução da vida nos territórios e os direitos da natureza, da qual somos parte, é a meta para a construção do nosso horizonte de bem viver.  A Teia pautará e avançará nos debates sobre as legislações que afetam ou promovem os direitos territoriais dos Povos e Comunidades Tradicionais, indígenas e quilombolas, como o decreto de regularização fundiária de territórios tradicionais. Pautará e avançará no encaminhamento das demandas de saúde e educação. Pautará e avançará no debate sobre sistemas produtivos e economia.  Reafirmamos que protegeremos nossa alegria, nossas encantarias, nossas espiritualidades e nossa fé na vida e na força do nosso povo. 

       3.   Nós reconhecemos e reafirmamos como seres políticos, e assumimos o compromisso de enfrentar a extrema direita em todos os espaços onde ela atua. Estamos cientes de que a direita, seus prefeitos, deputados, senadores e candidatos, bem como seu dinheiro, seus empresários e seus aliados busca nossa aniquilação. Estamos cientes de que o atual Congresso é inimigo do povo, e nos comprometemos trabalhar para evitar que esta situação seja radicalmente alterada.

 O 17º Encontrão homenageia e reverencia a memória teimosa de Cu’tetet Krenjê, que ancestralizou, ao cumprir 15 anos de construção da Teia. Ele passou a Borduna para a juventude. As várias gerações que articulam a Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão têm a missão de cumprir estes compromissos e de assumir esta missão. É um compromisso dos brotos novos com seus troncos velhos, aos quais não virarão as costas.

  Território Quilombola Taque da Rodagem/Macaúba/São João
Município de Matões – Maranhão
7 de julho de 2026

Fonte: CPT NACIONAL